Globo 50 Anos: A Próxima Vítima

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Suspense, traições e romances davam o tom da novela, cuja espinha dorsal era centrada em três perguntas: “quem matou?”, “quem será a próxima vítima?” e “por quê?”. Um Opala preto, que segue as vítimas, é o único indício de que o assassino está por perto.

A trama policial tem como principais cenários a Mooca e o Bixiga, em São Paulo – universos recorrentes nos trabalhos de Silvio de Abreu –, e também apresenta a história da batalhadora Ana (Susana Vieira), dona de uma cantina italiana, amante há 20 anos do mau-caráter Marcelo (José Wilker), com quem tem três filhos: Carina (Deborah Secco), Sandrinho (André Gonçalves) e Giulio (Eduardo Felipe). Marcelo é casado, por interesse, com a rica Francesca Ferreto (Tereza Rachel), mas vive um tórrido romance com a inescrupulosa Isabela (Claudia Ohana), sobrinha de sua esposa e noiva de Diego (Marcos Frota), que desconhece seu verdadeiro caráter. O verdureiro Juca (Tony Ramos), meio-irmão de Marcelo e dono de uma barraca de frutas no Mercado Municipal de São Paulo, é apaixonado por Ana, mas ela só tem olhos para o pai de seus filhos. Juca, por sua vez, é pai de Tonico (Selton Mello) e Iara (Georgiana Góes).

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A história fica ainda mais movimentada com a chegada ao Brasil de Romana (Rosamaria Murtinho), outra irmã das Ferreto. Ela chega acompanhada do suposto filho adotivo Bruno (Alexandre Borges), que é, na verdade, seu amante.

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A mansão dos Ferreto é o cenário para as traições de Marcelo e Isabela. Ali também mora o casal Eliseo (Gianfrancesco Guarnieri) e Filomena (Aracy Balabanian). Irmã de Francesca, Filomena controla os negócios de sua tradicional família com mão de ferro, além de manipular a vida de muitos personagens, principalmente a do marido, um homem humilhado e submisso. A ambiciosa Carmela (Yoná Magalhães), irmã mais nova de Francesca e Filomena, também vive na mansão. Ressentida por ter sido abandonada pelo marido, ela projeta na filha Isabela sua esperança de conseguir um lugar de destaque no mundo. Ao longo da novela, Carmela se envolve com o jovem Adriano (Luigi Palhares). O autor usou a história para discutir as questões da relação de uma mulher madura com um rapaz mais novo.

Com o desenrolar da trama, Francesca descobre o romance de Marcelo e Ana e fica inconformada com o fato de ele ter três filhos com a amante. Logo depois, ela é assassinada misteriosamente. Ela viajaria para flagrar o marido com a amante, mas é encontrada envenenada na sala do aeroporto.

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Uma série de assassinatos, aparentemente sem motivo e conexão entre si, passa a ocorrer na história. Intrigada com a sequência de mortes inexplicáveis, a jovem estudante de Direito Irene (Vivianne Pasmanter) tenta descobrir não só a identidade do matador, mas quem será a próxima vítima. Paralelamente ao trabalho do detetive Olavo (Paulo Betti), Irene inicia uma minuciosa investigação após ver o pai, Hélio (Francisco Cuoco), e a tia, Julia (Glória Menezes), assassinados. Hélio foi envenenado por um uísque na sala VIP do aeroporto. O carro de Julia foi fechado por um Opala preto. O assassino lheu deu um tiro, e ela morreu horas mais tarde no hospital. Uma lista de horóscopo chinês, recebida pelas vítimas antes do crime, é o que há de comum entre todas as mortes.

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Entre os que morrem na trama estão, ainda, Leontina (Maria Helena Dias), cuja sela foi afrouxada de propósito, fazendo com que ela caísse do cavalo e batesse com a cabeça em uma pedra; Paulo Soares/Arnaldo Roncalho (Reginaldo Faria) foi atropelado pelo Opala preto no começo da novela; Josias (José Augusto Branco) foi empurrado na linha do trem; Yvete (Liana Duval) foi morta a pauladas em casa; o contador Cléber Noronha (Antônio Pitanga) foi empurrado no poço do elevador do prédio onde morava; Ulisses Carvalho (Otávio Augusto), irmão de Ana, morreu na explosão de uma pizzaria; e Eliseo morreu asfixiado por monóxido de carbono, após levar uma coronhada na garagem da mansão dos Ferreto.

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Paralelo aos assassinatos em série, outros dois crimes ocorrem na trama, planejados ou executados por Isabela. O primeiro foi o de Andréia Barcelos (Vera Gimenez), secretária do Frigorífico Ferreto, assassinada com um tiro pela vilã. Depois, foi a vez de Romana Ferreto, afogada por Bruno na piscina da mansão dos Ferreto, enquanto estava dopada. Bruno estava executando um plano de Isabela.

Ao fim da trama, descobre-se que todas as vítimas do assassino em série tinham ligação entre si. As mortes foram queimas de arquivo, em decorrência do assassinato de Gigio di Angelis (Carlos Eduardo Dolabella), morto a tiros em 1968. O criminoso é desmascarado no último capítulo: Adalberto (Cecil Thiré), marido de Carmela Ferreto e pai de Isabela, que havia sumido depois de ter gasto todo o dinheiro da esposa.

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CURIOSIDADES

A novela chegou a seus capítulos finais cercada por grande suspense. Diante do assédio da mídia para descobrir o assassino e da repercussão da trama junto ao público,Silvio de Abreu foi obrigado a fazer algumas alterações no desfecho da história policial. Chegou-se a cogitar a exibição ao vivo do último capítulo, para evitar que o final fosse descoberto antes da transmissão. O autor conta que ele e o diretor Jorge Fernando resolveram gravar às 13h três possíveis desfechos – a novela ia ao ar às 20h30. Silvio de Abreu mandou as cenas alternativas para a emissora, com o capítulo já editado. Quando entraram no estúdio, os atores receberam suas falas, e só então ficaram sabendo quem era o assassino.

Silvio de Abreu afirmou que a estratégia de escrever capítulos falsos foi usada durante toda a novela, com o objetivo de evitar que a imprensa publicasse quem iria morrer. O autor revelou que mantinha uma sinopse secreta, desconhecida até mesmo por José Bonifácio de Oliveira, o Boni, então vice-presidente de operações da TV Globo. Segundo Silvio, a identidade do assassino já estava definida desde a sinopse.

Claudia Raia contou que, quatro dias antes de terminar a novela, Silvio de Abreu pediu que ela fizesse uma participação especial. O autor exigiu sigilo absoluto e a orientou para que chegasse ao estúdio maquiada, e vestida com sua própria roupa, como quem faz uma visita aos amigos. Tudo já estava combinado com o diretor Jorge Fernando. A aparição da atriz no último dia de novela causou alvoroço no elenco e nos jornalistas, ávidos por descobrir quem era o assassino. Nos fundos de uma casa cenográfica, horas antes de a novela ir ao ar, o diretor gravou a personagem de Claudia fazendo uma breve caminhada e morrendo com um tiro. É a última cena da novela, que deixa no ar um novo mistério.

O ator André Gonçalves chegou a ser espancado na rua por causa do personagem homossexual que interpretava na trama.

O sucesso da novela e do verdureiro Juca, interpretado por Tony Ramos, foi tão grande que o personagem deu nome a duas barracas de frutas no Mercado Municipal de São Paulo.

Zé Bolacha foi inspirado num tio de Silvio de Abreu, chofer de caminhão em Catanduva (SP). O autor declarou que o personagem foi criado especialmente para Lima Duarte e, caso o ator não quisesse ou pudesse fazê-lo, “a novela perderia uma de suas mais intrigantes e simpáticas figuras”.

Silvio de Abreu homenageou o amigo Gilberto Braga ao batizar de Felipe Barreto o cirurgião plástico que opera Isabela (Claudia Ohana) quando Marcelo (José Wilker) corta seu rosto com uma faca. A novela O Dono do Mundo (1991), de Braga, tinha como protagonista um cirurgião plástico homônimo, interpretado por Antonio Fagundes.

Próxima Vítima  foi uma das primeiras novelas de Deborah Secco, e a sua primeira no horário nobre da TV Globo. O bordão “Socorro!”, dito por sua personagem, Carina, surgiu do vocabulário da filha adolescente de Silvio de Abreu.

Membros do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher condenaram e qualificaram como estímulo ao machismo as imagens em que Isabela (Claudia Ohana) é jogada da escada pelo noivo Diego (Marcos Frota) e esfaqueada no rosto pelo amante, Marcelo (José Wilker).

A Próxima Vítima foi a primeira novela de Alexandre Borges na TV Globo. Ele já havia atuado nas minisséries Incidente em Antares (1994) e Engraçadinha… Seus Amores e Seus Pecados (1995).

A personagem Julia (Glória Menezes), que se envolve em uma campanha de apoio a meninos de rua, foi inspirada na artista plástica Yvone Bezerra de Mello, que se dedicava intensamente à causa na época, e m seu livro As Ovelhas Desgarradas e seus Algozes.

Em função da venda para o mercado externo, Silvio de Abreu criou outro desfecho para a trama, sem prejudicar o mistério da novela. O autor voltou às imagens já gravadas, reeditou e eliminou algumas cenas, a fim de manter a coerência e o suspense da história. A versão exibida em Portugal teve como assassino Ulisses, personagem interpretado por Otávio Augusto. Essa mesma versão foi ao ar na reprise da novela na sessão Vale a Pena ver de Novo e em outros países. A Próxima Vítima foi reapresentada na TV Globo a partir de julho de 2000.

A Próxima Vítima foi vendida para mais de 20 países, entre os quais Cuba, Estados Unidos, Guatemala, Hungria, Letônia, México, Nicarágua, Panamá, Peru, Portugal, República Dominicana, República Tcheca, Rússia, Uruguai e Venezuela.

Fonte: Memória Globo

Quem amava essa novela? Gostaram? Voltamos na sexta-feira, com mais um programa inesquecível pra você!

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