Globo 50 Anos – coberturas: Morte Lady Di

Paris, agosto de 1997. Morre a princesa de Gales, Diana, num acidente de carro. Conhecida como Lady Di, a ‘princesa do povo’ estava acompanhada do namorado, Dodi Al-Fayed.


A HISTÓRIA

Era o início da madrugada do dia 31 de agosto de 1997 quando a princesa Diana e seu namorado, o empresário egípcio Dodi Al-Fayed, deixaram o Hotel Ritz, onde estavam hospedados em Paris, a bordo de um Mercedes guiado pelo motorista Henri Paul. Dentro do veículo também encontrava-se o guarda-costas de Fayed, Trevor Rees-Jones.

O carro, que estava sendo perseguido por paparazzi, colidiu com uma pilastra do túnel da Pont d’Alma, matando Diana, Dodi e Henri, e deixando o guarda-costas seriamente ferido e desmemoriado. Apesar de diversas teorias, as investigações concluíram que o motivo do acidente foi a alta velocidade do veículo, que fugia do grupo de fotógrafos, e o consumo de álcool por parte do motorista, Henri Paul.

EQUIPE E ESTRUTURA

Um time de correspondentes da Globo cobriu, de Londres, a morte de Diana: William Waack, Ana Luiza Guimarães, Marcos Uchoa e Beth Lima. César Tralli acompanhou as investigações diretamente de Paris, desde o momento em que o acidente ocorreu. Dos Estados Unidos, Edney Silvestre, Sônia Bridi,Roberto Cabrini e Heloisa Villela repercutiram a tragédia.

DESTAQUES

Plantão

Carro em que estava Lady Di

As primeiras notícias sobre o acidente envolvendo a princesa de Gales foram ao ar durante a transmissão de um jogo do Brasil, no sábado à noite, quando já era madrugada em Paris. César Tralliera o repórter de plantão no escritório da Globo na capital inglesa: “Era meu plantão, me lembro que eu já estava indo embora para casa. Um jogo do Brasil era transmitido ao vivo, com narração do Galvão Bueno. Daí começou a pintar a notícia de que Diana tinha se envolvido num grave acidente em Paris e o mistério era se ela estava bem ou não. O nosso escritório tinha uma estrutura mínima para entrar ao vivo, compramos um horário no satélite. Eu me lembro o Galvão me chamando no intervalo do primeiro tempo: ‘Vamos ao escritório de Londres, com notícias sobre um acidente que envolve a princesa Diana.’ A gente deu vários boletins, dizendo o que tinha acontecido até aquele momento. Quando veio a confirmação da morte dela, fomos uma das primeiras emissoras do mundo a entrar ao vivo. A gente estava realmente prontinho: quando viesse a confirmação, a gente interrompia a programação e entrava ao vivo de Londres. Demos a notícia rapidamente. Fui pra casa, fiz uma malinha e peguei o primeiro trem, porque não tinha voo de madrugada, de Londres para Paris. Eram três e meia da manhã quando eu embarquei para Paris para cobrir a morte da Diana.”

“Quando veio a confirmação da morte dela, fomos uma das primeiras emissoras do mundo a entrar ao vivo” César Tralli sobre a notícia da morte de Diana Spencer

Eric Hart, na época editor internacional do Jornal Nacional¸ explica como se deu a decisão de enviar César Tralli para o local. “O acidente foi na madrugada no horário europeu, e quando se confirmou a notícia, a gente precisava mandar alguém rapidamente para cobrir de Paris. Na época, a gente não tinha escritório lá, tinha só em Londres. Imediatamente, mandamos o César Tralli e, no dia seguinte, ele estava ao vivo no Fantástico.”

Primeiras notícias

Na manhã do domingo, 31 de agosto, o Esporte Espetacular acompanhou as primeiras notícias sobre a morte da princesa, mostrando, através de imagens de agências internacionais, o local do acidente, as homenagens na frente do Palácio de Buckingham, assim como a entrevista coletiva na qual Jean-Louis Debré, ministro do Interior da França, declarou, oficialmente, a morte de Diana Spencer.

Edição Especial

O Fantástico daquele domingo dedicou-se quase que exclusivamente à cobertura detalhada sobre o acidente que matou a princesa. Luiz Nascimento, diretor do programa, relembra que a agilidade fui fundamental para essa edição: “Lady Di morreu na noite de sábado para domingo. Mesmo assim, no Fantástico do dia seguinte tinha repórter ao vivo de Londres, de Paris, de todos os locais.”

Assim que chegou em Paris, César Tralli fez uma matéria falando sobre as acusações de que os fotógrafos que estavam perseguindo a princesa seriam responsáveis por sua morte. Charles Spencer, seu irmão, havia escrito um comunicado responsabilizando a imprensa por seu falecimento. A matéria também dava um breve histórico sobre o assédio que Diana sofria por parte da imprensa desde que havia se casado com o príncipe Charles. Em outra reportagem, Tralli entrevistou o médico brasileiro Leonardo Esteves Lima, que havia socorrido Diana assim que ela chegou ao Hospital Salpetriere, em Paris. “A gente conseguiu conversar com o médico brasileiro que a atendeu no hospital, foi muito marcante”, declara o correspondente.

O namoro de Diana com o milionário egípcio Dodi Al-Fayed também foi assunto no dominical, que mostrou trechos de uma entrevista coletiva de Mohamer Al-Fayed, pai de Dodi e dono da loja de departamentos Harrods. Ana Luiza Guimarães, correspondente da Globo em Londres, falou sobre os casos amorosos da princesa.

Foi ao ar um perfil de Diana Frances Spencer, nascida em 1 de julho de 1961 e morta naquela madrugada, aos 37 anos, com toda sua trajetória, desde o casamento com o príncipe Charles até seus romances pósseparação. O matrimônio que tornou a plebeia realeza, ocorrido em 29 de julho de 1981, havia sido o evento televisionado de maior audiência no mundo, até então, com cerca de 750 milhões de espectadores em mais de setenta países.

Ainda foram ao ar, naquele domingo, uma matéria de Delis Ortiz com a nota de pesar do embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima e sua esposa, Lúcia, amigos pessoais da princesa morta; reportagens das correspondentes Sônia Bridi, de Nova York, e Beth Lima, de Londres, sobre o inconfundível estilo de Diana, copiado por mulheres de todas as raças; a repercussão de sua morte no mundo; trechos de uma entrevista que Lady Di deu à BBC de Londres sobre ter sido infiel durante o casamento;  sua visita ao Brasil; e uma simulação de como o acidente teria ocorrido.

No final daquela edição, foram exibidas imagens do caixão de Diana chegando a Londres, coberto pela bandeira da casa de Windsor, e das flores que estavam sendo depositadas na frente do Palácio de Buckingham. O velório de Dodi Al-Fayed também foi mostrado.

A mais fotografada do mundo

Quando faleceu, Lady Di era a mulher mais fotografada do mundo. Mesmo após sua morte, a exploração da imprensa sensacionalista, sobretudo inglesa e europeia, não mudou, como mostrou o correspondente William Waack, de Londres, ao Jornal Nacional do dia 1º de setembro. Fotos da princesa morta estavam circulando em veículos sensacionalistas.

 Também da capital inglesa, Ana Luiza Guimarães mostrou a comoção local: milhares de buquês de flores já cobriam as calçadas em frente aos palácios de Kensington e Buckingham, e as filas para assinar o livro de condolências eram enormes.
Marcos Uchoa visitou os lugares frequentados pela princesa de Gales em sua rotina; enquanto Beth Lima mostrou os soldados carregando o caixão da princesa, que partia deixando dois filhos pequenos: William, de 15 anos, e Harry, de 12.

De Paris, César Tralli falou sobre as investigações da polícia francesa, enquanto William Waack fez uma matéria sobre as imagens das câmeras do circuito interno do Hotel Ritz, quando Diana e Dodi deixaram o local para entrar no Mercedes. O depoimento do guarda-costas e a última entrevista de Diana, na qual ela afirmava que iria se casar com Dodi para a revista Paris Match, também foram assunto da matéria.

Na mesma edição do telejornal, Edney Silvestre, correspondente nos Estados Unidos, falou sobre as ações humanitárias da princesa e encontros com Madre Teresa da Calcutá, Nelson Mandela, vítimas de minas e doentes terminais. O repórter lembrou o encontro de Diana com um militar brasileiro mutilado em uma mina explosiva em Honduras, pouco mais de um mês antes de sua morte.

Família real

Durante a semana seguinte, a cobertura da Globo seguiu em todos os telejornais. O Bom Dia Rio de 3 de setembro mostrou que as reverências à princesa estendiam-se pelo mundo todo: no Rio de Janeiro, uma rua havia sido batizada de “Rua Princesa Diana de Gales”.

No Jornal Nacional de 4 de setembro, William Waack falou, de Londres, sobre a reação da família real, considerada pela imprensa local e pela opinião pública como ‘fria’, por ter se isolado no Palácio de Balmoral, na Escócia, e não ter prestado pronunciamento oficial – o que só viria a acontecer dias mais tarde, por ocasião de seu funeral. Em Paris, César Tralli entrevistou o fotógrafo Romuald Hart, indiciado na morte da princesa. Ele negou ter participado da perseguição.

Teorias conspiratórias

As suspeitas de que Diana teria sido assassinada começaram a surgir na internet, como mostrou William Waack de Londres para o Jornal Hoje de 5 de setembro. “Trabalhei desesperadamente nesse caso. O que mais me fascinou foi o estado coletivo em que o país entrou. Não só o país, porque o fenômeno não se restringiu a Londres, à Inglaterra ou ao Reino Unido. Teve uma projeção mundial, europeia, particularmente”, relembra Waack.

No JN foram ao ar imagens de Diana e Dodi andando da porta do Hotel Ritz até o Mercedes estacionado diante da rua e vários fotógrafos os aguardando. De Paris, César Tralli informou que a polícia interrogava os funcionários do Ritz e que oito fotógrafos haviam sido indiciados por suposta perseguição.

Globo Repórter

“A cobertura da morte de Diana realmente foi marcante” César Tralli, sobre seu trabalho em Paris

Um programa especial, inteiramente voltado para a memória da princesa Diana, foi ao ar naquela sexta-feira, 5 de setembro. Houve matérias dos correspondentes Ana Luiza Guimarães, Pedro Bial e Beth Lima, todos de Londres; de César Tralli, de Paris, e do jornalistaRoberto Cabrini, dos Estados Unidos. A vida da princesa, seu trabalho caridoso, a perseguição dos tabloides, a fúria dos paparazzi e seu acidente fatal foram abordados. César Tralli relembra: “A cobertura da Diana realmente foi marcante. Eu fiquei duas semanas em Paris, acho que dormia três horas por noite, duas horas e meia. A gente fez um Globo Repórter com a reconstituição de como ela morreu. Contratamos motoqueiros, porque tinha aquela coisa de que o Mercedes estava sendo perseguido pelos paparazzi, e fizemos uma reconstituição muito fiel, filmando dentro e fora do carro.”

Velório e cortejo

Funeral de Diana

No sábado seguinte à tragédia, a Globo transmitiu ao vivo a chegada do cortejo fúnebre e o velório de Lady Di na Abadia de Westminister. A cerimônia, para dois mil convidados, contou com apresentações do cantor Elton John e de um discurso do então primeiro-ministro britânico Tony Blair. A narração ficou por conta dos jornalistas Pedro Bial, dos es

“Eu nunca tinha transmitido um funeral na minha vida. E tinha acabado de assumir o posto de correspondente ali. Confesso que eu não sei como eu consegui fazer aquilo”, relembra William Waack. “Entramos ao vivo de manhã, com Pedro Bial no estúdio. Eu estava controlando a transmissão. Foi muito impactante, uma daquelas grandes coberturas. Praticamente todos os canais estavam no ar, mas a gente fez um belo trabalho”, recorda-se Renê Astigarraga, então editor internacional do Jornal Nacional.

A cobertura seguiu no JN daquela noite, com matéria de Ana Luiza Guimarães sobre como foi montada a operação de segurança para a cerimônia, transmitida para 187 países e assistida por cerca de 2,5 bilhões de pessoas. Depois, conforme informou a correspondente, o corpo de Diana seguiria para a sua cidade natal, Althorp, onde ficam os túmulos da família Spencer. túdios da Globo, no Rio de Janeiro, e William Waack, de Londres.

Entrevista exclusiva

O Fantástico de 7 de setembro mostrou o mar de flores que havia tomado conta do Palácio de Buckingham no dia seguinte ao funeral da princesa. Uma matéria sobre seus filhos, William e Harry, também foi ao ar. Edney Silvestre fez uma reportagem sobre como a bebida alcoólica pode afetar os reflexos de um motorista – motivo mais provável para a causa do acidente de Diana.

“A gente tinha um furo ali.” Zeca Camargo sobre sua entrevista com Elton John 

Ainda na mesma edição do dominical, Zeca Camargo realizou uma entrevista exclusiva com o cantor Elton John, amigo pessoal da princesa. “Eu me lembro de entrevistar o Elton John semanas depois da Princesa Diana ter morrido, ele que já tinha feito uma música para ela. Foi uma entrevista interessante. Ele não ia falar da Princesa Diana, simplesmente. Quando você entrevista uma celebridade, um grande astro assim, tem uma série de coisas que você não pode falar. Eu já estava acostumado com isso. Naquele caso, era óbvio, eu sabia que vinha um veto para não falar nem da Princesa Diana, nem do estilista Gianni Versace, que tinha morrido também poucas semanas antes. E, a uma certa altura, ele tocou no assunto. Então, a gente tinha um furo ali, vamos dizer, porque todo mundo queria saber do grande amigo da Diana e a gente tinha isso no Fantástico por uma circunstância interessante”, relembra o jornalista.

Um ano depois

O Fantástico de 7 de junho de 1998 exibiu uma reportagem de Ana Luiza Guimarães, diretamente de Londres, sobre as possibilidades cogitadas para a morte da princesa. “Os minutos seguintes ao acidente guardam segredos que a polícia não conseguiu decifrar: houve omissão de socorro? O que fizeram os fotógrafos? O que viram as testemunhas que passaram pelo túnel no momento da tragédia? Sem as respostas para essas perguntas, a morte da princesa continua sendo um mistério”, disse a correspondente. Apesar do tempo ter passado, não se havia chegado a uma conclusão. Para a polícia francesa, a combinação de álcool e alta velocidade havia sido fatal. O guarda-costas estava com amnésia e pouco podia ajudar a polícia. Mohamed Al-Fayed, pai de Dodi, acreditava que o acidente tinha sido um atentado para impedir que a mãe do futuro rei da Inglaterra se casasse com um muçulmano. Inúmeras teorias conspiratórias haviam sido levantadas por um documentário britânico lançado naquela semana.

Para a edição do Fantástico de um ano da morte da princesa, a repórter Beth Lima foi até a cidade natal de Diana, Althorp, e registrou o movimento de admiradores que iam prestar homenagens em seu túmulo. Ana Luiza Guimarães mostrou a inauguração da Althorp House, museu dedicado à princesa.

Dez anos

Para lembrar a primeira década da morte de Diana Spencer, um show beneficente foi produzido no estádio de Wembley, com a participação de músicos e dos filhos da princesa. As imagens foram exibidas no Fantástico de 1º de junho de 2007, juntamente com trechos de entrevistas concedidas a uma rede de televisão britânica pelos príncipes William e Harry, então com 24 e 22 anos.

FONTES

Depoimentos concedidos ao Memória Globo por: César Tralli (15/04/2010), Eric Hart (06/06/2011), Luiz Nascimento (22/01/2001), Renê Astigarraga (10 e 11/02/2011), William Waack (29/05/2002) e Zeca Camargo (17/12/2007); Fantástico 31/08/1997, 07/07/1998, 07/09/1997, 30/08/1998, 01/07/2007; Bom Dia Rio 03/09/1997; Esporte Espetacular 31/08/1997; Globo Repórter 05/09/1997; Jornal Hoje05/09/1997; Jornal Nacional 01/09/1997, 04/09/1997, 06/09/1997; Programação Especial 06/09/1997.


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Um comentário em “Globo 50 Anos – coberturas: Morte Lady Di

  1. Eu era criança quando a Princesa Diana morreu. Mas me lembro muito dela e sobretudo de sua morte. A impressão que eu tinha dela naquela época era de que Di era a mulher mais importante do planeta! A principal, digamos assim. E hoje, já adulta, ainda penso assim, por tudo o vocês detalharam aqui. A Lady se destacava em tudo: moda, caridade, política, amor, e imprensa. Claro que esta última ajudou e muito a disseminar a imagem da princesa para o mundo. Porém, a imprensa só fazia isso porque Diana conseguia atraí-la. A Di era dona de um carisma surpreendente, por tudo o que foi dito. A Di era carismática, não porque fazia tipo ou um personagem. Di foi carismática, atraente, porque ela sabia ser ela mesma, de cara limpa, natural. Di foi magnífica porque foi simples, e não complexa, como alguns pensam. Di era Di e ponto. Obrigada por disponibilizar a cobertura da Globo sobre a morte de Diana. Gostaria que vocês disponibilizasse também os vídeos com as reportagens que fizeram na época, em especial da visita que Di fez ao Brasil. Os fãs da princesa agradeceriam e muito.

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