Globo 50 Anos – coberturas: Clonagem da ovelha Dolly

CLONAGEM DA OVELHA DOLLY

O primeiro clone da história foi realizado na Escócia, a partir das células de uma ovelha adulta. O nascimento de Dolly mudou os rumos da pesquisas genéticas.

A HISTÓRIA

Em fevereiro de 1997, pesquisadores escoceses do Instituto Roslin anunciaram nas páginas da revista Nature o êxito de uma experiência inédita: a realização de uma cópia geneticamente perfeita de uma ovelha adulta. O animal, batizado de Dolly, nasceu no dia 5 de julho de 1996, viveu seis anos e teve filhotes.

A experiência provocou muita polêmica: discutia-se, de um lado, os benefícios das pesquisas para o tratamento de inúmeras doenças e, de outro, as implicações éticas da clonagem.

EQUIPE E ESTRUTURA

Participaram desta cobertura os correspondentes da Globo em Londres William Waack, Marcos Losekann e Caco Barcellos; e os repórteres Heloísa Villela, Álvaro Pereira Júnior, Ana Luiza Guimarães e Sandra Passarinho.

A Globo acompanhou a evolução dos acontecimentos desde o anúncio do nascimento de Dolly, com matérias periódicas no Jornal Nacional e reportagens especiais no Fantástico.

DESTAQUE

O anúncio da clonagem da ovelha foi ao ar, pela primeira vez, no Jornal Nacional do dia 24 de fevereiro de 1997. “Os cientistas que conseguiram uma cópia perfeita de uma ovelha garantem: vai ser possível fazer a mesma coisa com o ser humano”, anunciou o apresentador William Bonner.

Em seguida, uma reportagem de William Waack esclarecia que as pesquisas nessa área poderiam trazer contribuições no tratamento de doenças como câncer e hemofilia, aumentando as chances de cura de milhões de pessoas. Entretanto, ressaltava, a experiência de clonar seres humanos poderia gerar situações absurdas; como a de criação de clones para transplantes, cópias de filhos únicos ou ainda clones de ditadores.

Repercussão internacional

Na semana em que foi anunciado o nascimento de Dolly, o Fantástico realizou uma cobertura especial. “Será um marco histórico, que nos aproxima da clonagem de seres humanos, ou apenas mais um capítulo na eletrizante evolução da engenharia genética?”, perguntavam os apresentadores Pedro Bial e Cláudia Cruz. Em seguida, o programa exibiu várias imagens da ovelha, dos cientistas no laboratório de Edimburgo e da repercussão mundial do feito.

O departamento de arte do programa dominical produziu uma animação para explicar aos telespectadores quais eram os procedimentos da clonagem. Trechos de uma entrevista com o professor Yan Wilmot, chefe da pesquisa, foram ao ar, junto com as reações do então presidente norte-americano, Bill Clinton, e do papa João Paulo II, que se posicionou contra a técnica.

Novas ovelhas clonadas

Na semana seguinte, em 2 de março de 1997, o Fantástico voltou a tratar do assunto, desta vez levantando a questão de quais animais poderiam ser clonados. Em dezembro deste mesmo ano, a repórter Ana Luiza Guimarães realizou uma matéria para o Jornal Nacional onde falava da clonagem de mais duas ovelhas, Molly e Polly, pelos mesmos cientistas do Instituto Rosling, da Escócia.

Em 23 de abril de 1998, o correspondente William Waack anunciou, diretamente de Londres para oJornal Nacional, o nascimento de Bonnie, o filhote de Dolly com o carneiro David.

Em março do ano seguinte, no dia 31, o Jornal da Globo anunciou que Dolly havia dado à luz mais filhotes, também do carneiro David.

Em 1999, os cientistas descobriram que Dolly apresentava sinais de envelhecimento precoce. A divulgação, ocorrida novamente na revista especializada Nature, foi repercutida pela Globo no Jornal Nacional. 

Clone humano

No começo de 2001, o médico italiano Severino Antinori chocou o mundo ao anunciar que estava tentando clonar um ser humano. Pouco tempo depois, em 2002, declarou que uma das suas pacientes estava grávida do primeiro clone humano. A notícia foi ao ar no Jornal Nacional do dia 5 de abril. Nessa mesma data, a repórter Heloísa Villela mostrou que os cientistas norte-americanos receberam com desconfiança o anúncio da experiência de Antinori. Na matéria, a geneticista Mayana Zatz, da Universidade de São Paulo, apontava o risco de o embrião clonado ser abortado e do bebê apresentar doenças genéticas e má-formação ao nascer.

Anos mais tarde, em novembro de 2006, o médico anunciou que desistira do clone humano, afirmando ter sido vencido “por questões éticas e legais”. Antinori nunca apresentou provas científicas do sucesso das suas experiências.

Morte de Dolly

Em reportagem exibida pelo Jornal Nacional em 14 de fevereiro de 2003, o correspondente da Globo em Londres, Marcos Losekann, noticiou que a ovelha fora sacrificada, aos seis anos, depois de diagnosticada uma doença pulmonar progressiva. Seu corpo empalhado encontra-se exposto no Royal Museum of Scotland, em Edimburgo, na Escócia.

O Fantástico de 5 de junho de 2005 levou ao ar uma entrevista exclusiva do então correspondente da Globo em Londres, Caco Barcellos, com o criador da ovelha Dolly, Ian Wilmut, na Escócia. Os temas abordados foram transplantes de órgãos, células tronco e o avanço das pesquisas na área de clonagem.

Dez anos depois

Em 23 de fevereiro de 2007, por ocasião da comemoração de uma década da primeira clonagem de animais, a repórter Sandra Passarinho realizou uma matéria para o Jornal Nacional, entrevistando os médicos Antônio Carlos de Carvalho e Helena Martinho sobre os avanços que haviam ocorrido neste campo.

Dois dias depois, o Fantástico voltou a tratar do tema em reportagem especial. O jornalista Álvaro Pereira Junior entrevistou os cientistas Fernando Reinach, Rodolfo Rumpf e Franklin Rumjanek, que haviam sido ouvidos pelo programa em 1997. “As pessoas tinham essas loucuras, que a gente ia fazer clone do Pelé”, falou Fernando Reinach a respeito das primeiras impressões sobre a clonagem. “Iria se clonar o Hitler, o Isaac Newton, o Einstein, e outras personalidades famosas também”, completou Franklin Rumjanek, que, durante a entrevista, questionou: “a grande pergunta que se coloca é: para que clonar seres humanos?” Os três cientistas foram unânimes ao afirmar que a contribuição da clonagem não teria nada a ver com gerar gente em série.  Produzir órgãos para transplantes ou abrir o caminho das pesquisas de células-tronco seriam, sim, as colaborações mais importantes.

FONTES

MEMÓRIA GLOBO. Jornal Nacional: a notícia faz história. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004; Jornal Nacional, 19-21/06/1984; Fantástico (23/02/97, 02/03/97, 05/06/05, 25/02/07); Jornal Nacional(24/02/97, 23/04/98, 31/03/99, 05/04/02, 14/02/03, 23/02/07).


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