Reviva: Os 35 anos das três Marias da televisão. Relembre!

Maria José (Glória Pires), Maria da Glória (Maitê Proença) e Maria Augusta (Nádia Lippi)

Há 35 anos, estreou a novela “As Três Marias” no horário das seis da Globo. Ainda sob a direção de Herval Rossano, o núcleo experimentava uma sequência com uma trama contemporânea (a anterior foi “Marina”). Vale lembrar que, desde que assumiu o horário, em 1975, Rossano só produzia novelas de época inspiradas em obras da literatura.

O romance de Rachel de Queiroz, no qual a novela foi baseada, foi publicado em 1939, entretanto sua trama para a televisão foi trazida para a atualidade de 1980. Apesar dos esforços para emplacar mais uma novela, “As Três Marias” não fez sucesso. O adaptador,Wilson Rocha, desentendeu-se com o diretor Herval Rossano e foi substituído por Walther Negrão, que transformou a história de Rachel de Queiroz numa trama policialesca com direito a um “quem matou?”.

Maria José (Glória Pires) e Lucas (Kadu Moliterno)

Na história da novela, as três marias do título – Maria Augusta (Nádia Lippi), Maria José (Glória Pires) e Maria da Glória (Maitê Proença) – se reencontram depois de anos afastadas, Elas foram colegas num internato na Suíça (no livro original, o internato era em Fortaleza, Ceará). Os problemas atuais que cada uma delas enfrenta acaba por unir esses laços novamente.

Maria José (Glória Pires) cresceu atormentada pela mãe, Júlia (Elizabeth Gasper), uma mulher amargurada que não superou o fato de ter sido abandonada pelo marido, Ramiro (José Augusto Branco), que se casou com outra mulher. Influenciada pela mãe, Maria José não consegue se apegar a nenhum homem, pois tem medo de passar o que ela passou. Nem mesmo pelo romântico Aluísio (Marco Nanini), que desenvolve uma paixão platônica pela amiga. O publicitário mulherengo Lucas (Kadu Moliterno), se apaixona verdadeiramente por Maria José, mas ela o rejeita, apesar de balançada. A mãe ainda proíbe o namoro, por saber dos antecedentes do rapaz.

Guta (Nádia Lippi) / Raul (Edney Giovenazzi)

Maria da Glória (Maitê Proença) é a mais rica das três. Perdeu o pai quando era adolescente e nunca superou o fato. Administra os bens da família e se esconde atrás da casca de mulher determinada. É, na realidade, muito frágil e carente. O namorado Afonso (João Paulo Adour), que está interessado em sua fortuna, se aproveita de sua fragilidade para dominá-la. Glória fica balançada por Davi (Edwin Luisi), amigo de Afonso que percebe tudo e tenta abrir-lhe os olhos.

Afonso (João Paulo Adour) e Maria da Glória (Maitê Proença)

Maria Augusta, a Guta (Nádia Lippi), é a mais madura das três marias. No romance original, a história é narrada em primeira pessoa por Guta. Ela perdeu a mãe cedo e afastou-se do pai Conrado (Mauro Mendonça) quando ele casou-se com Lourdes (Elizabeth Hartmann) e constituiu uma nova família. Sentindo-se sem um lar, Guta procura seu lugar no mundo através de suas relações amorosas. Muito bonita, ela é desejada por Davi (Edwin Luisi), que desistiu de ajudar Glória, e por Raul Torreão (Edney Giovenazzi), um artista plástico preso à ex-mulher, Alzira (Jacqueline Laurence), que tem uma relação doentia com ele, apesar de separados.

Conrado (Mauro Mendonça) e Lourdes (Elizabeth Hartmann), pai e madrasta de Guta

Quem reúne as três marias no início da novela é Teresa (Kátia D´Angelo), outra amiga dos tempos de internato. Mas Teresa enfrenta um problema sério: ela faz um aborto ao saber que ficou grávida de Raul Torreão. É quando um crime movimenta a trama da novela. Teresa é assassinada. Seu amigo, o jovem médico Antônio (Denis Derkian), começa a investigar o crime por conta própria ao saber que o médico responsável pelo aborto fora o Dr. Macedo (Roberto de Cleto). Ao descobrir a verdade sobre a morte de Teresa, Antônio é assassinado e o Dr. Macedo também.

Quem matou Teresa, Antônio e o Dr. Macedo? O delegado Damasceno (Jorge Cherques) é o responsável pelo caso. Ao final, ele descobre que Alzira fora a mandante dos crimes. Ela mandou o médico matar Teresa, depois, seu amigo Antônio, por fim, ela mesma matou o Dr. Macedo, seu cúmplice. Alzira encomendou a morte de Teresa por ciúmes, ao saber que ela engravidara de seu ex-marido Raul.

Júlia (Elizabeth Gasper) e Ramiro (José Augusto Branco), pais de Maria José

Um núcleo interessante de “As Três Marias” era o de Jandira (Clarisse Derziê), outra amiga das moças. Ela sofria com o marido desempregado Leonel (José de Abreu), um homem violento, e tinha que sustentar a família. Uma tragédia se abate sobre sua casa: o filho pequeno morre, num acidente doméstico, por negligência dos pais. Uma grande amiga de Jandira era Aurinívea (Glauce Graieb), uma ex-freira que se entrega ao amor ao conhecer Davi – ele, de família judia, numa relação desaprovada pela mãe, Ruth (Joyce de Oliveira).

Leonel (José de Abreu) e Jandira (Clarisse Derziê)

As Três Marias” marcou a estreia de José de Abreu na televisão. Foi também a primeira novela de Maitê Proença na Globo (ela vinha da Tupi). E a última novela do jovem ator Osmar de Mattos, que morreu antes da estreia, num acidente automobilístico em São Paulo. Osmar havia gravado cinco capítulos, como Cleber, um amigo de Teresa, e chegou a aparecer no ar. Com a morte do ator, seu personagem deixou de existir. Ele havia feito sucesso em “Dancin´Days”, dois anos antes, como o modelo fotográfico Ricardo, que chegou a se envolver com Verinha (Lídia Brondi).

Alzira (Jacqueline Laurence) e Jonas (Cláudio Corrêa e Castro), pai de Lucas

A trilha sonora de “As Três Marias” foi bem marcante, com alguns sucessos das rádios daquele tempo, como o tema de abertura, “Eu e a Brisa”, belíssima gravação de Baby Consuelo, e “Fonte da Saudade”, uma das mais bonitas canções da dupla gaúcha Kleiton e Kledir. A principal música da trilha era “Canção de Verão”, hit instantâneo do Roupa Nova que virou o hino do verão de 1981.

“É como um sol de verão queimando no peito
Nasce um novo desejo em meu coração
É uma nova canção rolando no vento
Sinto a magia do amor na palma da mão
É verão! Bom sinal! Já é tempo
De abrir o coração e sonhar…” 

Aurinívea (Glauce Graieb) e Davi (Edwin Luisi)

Depois de duas novelas contemporâneas de pouca repercussão (“Marina” e “As Três Marias”), a Globo não teve dúvida, voltou com uma produção de época à seis: “Ciranda de Pedra”, e acertou em cheio.

Fotos preto-e-brancas: CEDOC/TV Globo – Fotos coloridas: Reprodução

Fonte e Texto: Blog do Nilson Xavier/CanalViva

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