Ferreto – capítulo 23 (último capítulo)

Ferreto

Série inspirada e baseada no núcleo Ferreto da novela A Próxima Vítima, escrita por Silvio de Abreu com colaboração de Alcides Nogueira e Maria Adelaide Amaral, exibida pela Rede Globo em 1995. A minha intenção ao escrever a série é homenagear os 20 anos da novela, contando o passado das personagens Ferreto, a criação do roteiro e parte do enredo é de minha autoria, coisas ditas na novela pelas personagens formam a composição do enredo. Deixo claro que a Rede Globo, os autores Silvio de Abreu, Alcides Nogueira e Maria Adelaide Amaral, não tem vinculo algum com a série faço por conta própria.

Débora Costa

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Capítulo 23 (Último Capítulo)

Cena 1

Dia Seguinte – Mansão Ferreto – Suíte de Francesca e Gigio

GIGIO: (está se arrumando, pensativo).

FRANCESCA: (se aproxima, o abraça por trás, o olha pelo espelho) Por que está com essa cara amore?

GIGIO: Você acha pouco as coisas que estão acontecendo?

FRANCESCA: (olhando Gigio pelo espelho) Se for pela ameaça do Marcelo, nem leve em consideração Gigio, isso só mostra a imaturidade dele.

GIGIO: (se vira de frente para Francesca, a olha) Não, isso mostra que ele te ama e que é capaz de tudo por você, mas eu não dou a mínima para esse moleque, mas me importo com você, com o que senti e por quem senti.

FRANCESCA: (olhando Gigio) Antes você não se importava com nada disso…

GIGIO: Disse bem, antes, porque agora me importo, não quero que falem que minha mulher tem aventuras por ai, já basta tudo que passei por causa do seu amante.

FRANCESCA: Gigio é melhor mudarmos de assunto ou vamos acabar brigando, e ficar mal com você é a última coisa que quero amore. (passa a mão no cabelo de Gigio) Te amo. (beija Gigio).

GIGIO: (beija Francesca).

FRANCESCA: (olha Gigio, sorri) Sabe eu estava pensando amore, que tal darmos uma festa para nossos amigos.

GIGIO: Uma festa? Que tipo de festa?

FRANCESCA: (sorri, se afasta, anda pelo quarto) Uma festa para celebrarmos nosso momento. (olha Gigio sorri) E se fizermos uma festa comemorando o ano novo chinês?

GIGIO: (sorri) Até que não é má ideia, eu faço tudo que você quiser, só falar quando e onde.

FRANCESCA: (abraça Gigio o olha, demonstra felicidade) Eu estava pensando em nosso iate, desde quando compramos nunca fizemos bom uso. (da risada).

GIGIO: É verdade, fica lá encostado, nunca temos tempo.

FRANCESCA: Você nunca tem tempo…

GIGIO: Mas agora terei.

FRANCESCA: (sorri) Perfeito… Vou ver algumas coisas e te falo o dia.

GIGIO: Tudo bem.

FRANCESCA: (se afasta) Vamos tomar café?

GIGIO: Vamos. (sai com Francesca).

Frigorifico Ferreto – Sala de Marcelo

FILOMENA: (está sentada no lugar de Marcelo).

MARCELO: (entra, a olha) Filomena… Bom dia.

FILOMENA: (olha Marcelo) Sente – se, tenho duas coisas para te falar, uma boa e a outra ruim, qual você prefere primeiro?

MARCELO: (se senta, olha Filomena) A ruim.

FILOMENA: Soube da briga que você e Gigio tiveram aqui, aliás, todos já sabem, e é isso que quero evitar, que os problemas da família fique na boca do povo.

MARCELO: Mas Filomena…

FILOMENA: (interrompe Marcelo) Ainda não terminei de falar, aqui não é lugar para ficar se agarrando com Cesca, espero que isso não se repita mais e não ameace Gigio, você não sabe do que ele é capaz.

MARCELO: Posso falar agora?

FILOMENA: Pode.

MARCELO: Eu estava trabalhando quando Cesca entrou e me beijou, Gigio viu e partiu para cima de mim… Agora quanto a ameaça não posso fazer nada, eu fiquei com raiva dele… Eu sei que aqui é local de trabalho, peço desculpas.

FILOMENA: Desculpas não adiantam porque o escândalo já aconteceu, mas espero que isso não se repita.

MARCELO: Não vai…

FILOMENA: (se levanta).

MARCELO: Qual é a boa notícia?

FILOMENA: (olha Marcelo) Você está se saindo muito bem, sinceramente não esperava um bom desempenho de sua parte, mas está me surpreendendo.

MARCELO: (sorri um pouco) Obrigado.

FILOMENA: (vai saindo, olha Marcelo) Mesmo assim se arrumar outra confusão será demitido. (sai).

MARCELO: Pelo menos dessa vez ela me deu bom dia… (sorri).

Mansão Vasconcellos – Sala

ADALBERTO: (está sentado, pensativo).

CARMELA: (desce as escadas, está com Isabela no colo, se aproxima de Adalberto) Adalberto… Está tudo bem?

ADALBERTO: (olha Carmela, sorri um pouco) Esta sim Cacá…

CARMELA: (se senta, o olha) Mesmo? Você não conseguiu dormir direito… Por acaso você fez outra divida de jogo?

ADALBERTO: (olha Carmela) Não, está tudo bem mesmo.

CARMELA: Se você diz… Eu vou levar Isabela para Filomena e não demoro.

ADALBERTO: Espera me deixa ficar um pouco com ela depois você leva. (pega Isabela no colo).

CARMELA: (observa Adalberto) Se tem divida ou não, não sei, mas que está acontecendo alguma coisa está.

ADALBERTO: (pensativo, olhando Isabela).

Uma Semana Depois – Dia da Festa – Fazenda Ferreto

MARCELO: (está caminhando pela fazenda).

CASEIRO: (se aproxima) O que está achando daqui rapaz?

MARCELO: (sorri um pouco) É um lugar muito bonito.

CASEIRO: É sim, depois se você quiser te mostro a fazenda toda.

MARCELO: Eu quero ver sim.

CASEIRO: Você me dá licença porque tenho que resolver um assunto ai, mas não demoro viu, até logo. (sai).

MARCELO: Só falta você aqui Cesca…

Guarujá – Hotel – Suíte de Francesca e Gigio

FRANCESCA: (ao telefone) Nada vai dar errado meu querido, é só prestar atenção quando eu der o sinal, não esqueça, quando eu balançar a echarpe branca você entra no iate, te amo. (desliga o telefone).

GIGIO: (entra).

FRANCESCA: (se levanta, sorri) Amore, estava agora mesmo verificando os últimos detalhes da nossa festa.

GIGIO: (sério) Eu ouvi você falando eu te amo… Quem estava com você ao telefone? Aquele moleque?

FRANCESCA: Gigio você está ficando paranoico querido.

GIGIO: (segura o braço de Francesca, a encara) Eu estou entrando no seu jogo para ver até onde você é capaz de ir Francesca.

FRANCESCA: Me solta você está me machucando!

GIGIO: E posso machucar muito mais, então para de correr atrás de Marcelo. (solta Francesca, sai).

FRANCESCA: (com raiva, com a mão no braço) Você vai ver até onde vou chegar Gigio…

Corredor

GIGIO: (se encosta na parede, está chateado).

ELISEO: (se aproxima) Gigio… Está tudo bem?

GIGIO: (olha Eliseo) Está, é só o cansaço… E Filomena?

ELISEO: Estou indo falar com ela agora, está hospedada numa suíte no andar de cima.

GIGIO: Vou com você. (entra no elevador com Eliseo).

Suíte de Filomena

FILOMENA: (está deitada, com a mão na cabeça).

ELISEO: (bate na porta, entra, está com Gigio, olha Filomena) Está tudo bem?

FILOMENA: Não… Eu quis saber o que aconteceria se eu parasse de tomar o remédio que o médico disse que seria para a vida toda… E me arrependi, a minha cabeça está doendo horrores.

ELISEO: Mas por que você foi fazer isso Filó?…

FILOMENA: Já falei porque, não faz pergunta idiota, já basta a dor.

GIGIO: E você trouxe o remédio?

FILOMENA: (olha Gigio) Sim, e não finja preocupação porque isso é culpa sua.

GIGIO: (olha Filomena) Eu me arrependi de verdade… Sei que foi grave o que fiz, mas eu estava fora de mim… (se senta na cama ao lado de Filomena, a olha muito) Lamento de verdade e fico feliz por você ter ficado viva, sei que ultimamente tenho brigado muito com você, mas foi porque vi que perderia meu lugar para você, que é muito competente, inteligente, sabia que Salvatore te daria plenos poderes nos negócios.

FILOMENA: Por que está falando tudo isso?

GIGIO: Porque quero que você me perdoe, mais do que querer… Eu preciso que me perdoe.

ELISEO: (observa).

FILOMENA: (olhando Gigio) Vamos esquecer isso… Te perdoo.

GIGIO: Mesmo? Você me perdoa por ter te empurrado da sacada?

FILOMENA: Sim e se me lembrar disso toda hora não perdoo mais.

GIGIO: (sorri) Está bem… Muito obrigado… Você não sabe o alivio que me dá. (se levanta) Eu vou até o iate e espero vocês na festa.

FILOMENA: Se eu não melhorar não vou conseguir ir.

GIGIO: Até a noite você vai estar bem. (sorri, sai).

ELISEO: (se senta ao lado de Filomena a olha) Me explica o que aconteceu… Por que você perdoou Gigio? Ele tentou te matar, se você estivesse morta ele iria pedir perdão como?

FILOMENA: (olha Eliseo) Senti sinceridade nele… Lógico que uma coisa assim é inesquecível, ainda mais com um remédio que te lembra diariamente do que aconteceu, mas… Eu quis perdoar, é estranho, mas quis.

ELISEO: Eu não perdoaria e não perdoo…

FILOMENA: Você já alugou o quarto que falei?

ELISEO: Já, mas é desnecessário, vou ficar aqui com você.

FILOMENA: Nós não somos casados e você sabe como as pessoas adoram falar da vida alheia, o quarto serve como fachada entendeu… Agora me faz um favor, fecha a cortina, a claridade está acabando comigo. (coloca a mão na cabeça).

ELISEO: (fecha as cortinas).

Noite – Hotel – Recepção

GIGIO: (esta de saída).

ELISEO: (está entrando no hotel).

GIGIO: Eliseo eu já estou indo para a festa, Filomena melhorou?

ELISEO: Quando eu saí ela estava dormindo, acho que não vamos.

GIGIO: Uma pena, mas se você quiser ir fique á vontade.

ELISEO: Obrigado, qualquer coisa eu olho a festa do hotel, e Cesca?

GIGIO: Já está na festa, agora vou pra lá, até logo. (sai).

Festa no Iate

(Assista a cena da festa no link abaixo, se não assistir não vai entender a continuação da cena).

Iate

FRANCESCA: (mostra estar desesperada, olha Julia e Hélio) É melhor vocês irem embora.

HÉLIO: (nervoso, preocupado) Eu posso ajudar.

FRANCESCA: Não, é melhor vocês irem agora.

HÉLIO: Está bem, vou aguardar notícias. (sai com Júlia que está nervosa).

LEONTINA: Dona Francesca é melhor chamarmos a polícia.

FRANCESCA: (olha séria para Leontina) Ainda não, antes quero falar com vocês… Eu quero que o que Gigio disse antes de morrer, morra com ele, vocês não vão contar nada a ninguém e muito menos para a polícia.

LEONTINA: Mas dona Francesca…

FRANCESCA: (interrompe Leontina, olha as pessoas em volta) Cem mil dólares… É o que vou pagar pelo silêncio de cada um de vocês. (olha Arnaldo) Você concorda?

ARNALDO: (olhando Francesca) Sim, eu não vou falar nada.

FRANCESCA: (olha todos novamente) Quero ouvir a resposta de cada um, conto com a descrição de vocês que será muito bem paga?

JOSIAS: Eu aceito.

KLEBER: (pensativo, olha Francesca) Concordo.

FRANCESCA: (olha Leontina) E você Leontina? Cem mil dólares não caem tão facilmente em suas mãos todos os dias… Aceita?

LEONTINA: (olha Francesca) Sim.

FRANCESCA: (olha Ivete) E você?

IVETE: (está com medo) Eu não quero fazer parte disso.

ARNALDO: Deixa de bobagens, a madame está oferecendo uma grana só para calarmos a boca.

JOSIAS: Você já faz parte disso, viu o mesmo que nós.

IVETE: (com medo) Está bem… Eu aceito.

FRANCESCA: (sorri) Ótimo… Em breve cada um irá receber o que prometi.

Dia Seguinte – Manhã – Hotel – Suíte de Filomena

FILOMENA: (está se arrumando).

ELISEO: (entra, a olha, está assustado, preocupado, se aproxima dela) Filó…

FILOMENA: (olha Eliseo).

ELISEO: (a olhando) Aconteceu uma coisa muito ruim no iate.

FILOMENA: (preocupada) Com Cesca? Onde ela está?

ELISEO: Não foi com ela… (a olha nos olhos) Foi com Gigio.

FILOMENA: Para com essa enrolação e fala de uma vez o que aconteceu.

ELISEO: Gigio foi assassinado.

FILOMENA: (olhando Eliseo, sem acreditar) Assassinado…

ELISEO: Alguém entrou no iate e atirou em Gigio várias vezes.

FILOMENA: (olhando Eliseo) Quem fez isso?

ELISEO: Ninguém sabe.

FILOMENA: Eu vou até lá, preciso ver Cesca. (vai saindo).

ELISEO: (segura Filomena a olha) Não vai lá ainda, você não vai gostar do que vai ver, acredite, eu fui lá e parece cenário de filme de terror.

Iate

DELEGADO: A senhora não viu quem atirou no seu marido?

FRANCESCA: (abalada) Não, eu só ouvi o barulho dos tiros e quando vim ver o que estava acontecendo vi Gigio caído aqui… (chora).

DELEGADO: A senhora sabe se seu marido tem inimigos, ou se tem desavenças?

FRANCESCA: (pensativa, olha o delegado) Tem… Tem sim, um empregado nosso, ele é contador do frigorifico, ele e Gigio tiveram uma briga feia e ele ameaçou Gigio de morte na frente de todo mundo, meu marido descobriu um desfalque que ele deu na nossa empresa, foi horrível.

DELEGADO: Onde podemos encontrar esse homem?

FRANCESCA: (chora) A minha secretária pode informar o endereço, agora eu posso ir?

DELEGADO: Pode.

FRANCESCA: (vai saindo do iate, sorri).

Dois Dias Depois – Fazenda Ferreto – Sala

FRANCESCA: (entra, sorri ao ver Marcelo, o abraça) Meu amor agora sim… Agora estamos livres de uma vez por todas de Gigio.

MARCELO: (olha muito Francesca) Me conta como isso aconteceu quem matou o Gigio?

FRANCESCA: Foi o Carlos, as testemunhas o reconheceram, sei que estou sendo fria diante de tudo isso Marcelo, mas Carlos me livrou de Gigio para sempre, agora estou livre, estamos livres para vivermos o nosso amor.

MARCELO: (olhando Francesca, sorri) Vendo por esse lado…

FRANCESCA: (sorri, beija Marcelo).

Mansão Ferreto – Escritório

FILOMENA: Toda essa história está acabando comigo, não aguento mais essa maldita perseguição da imprensa.

ELISEO: O assassinato de Gigio foi um acontecimento.

FILOMENA: Ainda não acredito no que Carlos foi capaz…

ELISEO: (olha Filomena) Ele jura que não foi ele quem matou Gigio.

FILOMENA: Se declarar culpado é que ele não vai, o fato é que ele foi reconhecido por algumas pessoas que estavam no iate.

ELISEO: Agora Cesca tem o caminho livre para ficar com Marcelo.

FILOMENA: Eu só espero que ela deixe Gigio esfriar, porque se Cesca assumir o caso com Marcelo agora as pessoas vão comentar.

ELISEO: (pensativo).

Noite – Apartamento de Adalberto

FRANCESCA: (entra).

ADALBERTO: Cesca até que enfim você resolveu vir falar comigo.

FRANCESCA: (olha Adalberto) Você fez um ótimo trabalho querido.

ADALBERTO: (sorri, se aproxima) Agora vamos poder ficar juntos.

FRANCESCA: (se afasta, olha Adalberto) Não vamos ficar juntos… Eu estou apaixonada por outra pessoa.

ADALBERTO: (sério) Você está brincando?

FRANCESCA: É sério, eu estou apaixonada por Marcelo e vou ficar com ele.

ADALBERTO: (segura os braços de Francesca, está nervoso) Eu matei Gigio como você mandou! Você disse que ficaríamos juntos!

FRANCESCA: Adalberto me solta.

ADALBERTO: Não! Eu cansei de ser seu brinquedinho, que você usa e quando cansa encosta num canto! Você vai vir comigo agora!

FRANCESCA: Para com isso! (consegue se soltar,olha muito para Adalberto) Nem tente agir contra mim, se me entregar todos irão saber que você é o verdadeiro assassino de Gigio e não aquele infeliz do Carlos.

ADALBERTO: (fica com vontade de chorar) Eu amo você… Você disse que viria comigo.

FRANCESCA: Mas não vou e espero que você não me procure mais, o que houve entre nós acabou… Agradeço por ter me livrado de Gigio… Espero que você fique bem querido… E não faça nenhuma besteira. (sai).

ADALBERTO: (se senta, chora) Maldita… Ordinária!

Dias Depois – Mansão Ferreto – Sala

FRANCESCA: (ao telefone) Isso será uma cerimônia intima aqui na minha casa.

MARCELO: (entra).

FRANCESCA: (não vê Marcelo, sorri) Esse dia está perfeito, obrigada. (desliga).

MARCELO: (se aproxima, sorri) Conseguiu o padre que queria para fazer nosso casamento?

FRANCESCA: (olha Marcelo, sorri, o abraça) Sim amore, e ele disse que pode vir no próximo sábado, eu estou muito feliz.

MARCELO: Eu também Cesca, até parece mentira que vamos nos casar.

FRANCESCA: (feliz) Mas é verdade Marcelo, nosso pesadelo acabou. (beija Marcelo).

FILOMENA: (entra, olha Francesca e Marcelo se beijando) Vocês dois vivem se agarrando em qualquer lugar da casa é impressionante.

FRANCESCA: (sorri) Agora eu posso.

FILOMENA: (olha Marcelo) E você? O que está fazendo aqui?

MARCELO: Cesca me chamou, e não precisa ficar brava, daqui a pouco volto para o frigorifico.

FILOMENA: Acho bom.

FRANCESCA: (da risada) É interessante ver como vocês se dão bem.

MARCELO: Nem tanto, é cada coisa que sua sorella me diz.

FRANCESCA: Mas nunca te ouvi reclamar.

MARCELO: É porque sei que esse é o jeito dela.

FILOMENA: Eu estou aqui, não falem como se fosse invisível.

ELISEO: (entra, está aflito).

FILOMENA: (olha Eliseo) Eliseo… Que cara é essa? Não diga que é algo ruim, já chega o que aconteceu…

ELISEO: (olha Filomena) Você ainda não sabe o que aconteceu com o Carlos?

FRANCESCA: Não me diga que ele saiu da prisão, era só o que faltava.

ELISEO: (olha Francesca) Ele saiu de certa forma.

FILOMENA: Para com esse suspense e fala de uma vez o que aconteceu per Dio.

ELISEO: Carlos se matou na cadeia.

MARCELO: (olhando Eliseo) Quando foi isso?

ELISEO: Hoje de manhã, ele se enforcou…

FRANCESCA: (se senta pensativa).

FILOMENA: Dio…

FRANCESCA: Agora essa história acabou de vez… Carlos irá fazer companhia a Gigio no inferno.

ELISEO: Carlos afirmava ser inocente… O assassino de Gigio pode ser outra pessoa.

FRANCESCA: (olha séria para Eliseo) As testemunhas viram Carlos no iate, Carlos ameaçou Gigio de morte, todos ouviram, então para de falar esse tipo de bobagem, Carlos matou Gigio e pagou em vida e agora pagará com a morte queimando no inferno.

FILOMENA: Para de falar assim Cesca… Vamos encerrar esse assunto de uma vez por todas, acabou eu não quero mais ouvir essas coisas… Vem comigo Eliseo. (entra no escritório).

ELISEO: (olha Francesca, entra no escritório).

MARCELO: (se senta ao lado de Francesca a olha muito) Cesca… Você acha que Carlos era mesmo o assassino de Gigio?

FRANCESCA: Tenho certeza amore, e se ele se matou foi porque quis fugir da pena que deram a ele, e como disse Filomena, já chega desse assunto. (sorri) Vamos falar do nosso casamento.

MARCELO: (olhando Francesca) Você teve alguma coisa nessa história? Pode me contar, confia em mim.

FRANCESCA: (se levanta, indignada) Marcelo! Como você é capaz de pensar uma coisa dessas de mim?

MARCELO: (se levanta, olha Francesca) Você disse que daria um jeito definitivo para se livrar de Gigio e ele foi assassinado.

FRANCESCA: (fica com vontade de chorar) Não acredito, eu estava tão feliz, e foi só falar nesse maldito assunto que tudo acabou! Eu seria incapaz de fazer uma coisa horrível dessas, eu estava sim preparando algo para me livrar de Gigio, mas eu o faria ir para a cadeia… Absurdo Marcelo.

MARCELO: (abraça Francesca) Desculpa amore, não fica assim.

FRANCESCA: (abraçada com Marcelo, pensativa).

Escritório

FILOMENA: (o telefone toca, atende) Alô. (olha Eliseo, disfarça) Não posso falar agora, estou ocupada.

ELISEO: (observa).

FILOMENA: Eu já falei para me deixar em paz, depois falamos sobre isso. (desliga).

ELISEO: Quem era?

FILOMENA: Um repórter, ele vive me atormentando para que eu fale sobre a morte de Gigio.

ELISEO: (olha Filomena) Pela sua cara, o modo como falou, tenho quase certeza que era Adalberto.

FILOMENA: Você agora lê expressões faciais? Não era Adalberto, por que ele me ligaria?

ELISEO: Era isso que eu gostaria de saber.

FILOMENA: (se levanta) Odeio quando você começa com essas coisas.

ELISEO: (se levanta) Está bem… Não precisa ficar assim.

FILOMENA: (olha Eliseo) Eu tenho que sair, vou comprar o vestido para usar no casamento da Cesca, quer vir comigo?

ELISEO: Não vai dar, eu tenho que passar no frigorífico, mas eu volto mais tarde.

FILOMENA: Va bene, então nos vemos mais tarde, mas se começar com isso de Adalberto de novo é melhor nem vir.

ELISEO: (a olha muito) Você sabe que faço isso porque tenho ciúmes dele.

FILOMENA: Mas não precisa ter! Ele é casado com Carmela, e mesmo se fosse o último homem na terra, eu não ficaria com ele, não o suporto, coloca na sua cabeça, o único homem que eu amo é você.

ELISEO: (sorri) É bom ouvir isso, eu também te amo.

FILOMENA: (sorri, o beija, o olha) Até mais tarde. (sai).

ELISEO: (fica sério) Vestido… Sei, pois vamos ver aonde você vai amore.

Clube – Quadra

ADALBERTO: (está parado).

FILOMENA: (se aproxima, está brava) Para de ficar me ligando! Eu já te falei que não vou comprar os bens que babbo deixou para Carmela!

ADALBERTO: (sorri, a olha) Oi, vou bem e você?

FILOMENA: (séria) Adalberto, se você não parar de ficar atrás de mim eu vou ter que falar para Carmela, e vou criar uma história que será impossível ela não acreditar, você não entende, Eliseo sabe que é você que fica me ligando, não quero problemas com ele.

ADALBERTO: Por que você não o deixa e fica comigo.

FILOMENA: (da risada, olha Adalberto) Sabe que seria interessante, você trabalhar no circo como palhaço. (séria, o olha) Eu nunca vou fazer isso, e já perdi tempo demais aqui com você. (vai saindo).

ADALBERTO: (a segura, a olha muito) Enquanto você não aceitar o meu convite para sair, vou continuar te ligando, eu sei que você também quer.

FILOMENA: Eu vou contar até três para você tirar essa mão de mim.

ADALBERTO: (a solta sorri, coloca as mãos para cima) Pronto.

FILOMENA: Adalberto presta atenção… Eu sei que você deve estar se roendo por dentro de tanto ódio porque Cesca preferiu Marcelo e te chutou de novo, e sei que é por isso que está atrás de mim, mas eu não aceito sobras, nunca precisei disso. (o olha nos olhos) Você é lixo da minha sorella, não me serve para nada, você é um inútil. (sorri, sai).

ADALBERTO: (fica com raiva).

ELISEO: (estava vendo Filomena e Adalberto conversar, pensativo).

Mais Tarde – Apartamento de Eliseo

ELISEO: (está sentado em frente á uma máquina de escrever, pensativo, começa a escrever, ao terminar pega o papel, lê em voz alta) Eu sei que você é o assassino, eu vi você matar Gigio Di Angelis na festa chinesa. (pensativo) Com isso eu vou tirar você do meu caminho Adalberto…

Dia Seguinte – Mansão Ferreto – Sala

CARMELA: (entra desesperada) Filomena! Cesca!

FILOMENA: (sai do escritório, preocupada) O que foi? Por que todo esse escândalo?

CARMELA: (nervosa, chorando, se aproxima de Filomena) O Adalberto foi embora, não faço ideia pra onde, esse desgraçado foi embora e me deixou sem nada!

FILOMENA: Fica calma Carmela, como você sabe que está sem nada?

CARMELA: Porque ele teve a cara de pau de me escrever! Ele disse que vendeu tudo que babbo me deixou porque precisava do dinheiro, e ainda disse que sabia que eu ficaria bem. (chora).

FILOMENA: Ele vendeu o que exatamente?

CARMELA: (nervosa) Tudo! Até minhas ações!

FILOMENA: (olhando Carmela) Suas ações estão comigo… Eu as comprei para que não caíssem em mãos erradas.

CARMELA: (se senta, indignada) Filó… Você teve a coragem de fazer isso comigo?

FILOMENA: Eu comprei só as ações, o resto não faço ideia do que ele fez, mas eu comprei porque já sabia que você não seria capaz de mante – las por muito tempo e estava certa.

CARMELA: E você fala isso assim com essa calma, com essa cara de pau!

FILOMENA: (olhando Carmela) Acredite, fiz isso por Isabela, pelo futuro dela, e é por ela que digo que essa casa está de portas abertas para vocês, agora que ficaram sem nada.

CARMELA: (chora) É claro que me restou voltar para cá… Não tenho mais nada e manter uma casa como aquela sozinha será impossível, se é que ele não a vendeu também…

FILOMENA: (olhando Carmela, pensativa) Por que ele foi embora?

CARMELA: E eu sei lá, mas também não quero saber, espero que ele nunca mais volte! Por que depois de tudo isso que ele me fez nunca irei perdoa – lo.

Alguns Meses Depois – Frigorifico Ferreto – Sala de Marcelo

FRANCESCA: (entra, olha Marcelo, sorri) Amore, está muito ocupado?

MARCELO: (sorri) Para a minha mulher nunca estou ocupado.

FRANCESCA: (se senta no colo de Marcelo, o beija, o olha sorri) Eu tenho uma surpresa para você.

MARCELO: É mesmo?

FRANCESCA: (olhando Marcelo) A partir de hoje você é um dos acionistas do frigorifico Ferreto.

MARCELO: (sorri, olhando Francesca) Como assim?

FRANCESCA: (da risada) Simples meu amor, passei uma parte das minhas ações para o seu nome, agora você terá direitos como todos os acionistas.

MARCELO: (fica feliz, beija Francesca, a olha) Grazie amore, você é uma mulher incrível.

FRANCESCA: (olha em cima da mesa de Marcelo, um pedaço de papel com um telefone escrito e um nome, pega, olha Marcelo) Quem é Ana?

MARCELO: (sorri, olha Francesca) É uma moça que chegou faz pouco tempo aqui, ela mora na Mooca.

FRANCESCA: E por que você tem o telefone dela?

MARCELO: Eu a encontrei na rua por acaso, conversamos, e ela me deu o numero caso tivesse uma vaga aqui para ela trabalhar.

FRANCESCA: (olhando Marcelo, rasga o papel) Aqui não tem mais vagas amore.

MARCELO: (sorri) Sabia que com ciúmes você fica ainda mais linda.

FRANCESCA: (sorri) Você ainda não viu nada… (beija Marcelo).

Mansão Ferreto – Sala

FILOMENA: (está com Isabela, sentada no chão, a chamando para ver se ela anda) Vem bambina, vem com a titia.

ISABELA: (dá alguns passos em direção á Filomena).

CARMELA: (se aproxima, observa).

FILOMENA: (sorri a segura) Que linda meu amor, logo você estará andando pela casa toda não é?

CARMELA: (com ciúmes, pega Isabela de Filomena a olha) Acho que agora é minha vez de ficar com a minha filha.

FILOMENA: (se levanta, olha Carmela) Você não fica com ela porque não quer.

CARMELA: Mentira! Você sempre a pega e não me deixa ficar com a menina.

DIVA: Com licença, dona Filomena, telefonema para a senhorita.

FILOMENA: Vou atender no escritório. (olha Carmela) Comigo ela andou, e o que você fez por ela?… (entra no escritório).

CARMELA: (imitando Filomena) Comigo ela andou… (olha Isabela, sorri) Sua titia te ama, mas eu amo muito mais porque você é minha filha.

Escritório

FILOMENA: (ao telefone) Não acredito que você teve coragem de ligar, o que quer?… Ela está ótima, melhor do que com você…

ELISEO: (entra).

FILOMENA: (não vê Eliseo, continua falando ao telefone) Se você me ligar de novo é capaz de acharem que eu sei onde você está. (olha Eliseo, disfarça, continua falando ao telefone) Vou proibir de passarem suas ligações. (desliga, olha Eliseo) Faz parte da educação bater na porta antes de entrar.

ELISEO: Com quem estava falando?

FILOMENA: Era engano, mas toda hora esse inútil se engana e já estou sem paciência… Amore você acredita que a Carmela está com ciúmes da Isabela comigo?

ELISEO: Acredito você parece ser a mãe e não ela.

FILOMENA: Não exagera… Eu gosto muito da bambina.

ELISEO: Isso você não precisa nem falar. (sorri).

FILOMENA: (sorri) E também Carmela não é capaz de cuidar nem dela mesma quem dirá da Isabela, não quero que a bambina seja como ela, uma inútil.

ELISEO: (sorri) Vamos almoçar?

FILOMENA: Vamos, vou buscar a minha bolsa. (sai).

ELISEO: (fica sério) Engano uma ova, esse infeliz foi pra longe mas ainda está me incomodando, vou ter que tomar providências… Mandar outro bilhete e ver se assim ele some da minha vida, sai do meu caminho!

Uma Semana Depois – Mooca – Casa de Zé Bolacha – Quarto de Leontina e Zé Bolacha

LEONTINA: (está se arrumando, pega umas correspondências que estão na penteadeira, olha uma por uma, vê um envelope apenas com destinatário no nome dela, abre, tem uma lista do horóscopo chinês).

LEONTINA: (lê em voz alta) Estão todos condenados… (pensativa, com medo).

Mais Tarde – Haras

ADALBERTO: (está andando disfarçado pelo haras, observa Zé Bolacha e Leontina, se aproxima de um rapaz) Com licença, me pediram para preparar os cavalos para aquele casal, mas não sei quais devo preparar, você pode me ajudar?

RAPAZ: Sim, vem comigo que eu te mostro os animais.

ADALBERTO: (sorri, vai com o rapaz).

Minutos Depois

LEONTINA: (está cavalgando, percebe que a sela está soltando, cai do cavalo, bate a cabeça em uma pedra).

ZÉ BOLACHA: (fica desesperado ao ver a mulher caída) Leontina! (vai correndo até ela, se abaixa para ver como ela está) Leontina! (a olha muito).

LEONTINA: (está fraca, olha Zé, fala baixo, quase sem forças) Não diga que eles me mataram… Proteja nossa família… Todos vão morrer… Procure a lista chinesa… Estão todos condenados. (perde as forças, morre).

ZÉ BOLACHA: (fica desesperado).

ADALBERTO: (observa de longe) Quero ver se agora vou ser ameaçado novamente… (coloca os óculos de sol, sai andando tranquilamente).

São Paulo – 1995

PAULO: (Arnaldo resolveu mudar o nome para Paulo Soares,está trabalhando em um escritório que fica dentro de um edificio, o telefone toca, atende) Alô… Sim… (fica preocupado) Como é que foi isso?… Estou indo pra ai, estou indo pra ai. (desliga o telefone, está aflito) Ah meu Deus. (pega o casaco, sai de seu escritório, está nervoso).

Corredor

SECRETÁRIA: Paulo…

PAULO: (a interrompe, está muito aflito) Depois, depois… (vesti o casaco saindo apressado, entra no elevador, está muito aflito, sai do elevador, sai do prédio, está chovendo muito, faz sinal para um taxi que não para, espera outro, quando vê um carro, um Opala Preto vindo em sua direção, fica assustado, é atingido fatalmente pelo Opala Preto).

 

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