Personagens Inesquecíveis: Shazan e Xerife – O Primeiro Amor

Um dos maiores sucessos de O Primeiro Amor foi a dupla de trapalhões Shazan (Paulo José) e Xerife (Flávio Migliaccio), inventores de objetos estranhos como a “camicleta” – cruzamento de caminhão com bicicleta. Eles trabalham na oficina de bicicletas de Nova Esperança. É na camicleta que a dupla deixa Nova Esperança no final da novela, iniciando uma jornada em busca da peça mágica que lhes permitirá realizar o sonho de construir uma bicicleta voadora.

Os personagens fizeram tanto sucesso na novela, que em 1973 ganharam um seriado na Globo, chamado de Shazan, Xerife e Cia.

RELEMBRE MOMENTOS DOS PERSONAGENS: 


Vamos Recordar? O Primeiro Amor


Tendo como cenário principal uma escola, O Primeiro Amor trazia um víuvo no centro de um triângulo amoroso.

Marco Nanini e Sérgio Cardoso em cena

O professor Luciano Lima (Sérgio Cardoso) chega à cidade fictícia de Nova Esperança para assumir a direção de um colégio. Viúvo, contrata uma governanta para tomar conta de seus quatro filhos: Júnior (Herivelto Martins Filho), Babi (Suzana Gonçalves), Zizi (Rosana Garcia) e Rui (Marco Nanini). O professor e a governanta Paula (Rosamaria Murtinho) se apaixonam, mas o romance encontra forte resistência dos filhos, especialmente de Babi, a mais rebelde dos quatro.

Luciano também encontra dificuldades no colégio. Sua antiga namorada, a professora de inglês Maria do Carmo (Tônia Carrero), faz o que pode para lhe roubar o cargo de diretor. Paralelamente, uma turma de alunos desajustados e rebeldes, liderada pelo motoqueiro Rafa (Marcos Paulo), tumultua o ambiente escolar e incomoda os outros estudantes. Nesse cenário, surge Giovana (Aracy Balabanian), jovem psicóloga contratada por Luciano para ajudá-lo a lidar com os alunos rebeldes. Ela acaba formando um triângulo amoroso com Paula e o professor.

TRAMAS PARALELAS

Um dos maiores sucessos de O Primeiro Amor foi a dupla de trapalhões Shazan (Paulo José) e Xerife (Flávio Migliaccio), inventores de objetos estranhos como a “camicleta” – cruzamento de caminhão com bicicleta. Eles trabalham na oficina de bicicletas de Nova Esperança. É na camicleta que a dupla deixa Nova Esperança no final da novela, iniciando uma jornada em busca da peça mágica que lhes permitirá realizar o sonho de construir uma bicicleta voadora.

CURIOSIDADES

Rosamaria Murtinho e Sérgio Cardoso

O elenco de O Primeiro Amor sofreu um duro golpe no dia 18 de agosto de 1972, a apenas 28 capítulos do final da novela: Sérgio Cardoso, o protagonista da novela, faleceu vítima de um ataque cardíaco. A morte do ator gerou comoção nacional. Para substituí-lo, foi convocado Leonardo Villar. Sua primeira cena foi ao ar no capítulo 200, com uma singela homenagem a Sérgio Cardoso. A imagem no vídeo foi congelada após o ator deixar um aposento. Reunido com o resto do elenco no palco do Teatro Fênix, o ator Paulo José leu um texto anunciando a mudança e relembrando a trajetória de Sérgio Cardoso no teatro e na televisão, e explicou que, a partir daquele momento, Leonardo Villar, amigo pessoal de Sérgio Cardoso, dos tempos do Teatro Brasileiro de Comédia, passava a substituir o colega, como forma de homenageá-lo. Em seguida, a cena prosseguiu e, quando a porta do aposento se abriu novamente, Leonardo Villar entrou em cena, já como o professor Luciano.

Antes de começar a escrever O Primeiro Amor, Walther Negrão se reuniu com Homero Icaza Sanchez, então responsável pelo Departamento de Análise e Pesquisa da TV Globo, para analisar, com base em uma pesquisa junto ao público, os elementos que haviam funcionado na novela anterior, Minha Doce Namorada (1971), um sucesso grande escrito por Vicente Sesso. A partir das conclusões da conversa, o autor criou personagens que pudessem gerar respostas equivalentes junto ao telespectador.

Shazan e Xerife, uma dupla de “superanti-heróis”, como eram descritos nas chamadas da novela, davam o tom cômico e juvenil do parque de diversões de O Primeiro Amor. Já a gangue de motociclistas comandada por Rafa foi criada, segundo Walther Negrão, para atrair o público masculino entre 15 e 25 anos, o qual Homero Icaza Sanchez apontava como uma parcela dos telespectadores a ser conquistada. As ameaçadoras motocicletas que os rebeldes da gangue de Rafa pilotavam serviam como contraponto às bicicletas que apareciam na abertura da novela e na oficina de Shazan (Paulo José) e Xerife (Flávio Migliaccio). Estas representavam uma tentativa de conferir à trama um tom nostálgico e lúdico. As bicicletas fizeram sucesso e se tornaram mania entre o público, a ponto de uma fábrica lançar um modelo novo, que foi popularizado pela novela, dando início ao merchandising na teledramaturgia da TV Globo.

A primeira dupla escolhida por Walther Negrão para viver Shazan e Xerife foi Paulo José e Armando Bógus. O autor mudou de ideia depois que Daniel Filho, supervisor da novela, sugeriu o nome deFlávio Migliaccio, com quem Paulo José já havia trabalhado no teatro e no cinema.

Shazan e Xerife fizeram tanto sucesso em O Primeiro Amor que, encerrada a novela, voltaram como estrelas do seriado Shazan, Xerife & Cia (1972). Segundo Paulo José, a ideia do seriado já existia desde o início, e a novela fora considerada o veículo ideal para se testar a popularidade dos personagens. O seriado, exibido com grande sucesso durante dois anos, apresentava as aventuras da dupla e sua saga para construir a bicicleta voadora.

O nome “Shazan” é uma referência ao Capitão Marvel, super-herói das histórias em quadrinhos. Quando o jovem Billy Batson gritava a palavra mágica “Shazam”, ganhava a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, o vigor de Atlas, o poder de Zeus, a coragem de Aquiles e a velocidade de Mercúrio. Na novela, a grafia do nome era diferente: “Shazan”. Já o nome “Xerife” foi tirado do apelido de infância de um primo do autor Walther Negrão.

Em 1998, em homenagem aos 25 anos de criação dos personagens, a dupla foi inserida na trama da novela Era Uma Vez…, também de Walther Negrão, em uma participação especial. A novela também era ambientada em uma cidade chamada Nova Esperança.

O Primeiro Amor marcou a estreia da atriz Aracy Balabanian na Rede Globo.
Rosamaria Murtinho já havia feito quatro novelas com Sérgio Cardoso quando se transferiu de São Paulo para o Rio de Janeiro para atuar em O Primeiro Amor.

Elenco:

Ângelo Antônio – Moby Dick
Antonio Carlos
Aracy Balabanian – Giovana
Célia Biar – Olga
Darcy de Souza
Djenane Machado – Glorinha
Elza Gomes – Júlia
Ênio Carvalho – Léo
Flávio Migliaccio – Xerife
Herivelto Martins Filho – Junior
Jardel Mello – Dr. Mateus
João Luís – João
João Zacharias
Leonardo Villar – Luciano
Lícia Magna
Macedo Neto
Marco Nanini – Rui
Marcos Paulo – Rafael
Murilo Nery – Vicente
Nair Prestes
Nívea Maria – Helena
Paulo José – Shazan
Reinaldo Gonzaga – Maurício
Renata Sorrah – Mariana
Roberto Pirillo – Hélio
Rosamaria Murtinho – Paula
Rosana Garcia – Zizi
Sadi Cabral – Quim
Sérgio Cardoso – Luciano
Sérgio Mansur – Rica
Suzana Gonçalves – Babi
Tônia Carrero – Maria do Carmo
Ubiratan Martins



Reviva: Nos anos 1970, lenda dizia que ator da Globo teria sido enterrado vivo

 Uma das lendas mais famosas dos anos 1970 envolveu a morte do ator Sérgio Cardoso. Um dos grandes nomes do teatro e da televisão brasileira nos anos 1950 e 1960, ele morreu em consequência de um ataque cardíaco no dia 18 de agosto de 1972, no Rio de Janeiro, aos 47 anos.

A morte do ator comoveu todo o Brasil. Mais de 15 mil pessoas, de acordo com reportagens da época, compareceram ao enterro no cemitério São João Batista. Pouco tempo depois, surgiu um boato, repercutido em toda a mídia brasileira, de que o ator sofria de catalepsia, uma doença rara que deixa os membros rígidos por horas, como se a pessoa estivesse morta. Por causa da doença, Sérgio Cardoso teria sido enterrado vivo.

A história dizia que a família teria pedido que o corpo fosse exumado. Ao abrir o caixão, Sérgio Cardoso estaria virado de bruços, com arranhões no rosto. O fato sempre foi negado pelos familiares do ator. Durante muitos anos a lenda foi contada, com diferentes versões, causando medo principalmente em familiares de pessoas vítimas de ataques cardíacos.

Fantástico revive

Em novembro de 1979, o assunto voltou à tona após a entrevista do tabelião Manoel Olegário da Costa ao Fantástico. Dizendo ser amigo de Cardoso, Costa relatou que em um dos encontros o ator teria demonstrado, com clareza, o pavor de ser enterrado vivo. “Ele disse realmente que tinha medo que isso pudesse acontecer”, comentou.

A atriz Nydia Licia, que foi casada com o Sérgio Cardoso durante dez anos, falou pela primeira vez sobre o assunto na mesma reportagem do Fantástico. Ela afirmou que o assunto causava muito sofrimento à família e que o ator nunca havia comentado sobre esse pavor. “Ele nunca teve catalepsia, certeza absoluta. Não somente jamais manifestou algum sintoma de doença nervosa no período que estivemos casados nem depois. O povo pode comentar, mas não é verdade”, disse.

Sérgio Cardoso em cena da novla A Cabana do Pai Tomás (1970), em que se pintava de preto

Licia também disse que não conhecia Costa. “Não conheço esse senhor, não sei se Sérgio o procurou ou se foi uma conversa informal, mas o fato de ter dito na conversa que tinha medo de ser enterrado vivo não quer dizer absolutamente nada”, salientou.

Segundo a atriz, o boato surgiu logo após a morte de Sérgio Cardoso. “Uma pessoa que ninguém conhece procurou um jornal de Manaus, dizendo que Sérgio havia sido enterrado vivo e que a família teria pedido exumação do cadáver. Imediatamente a notícia correu o Brasil inteiro”, declarou.

Ela afirmou, categoricamente, que o caixão nunca foi aberto. “Nunca precisou, de maneira alguma, não tem porquê. Sérgio faleceu no dia 18 de agosto de 1972 e ponto final. Ninguém tem dúvida, nem os médicos, nem a família. O resto do público eu espero que não tenha mais”, disparou.

Carreira

Sérgio Cardoso nasceu em Belém no dia 15 de março de 1925. Formou-se em Direito no Rio de Janeiro e sonhava ser diplomata, mas quando conheceu o Teatro Universitário decidiu seguir a carreira de ator.

Além de diversos papeis marcantes no teatro, Cardoso fez muito sucesso na novela Antônio Maria, da Rede Tupi, em 1968. Na Globo, protagonizou A Cabana do Pai Tomás, em 1969; Pigmalião 70, em 1970: e A Próxima Atração, em 1971.

Na novela O Primeiro Amor (1972)

Quando morreu, vivia o professor viúvo Luciano em O Primeiro Amor, novela das 19h da Rede Globo. Faltavam apenas 28 capítulos para o desfecho da trama. Ele teve que ser substituído por Leonardo Villar, que entrou em cena após um texto lido por Paulo José.

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