Artistas Inesquecíveis: Lílian Lemmertz – 12ª edição

Lílian Lemmertz

Lílian Lemmertz Dias (Porto Alegre, 15 de junho de 1937 — Rio de Janeiro, 5 de junho de 1986) foi uma atriz brasileira.

Biografia

Descendente de alemães, Lílian formou-se como professora de Literaturaem Porto Alegre. O teatro aconteceu-lhe por um acaso, e foi Antônio Abujamra, seu colega de um curso de inglês e amigo de família, que a convenceu a trabalhar na peça À Margem da vida, que estava sendo montada pelo Teatro Universitário da capital gaúcha.

Foi casada por muitos anos com o também ator Lineu Dias, com quem teve uma filha, a também atriz Júlia Lemmertz.

Quando morreu, prematuramente, aos 48 anos, vítima de um enfarte do miocárdio, sozinha em seu apartamento no Rio de Janeiro, Lilian estava ensaiando o espetáculo Ação entre amigos, com direção de Paulo Betti.

Carreira

Começou sua carreira, em 1958, em teatros amadores na capital gaúcha. Em 1963, após trabalhar por cinco anos nesses teatros, ela se transferiu para São Paulo, onde, a convite de Walmor Chagas e Cacilda Becker, se tornou profissional ao participar da montagem do musical Onde Canta o Sabiá.

Em 1965, ganhou o Prêmio SACI como melhor atriz coadjuvante na peçaQuem Tem Medo de Virginia Woolf?.

Estreou no cinema em 1966, no filme Corpo Ardente. Suas interpretações no cinema sempre foram muito elogiadas pela crítica. Foi musa docineasta Walter Hugo Khouri, com quem fez oito filmes, entre eles As Amorosas, em 1968, e Eros, o Deus do Amor, em 1981

Na televisão, ficou conhecida por suas personagens delicadas e angustiadas, em novelas como Baila Comigo, Final Feliz ePartido Alto. Foi em Baila Comigo que Lílian viveu a primeira “Helena” das novelas de Manoel Carlos, numa interpretação ao lado do ator Fernando Torres.

A atriz recebeu inúmeros prêmios no cinema e no teatro.

Filmografia

Na televisão

  • 1968 – O Terceiro Pecado
  • 1969 – Nenhum Homem é Deus …. Helena
  • 1976 – Xeque-mate …. Nancy
  • 1980 – O Todo-Poderoso …. Matilde
  • 1981 – Baila comigo …. Helena
  • 1982 – Final Feliz …. Maria Luísa
  • 1982 – O Homem Proibido …. Flávia
  • 1983 – Guerra dos Sexos … Valquíria (participação)
  • 1984 – Partido Alto …. Nanci
  • 1985 – O Tempo e o Vento (minissérie) …. Bibiana
  • 1985 – Roque Santeiro …. Margarida (cenas de flashback)
  • 1986 – Negro Léo (Caso Especial)’ 

No cinema

  • 1966 – As cariocas
  • 1966 – O corpo ardente
  • 1968 – As amorosas
  • 1969 – Matou a família e foi ao cinema
  • 1970 – Copacabana mon amour [1]
  • 1970 – Barão Olavo, o horrível
  • 1971 – Cordélia, Cordélia
  • 1972 – As deusas
  • 1972 – Elas
  • 1973 – O último êxtase
  • 1973 – Um intruso no paraíso
  • 1974 – O anjo da noite
  • 1974 – Aquelas mulheres (inacabado)
  • 1975 – Lição de amor
  • 1975 – O Desejo
  • 1976 – Aleluia, Gretchen
  • 1977 – Paixão e sombras
  • 1979 – Os amantes da chuva
  • 1981 – Eros, o deus do amor
  • 1983 – Janete
  • 1984 – Tensão no Rio
  • 1985 – Patriamada 

No teatro

  • 1963 – Onde Canta o Sabiá
  • 1964 – A Noite do Iguana
  • 1964 – Toda Donzela Tem um Pai que É uma Fera
  • 1965 – Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?
  • 1968 – Dois na Gangorra (Prêmio Molière de melhor atriz)
  • 1969 – Hamlet
  • 1970 – O Balcão
  • 1972 – Quanto Mais Louco Melhor
  • 1974 – Entre Quatro Paredes
  • 1975 – Roda Cor de Roda
  • 1977 – Esperando Godot
  • 1978 – Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?
  • 1979 – Caixa das Sombras (Prêmios Governador do Estado e APCA de melhor atriz)
  • 1980 – Patética 



Artistas Inesquecíveis: Yara Cortes – 11ª edição

Yara Cortes


Odete Cipriano Serpa, mais conhecida como Yara Cortes (Rio de Janeiro, 22 de setembro de 1921 — Rio de Janeiro, 17 de outubro de 2002) foi uma atriz brasileira.

Biografia

De família rica, foi criada em um internato após a morte da mãe. Durante os anos de internato, Yara já manifestava vocação para o teatro quando, incentivada pelos professores, representava em festas e atividades extra-curriculares, porém, antes de ingressar na carreira de atriz,serviu como enfermeira do Exército Brasileiro na base de Paranamirim, em Natal, RN durante a Segunda Guerra Mundial e trabalhou como aeromoça.

Iniciou sua carreira artística em 1948, quando foi aprovada num teste para trabalhar na Companhia de Teatro Dulcina e estreou no mesmo ano o espetáculo Mulheres, de Claire Boothe, que lhe rendeu um prêmio. Na companhia fez mais algumas peças de sucesso como As Solteironas dos Chapéus Verdes, de Germaine Acremant, e Figueira do Inferno, de Joracy Camargo. Em 1959, ingressa na companhia Teatro dos Sete, onde atua em peças de sucesso ao lado de nomes como Fernanda Montenegro, Sérgio Britto, Ítalo Rossi e Célia Biar. A peça de estreia foi O Mambembe, apresentada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.  Outra montagem de sucesso que participou foi O Chifrudo, de Miguel M. Abrahão, com direção de Paulo Afonso Grisolli, em 1978 ao lado de Lícia Magna.

No cinema, fez sua estréia em 1959 no filme O Palhaço, o Que é?, de Carlos Manga. Pouco se dedicou à carreira cinematográfica fazendo, ao longo da carreira, além deste, mais quatro filmes: Viver de Morrer (1971), Jerônimo, o Herói do Sertão (1972), Obsessão (1973) e Rainha Diaba (1974).

Começou na televisão em 1951, participando do Grande Teatro Tupi, um programa especial de teleteatros. Mudou-se para os Estados Unidos em 1965 e quando voltou, em 1969, atuou na novela Os Acorrentados, da TV Record, escrita por Janete Clair e dirigida por Daniel Filho.

Com Lima Duarte na primeira versão de O Rebu (1974)

Estreou na TV Globo em 1971, onde fez brilhante carreira, sendo imortalizada por tipos inesquecíveis como Bubu em O Rebu (1974); Carolina em O Casarão (1976); Madame Clô em Marron Glacé (1979), Maroca Toledo em A Viagem (1994) e Olga Moretti Miranda em História de Amor (1995). Porém, sem dúvida, seu grande sucesso foi Dona Xepa na novela homônima.

Yara não teve filhos e passou anos morando em um pequeno apartamento em Copacabana, onde criava dezenas de passarinhos. Faleceu em 17 de outubro de 2002, aos 81 anos, vítima de insuficiência respiratória. Foi sepultada no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

Carreira

Televisão

  • 1951/1952 – Grande Teatro Tupi – Vários Personagens
  • 1969 – Os Acorrentados – Mônica
  • 1971 – Minha Doce Namorada – Madame Alice Jordão
  • 1973 – O Semideus – Sula
  • 1973 – Caso Especial, Além do Horizonte
  • 1974 – O Rebu – Maria Angélica Campos (Bubu)
  • 1975 – O Grito – Carmem
  • 1975 – Caso Especial, O Silêncio
  • 1976 – O Casarão – Carolina Leme Galvão
  • 1977 – Dona Xepa – Carlota Soares da Costa (Dona Xepa)
  • 1978 – Pecado Rasgado – Alice
  • 1979 – Marron Glacé – Madame Clô
  • 1980/1984 – O Bem-Amado – Delegada Chica Bandeira
  • 1985 – Tenda dos Milagres – Zabela
  • 1985 – Ti Ti Ti – Júlia Spina
  • 1986 – Roda de Fogo – Joana Garcez
  • 1987 – Mandala – Conchita
  • 1988 – O Pagador de Promessas – Dona Dagmar
  • 1989 – Pacto de Sangue – Afrosina
  • 1989 – Top Model – Norma
  • 1990 – Mico Preto – Cristina
  • 1991 – Felicidade – Dona Filomena Cabral (Dona Filó)
  • 1993 – Você Decide, A Cor do Amor
  • 1994 – A Madona de Cedro – Emerenciana
  • 1994 – A Viagem – Maroca Toledo
  • 1995 – História de Amor – Olga Moretti Miranda
  • 1998 – Você Decide, Ligeiramente Grávida
  • 1999 – Você Decide,Ninguém é Perfeito
  • 1999 – Você Decide, Juízo Final 

Cinema

  • 1959 – O Palhaço, o Que É?
  • 1971 – Viver de Morrer
  • 1972 – Jerônimo, o Herói do Sertão
  • 1973 – Obsessão
  • 1974 – Rainha Diaba

Teatro

  • 1948 – Mulheres
  • 1949 – As Solteironas dos Chapéus Verdes
  • 1950 – Loucuras de Madame Vidal
  • 1953 – Diabinho de Saias
  • 1954 – Figueira do Inferno
  • 1959 – O Mambembe
  • 1960 – A Profissão da Senhora Warren
  • 1961 – Apague meu Spotlight
  • 1964 – Antes Tarde do que Nunca
  • 1978 – O Chifrudo



Artistas Inesquecíveis: Raul Seixas – 10ª edição

Raul Seixas


Raul Santos Seixas (Salvador, 28 de junho de 1945  — São Paulo, 21 de agosto de 1989) foi um cantor e compositor brasileiro, frequentemente considerado um dos pioneiros do rock brasileiro. Também foi produtor musical da CBS durante sua estada no Rio de Janeiro, e por vezes é chamado de “Pai do Rock Brasileiro” e “Maluco Beleza”. Sua obra musical é composta por 17 discos lançados em seus 26 anos de carreira e seu estilo musical é tradicionalmente classificado como rock e baião, e de fato conseguiu unir ambos os gêneros em músicas como “Let me Sing, Let me Sing”. Seu álbum de estreia, Raulzito e os Panteras (1968), foi produzido quando ele integrava o grupo Os Panteras, mas só ganhou notoriedade crítica e de público com as músicas de Krig-ha, Bandolo! (1973), como “Ouro de Tolo”, “Mosca na Sopa”, “Metamorfose Ambulante”. Raul Seixas adquiriu um estilo musical que o creditou de “contestador e místico”, e isso se deve aos ideais que vindicou, como a Sociedade Alternativa apresentada em Gita (1974), influenciado por figuras como o ocultista britânico Aleister Crowley.

Cético e agnóstico, Raul se interessava por filosofia (principalmente metafísica e ontologia), psicologia, história, literatura e latim e algumas ideias dessas correntes foram muito aproveitadas em sua obra, que possuía uma recepção boa ou de curiosidade por conta disso. Ele conseguiu gozar de uma audiência relativamente alta durante sua vida, e mesmo nosanos 80 continuou produzindo álbuns que venderam bem, como Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum! (1987) e A Panela do Diabo (1989), esse último em parceria com Marcelo Nova, e sua obra musical tem aumentado continuamente de tamanho, na medida em que seus discos (principalmente álbuns póstumos) continuam a ser vendidos, tornando-o um símbolo do rock do país e um dos artistas mais cultuados e queridos entre os fãs nos últimos quarenta anos. Em outubro de 2008, a revista Rolling Stonepromoveu a Lista dos Cem Maiores Artistas da Música Brasileira, cujo resultado colocou Raul Seixas figurando a posição 19ª, encabeçando nomes como Milton Nascimento, Maria Bethânia, Heitor Villa-Lobos e outros. No ano anterior, a mesma revista promoveu a Lista dos Cem Maiores Discos da Música Brasileira, onde dois de seus álbuns apareceram Krig-ha, Bandolo! de 1973 atingiu a 12ª posição e Novo Aeon ficou em 53º lugar, demonstrando que o vigor musical de Raul Seixas continua a ser considerado importante hoje em dia.

Biografia

Infância

Raul Santos Seixas nasceu às 8 horas da manhã em 28 de junho de 1945 numa família de classe média baiana que vivia na Avenida Sete de Setembro, Salvador. Seu pai, Raul Varella Seixas, era engenheiro da estrada de ferro e sua mãe, Maria Eugênia Santos Seixas, se dedicava às atividades domésticas. No próximo mês ele foi registrado no Cartório de Registro Civil de Salvador com o nome do pai e do avô paterno. Em 16 de setembro do mesmo ano, batizaram-no na Igreja Matriz da Boa Viagem. Em 4 de dezembro de 1948, Raul Seixas ganhou um irmão, o único, Plínio Santos Seixas, com quem teria um bom relacionamento durante sua infância. Os estudos de Raul Seixas começaram em 1952, onde frequentou o curso primário estudando com a professora Sônia Bahia. Concluído o curso em 1956, fundou o Club dos Cigarros com alguns amigos. O trágico percurso escolar de Raul Seixas se iniciaria em 1957, quando ele ingressou no ginásio Colégio São Bento, onde foi reprovado na 2ª série por três anos. Um dos motivos da reprovação, segundo alguns biógrafos, é que ele, em vez de ir assistir as aulas, ouvia rock and roll — em seus primórdios — na loja Cantinho da Música. No mesmo ano, em 13 de Julho, Raul Seixas fundou o Elvis Rock Club com o amigo Waldir Serrão. Segundo a jornalista Ana Maria Bahiana, é através de Serrão que Raul Seixas começou a sair de casa e a manter uma vida social mais ampla. Segundo Raul, o encontro com Waldir foi fantástico: “me preparei todo, botei a gola pra cima, botei o topete, engomei ocabelo, e fiquei esperando ele, masclando chiclete”. O Elvis Rock Club era como uma gangue, que procurava brigas narua, fazia arruaça, roubava bugigangas e quebrava vidraças. Embora Raul não gostasse muito disso, “ia na onda, pois o rock (pelo menos a meu ver) tinha toda uma maneira de ser”.

Então, a família resolveu matricular Raul num colégio de padres, o Colégio Interno Marista, onde ele alcançou a 3ª série em 1960, mas acabou repetindo o estágio em 1961. Ao que tudo indica, nessa época Raul Seixas começou a se interessar pela leitura. O pai de Raul Seixas amava os livros e possuía uma vasta biblioteca em casa. Tão logo decifrou o mistério das letras, o garoto pôs-se a ler os volumes que encontrava na biblioteca do pai Raul. Sendo assim, as histórias que lia na biblioteca fermentavam sua imaginação e, com os cadernos do colégio, fazia desenhos, criava personagens, enredos, para depois vender ao irmão quatro anos mais novo, que acabava ficando interessado e comprava os esboços. Segundo Raul, um dos personagens principais dessas histórias era um cientista maluco chamado “Mêlo” (algo como “amalucado”), que viajava para diversos lugares imaginários como o Nada, o Tudo, Vírgula Xis Ao Cubo, Oceanos de Cores. Segundo Raul, Melô era sua “outra parte, a que buscava as respostas, o eu fantástico, viajando fora da lógica em uma maquinazinha em que só cabia um só passageiro… Melô-eu.”[20] Plínio ficava horas ouvindo o irmão contar suas histórias, dentro do quarto dos dois, e Raul frequentemente encenava os personagens como um ator. Ambos os irmãos tinham algo em comum: adoravam literatura, mas odiavam a escola. Mais tarde, já maduro, Raul Seixas diria: “Eu era um fracasso na escola. A escola não me dizia nada do que eu queria saber. Tudo o que aprendia era nos livros, em casa ou na rua. Repeti cinco vezes a segunda série do ginásio. Nunca aprendi nada na escola. Minto. Aprendi a odiá-la.” De um modo ou de outro, Raul Seixas precisava frequentar a escola vez ou outra. Em uma determinada ocasião, o pai perguntou a Raul como ele ia na escola e pediu seu boletim. Raul mostrou um boletim falsificado, com todas as matérias resultando em um 10. O pai questionava se ele havia estudado, mas Maria Eugênia interrompia, dizendo algo como “Estudou nada, ficou aí ouvindo rock o tempo inteiro, essa porcaria desse béngue-béngue, de élvis préji, de líri ríchi e gritando essas maluquices.” Os pais de Raul, como toda a geração da época, estranhavam orock e ele não era muito bem-vindo entre as famílias.

Anos 1960: Os Panteras

Embora Raul mantivesse um gosto muito sincero pela música, seu sonho maior era ser escritor como Jorge Amado. Na sua cidade, escutavam Luiz Gonzaga todos os dias, nas praças, nas casas, em todos os estabelecimentos. Enquanto isso, Raul junta-se a cena do Rock que se formava em Salvador. “Em 54/55, ninguém sabia o que era rock. Eu tocava e me atirava no chão imitando Little Richard.” Com o passar do tempo, a banda que chegou a ter diversos nomes, como Relâmpagos do Rock, formadas então pelos irmãos Délcio e Thildo Gama, passa por várias formações e em 1963, passa a se chamar The Panters, banda que agora já se tornara sensação de Salvador. A fama se espalha, e a banda é rebatizada pelo nome Os Panteras, tendo em sua formação definitiva além de Raulzito, os integrantes Mariano Lanat, Eládio Gilbraz e Carleba. Em 1967, Raul Seixas começa um relacionamento com Edith Wisner, filha de um pastor protestante americano. O pai de Edith não aceita o namoro da filha. Em seis meses, completa o segundo grau, faz cursinho pré-vestibular e passa em Direito, Psicologia e Filosofia. Com isso, casa-se com Edith. Logo em seguida, abandona os estudos, volta a reunir os Panteras e aceita o convite de Jerry Adriani para ir para o Rio de Janeiro.

Em 1968, Raulzito e Os Panteras gravam seu primeiro e único disco, Raulzito e Os Panteras. Assinando contrato com a gravadora EMI-Odeon, após encontrarem Chico Anysio e Roberto Carlos, que os reconheceu nos corredores de uma grande gravadora. O disco no entanto não teria sucesso de critica nem de público. Eládio Gilbraz, um dos panteras, diria: “De um lado havia a inexperiência de quatro rapazes, recém-chegados da Bahia, falando em qualidade musical, agnosticismo, mudança de conceitos e sonhos. Do outro lado, uma multinacional que só falava em “comercial”. Talvez não tenha sido o disco que o grupo imaginara, mas nosso sonho era gravar um disco. A partir daí, Raulzito e Os Panteras passariam sérias dificuldades no Rio de Janeiro. Raul morava em Ipanema, e ia a pé até o centro da cidade para tentar divulgar suas músicas, não obtendo sucesso. Algumas vezes os Panteras recebiam ajuda de Jerry Adriani, tocando como banda de apoio, o que, segundo o próprio Raul, lhe deu muita experiência e lhe ajudou a descobrir como se comunicar, pois suas “músicas eram muito herméticas”. Raulzito passaria então fome no Rio de Janeiro  (como mais tarde escreveria em Ouro de Tolo). 

Transição: Produtor Musical

Raul Seixas estava totalmente abalado pelo fracasso com Os Panteras, e a sua volta a Salvador. Escrevia ele: “Passava o dia inteiro trancado no quarto lendo filosofia, só com uma luz bem fraquinha, o que acabou me estragando a vista […] Eu comprei uma motocicleta e fazia loucuras pela rua.” No entanto a sorte começaria a mudar, um dia, conhece na Bahia um diretor da CBS Discos. Mais tarde ele convidaria Raul para ser produtor da gravadora. Sem pensar duas vezes, ele faz as malas, junto a Edith, e volta para o Rio. Raul volta ao Rio para usar seus enciclopédicos conhecimentos de música como produtor fonográfico. Nos cadernos de composições de Raul começaria a ser alimentada uma revolução. Esta seria a segunda chance de Raul, apostando no talento do amigo, Jerry Adriani convence o então presidente da CBS, Evandro Ribeiro, a dar a Raulzito um emprego de produtor. Raulzito trabalhou anonimamente por um bom tempo.

Raul após ter entrado na CBS, fez grandes aliados e amigos. Ainda em 1968, a dupla Os Jovens e a banda The Sunshines apostaram em suas letras. No entanto, Raul faria um grande amigo e parceiro: Leno, da dupla Leno e Lilian. “Raulzito sempre esteve 20 anos adiante de seu tempo e Leno o compreendia; na verdade, sempre houve uma grande admiração mútua”. Diria Arlindo Coutinho, da relações públicas da CBS. Em seu compacto duplo Papel Picado, lançado em 1969, Leno registrou Um Minuto Mais, versão de Raulzito para I Will (nada a ver com a canção de Paul McCartney). Também não se pode esquecer de Mauro Motta, outro grande parceiro de Raul nesta fase. Jerry Adriani decide convocar Raulzito para ser o produtor de seus discos. No álbum de 1969, aproveitou para gravar uma de suas músicas, Tudo Que É Bom Dura Pouco. Naquela mesma época, outros ídolos da Jovem Guarda também apadrinharam Raulzito gravando suas letras como Ed Wilson, Renato e seus Blue Caps, Jerry Adriani, Odair José. O ano de 1970 marcou o início de uma fase muito ativa na carreira de Raulzito, como produtor da CBS. Primeiramente, suas composições passaram a ser gravadas pelos artistas do cast da gravadora. Passou o ano produzindo discos para Tony & Frankye, Osvaldo Nunes, Jerry Adriani, Edy Star e Diana, além de escrever uma quantidade enorme de músicas para os colegas da gravadora. Algumas de muito sucesso, como Doce doce amor (Jerry Adriani), Ainda Queima a Esperança (Diana) e Se ainda existe amor (Balthazar). Raulzito nessa época passa a ter um bom emprego de respeitado produtor, que conseguira lançar suas composições como Hits na voz de outros cantores e produzir grandes artistas. Mas, Raulzito não se conformava apenas com isso, ainda mais quando conheceu o amigo e parceiro Sérgio Sampaio, passando cada vez mais a realimentar os sonhos de quando ainda morava em Salvador, que era ser um cantor. Ao lado de Leno, Raulzito participa do disco Vida e Obra de Johnny McCartney, disco solo de Leno, em que ambos buscam novos caminhos e experimentações. Juntos assinam letras e composições em parcerias. Foi o primeiro Lp gravado em oito canais no Brasil.  As letras do disco foram censuradas que acabou não sendo lançado na época. 

Outro projeto mal sucedido seria o LP Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10, lançado em 1971, com a parceria de Sérgio Sampaio, Miriam Batucada e Edy Star, onde Raul Seixas deu inicio a produção de um projeto de ópera-rock, tendo as letras mutiladas pela censura do Regime Militar. O Sociedade Grã Ordem Kavernista era um disco Anarquico, inspirado em Frank Zappa e o então cultuado Disco Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band dos Beatlesmisturado a elementos brasileiros, como samba, chorinho, baião. Quando lançado, o disco não obteve sucesso de público e nem de crítica. Foi abandonado à própria sorte até mesmo pela gravadora, cujos executivos tanto no Brasil como na matriz, nos Estados Unidos não gostaram do resultado final. Com isso, não houve investimento em divulgação do trabalho nas rádios e programas musicais da época. Muitas lendas cercam esse disco que traz 11 faixas intercaladas por vinhetas. A principal delas diz que Raul, Sérgio, Edy e Míriam gravaram as músicas às escondidas, à noite, sem que ninguém na CBS soubesse e que por esse motivo, Raul Seixas, então um bem-sucedido produtor da gravadora, teria sido demitido. No entanto, segundo Edy Star, único sobrevivente dos quatro artistas, o trabalho foi profissional e feito com o conhecimento da gravadora. E Raul não foi demitido. Tanto que no ano seguinte, em 1972, produziu o compacto Diabo no Corpo, de Míriam Batucada, e o LP de estreia da cantora Diana, na própria CBS. Raul só saiu da gravadora meses depois desse último trabalho, sendo contratado pela RCA Victor.

Anos 1970: Auge e Repercussão Nacional 

Krig-ha, Bandolo! (1973), primeiro disco de Raul Seixas com repercussão crítica e de público.

Em 1972, Raul Seixas decide participar do Festival Internacional da Canção, sendo convencido por Sérgio Sampaio. O cantor compõe duas músicas, “Let Me Sing, Let Me Sing”, defendida pelo próprio Raul e “Eu Sou Eu e Nicuri é o Diabo”, defendida por Lena Rios & Os Lobos. Ambas chegam a final, obtendo sucesso de critica e de público. Rapidamente, Raul foi contratado pela gravadora Philips. Na época, ele também se interessa por um artigo sobre extraterrestres publicado na revista A Pomba e tem o seu primeiro contato com o escritor Paulo Coelho, que mais tarde, se tornaria seu parceiro musical.

No ano de 1973, Raul consegue um grande sucesso com a música “Ouro de Tolo” no álbum Krig-ha, Bandolo!. A música possui uma letra quase autobiográfica, mas que também debocha da Ditadura e do “Milagre Econômico”. O mesmo LP, continha outras músicas que se tornaram grandes sucessos, como: “Metamorfose Ambulante”, “Mosca na Sopa” e “Al Capone”. Raul Seixas finalmente alcança grande repercussão nacional, graças a divulgação da imagem do cantor como ícone popular. Porém, logo a imprensa e os fãs da época, foram aos poucos percebendo que Raul não era apenas um cantor e compositor.

Ainda em 1973, Raul resolve homenagear algumas músicas clássicas do rock americano e brasileiro no disco Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock. Raul foi, no entanto, proibido pela gravadora de assinar seu nome no disco de covers, pois ela achou que o álbum poderia prejudicar as vendas de Krig-ha, Bandolo!. A solução foi creditar o álbum a uma certa banda chamada Rock Generation, com o nome de Raul presente apenas na contracapa, como diretor de produção. O álbum não teve qualquer tipo de divulgação e acabou inicialmente sendo esquecido nas lojas, porém com os sucessos posteriores de Raul, alcançando grandes vendagens, a gravadora Philips acabou por divulgar melhor o trabalho.

No ano de 1974, Raul Seixas e Paulo Coelho criam a Sociedade Alternativa, uma sociedade baseada nos preceitos do bruxo inglês Aleister Crowley, praticamente repetindo o chamado Livro da Lei. O cantor foi levado pelo escritor a conhecer uma ordem filosófica baseada na Lei de Thelema, desenvolvida por Crowley.  A Sociedade Alternativa, com sede alugada, papel timbrado e relatórios mensais, chegou a anunciar a aquisição de um terreno em Minas Gerais, para a construção da Cidade das Estrelas, uma comunidade onde a única lei era: “Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei.” Em todos os seus shows, Raul divulgava a Sociedade Alternativa com a música de mesmo nome. A obsessão de Raul Seixas e Paulo Coelho em construir “uma verdadeira civilização thelêmica”, evidentemente, trouxe problemas com aCensura. A letra da música “Como Vovó já Dizia” composta pelos dois, teve de ser mudada. Logo no show de lançamento, a polícia apreendeu o gibi/manifesto “A Fundação de Krig-Ha” e o queimou como material subversivo. A Ditadura, então, através do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) prendeu Raul e Paulo, pensando que a Sociedade Alternativa fosse um movimento armado contra o governo.

“”Veio uma ordem de prisão do Exército e me detiveram no Aterro do Flamengo. Me levaram para um lugar que não sei onde era. Imagine a situação: estava nu, com uma carapuça preta. E veio de lá mil barbaridades. Tudo para eu dizer os nomes de quem fazia parte da Sociedade Alternativa, que, segundo eles, era um movimento revolucionário contra o governo. O que não era. Era uma coisa mais espiritual. Preferiria dizer que tinha pacto com o demônio a dizer que tinha parte com a revolução. Então foi isso, me escoltaram até o aeroporto.” (…)”

—Raul Seixas sobre o exílio ocorrido em 1974, em uma entrevista publicada na revista Bizz, em março de 1987.

Depois de torturados, Raul e Paulo foram exilados para os Estados Unidos, com suas respectivas esposas, Edith Wisner e Adalgisa Rios. Muitas histórias são contadas sobre a estadia de Raul Seixas nos Estados Unidos, como seu encontro com John Lennon, mas ninguém sabe ao certo se são verdadeiras.  No entanto, o LP Gita gravado poucos meses antes faz tanto sucesso, que forçou a Ditadura a trazê-los de volta para o Brasil. O álbum Gita rendeu à Raul um disco de ouro, após vender 600.000 cópias, sendo considerado o LP de maior sucesso de sua carreira. Ainda neste ano, Raul separa-se de Edith, que vai para os Estados Unidos com a filha do casal, Simone.

Em 1975, Raul Seixas casa-se com Glória Vaquer, e grava o LP Novo Aeon, onde compôs junto com Paulo Coelho, uma de suas músicas mais conhecidas, “Tente Outra Vez”, que seria creditada juntamente com Marcelo Motta, por quem eram discipulados na Astrum Argentum (AA). O LP, porém, vendeu menos de 60 mil cópias. Ainda em 1975, Raul lê um manifesto e canta a Sociedade Alternativa no documentário Ritmo Alucinante, que foi um festival de rock realizado no Rio de Janeiro, gravado no álbum Hollywood Rock, lançado no mesmo ano. Em 1976, Raul supera a má-vendagem do disco Novo Aeon com o álbum Há Dez Mil Anos Atrás. Neste mesmo ano, nasce sua segunda filha, Scarlet. Chega então ao fim, o seu contrato com a gravadora Philips e sua parceria com Paulo Coelho, embora continuassem amigos (ou inimigos íntimos).

Jay Vaquer, músico e cunhado de Raul na época, coletou material para fazer um novo disco, Raul Rock Seixas, que diziam ser um álbum feito de resto de gravações, mas na verdade a história era outra. Raul escolheu as músicas, e Jay começou a fazer os arranjos. Porém, antes de Raul Seixas e Jay terminarem de mixá-lo devido à suas ausências por causa dos shows, a Philips lançou o disco sem avisá-los, sob o selo da Fontana/Phonogram, mixando-o por conta própria. Segundo Jay, isso prejudicou o trabalho que ambos haviam planejado anteriormente, destruindo o LP, porque finalmente seu nome estava num LP de Raul como produtor, arranjador, e guitarrista, e seu trabalho foi muito mal representado.

Em 1977, nasce no Brasil uma nova gravadora, a WEA, que se interessa em contratar Raul Seixas. Por volta deste período, intensifica-se a parceria com o amigo Cláudio Roberto, com quem Raul compôs várias de suas canções mais conhecidas. Juntos, realizaram o LP O Dia Em Que A Terra Parou. A crítica não gostou. Foi dito que não mantinha o mesmo nível dos trabalhos anteriores. Mas os fãs se deliciam com “Maluco Beleza”, “Sapato 36” e a faixa-título.

Naquele final de década as coisas começaram a ficar ruins para Raul. A partir do ano de 1978, começa a ter problemas de saúde devido ao alcoolismo lhe causando a perda de 1/3 do pâncreas. Raul passa alguns meses numa fazenda na Bahia, para se recuperar da pancreatite. Ele separe-se de Glória, que, assim como Edith, também voltou aos Estados Unidos, levando a filha Scarlet. Neste ano, conhece Tania Menna Barreto, com quem passa a viver. Lança o LP Mata Virgem que conta com a volta de Paulo Coelho, porém, ambos chegam a conclusão, de que essa parceria já não tinha mais como dar certo. Além disso, a má divugação atrapalhou as vendas do disco e a crítica também não ajudou.

No ano de 1979, Raul separa-se de Tania. Começa então, a depressão de Raul Seixas junto com uma internação para tratar do alcoolismo. Conhece Angela Affonso Costa, a Kika Seixas, sua quarta companheira. Lança seu último LP com a WEA, Por Quem os Sinos Dobram, em parceria com o amigo Oscar Rasmussen e logo após, rescinde o contrato com a gravadora.

Anos 1980: Altos e baixos

Em 1980, assina novamente contrato com a CBS (desta vez como cantor) lançando mais um álbum, Abre-te Sésamo, que contém outros sucessos e têm as faixas “Rock das Aranha” e “Aluga-se” censuradas. Logo depois, o contrato é rescindido. Em 1981, nasce a terceira filha, Vivian, fruto de seu casamento com Kika. Em 1982, faz um show na praia do Gonzaga, emSantos, reunindo mais de 150 mil pessoas. No mesmo ano, Raul apresenta-se bêbado em Caieiras, São Paulo, e é quase linchado pela platéia que não acredita que Raul é o próprio, mas um impostor. Desde 1980, Raul estava sem gravadora e agora também sem perspectiva de um novo contrato. Mergulhado na depressão, Raul afunda-se nas drogas. Porém, em1983, Raul é convidado para gravar um disco pelo Estúdio Eldorado. Logo depois, Raul é convidado para gravar o especial infantil Plunct, Plact, Zuuum da Rede Globo, onde canta a música “Carimbador Maluco”. O álbum Raul Seixas (1983), que continha a canção, dá à Raul mais um disco de ouro. Em 1984, grava o LP “Metrô Linha 743” pela gravadora Som Livre, com a maior parte das composições em parceria com sua companheira Kika Seixas e uma das faixas, Mas I Love You (Pra Ser Feliz), em parceria com seu guitarrista Rick Ferreira, que teve participação em todos os discos de Raul, a partir de Gita.

Mas depois, Raul teve as portas fechadas novamente, devido ao seu consumo excessivo de álcool e constantes internações para desintoxicação. Também em 1984, a Eldorado lança o disco Ao Vivo – Único e Exclusivo.

Em 1985, separa-se de Kika Seixas. Faz um show em 1 de dezembro 1985, no Estádio Lauro Gomes, na cidade de São Caetano do Sul. Só voltaria a pisar no palco no ano de 1988, ao lado de Marcelo Nova. Conseguindo um contrato com a gravadora Copacabana, em 1986 (de propriedade da EMI), grava um disco que foi lançado somente no ano seguinte, devido ao alcoolismo de Raul. O disco Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum! faz grande sucesso entre os fãs, chegando a ganhar disco de ouro e estando presente até em programas de televisão, como o Fantástico. Nesta época, conhece Lena Coutinho, que se torna sua companheira. A partir desse ano, estreita relações com Marcelo Nova (fazendo uma participação no disco Duplo Sentido, da banda Camisa de Vênus). Um ano mais tarde, 1988, já separado de Lena, faz seu último álbum solo, A Pedra do Gênesis. A convite de Marcelo Nova, faz alguns shows em Salvador, após três anos sem pisar num palco. No ano de 1989, faz uma turnê com Marcelo Nova, agora parceiro musical, totalizando 50 apresentações pelo Brasil. Durante os shows, Raul mostra-se debilitado. Tanto que só participa de metade do show, a primeira metade é feita somente por Marcelo Nova.

Morte

As 50 apresentações pelo Brasil resultaram naquele que seria o último disco lançado em vida por Raul Seixas. O disco foi intitulado de A Panela do Diabo, que foi lançado pela Warner Music Brasil no dia 22 de agosto de 1989. Na manhã do dia 21 de agosto, Raul Seixas foi encontrado morto sobre a cama , por volta das oito horas da manhã em seu apartamento em São Paulo, vítima de uma parada cardíaca: seu alcoolismo, agravado pelo fato de ser diabético, e por não ter tomado insulina na noite anterior, causaram-lhe uma pancreatite aguda fulminante. O LP A Panela do Diabo vendeu 150.000 cópias, rendendo a Raul um disco de ouropóstumo, entregue à sua família e também a Marcelo Nova, tornando-se assim um dos discos de maior sucesso de sua carreira. Raul foi velado pelo resto do dia no Palácio das Convenções do Anhembi. No dia seguinte seu corpo foi levado por via aérea até Salvador e sepultado às 17 horas, no Cemitério Jardim da Saudade.

Após a morte

Depois de sua morte, Raul permaneceu entre as paradas de sucesso. Foram produzidos vários álbuns póstumos, como O Baú do Raul (1992), Raul Vivo(1993 – Eldorado), Se o Rádio não Toca… (1994 – Eldorado) e Documento(1998). Inúmeras coletâneas também foram lançadas, como Os Grandes Sucessos de Raul Seixas de (1993), a grande maioria sem novidades, mas algumas com músicas inéditas como As Profecias (com uma versão ao vivo de “Rock das Aranhas”) de 1991 e Anarkilópolis (com “Cowboy Fora da Lei Nº2”) de 2003. Sua penúltima mulher, Kika, já produziu um livro do cantor (O Baú do Raul), baseado em escritos dos diários de Raul Seixas desde os seis anos de idade até a sua morte. Em 2004, o canal a cabo Multishow promoveu um show especial de tributo a Raul, intitulado O Baú do Raul: Uma Homenagem a Raul Seixas. O show, gravado na Fundição Progresso (Rio de Janeiro) e lançado em CD e DVD, contou com artistas como Toni Garrido, CPM 22, Marcelo D2,Gabriel o Pensador, Arnaldo Brandão, Raimundos, Nasi, Caetano Veloso, Pitty e Marcelo Nova (os três últimos baianos, como Raul). Mesmo depois de sua morte, Raul Seixas continua fazendo sucesso entre novas gerações. Vinte anos depois de sua morte, o produtor musical Mazzola, amigo pessoal de Raul, divulgou a canção inédita “Gospel”, censurada na década de 1970. A canção foi incluída na trilha sonora da telenovela Viver a Vida, da Rede Globo. Em 2013, o cantor americano Bruce Springsteen cantou “Sociedade Alternativa” na abertura de seu show no Rock in Rio 2013. Em junho de 2014, a Rede Record definiu a música “Tente outra vez”, como tema de abertura da novela Vitória.

Discografia

Raulzito e os Panteras

Detalhes Melhores posições Vendas Certificações
Raulzito e os Panteras

  • Lançamento: 1968
  • Gravadora: EMI-Odeon
  • Formato: LP

Sociedade da Grã-Ordem Kavernista

Detalhes Melhores posições Vendas Certificações
Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10

  • Lançamento: 1971
  • Gravadora: CBS
  • Formato: LP

Carreira Solo

Álbuns de estúdio

Detalhes Melhores posições Vendas Certificações
Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock

  • Lançamento: 1973
  • Gravadora: Philips Records
  • Formato: LP
* Brasil: 44 mil
Krig-ha, Bandolo!

  • Lançamento: 1973
  • Gravadora: Philips Records
  • Formato: LP
* Brasil: 67 mil
Gita

  • Lançamento: 1974
  • Gravadora: Philips Records
  • Formato: LP
* Brasil: 143 mil * BRA: Gold record icon.svg Ouro
Novo Aeon

  • Lançamento: 1975
  • Gravadora: Philips Records
  • Formato: LP
* Brasil: 60 mil
Há 10 Mil Anos Atrás

  • Lançamento: 1976
  • Gravadora: Philips Records
  • Formato: LP
* Brasil: 100 mil
Raul Rock Seixas

  • Lançamento: 1977
  • Gravadora: Philips Records
  • Formato: LP
O Dia Em Que a Terra Parou

  • Lançamento: 1977
  • Gravadora: WEA
  • Formato: LP
Mata Virgem

  • Lançamento: 1978
  • Gravadora: WEA
  • Formato: LP
Por Quem os Sinos Dobram

  • Lançamento: 1979
  • Gravadora: WEA
  • Formato: LP
Abre-te Sésamo

  • Lançamento: 1980
  • Gravadora: CBS
  • Formato: LP
* Brasil: 42 mil
Raul Seixas

  • Lançamento: 1983
  • Gravadora: Eldorado
  • Formato: LP
* Brasil: 100 mil * BRA: Gold record icon.svg Ouro
Metrô Linha 743

  • Lançamento: 1984
  • Gravadora: Som Livre
  • Formato: LP
Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum!

  • Lançamento: 1987
  • Gravadora: Copacabana
  • Formato: LP
A Pedra do Gênesis

  • Lançamento: 1988
  • Gravadora: Philips Records e Copacabana
  • Formato: LP
A Panela do Diabo (Com Marcelo Nova)

  • Lançamento: 1989
  • Gravadora: WEA
  • Formato: LP
* BRA: Gold record icon.svg Ouro

Álbuns ao vivo

  • 1975 – Hollywood Rock (Falso álbum ao vivo, lançado somente em LP, e dividido com Erasmo Carlos, O Peso e Rita Lee & Tutti Frutti)
  • 1984 – Ao Vivo – Único e Exclusivo
  • 1991 – Eu Raul Seixas (Show na Praia do Gonzaga, Santos, 1982)
  • 1993 – Raul Vivo (Reedição de Ao Vivo – Único e Exclusivo com faixas extras)
  • 1994 – Se o Rádio não Toca… (Show em Brasília, 1974)

Compactos

Simples (Single)

Ano Compacto Melhores posições Vendas Álbum
1972 Let me Sing, Let me Sing Os Grandes Sucessos Do FIC 72
1973 Ouro de Tolo * Brasil: 180 mil Krig-ha, Bandolo!
1974 Gita * Brasil: 250 mil Gita
1974 Como Vovó já Dizia O Rebu
1976 Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás * Brasil: 100 mil[ Há 10 Mil Anos Atrás
1983 Coração Noturno / D.D.I. (Discagem Direta Interestelar) Raul Seixas
1983 O Carimbador Maluco / Lua Cheia Raul Seixas
1993 Jay Vaquer Featuring Raul Seixas – Mosca na Sopa / 72 en 92
1998 Morning Train Documento
1998 É Fim de Mês Documento

Duplos (EP)

Ano Compacto Duplo Melhores posições Álbum
1973 Krig-Ha, Bandolo!
Lado A: Dentadura Postiça / Mosca na Sopa
Lado B: Al Capone / Metamorfose Ambulante
Krig-ha, Bandolo!
1974 Medo da ChuvaLado A: Medo da Chuva / Sociedade Alternativa
Lado B: Como Vovó já Dizia / O Trem das Sete
Gita
O Rebu
1975 Novo AeonLado A: Tente Outra Vez / Para Nóia
Lado B: A Maçã / Peixuxa (O Amiguinho dos Peixes)
Novo Aeon
1977 Há 10 Mil Anos AtrásLado A: Eu Também Vou Reclamar / Ave Maria da Rua
Lado B: Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás / O Homem
Há 10 Mil Anos Atrás
1978 Raul SeixasLado A: Você / Maluco Beleza
Lado B: Sapato 36 / O Dia em que a Terra Parou
O Dia em que a Terra Parou
1993 A MaçãA Maçã / Como Vovó Já Dizia / Sociedade Alternativa / Gita

Coletâneas

  • 1981 – O Melhor De Raul Seixas
  • 1982 – A arte de Raul Seixas
  • 1983 – O Pacote Fechado de Raul Seixas
  • 1985 – Let Me Sing My Rock And Roll
  • 1985 – Raul Seixas Rock
  • 1986 – Caminhos
  • 1986 – Raul Rock Seixas Volume 2
  • 1987 – Caroço de Manga
  • 1988 – Metamorfose Ambulante
  • 1988 – O Segredo do Universo
  • 1988 – Raul Seixas Para Sempre
  • 1990 – Raul Seixas – Personalidade – The Best of Brazil
  • 1990 – Maluco Beleza
  • 1991 – As Profecias (Contém uma faixa inédita)
  • 1992 – O Baú do Raul
  • 1993 – Os Grandes Sucessos de Raul Seixas
  • 1994 – Minha História
  • 1995 – Geração Pop Vol.2: Raul Seixas
  • 1996 – MPB Compositores 4: Raul Seixas
  • 1997 – As Melhores do Maluco Beleza
  • 1998 – Documento
  • 1998 – 20 Grandes Sucessos de Raul Seixas
  • 1998 – Preferência Nacional
  • 1998 – Música! O Melhor da Música de Raul Seixas
  • 1999 – Brilhantes: Raul Seixas
  • 1999 – Millennium: Raul Seixas
  • 2000 – Areia da Ampulheta
  • 2000 – Enciclopedia Musical Brasileira
  • 2001 – Warner 25 Anos: Raul Seixas
  • 2002 – Série Identidade: Raul Seixas
  • 2002 – Série Gold: Raul Seixas
  • 2003 – Anarkilópolis (Contém duas faixas inéditas)
  • 2004 – Essential Brasil: Raul Seixas
  • 2005 – O Baú do Raul Revirado (álbum com raridades vendido somente com o livro de mesmo nome)
  • 2005 – Novo Millennium: Raul Seixas
  • 2005 – Série Bis: Raul Seixas
  • 2006 – Warner 30 Anos: Raul Seixas
  • 2008 – Sem Limite: Raul Seixas
  • 2009 – 20 Anos sem Raul Seixas (Reedição de Documento com uma faixa inédita extra)
  • 2011 – MPB no JT

Caixas

  • 1995 – Série Grandes Nomes: Raul (Caixa com 4 CDs e livreto ilustrado)
  • 2002 – Maluco Beleza (Caixa com 6 CDs e livro ilustrado)
  • 2009 – 10.000 Anos à Frente (Reedição da caixa Maluco Beleza)

Participações

Trilhas sonoras

  • 1973 – A Volta de Beto Rockfeller
  • 1973 – Rosa dos Ventos
  • 1974 – O Rebu
  • 1983 – Plunct, Plact, Zuuum
  • 1984 – Plunct, Plact, Zuuum II
  • 2002 – Cidade de Deus
  • 2009 – Viver a Vida – Rede Globo
  • 2014 – Vitória – Rede Record

Outros álbuns

  • 1972 – Carnaval Chegou (Coletânea com vários artistas. Raul canta a faixa Eterno Carnaval)
  • 1973 – Phono 73 – O canto de um povo (LP gravado ao vivo em 1973 com vários artistas da gravadora Philips. Raul aparece com a música Loteria de Babilônia)
  • 1973 – Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua – Álbum do cantor e compositor Sérgio Sampaio, com participação de Raul Seixas cantando na faixa “Viajei de Trem”.
  • 1979 – O Banquete dos Mendigos (LP duplo gravado ao vivo em 1973 com vários artistas. Raul aparece com a faixaCachorro – Urubu)
  • 1987 – Duplo Sentido (LP duplo da banda baiana Camisa de Vênus no qual Raul canta na faixa Muita Estrela, Pouca Constelação)
  • 1995 – Vida e Obra de Johnny McCartney – Álbum do cantor e compositor Leno, gravado (e censurado) em 1971. Raulzito (Raul Seixas) participa na produção, composições e vocais.

Tributos

  • 2004 – O Baú do Raul: Uma Homenagem a Raul Seixas 

Filmografia 

  • 1975 – Ritmo Alucinante (documentário)
  • 1992 – Tanta Estrela Por Aí… (Curta-metragem de 19 minutos com Rita Lee)
  • 2012 – Raul – O Início, o Fim e o Meio 

Homenagens no teatro e televisão 

  • 1999 – Como Raul Já Dizia (espetáculo do grupo baiano de teatro Os Argonautas)
  • 1999 – Raul Fora da Lei (monólogo produzido por Roberto Bontempo que marcou os dez anos de falecimento de Raul)
  • 2005 – Raul Seixas, A Metamorfose Ambulante (musical de Plínio Seixas e Deolindo Checcucci em homenagem aos sessenta anos de nascimento do músico)
  • 2009 – Por Toda a Minha Vida (especial de fim de ano exibido pela Rede Globo de Televisão que marcou os vinte anos da morte de Raul)
  • 2012 – Meu amigo Raul (espetáculo da Associação Cultural Teatro de Pano)

Videografia

Videoclipes

  • 1974 – Gita
  • 1974 – Trem das 7
  • 1974 – Sociedade Alternativa
  • 1974 – Rock Around the Clock
  • 1975 – Tente Outra Vez
  • 1975 – Rock Around the Clock / Blue Suede Shoes / Tutti Frutti / Long Tall Sally
  • 1975 – A Maçã
  • 1975 – Rock do Diabo
  • 1976 – Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás
  • 1976 – Eu Também Vou Reclamar
  • 1977 – O Dia Em Que a Terra Parou
  • 1977 – Maluco Beleza
  • 1978 – Judas
  • 1983 – Carimbador Maluco (Paticipação especial no programa Plunct, Plact, Zuuum)
  • 1984 – Geração da Luz (Paticipação especial no programa Plunct, Plact, Zuuum II)
  • 1987 – Cowboy Fora da Lei 

Videoclipes póstumos 

  • 1992 – Mosca na Sopa (Com Raul intepretado por Rita Lee)
  • 1994 – Como Vovó Já Dizia (Com a versão do álbum Se o Rádio não Toca…)
  • 1998 – Morning Train (Trem das 7) (Com a versão do álbum Documento)
  • 1998 – É Fim de Mês (Com a versão do álbum Documento)
  • 2003 – Anarkilópolis (Cowboy Fora da Lei Nº2) 


Artistas Inesquecíveis: Regina Dourado – 9ª edição

Regina Dourado


Regina Maria Dourado (Irecê, 22 de agosto de 1953 — Salvador, 27 de outubro de 2012)[1] foi uma atriz brasileira. Participou de novelas como Pai Herói, Pão Pão, Beijo Beijo, Roque Santeiro, O Rei do Gado ‘Tropicaliente, Renascer, Anjo Mau, América e integrou o elenco das minisséries Lampião e Maria Bonita, O Pagador de Promessas e O Sorriso do Lagarto.

A consagração veio em Explode Coração, novela de Glória Perez, na qual ficou popularmente conhecida ao interpretar a personagem Lucineide, ao lado do ator Rogério Cardoso, com seu bordão “Stop Salgadinho”. Seu último trabalho foi na Rede Record, na novela Caminhos do Coração.

Trajetória 

Na novela Explode Coração

Regina começou a carreira artística com 15 anos na Companhia Baiana da Comédia, em sua cidade natal, Salvador. Como o espaço na área era pequeno na Bahia, a atriz seguiu para o Rio de Janeiro dez anos depois. Já em solo carioca, ela fez sua estreia na TV Globo na minissérie “A Morte e a Morte de Quincas Berro D`água” (1978). Na teledramaturgia, participou da novela “Pai Herói” (1978). Depois disso, integrou o elenco da minissérie “O Pagador de Promessas” (1988), de Dias Gomes, além das tramas “Roque Santeiro “(1985), “Felicidade” (1991), “Renascer” (1993) e “Explode Coração” (1995). Na Globo, Regina encerrou os trabalhos em “América” (2005), quando interpretou Graça, a mulher do fofoqueiro Gomes (Walter Breda).

Sua carreira no cinema é marcada por atuações nos filmes “Corisco & Dadá” (1996), de
Rosemberg Cariry, “No Coração dos Deuses” (1999), de Geraldo Moraes, “Espelho d’Água – Uma Viagem no Rio São Francisco” (2004), de Marcus Vinícius Cesar.

Como Alzira no remake de Anjo Mau

Seu último trabalho na TV foi em 2008 na novela “Mutantes – Caminhos do Coração”, da
Record, quando interpretou Altina. Na mesma emissora, ela esteve no elenco da novela “Bicho do Mato” (2007).

Doença e morte

Regina foi diagnosticada com câncer na mama direita em 2003. Cerca de sete anos depois, o seio esquerdo foi comprometido pela doença. A atriz foi então internada no dia 20 de outubro de 2012, devido a complicações decorrentes do câncer, no Hospital Português em Salvador.

De acordo com seu irmão, Oscar Dourado, Regina estava na fase terminal da doença e era mantida sedada em um quarto da instituição. «A metástase atingiu a medula óssea. Seu estado tornou-se delicadíssimo e irreversível», disse Oscar em entrevista. A atriz veio a falecer poucos dias depois, na manhã de 27 de outubro de 2012, em Salvador.

Velório de Regina

Filmografia

Novelas, séries e minisséries

  • 2007 – Caminhos do Coração – Altina
  • 2006 – Bicho do Mato – Vanda
  • 2005 – América …. Graça
  • 2004 – Seus Olhos – Mafalda
  • 2002 – Esperança – Mariusa
  • 2002 – Os Normais – Beatriz Barros
  • 1999 – Andando nas Nuvens – Ieda
  • 1998 – Sai de Baixo – Milu Lajolo Salão
  • 1997 – Anjo Mau – Alzira
  • 1995 – Explode Coração – Lucineide
  • 1994 – Tropicaliente – Serena
  • 1993 – Renascer – Morena
  • 1992 – Tereza Batista – Mãos de Fada
  • 1991 – O Sorriso do Lagarto – Neide
  • 1991 – Felicidade – Rosália
  • 1990 – Pantanal
  • 1988 – O Pagador de Promessas – Branca
  • 1985 – Roque Santeiro – Efigênia
  • 1983 – Pão Pão, Beijo Beijo – Lala Sereno
  • 1982 – Lampião e Maria Bonita – Joana Bezerra
  • 1981 – Rosa Baiana – Matilde
  • 1980 – Cavalo Amarelo – Ivonete
  • 1979 – Pai Herói – Nancí
  • 1978 – A Morte e a Morte de Quincas Berro d’Água – (especial dirigido por Walter Avancini)

Cinema

  • 2004 – Espelho d’Água – Uma Viagem no Rio São Francisco
  • 1999 – No Coração dos Deuses
  • 1996 – Corisco & Dadá
  • 1990 – Corpo em Delito
  • 1985 – Tigipió – Uma Questão de Amor e Honra
  • 1984 – O Baiano Fantasma


Artistas Inesquecíveis: Gonzaguinha – 8ª edição

Gonzaguinha

Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, mais conhecido como Gonzaguinha, (Rio de Janeiro, 22 de setembro de 1945 — Renascença, 29 de abril de 1991) foi um cantor e compositor brasileiro.

Biografia

Gonzaguinha era filho adotivo do cantor e compositor pernambucano Luiz Gonzaga e de Odaleia Guedes dos Santos, cantora do Dancing Brasil.

Compôs a primeira canção “Lembranças da Primavera” aos 14 anos, e em 1961, com 16 anos, foi morar em Cocotá com o pai para estudar. Voltou para o Rio de Janeiro para estudar Economia, pela Universidade Cândido Mendes. Na casa do psiquiatra Aluízio Porto Carrero conheceu e se tornou amigo de Ivan Lins. Conheceu também a primeira mulher, Ângela, com quem teve 2 filhos: Daniel e Fernanda. Teve depois uma filha com a atriz Sandra Pêra, a atriz e cantora Amora Pêra. Foi nessa convivência na casa do psiquiatra, que fundou o Movimento Artístico Universitário (MAU), comAldir Blanc, Ivan Lins, Márcio Proença, Paulo Emílio e César Costa Filho. Tal movimento teve importante papel na música popular do Brasil nos anos 70 e em 1971 resultou no programa na TV Globo Som Livre Exportação.

Característico pela postura de crítica à ditadura, submeteu-se ao DOPS. Assim, das 72 canções mostradas, 54 foram censuradas, entre as quais o primeiro sucesso, Comportamento Geral. Neste início de carreira, a apresentação agressiva e pouco agradável aos olhos dos meios de comunicação lhe valeram o apelido de “cantor rancor”, com canções ásperas, como Piada infeliz e Erva. Com o começo da abertura política, na segunda metade da década de 1970, começou a modificar o discurso e a compor canções de tom mais aprazível para o público da época, comoComeçaria tudo outra vez, Explode Coração, Grito de alerta e O que é o que é, e também temas de reggae, como Nem o pobre nem o rei.

As composições foram gravadas por muitos dos grandes intérpretes da MPB, como Maria Bethânia, Zizi Possi, Simone, Elis Regina (Redescobrir ou Ciranda de Pedra), Fagner, e Joanna. Dentre estas, destaca-se Simone com os grandes sucessos de Sangrando, Mulher, e daí e Começaria tudo outra vez, Da maior liberdade, É, Petúnia Resedá.

Em 1975 dispensou os empresários e se tornou um artista independente, o que fez em 1986 fundar o selo Moleque, pelo qual chegou a gravar dois trabalhos.

Nos últimos doze anos de vida, Gonzaguinha viveu em Belo Horizonte com a segunda mulher Louise Margarete Martins (Lelete) e a filha deles, a caçula Mariana.

Morte

Gonzaguinha morreu aos 45 anos, em 29 de abril de 1991, ao regressar de uma apresentação no Paraná, vítima de acidente automobilístico em uma rodovia no sudoeste daquele Estado.

Discografia

Esta é a discografia de Luiz Gonzaga Jr., mais conhecido como Gonzaguinha, cantor carioca de MPB e samba.

Álbuns

Álbuns de estúdio

Ano Álbum
1973 Luiz Gonzaga Jr.

  • Formato: LP/CD
  • Gravadora: EMI-Odeon
1974 Luiz Gonzaga Jr.

  • Formato: LP/CD
  • Gravadora: EMI-Odeon
1975 Plano de Vôo

  • Formato: LP/CD
  • Gravadora: EMI-Odeon
1976 Começaria Tudo Outra Vez

  • Formato: LP/CD
  • Gravadora: EMI-Odeon
1977 Moleque Gonzaguinha

  • Formato: LP/CD
  • Gravadora: EMI-Odeon
1978 Recado

  • Formato: LP/CD
  • Gravadora: EMI-Odeon
1979 Gonzaguinha da Vida

  • Formato: LP/CD
  • Gravadora: EMI-Odeon
1980 De Volta ao Começo

  • Formato: LP/CD
  • Gravadora: EMI-Odeon
1981 Coisa Mais Maior de Grande – Pessoa

  • Formato: LP/CD
  • Gravadora: EMI-Odeon
A Vida do Viajante (Com Luiz Gonzaga)

  • Formato: LP/CD
  • Gravadora: EMI-Odeon
1982 Caminhos do Coração

  • Formato: LP/CD
  • Gravadora: EMI-Odeon
1983 Alô Alô Brasil

  • Formato: LP/CD
  • Gravadora: EMI-Odeon
1984 Grávido

  • Formato: LP/CD
  • Gravadora: EMI-Odeon
1985 Olho de Lince / Trabalho de Parto

  • Formato: LP/CD
  • Gravadora: EMI-Odeon
1987 Geral

  • Formato: LP
  • Gravadora: EMI-Odeon
1988 Corações Marginais

  • Formato: LP
  • Gravadora: Moleque/WEA
1990 Luizinho de Gonzagão Gonzaga Gonzaguinha

  • Formato: LP
  • Gravadora: Moleque/WEA
1993 Cavaleiro Solitário

  • Formato: LP/CD
  • Gravadora: Som Livre
2001 Luiz Gonzaga Jr. – Gonzaguinha

  • Formato: CD
  • Gravadora: Universal Music Group 

Trilhas sonoras

Ano Álbum
1970 Os Senhores da Terra (trilha sonora)

  • Formato: LP
  • Gravadora: Museu da Imagem e do Som 

Coletâneas

  • Gonzagão & Gonzaguinha-Juntos. Gonzaguinha e Luiz Gonzaga, (1991), CD BMG/Ariola;
  • A viagem de Gonzagão e Gonzaguinha. Gonzaguinha e Luiz Gonzaga, (1994), CD EMI/Odeon;
  • O talento de Gonzaguinha, (1994), CD EMI/Odeon;
  • Perfil, (2004), CD EMI/Som Livre;

Tributos

  • Simples Saudade, (2001) CD BMG Brasil.

EP e Singles

EP

Ano Compacto Gravadora Nº Cat.
1971 “Felícia” / “Por um Segundo” / “Plano Sensacional” / “Sanfona de Prata” Forma/Philips 07.005

Singles

Ano Compacto Gravadora Nº Cat.
1970 “Parada Obrigatória para Pensar” Forma/Philips 100.004
“Um Abraço Terno em Você, Viu Mãe?” 100.006
1971 “Africasiamérica” / “Por um Segundo” 100.011
1972 “Um Sorriso nos Lábios” / “Comportamento Geral” EMI-Odeon 7B-612

Canções de sucesso

  • 1973 — “Comportamento Geral”
  • 1976 — “Chão, Pó, Poeira”
  • 1976 — “Sangrando”
  • 1977 — “Espere por Mim, Morena”
  • 1979 — “Grito de Alerta”
  • 1979 — “A Vida do Viajante” (com Luiz Gonzaga)
  • 1980 — “Questão de Fé”
  • 1980 — “Ponto de Interrogação”
  • 1980 — “Começaria Tudo Outra Vez”
  • 1981 — “De Volta ao Começo”
  • 1981 — “Eu Apenas Queria que Você Soubesse”
  • 1982 — “É” (se tornou uma canção patriótica no Brasil)
  • 1982 — “O Que É O Que É?”
  • 1982 — “Ser, Fazer, Acontecer”
  • 1983 — “Feliz” (composta por Gonzaguinha, Robert Bernard Sherman e Richard Morton Sherman)
  • 1984 — “Lindo Lago do Amor”
  • 1984 — “Nem o Pobre Nem o Rei”
  • 1986 — “Mamão com Mel”
  • 1988 — “É” (tema da abertura da novela Vidas em Jogo, da Rede Record na gravação de 1988)
  • 1988 — “Avassaladora”
  • 2007 — “E Vamos à Luta” (tema de abertura da novela Duas Caras, da Rede Globo) (originalmente gravada em 1980)
  • 2011 — “Recado” (trilha sonora da novela Fina Estampa, da Rede Globo) (originalmente gravada em 1978)



Artistas Inesquecíveis: Dina Sfat – 7ª edição

Se estivesse viva, Dina Sfat completaria hoje 76 anos e hoje ela é nossa homenageada na sétima edição do “Artistas Inesquecíveis”.


 Dina Kutner de Sousa, mais conhecida como Dina Sfat, (São Paulo, 28 de agosto de 1939 — Rio de Janeiro, 20 de março de 1989) foi uma atriz brasileira.

Biografia

Filha de judeus polacos, Dina sempre quis ser artista. Estreou nos palcos em 1962 em um pequeno papel no espetáculo Antígone América, dirigida por Antonio Abujamra. Daí pulou para o teatro amador e foi parar no Teatro de Arena, onde estreou profissionalmente vivendo a personagem Manuela de Os Fuzis da Senhora Carrar de Bertold Brecht. A atriz se transformou em uma grata revelação dos palcos e mudou seu nome artístico para Dina Sfat. Alguns alegam que a mudança seria uma homenagem à localidade cidade natal de sua mãe, entretanto não há nenhuma localidade denominada Sfat na Polônia.

Participou de espetáculos importantes na década de 1960 em São Paulo e conquistou o Prêmio Governador do Estado de melhor atriz por seu desempenho em Arena Conta Zumbi em 1965, um musical deGianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal. Foi para o Rio de Janeiro e estreou nos palcos de um teatro na peça O Rei da Cidade.

Em 1966 estréia no cinema em Corpo Ardente do diretor Walter Hugo Khouri e no cinema se consagra em 1969 vivendo a guerrilheira Ci deMacunaíma, filme premiado de Joaquim Pedro de Andrade, ao lado do marido, o ator Paulo José que ela conheceu nos tempos do Teatro de Arena.

Ela chega à televisão no fim da década de 1960 e destaca-se em papéis de enorme carga dramática em telenovelas de autoria de Janete Clair, como Selva de Pedra, Fogo Sobre Terra, O Astro e Eu Prometo, mas também brilhou em outras como Verão Vermelho, Assim na Terra Como no Céu, Gabriela e Os Ossos do Barão.

Posou nua para revista Playboy em janeiro de 1982, num ensaio secundário.

Foi casada por 17 anos com Paulo José, com quem teve três filhas: Isabel ou Bel Kutner, que também é atriz, Ana, que também se aventurou na carreira e Clara.

Descobriu o câncer, inicialmente no seio, em 1986, mas não deixou de trabalhar, mesmo em tratamento. Já com a doença, viajou para a União Soviética e participou de um documentário sobre o país e os primeiros passos da Perestroika; escreveu um livro, publicado em 1988, um pouco antes da sua morte, sobre sua vida e a luta contra o câncer, chamado Dina Sfat- Palmas prá que te Quero, junto com a jornalista Mara Caballero e fez a novela Bebê a Bordo, seu último trabalho na televisão.

Como a obcecada Fernanda na 1ª versão de Selva de Pedra

Seu último filme foi O Judeu que só estreou em circuito depois da morte da atriz.

Dina Sfat morreu aos 49 anos, vítima de um câncer de mama contra o qual já lutava havia anos. Seu corpo foi sepultado no Cemitério Israelita do Caju.

Carreira

Televisão

  • 1966 – Ciúme…. Maria Luísa (TV Tupi)
  • 1966 – O Amor Tem Cara de Mulher…Maria Luisa (TV Tupi)
  • 1967 – A Intrusa…. Helen / Patrícia (TV Tupi)
  • 1967 – Os Fantoches…. Laura (TV Excelsior)
  • 1969 – Os Acorrentados…. Isabel (Rede Record)
  • 1970 – Assim na Terra Como no Céu…. Heloísa (Helô)
  • 1970 – Verão Vermelho…. Adriana
  • 1971 – O Homem que Deve Morrer…. Vanda Vidal
  • 1971 – Caso Especial, A Pérola…. Juana
  • 1972 – Selva de Pedra…. Fernanda
  • 1973 – Os Ossos do Barão…. Isabel
  • 1973 – Caso Especial, As Praias Desertas…. Virgínia
  • 1974 – Fogo Sobre Terra…. Chica Martins/Anréia
  • 1975 – Gabriela…. Zarolha
  • 1976 – Saramandaia…. Risoleta
  • 1976 – Caso Especial, Quem Era Shirley Temple?…. Shirley Temple
  • 1978 – Caso Especial, O Caminho das Pedras Verdes
  • 1978 – O Astro…. Amanda
  • 1979 – Os Gigantes…. Paloma
  • 1980 – Malu Mulher, A Trambiqueira…. Esmeralda
  • 1982 – Caso Verdade, Filhos da Esperança…. Julian Taylor
  • 1982 – Avenida Paulista…. Paula
  • 1983 – Eu Prometo…. Darlene
  • 1984 – Rabo-de-Saia…. Eleusina
  • 1988 – Bebê a Bordo…. Laura

Cinema

  • O Corpo Ardente (1966)
  • Três Histórias de Amor (1966)
  • Edu, Coração de Ouro (1968)
  • A Vida Provisória (1968)
  • Macunaíma (1969)
  • Os Deuses e os Mortos (1970) … A Louca
  • Jardim de Guerra (1970)
  • Perdidos e Malditos (1970)
  • O Barão Otelo no Barato dos Bilhões (1971)
  • O Capitão Bandeira contra o Doutor Moura Brazil (1971)
  • A Culpa (1971)
  • Tati (1973)
  • Álbum de Família (1981)
  • Eros, o Deus do Amor (1981)
  • Das Tripas Coração (1982)
  • O Homem do Pau-Brasil (1982)
  • Tensão no Rio (1982)
  • Fábula de la Bella Palomera (1988)
  • O Judeu (1988, lançado em 1996)
Precedida por:
Troféu APCA de Melhor Atriz de Televisão
por Selva de Pedra

1973
Sucedida por:
Eva Wilma
por Mulheres de Areia
&
Lélia Abramo
por Uma Rosa com Amor
Precedida por:
Tereza Raquel
por A Volta do Filho Pródigo
Troféu APCA de Melhor Atriz Coadjuvante
por Eros, o Deus do Amor
(com Renée de Vielmond e Norma Bengell)

1981
Sucedida por:
Cida Moreira
por O Olho Mágico do Amor
Precedida por:
Helena Ignez
por A Mulher de Todos
Troféu Candango de Melhor Atriz
por Os Deuses e os Mortos [6]

1970
Sucedida por:
Adriana Prieto
por Um Anjo Mau
Precedida por:
Conceição Senna
por Iracema – Uma Transa Amazônica
Troféu Candango de Melhor Atriz Coadjuvante
por O Homem do Pau-Brasil

1981
Sucedida por:
Tamara Taxman
por Aventuras de um Paraíba 



Artistas Inesquecíveis: Lauro Corona – 6ª edição

Lauro Del Corona (Rio de Janeiro, 6 de julho de 1957 — Rio de Janeiro,20 de julho de 1989) foi um ator brasileiro.

Biografia

Nascido na classe média carioca, começou a trabalhar aos 16 anos como vendedor na boutique de sua mãe. Um ano depois, partiu para a carreira de modelo e fez os primeiros filmes publicitários: propaganda para a Coca-Cola e o Bob’s, e chamou a atenção do diretor Marcos de Sá.

Em 1977, ao atuar na peça infantil Simbad, o Marujo, no Rio de Janeiro, foi descoberto por Ziembinski, grande mestre do teatro e Paulo José, um dos atores mais queridos de nossas artes. Logo em seguida o convidaram para participar do especial de televisão Ciranda, Cirandinha.

A partir daí, participou de diversas telenovelas e filmes, tendo se destacado, inicialmente, em Dancin’ Days (1978), de Gilberto Braga, em que era par da personagem de Glória Pires. Novela essa que bateu recordes de audiência e que virou febre nacional e pela qual venceu o cobiçado prêmio APCA de melhor ator logo na sua estreia na TV. O ator também foi destaque em outros grandes sucessos como: Marina, Baila Comigo, Elas por Elas, Louco Amor, Corpo a Corpo e Direito de Amar.

O sucesso que Lauro Corona atingiu na televisão foi tão grande que o acabou levando ao cinema e protagonizou O Sonho não Acabou, em 1982, e dois anos depois fez Bete Balanço, como par romântico da personagem de Débora Bloch, filme com música tema da banda Barão Vermelho cantada por Cazuza. O senso comum, aliás, espalhou o boato de que Cazuza e Lauro seriam primos, tanto pela sua incrível semelhança física, como também talvez por serem da mesma faixa etária e terem morrido da mesma doença, porém a informação é incorreta, não havendo nenhum parentesco entre ambos.

Laurinho, como era chamado pelos colegas de trabalho, era grande amigo da também atriz Glória Pires. Querido por todos do meio artístico, ele era unanimidade entre os colegas de trabalho e pelo público em geral que acabou o coroando como o galã das seis , horário este reservado para histórias de amor e de conteúdo leve.

Sua popularidade era tanta que mereceu até um episódio no Caso Especial com o título: O dia em que sequestraram Lauro Corona. Também alcançou algum sucesso como cantor e apresentador do programa Globo de Ouro, nos anos 80. Algumas das músicas são: Não vivo sem meu rock, O Céu por um beijo e Tem que provar.

Lauro também fez uma minissérie, Memórias de um gigolô em 1986 e que foi considerado pela crítica especializada como um dos seus melhores desempenhos diante as câmeras.

A última telenovela foi Vida Nova, de 1988, no papel de um imigrante português que namorava uma judia brasileira, interpretada por Deborah Evelyn.

Foi um dos galãs mais queridos da história da TV brasileira e um dos melhores atores de toda uma geração.

Foi uma das primeiras personalidades brasileiras a morrer de complicações decorrentes do vírus da AIDS. O personagem na telenovela Vida Nova teve um final apressado, com uma viagem para Israel, por causa da doença do ator. A última cena mostrava um carro preto partindo numa noite chuvosa, ao som de um poema de Fernando Pessoa, declamado emoff pelo próprio ator.

O atestado de óbito do ator apontou como causas da morte complicações como infecção respiratória, septicemia, infecçãooportunista, miocardite, insuficiência renal aguda e hemorragia digestiva alta. Em nenhum momento foi citada a palavra AIDS, o que reforçou um comportamento adotado pelo jovem galã de telenovelas da Globo e os familiares nos últimos meses de vida: o de negar veementemente a doença. Lauro Corona não comentava com os amigos que era portador do vírus e nem aceitava a condição – tratava os sintomas das doenças oportunistas com homeopatia.

Os boatos de que estaria com AIDS surgiram em janeiro de 1989, quando o ator pediu afastamento da telenovela Vida Nova, na qual era protagonista, alegando estafa. Lauro se instalou em Campos do Jordão para poder descansar e repor as energias. Voltou dois meses depois, muitos quilos mais magro e com uma visível queda de cabelo. Logo em seguida mudou-se para a casa dos pais, isolando-se até mesmo dos amigos. Quando o estado de saúde piorou, foi internado, mas os pais proibiram a Clínica São Vicente na Gávea de dar qualquer informação à imprensa sobre o estado de saúde do filho.

Lauro Corona morreu depois de nove dias internado na Clínica São Vicente, e foi enterrado no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

Sua morte causou grande comoção nacional. Seu rosto estampava as capas das revistas Amiga, Contigo!, Sétimo Céu, entre outras. Os fãs, mulheres e homens choraram a sua morte.

Lauro Corona ficou para sempre como: aquele rapaz bonito, frágil, amável, de belos olhos azuis e sorriso cativante. Como alguém disse em ocasião de sua morte: “Laurinho deixou sua marca na história da TV. Uma marca que nem o tempo será capaz de diluir”.

Carreira

Na Televisão

Telenovelas
  • 1988 – Vida Nova …. Manuel Victor
  • 1987 – Direito de Amar …. Adriano Monserrat
  • 1984 – Corpo a Corpo …. Rafael
  • 1984 – Vereda Tropical …. Victor
  • 1983 – Louco Amor …. Lipe
  • 1982 – Elas por Elas …. Gil
  • 1981 – Baila Comigo …. Caê
  • 1980 – Marina …. Marcelo
  • 1979 – Os Gigantes …. Polaco
  • 1978 – Dancin’ Days …. Beto
Minisséries
  • 1986 – Memórias de um Gigolô …. Mariano
Outros
  • Teletema:
1986 – O Sequestro de Lauro Corona …. ele mesmo
  • Caso especial:
1977 – Ciranda Cirandinha
  • Entretenimento & musicais:
1986 – Globo de Ouro …. apresentador
1983 – Cometa Loucura …. apresentador 

No Cinema 

  • 1984 – Bete Balanço …. Rodrigo
  • 1982 – O Sonho Não Acabou …. Ricardo