Globo 50 Anos – coberturas: Atentados de 11 de setembro

ATENTADOS DE 11 DE SETEMBRO

 

Em 11 de setembro de 2001, os EUA foram alvo de ataques terroristas organizados pela rede Al Qaeda, liderada por Osama Bin Laden.


A HISTÓRIA

No dia 11 de setembro de 2001, o mundo assistiu ao desabamento do maior ícone da supremacia econômica norte-americana. As torres gêmeas do World Trade Center, em Manhattan, Nova York, vieram abaixo depois de serem atingidas, cada uma, por um Boeing 767. No mesmo dia, o prédio do Pentágono, centro do poder militar dos Estados Unidos, também foi atingido, por um Boeing 757. Outro avião do mesmo tipo foi sequestrado e derrubado a 130 km ao sul de Pittsburgh, na Pensilvânia.

DESTAQUES

No dia 11 de setembro de 2001, o mundo assistiu ao desabamento do maior ícone da supremacia econômica norte-americana. As torres gêmeas do World Trade Center, em Manhattan, Nova York, vieram abaixo depois de serem atingidas, cada uma, por um Boeing 767. No mesmo dia, o prédio do Pentágono, centro do poder militar dos Estados Unidos, também foi atingido, por um Boeing 757. Outro avião do mesmo tipo foi sequestrado e derrubado a 130 km ao sul de Pittsburgh, na Pensilvânia.

Mobilização da equipe

Já no primeiro momento, a equipe da Globo se mobilizou para informar aos telespectadores tudo que se passava. Ali Kamel, então diretor executivo da Central Globo de Jornalismo, lembra o episódio: “Quando cheguei à emissora, às 8h30, o Schroder já estava na sala dele. Em frente à minha mesa, há cinco aparelhos de TV sintonizados em diferentes canais. Eu estava conversando com a minha mulher ao telefone, porque ela se esquecera de me lembrar de um compromisso assumido para aquela noite. De repente, vi na Globo News, às 9h48, uma imagem de um prédio que me parecia familiar pegando fogo. Desliguei rapidamente o telefone, a tempo de ouvir que de fato se tratava mesmo de uma da torres do World Trade Center. Um bimotor, por acidente, teria se chocado contra o prédio. Essa era a primeira versão. Corri para a sala do Schroder, onde há 12 monitores de TV, e apontei para aquele com a torre em chamas. Eu era novo em televisão, estava ali desde julho daquele ano. Nunca tinha visto uma cena como a que se seguiria. Schroder deu um pulo, ligou imediatamente para oAmauri Soares, diretor executivo da CGJ em São Paulo. Durante as manhãs, depois do Bom Dia Brasil, o comando operacional do Jornalismo fica na capital paulista, de onde é gerado o Jornal Hoje. ‘Põe no ar o plantão, Amauri! O World Trade Center está pegando fogo! Põe no ar!’, dizia Schroder”.

Quando Schroder ligou, Amauri já estava no switcher pondo o plantão no ar. Desde cedo na redação, ele estava reunido com grande parte de sua equipe, preparando o que até então parecia ser a principal cobertura do dia: o assassinato do prefeito de Campinas, Toninho do PT. Por um dos monitores de sua sala, Amauri viu as primeiras imagens da CNN e correu para o switcher, quando foi alcançado pelo telefonema de Schroder.

Ali Kamel conta que Schroder logo pediu para o Centro de Documentação da Globo auxiliar Carlos Nascimento com informações na apresentação do plantão. Quatro minutos depois, no entanto, sem aviso prévio, a transmissão foi encerrada. Às 10h02, a vinheta de plantão interrompeu novamente a programação e Carlos Nascimento continuou a narração.

Para Kamel, recém-chegado à televisão, o episódio foi um aprendizado: “Eu pensei com os meus botões: se estivesse em São Paulo, talvez também tivesse tirado o plantão do ar depois de quatro minutos. Na minha cabeça, naquele momento, a notícia já tinha sido dada. Mas eu estava completamente errado. A atuação de Schroder foi decisiva. Não fossem a irritação de Schroder e a sua decisão de mandar voltar o plantão, a Globo deixaria de ter transmitido, ao vivo, o choque do segundo avião contra a outra torre.” A irritação era a mesma de Amauri, porque também ele não tinha dado ordem para que o plantão saísse do ar, num daqueles curtos-circuitos que às vezes acontecem em momentos cruciais de uma cobertura.

Schroder fala sobre os motivos que o levaram a tomar aquela decisão: “Naquele instante, sequer sabíamos a causa do choque do avião na torre. As informações eram contraditórias, não havia nenhuma razão para sair do ar. Na hora, é tudo muito rápido, você decide tudo rapidamente com os elementos que tem ao seu dispor. Uma coisa é certa: um incêndio como aquele não acontece todo dia. Para mim, não havia outra decisão senão manter o plantão.”

Transmissão ao vivo

Amauri Soares comandou a transmissão de dentro do switcher, comunicando-se com os dois apresentadores através de pontos eletrônicos. Enquanto um deles narrava os acontecimentos, Amauri Soares dizia ao outro quais imagens iriam entrar a seguir. Como estavam sem texto de apoio e não contavam com o teleprompter, Carlos Nascimento e Ana Paula Padrão dependiam dessa coordenação para acompanharem as imagens.

Àquela altura, a sala de Schroder no Rio já começava a se transformar num centro de operações. Para lá se dirigiu imediatamente o diretor da Central Globo de Programação, Roberto Buzzoni, que concordou que a programação ficasse interrompida o quanto fosse necessário. Os três – Schroder, Kamel e Buzzoni – estavam diante do monitor com as imagens da TV Globo quando, às 10h03, o segundo avião se chocou contra a Torre Sul do World Trade Center, enquanto Nascimento entrevistava, por telefone, a então chefe do escritório da Globo em Nova York, Simone Duarte. Houve um momento de pausa na narração. Segundo Amauri Soares, era uma cena tão inacreditável que ele e Carlos Nascimento pensavam se tratar de uma reprise do primeiro acidente ou de uma cena de um filme que a CNN estava usando para ilustrar a transmissão.

De improviso, Nascimento chegou a dizer que poderia ser replay do primeiro choque, já que as imagens que estavam no ar eram da TV americana. Schroder relata: “Era evidente que não era replay, pois o avião se chocara na torre que não estava pegando fogo. Mas, ao vivo, no ar, às vezes é difícil perceber as coisas. Imediatamente pedi que o Amauri rodasse em São Paulo a cena novamente e pusesse no ar: estava provado, não era replay, mas outro avião se chocando contra a outra torre. Tudo isso demorou poucos segundos, e o Carlos Nascimento pôde dizer ao público: ‘Se havia alguma dúvida sobre se o que estamos vendo é ou não um atentado terrorista, a dúvida está desfeita’”.

EUA sob ataque

A Globo começou a falar em ataque terrorista antes mesmo da CNN. Logo em seguida, chegou a informação de que mais dois aviões haviam caído nos Estados Unidos: um no Pentágono e outro em Pittsburgh, na Pensilvânia.

Naquele momento, a sala de Schroder já estava completamente tomada. Além dele, Buzzoni e Ali Kamel, Fernando Bittencourt (diretor da Central Globo de Engenharia), Tom Florido (diretor da Central Globo de Informática, Administração e Patrimônio) e Luis Erlanger (diretor da Central Globo de Comunicação) estavam ali, cada um para oferecer os recursos necessários a uma operação que se arrastaria por muitas horas.

Em São Paulo, Amauri Soares mobilizava toda a redação para apoiar a dupla de apresentadores. “Amauri trabalhou muito bem, assim como toda a equipe de São Paulo. Transmitir durante quatro horas não é nada simples. E tudo funcionou perfeitamente. O escritório de Nova York, da mesma forma, trabalhou brilhantemente, superando todas as dificuldades”, diz Schroder.

Os correspondentes da TV Globo numa força-tarefa

O escritório da Globo em Nova York trabalhou intensamente naquele dia. Os correspondentes Edney Silvestre, Zileide Silva, Heloísa Villela, Jorge Pontual, a coordenadora Simone Duarte, a produtora Joana Studart Pereira e os cinegrafistas Orlando Moreira, Hélio Alvarez e Sherman Costa, além de Luís Fernando Silva Pinto em Washington , saíram em busca de imagens que as redes de TV norte-americanas não mostravam. Foram entrevistadas pessoas nas ruas que sobreviveram à tragédia, inclusive brasileiros que estavam em Nova York. Durante o Jornal Nacional daquela noite, Zileide Silva fez diversas entradas ao vivo, dando as últimas informações .

Edney Silvestre ressalta o esforço dos profissionais do escritório de Nova York para produzir o material que foi ao ar naquele dia. Das 18 pessoas que trabalhavam na redação, duas estavam de férias. Os voos foram todos suspensos, e as pontes de acesso à cidade, fechadas. O sistema de transportes entrou em colapso, e não havia metrô, ônibus ou mesmo táxis circulando em Manhattan, onde fica a sucursal da Globo. O repórter Arnaldo Duran, que passava férias na cidade, foi a pé do bairro do Queens, onde se hospedava, até o escritório para ajudar na cobertura dos acontecimentos. “Muitas pessoas do escritório que não eram jornalistas – a recepcionista, a moça que tomava conta dos assuntos financeiros –, colaboraram, entrando na internet, assistindo à televisão e passando as notícias. Teve uma hora em que foi necessário operar uma câmera, e todos os cinegrafistas estavam ocupados. Zileide Silva tinha que entrar no ar naquele momento, e a Joana Studart, que é produtora, operou a câmera”, lembra Edney Silvestre.

Minutos depois de o primeiro avião atingir uma das torres, o repórter Jorge Pontual, que embarcava num avião para Washington, onde cobriria uma manifestação contra o FMI, foi forçado a desembarcar com os demais passageiros. No aeroporto encontrou com o cinegrafista Hélio Alvarez, que também iria para Washington. Com todos os acessos à ilha de Manhattam fechados, os dois pegaram uma carona em um carro de polícia, que tinha passe livre no local da tragédia. “Conseguimos atravessar todas as barreiras e chegamos lá perto. Gravamos as cenas de pessoas que tinham descido do prédio e estavam correndo, ainda cobertas de pó. Uma coisa dramática. Gente que tinha visto pessoas caindo e que ria porque tinha se salvado, aquele riso nervoso de quem só sabe que está vivo. Foi muito impressionante”, recorda Jorge Pontual.

Em Londres, os repórteres Ernesto Paglia e Marcos Losekannacompanharam os reflexos dos atentados na Europa. De Beirute, no Líbano, o repórter Mounir Safatli deu informações , por telefone, sobre a repercussão no Oriente Médio.

Avaliando essa cobertura jornalística da Globo, Edney Silvestreacredita que foi naquele momento que a emissora mostrou que tem uma estrutura internacional que faz a diferença: “Enquanto os outros mostravam imagens compradas, imagens de satélites, a TV Globo tinha suas próprias câmeras e seus próprios repórteres”. Um exemplo foram as imagens feitas por Orlando Moreira no “marco zero”. O cinegrafista e o repórter Jorge Pontual foram dos poucos a entrar no local do desabamento das torres.

Jorge Pontual conta como ele e Orlando Moreira conseguiram chegar ao local, furando o cerco montado pela polícia: “Nós fomos os primeiros a conseguir entrar no “marco zero”. Foi no domingo à tarde. Tinha muita barreira, mas os policiais deviam estar cansados. Orlando Moreira dizia: ‘Encosta nas paredes dos prédios, no outro lado da rua, e vai andando assim que eles não vão nos ver’. E assim a gente foi, sem ninguém ver. Até que chegamos lá e vimos os escombros ainda queimando. Aquilo era sufocante, de passar mal”.

Orlando Moreira recorda o mesmo episódio: “Chegamos àquela primeira barreira de polícia, e eles não deixaram a gente passar. Até que nós encontramos um policial que estava mais cansado, nos tornamos invisíveis aos seus olhos e conseguimos passar. Mais à frente tinha outra barreira. Falei: ‘Pontual, vem comigo’. Passamos e, quando eu vi, saímos em frente ao World Trade Center, o mais perto possível dos escombros. Foi a primeira imagem que fizemos da tragédia. Antes, a única imagem que se tinha era daquelas câmeras fixas do governo norte-americano”.

Quando a notícia interfere na programação

Durante toda a manhã, os correspondentes internacionais da Globo fizeram entradas ao vivo, direto de Nova York, atualizando as informações e relatando aquilo a que estavam assistindo in loco. Pouco depois do ataque às torres, Edney Silvestre e o cinegrafista Orlando Moreira seguiram para a área dos atentados , onde a situação era caótica. “Dentro da área havia muita fumaça e não se enxergava nada”, lembra o repórter. “A polícia não queria deixar que a gente passasse, nem de um lado, nem do outro, porque, obviamente, a cena era terrível. Orlando Moreira e eu tivemos que ir nos desviando para chegar até o local”, relembra Edney. O repórter Jorge Pontual esteve na Times Square e entrevistou as pessoas assustadas nas ruas.

Outro momento de grande impacto foi quando as pessoas começaram a se jogar do alto dos prédios, situação muito difícil para qualquer emissora de televisão. “Mas, naquele momento, não havia como decidir não transmitir, era impossível, tudo acontecia com uma rapidez muito grande. O que evitamos fazer foi repetir as cenas”, lembra Schroder.

Naquele dia, a primeira edição dos telejornais regionais e o Globo Esporte não foram exibidos. A programação normal da Globo só voltou a ser apresentada depois do final da cobertura do jornal Hoje (a narração ao vivo dos eventos se transformou no jornal Hoje daquele dia). Durante a tarde, Nascimento e Ana Paula Padrão permaneceram na bancada do telejornal, fazendo entradas ao vivo a cada intervalo comercial.

Imagens inesquecíveis

O momento de maior perplexidade foi quando a primeira torre ruiu. “Hoje, parece óbvio que elas cairiam. Mas, naqueles momentos, nada era óbvio. Parecia que ficaríamos vendo por muito tempo as duas torres pegando fogo, muito desespero, cenas já dantescas por si mesmas. Mas, de repente, a primeira torre ruiu, com a cena sendo descrita por Carlos Nascimento. Num primeiro instante, fração de segundos, houve a dúvida sobre o que era toda aquela poeira. Mas o Nascimento e o mundo logo perceberam. Era a primeira torre caindo. E, pouco tempo depois, a outra”, lembra Ali Kamel.

De fato, tudo ali era superlativo. “Nós, e o mundo, não tínhamos tempo para respirar, para digerir a tragédia imediatamente anterior. Mas a diferença é que, enquanto o mundo assiste, nós temos de assistir e trabalhar ao mesmo tempo, buscando explicações, análises. A sucessão de eventos é sem igual, quem poderá dizer o que foi mais chocante? Primeiro um avião se lança contra uma torre; depois, ao vivo, outro bate contra a segunda torre. Os prédios ardem em chamas, pessoas se jogam do alto. Em seguida, vem a notícia do ataque ao Pentágono, a gente corta a imagem e mostra ao mundo o centro militar mais poderoso do planeta parcialmente destruído. Depois, diante dos nossos olhos, e contra as expectativas, uma torre cai, depois a outra. E, por fim, a notícia da queda do avião na Pensilvânia. Tudo isso ao vivo, tudo isso muito rápido, diante dos olhos do mundo e nos obrigando a trabalhar horas seguidas não como meros espectadores, mas como transmissores de tudo aquilo, com a obrigação de narrar, informar, analisar. Foi uma jornada histórica”, lembra Schroder.

Jornal Nacional histórico

“Onze de setembro de 2001: uma terça-feira que vai marcar a História da humanidade. A maior potência do planeta é alvejada pelo terror.” Assim William Bonner e Fátima Bernardes anunciavam o Jornal Nacional daquela noite, que apresentou uma edição especial com uma hora de duração. Seu noticiário bateu o recorde de audiência daquele ano. De cada 100 televisores ligados no país no horário, 74 estavam sintonizados na Globo. Segundo William Bonner, a edição do JN foi um trabalho heróico: “Todo o mundo se envolveu, aqui e no exterior, e o resultado foi uma riqueza de informações brutal. Essa equipe pequena conseguiu se mexer para fazer história. Eu acho que nada se compara àquilo”.

Além de contar com a participação dos correspondentes de Nova York, Washington, Londres e Beirute, com reportagens e imagens exclusivas, o telejornal exibiu entrevistas com analistas políticos e especialistas em relações internacionais que não hesitaram em afirmar que o mundo seria outro depois daquela terça-feira. Aquela fora a maior agressão externa sofrida pelos Estados Unidos em seu território. No ataque ao WTC, 2.823 pessoas morreram, entre elas policiais e bombeiros que trabalhavam antes de os prédios desabarem. Somando-se todas as vítimas, inclusive as do Pentágono e do avião na Pensilvânia, 3.056 pessoas morreram nos atentados terroristas de 11 de setembro.

Já naquele dia o nome de Osama Bin Laden apareceu como suspeito de chefiar os atentados a Nova York e Washington. O terrorista, um dos mais procurados do mundo, já havia sido responsabilizado por um ataque a bomba ao próprio World Trade Center em 1993, que matara seis pessoas e deixara mais de mil feridos.

Emmy

Em outubro de 2002, o Jornal Nacional foi indicado pela Academia Nacional de Artes e Ciências da Televisão dos Estados Unidos ao prêmio Emmy Internacional, pela cobertura dos atentados de 11 de setembro. Trabalhos do mundo inteiro concorreram ao prêmio, uma espécie de Oscar da televisão para emissoras estrangeiras. A Globo foi uma das quatro finalistas, ao lado da alemã RTL e das britânicas ITN e BBC. A vencedora, no entanto, acabou sendo a Rede BBC, que concorreu com sua série de reportagens sobre a tomada de Cabul pelas tropas americanas.

Schroder avalia que o sucesso daquela cobertura teve um significado especial para todos na Central Globo de Jornalismo: “Eu tinha assumido havia pouco tempo. O Ali Kamel era recém-chegado. Em agosto, durante o sequestro de Silvio Santos, já tínhamos ficado sete horas ao vivo no ar. Foi como um treino do que viria pouco tempo depois, mas nada comparável ao 11 de setembro. Foi com o ataque às torres gêmeas que pudemos dar uma prova de que a equipe sempre esteve unida, preparada, e que a mudança de comando na CGJ foi, de fato, uma mudança na continuidade”.

A resposta dos EUA

A primeira reposta do governo de George W. Bush aos atentados de 11 de setembro foi atacar o regime talibã que protegia a rede terrorista comandada por Osama Bin Laden. Com o apoio de governos de 56 países e da maioria do povo americano, os Estados Unidos iniciaram a ofensiva militar contra o Afeganistão no dia 7 de outubro.

E março de 2003, os EUA bombardearam Bagdá, capital do Iraque, deflagrando mais uma guerra no Golfo Pérsico. Com a justificativa de estarem atrás de armas de destruição em massa, as tropas norte-americanas invadiram o país de Saddam Hussein.

Em maio de 2011, quase uma década depois dos atentados, o sucessor de Bush, Barak Obama, anunciou que Osama Bin Laden estava morto. O terrorista fora encontrado num esconderijo a cem quilômetros de Islamabad, capital do Paquistão, graças ao trabalho de investigação minucioso do serviço secreto norte-americano. 

Dez anos depois

Dez anos após os atentados ao World Trade Center, o Jornal Nacional exibiu uma série de reportagens sobre o tema, produzida por seus correspondentes nos Estados Unidos. Na primeira reportagem, apresentada no dia 5 de setembro de 2011, Rodrigo Bocardi mostrou como os ataques modificaram os conceitos de segurança em todo o planeta. A convite do governo norte-americano, o repórter também visitou a base de Guatânamo, em Cuba, onde foram presos afegãos e iraquianos acusados de ligação com a rede terrorista Al Qaeda.

No dia seguinte, Luís Fernando Silva Pinto falou sobre os custos financeiro e humano das duas guerras – Afeganistão e Iraque – que se seguiram aos atentados. Os impactos dos ataques de 11 de setembro na comunidade muçulmana nos EUA foram o tema da reportagem de Elaine Bast.
Os repórteres Marcos Uchoa e Edu Bernardes viajaram ao Afeganistão para mostrar como estava o país longe do domínio dos talibãs. Na última reportagem da série, exibida no dia 10, a correspondente Giuliana Morrone falou sobre a reconstrução de Nova York e seus habitantes. A repórter também visitou o canteiro de obras onde ficavam as torres do World Trade Center e mostrou o novo prédio, ainda em construção, que será erguido no local.


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Globo 50 Anos – coberturas: Chegada do homem à Lua

Em 20 de julho de 1969, os primeiros passos do astronauta Neil Armstrong na lua são transmitidos via satélite para o mundo inteiro.


A HISTÓRIA


A nave norte-americana Apollo 11 cumpriu a missão mais importante da corrida espacial entre Estados Unidos e União Soviética, iniciada no final dos anos 1950. Horas depois do módulo da nave Eagle ter pousado na planície lunar do Mar da Tranquilidade, o astronauta e comandante da missão, Neil Armstrong, dava os primeiros passos na superfície da Lua.

DESTAQUES

Transmissões via satélite

Em 28 de fevereiro de 1969, o Brasil ingressou na era das transmissões via satélite. Naquele dia, a Embratel inaugurou, no município fluminense de Itaboraí, a Estação Terrena de Comunicação Via Satélite. A data foi programada para que fosse possível transmitir a missão da nave espacial Apollo 9: testar o módulo de exploração que permitiria o envio de astronautas à Lua.

A bordo da Apollo 9

Antes da missão espacial, a Globo distribuiu um anúncio intitulado “O Brasil estará a bordo da Apollo 9” em nome das Emissoras Associadas e Rede Globo de Televisão: “Você assistirá a todos os lances do espetacular voo da Apollo 9, desde o seu lançamento em Cabo Kennedy, o audacioso acoplamento no espaço, até a sua emocionante descida no Pacífico. Você estará participando de todos esses acontecimentos no mesmo instante em que eles estarão ocorrendo. Trezentos milhões de televisores, espalhados pelo mundo inteiro, estarão acompanhando esse feito maravilhoso, no maior ‘pool’ mundial de televisão. Oito dias de transmissão direta da Apollo 9 para o Brasil inteiro: Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Porto alegre, Curitiba, Recife, Vitória, Belém, Fortaleza, Salvador, Goiânia, Brasília, Juiz de Fora e Bauru, comandados pela TV Globo.”

Primeira transmissão via satélite

O voo da Apollo 9 foi adiado por problemas técnicos, mas nem por isso a estação da Embratel deixou de ser inaugurada. Às 11h, Hilton Gomes apresentou, “direto de Roma”, uma entrevista concedida pelo Papa Paulo VI, gravada na véspera: “Esta é a primeira reportagem internacional via satélite para o Brasil, inaugurando, oficialmente, o Intelsat III, numa transmissão em cadeia para todo o Brasil, comandada pela Embratel”.

Em um português quase perfeito, o Papa falou durante três minutos e abençoou o povo brasileiro. Logo depois, foram exibidos lances de um jogo de futebol do clube italiano Juventus. O objetivo era que o telespectador tivesse uma ideia de como seria a transmissão da Copa do Mundo de 1970, realizada no México.

Mundo novo da televisão

O lançamento da Apollo 9 ocorreu, finalmente, em 3 de março, e foi transmitido ao vivo, via satélite. À noite, Hilton Gomes abriu o Jornal da Globo saudando “o admirável mundo novo da televisão via satélite”, que permitia ao telespectador assistir ao vivo aos acontecimentos internacionais: “Agora o fato entra na sua casa instantaneamente, como ocorreu hoje à tarde, precisamente há uma hora, quando um extraordinário sistema de comunicações, incluindo a NBC, o satélite Intelsat, a Embratel, as Emissoras Associadas e a Rede Globo de Televisão, lhe mostrou imagens de impressionante nitidez do lançamento da Apollo 9 nos Estados Unidos.”

Salto gigantesco para a humanidade

Pouco mais de três meses após a missão da Apollo 9, o mundo acompanha a aterrisagem da Apollo 11 na lua. Ao tocar o solo, Neil Armstrong pronuncia a célebre frase: “É um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade.” Eram 23h56, horário de Brasília. A Globo transmitia, sem interrupções, as imagens de Armstrong caminhando sobre a superfície da Lua, seguido por Edwin Aldrin Jr.

Mais de 600 milhões de pessoas no mundo inteiro assistiam ao espetáculo, ao vivo, pela TV. A Apollo 11 havia entrado na órbita da Lua no dia anterior. Em edições extraordinárias, a Globo informava sobre as manobras de aproximação do módulo lunar. Enquanto Armstrong e Aldrin comandavam o Eagle, um terceiro astronauta, Michael Collins, permanecia na nave-mãe.

Narração emocionante

“As emoções iam surgindo enquanto eles falavam” Hilton Gomes sobre a transmissão da chegada à lua

O repórter Hilton Gomes narrou a chegada dos astronautas direto dos estúdios da Globo, no Jardim Botânico. Um trabalho marcante, como ele mesmo conta: “Acompanhamos o lançamento da Apollo 11, eu e a equipe lá em Cabo Kennedy, depois voamos para o Rio e fomos direto para o estúdio. Quando chegamos, a nave estava se aproximando da Lua e tivemos que narrar simultaneamente o diálogo dos três astronautas. E, com toda aquela preocupação, as emoções iam surgindo enquanto eles falavam”.

“Armação”

A perfeição das imagens na transmissão foi tal que levou alguns telespectadores a duvidar de que o homem tivesse realmente pisado na Lua. Enquanto havia aqueles que julgavam tratar-se de uma farsa dos norte-americanos, outros chegavam a pensar que era uma “armação” da Globo, como testemunhou o próprio Hilton Gomes. Ao tomar um café no bar da esquina, a moça que sempre o atendia olhou o jornalista com cara feia e disparou: “Você é um mentiroso! O homem não foi à Lua coisa nenhuma!”. Como outros fregueses também olhavam desconfiados, Hilton Gomes desistiu do café e saiu de fininho.

Liderança da Globo

Graças à transmissão da façanha espacial, a Globo ocupou, pela primeira vez, a liderança na audiência na cidade de São Paulo. A emissora, até então considerada excessivamente carioca, ganhava definitivamente a simpatia dos paulistanos.

Em setembro de 1969, a Globo já detinha a liderança absoluta de audiência: apresentava nove entre os dez programas mais assistidos no Rio e três entre os dez de São Paulo. Em 1971, a Rede Globo passou a exibir os dez programas mais assistidos nas duas capitais.

FONTES

MEMÓRIA GLOBO. Jornal Nacional, a notícia faz história. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2005; Jornal da Globo (20/06/1969; 28/02/1969; 03/03/1969) Sites: http://pt.wikipedia.org/wiki/Apollo_9




Globo 50 Anos – coberturas: Tancredo – Eleição e Morte

Após quase 40 dias de agonia, e comoção nacional, Tancredo Neves morreu em 21 de abril de 1985, sem nunca assumir o cargo para o qual fora eleito.


A HISTÓRIA

Após a derrota da emenda Dante de Oliveira, líderes peemedebistas se articularam com parcelas do PDS (Partido Democrático Social) e formaram a Aliança Democrática para disputar, em 15 de janeiro de 1985, as eleições para presidente da República no Colégio Eleitoral. Como candidato daquela frente partidária, Tancredo Neves conseguiu vencer, por 480 votos contra 180, o candidato governista Paulo Maluf.

A eleição de Tancredo Neves, apesar de indireta, foi recebida com grande entusiasmo pela maioria dos brasileiros. Afinal, ele seria o primeiro presidente civil do país depois de mais de 20 anos. O presidente eleito, no entanto, jamais assumiu o governo. Na véspera da sua posse, foi internado no Hospital de Base, em Brasília, com fortes dores abdominais. O seu vice, José Sarney, assumiu a Presidência no dia seguinte, em 15 de março de 1985.

EQUIPE E ESTRUTURA

O Jornalismo da Globo cobriu amplamente a doença e o padecimento de Tancredo Neves. Além disso, o planejamento da edição especial do Jornal Nacional mobilizou quase todo o jornalismo da emissora.

Já no dia 12 de abril, frente ao agravamento da saúde de Tancredo Neves, o diretor de telejornais de rede, Woile Guimarães, nomeou Luís Edgar de Andrade, chefe de redação, como responsável pelo esquema de colocação do JN especial no ar. Era sua incumbência a escalação das equipes de plantão (chefes e subchefes dos estúdios, redatores, produtores, apresentadores e entrevistadores) e a checagem das escalas do Centro de Produção de Notícias, de toda a estrutura da Divisão de Operação e da Engenharia. Deveria também controlar a passagem de um turno de plantão ao outro, sempre pessoa a pessoa, função a função. Além disso, tinha que realizar testes de prontidão nos estúdio do Rio de Janeiro, de São Paulo e Brasília. Os testes eram completos, indo desde a leitura das primeiras páginas do script até a checagem das matérias nos equipamentos de VT.

Participaram da cobertura os repórteres André Luiz Azevedo, Carlos Tramontina, Caco Barcellos, Carlos Dorneles, Tonico Ferreira, Ana Terra, Leila Cordeiro, Sandra Moreyra, Neide Duarte, Leonel Da Mata, Fernanda Esteves, Valéria Sffeir, Geraldo Canali, Álvaro Pereira e Pedro Rogério, entre outros. O repórter Carlos Nascimento destacou-se por sua capacidade de entrar ao vivo no Jornal Nacional e narrar longos textos de improviso, sem erro. A equipe contou com a ajuda de profissionais da Divisão de Esportes e de emissoras afiliadas à Globo.

As equipes trabalharam intensamente durante o período em que Tancredo Neves ficou internado.Tonico Ferreira lembra: “Eu achava, no final, que a gente ia morrer junto com ele de tão cansados que ficávamos. Que coisa inacreditável, como é que a gente podia imaginar! Eu fui dormir achando que no dia seguinte ia fazer a cobertura da posse. Estava tudo preparado: as divisões de matérias, quem iria fazer o quê. E à noite ficamos sabendo que o homem tinha ido para o Hospital de Base. Uma parte da equipe ficou cobrindo a doença do Tancredo e outra cobriu a posse do Sarney. Depois, o Tancredo Neves foi transferido de Brasília para São Paulo, foi para o Incor. Nós ficamos não sei quanto tempo – para mim, pareceu uma eternidade – na frente daquele hospital. Foi um momento que a Globo brilhou com entradas ao vivo muito importantes, tanto do Tramontina quanto do Nascimento, que davam diariamente todo o noticiário com detalhes sobre qual era o antibiótico que Tancredo estava tomando. Foi muito difícil aquela cobertura e muito dramática: as pessoas ali na frente, o país parado. Foi uma cobertura inesquecível pelo lado triste e pelo cansativo.”

Isabela Assumpção concorda: “Foi uma coisa monstruosa aquilo. A gente tinha escalas para ficar na frente do Incor. Um repórter ia rendendo o outro por horário. Eu me lembro que peguei um turno que começava à meia-noite e ia até de manhã. Durante muitos dias, fiquei nesse turno. Dava até para dormir um pouco dentro do carro. Os técnicos das UPJs (Unidades Portáteis de Jornalismo) ficavam acordados, se acontecesse alguma coisa, eles avisavam.”

Apesar do cansaço, o período também foi de grande aprendizado para os jornalistas, como explica Carlos Tramontina: “Foi um período em que nós vivemos uma experiência importante. Importante porque o país acompanhava tudo que ocorria na porta do Instituto do Coração e nós evoluímos profissionalmente, aprendemos com a necessidade de falar sobre coisas complicadas de maneira simples para serem compreendidas pela população. E as pessoas ficavam esperando os nossos telejornais para saber quais eram os níveis de potássio, de creatinina no organismo do presidente. Assuntos que eram absolutamente técnicos e altamente específicos passaram a fazer parte do dia-a-dia das pessoas.”

Após o enterro de Tancredo, Luís Edgar de Andrade escreveu uma carta à redação, na qual agradecia a colaboração dos diferentes profissionais que realizaram um verdadeiro mutirão de telejornalismo: “Merecem meu cumprimento especial aqueles que, repetidamente, dobraram o expediente, trabalhando 12, 14 e até 16 horas por dia, com sacrifício do lazer e do convívio com a família. Quero lembrar também os que vararam madrugadas, de script na mão, no estúdio ou no controle E/F, e os que passaram muitas noites editando nas ilhas do ENG, que nunca pareceram tão frias como nestas noites de abril.”

DESTAQUES

O padecimento de Tancredo Neves

Jornal Nacional exibiu matérias sobre a doença de Tancredo Neves desde o dia 14 de março, além de boletins ao vivo sobre seu estado de saúde. A princípio, essas matérias dividiam espaço com outras sobre a implantação da Nova República. Mas, aos poucos, a saúde do presidente foi ocupando praticamente todo o noticiário. O Brasil viveu um clima de comoção nacional, acompanhando a agonia de Tancredo, desde a sua transferência de emergência para São Paulo até a série de sete operações a que foi submetido.

As contínuas manifestações de solidariedade da população em frente ao Instituto do Coração, em São Paulo, davam um ar mais dramático aos acontecimentos. O país passou semanas aguardando ansiosamente pelos boletins sobre a saúde do presidente, lidos diariamente pelo jornalista Antônio Britto, que deixara o cargo de editor-regional da Globo de Brasília e assumira o de porta-voz da Presidência. Naquele período, o JN contava sempre com a entrada de um repórter – em geral, Carlos Nascimento – direto do hospital. O último bloco do noticiário, com cerca de 15 minutos, era dedicado integralmente ao assunto.

Depois de 39 dias de agonia, em 21 de abril, Tancredo Neves morreu no Instituto do Coração, vítima de infecção generalizada. O comunicado oficial do seu falecimento foi feito às 22h30, porAntônio Britto. Como era domingo, a notícia da morte foi dada no Fantástico. Carlos Tramontina, que estava no hospital, deu ao vivo a informação.

Jornal Nacional especial

Logo em seguida ao Fantástico, foi ao ar um Jornal Nacional especial. Apresentado por Sérgio Chapelin, o programa teve aproximadamente quatro horas de duração. Foram exibidos uma retrospectiva dos fatos, desde a eleição de Tancredo no Colégio Eleitoral até a repercussão da sua morte, e um resumo da sua trajetória política, mostrando sua experiência como ministro da Justiça de Getúlio Vargas e como primeiro-ministro em 1961-62, a eleição para o governo de Minas Gerais em 1982 e sua decisiva participação na campanha das diretas.

Foram realizadas várias entrevistas, algumas delas no próprio estúdio da Globo, no Rio de Janeiro, com políticos e personalidades, como o sociólogo Gilberto Freyre. O historiador Raimundo Faoro falou ao repórter Paulo Henrique Amorim sobre questões legais relativas à permanência do vice José Sarney como presidente. Sobre o mesmo assunto, o professor de direito constitucional Célio Borja foi entrevistado por Leda Nagle. Pelo telefone, a repórter também conversou com o jurista Afonso Arinos.

Artistas e personalidades de diferentes áreas deram seus depoimentos e prestaram homenagens a Tancredo Neves. A cantora Fafá de Belém inovou ao cantar o Hino Nacional com acompanhamento de apenas um piano, que executou um arranjo e um andamento diferentes do usual. Uma videocharge de Chico Caruso mostrou o rosto de Tancredo numa bola de gás que subia aos céus.

Terminada a edição especial do Jornal Nacional, a Globo continuou apresentando plantões com as últimas informações sobre a repercussão da morte de Tancredo.

O cortejo fúnebre e o enterro

No dia seguinte, a Globo mostrou imagens do cortejo fúnebre do Instituto do Coração ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Uma multidão de dois milhões de pessoas se despediu de Tancredo Neves nas ruas da capital paulista. O telejornal acompanhou todo o trajeto do corpo em Brasília e em Belo Horizonte, mostrando de perto as demonstrações de carinho e tristeza da população.

O enterro de Tancredo Neves em São João del Rei, no dia 24 de abril de 1985, foi transmitido ao vivo pela Globo. A editora Sílvia Sayão lembra que a montagem do equipamento para a transmissão foi bastante complicada e durou quase um dia inteiro. No desfecho do sepultamento, o repórter Carlos Nascimento interrompeu a narração, e as imagens mostraram o vagaroso trabalho do coveiro João Aureliano, cercado de autoridades e parentes de Tancredo.

Nascimento relembra o episódio: “O enterro foi à noitinha, às sete horas mais ou menos. Durante a tarde, Boni queria esquentar a programação e me mandou narrar o que estava acontecendo. Só que não estava acontecendo nada, porque os políticos iam começar a chegar depois. Mas ele me mandava falar. Eu ia, subia no telhado e pensava: ‘Vou falar o que meu Deus?’ Aí, eu narrava as montanhas de São João del Rei, o pôr-do-sol, descrevia e falava do Tancredo e o sino tocava… e ficava aquela coisa poética. E o Boni falava: ‘Ah, está ótimo!’ E foi assim a tarde inteira. Até que, finalmente, à noite, houve o sepultamento e aquela cena incrível do sujeito com a pá. Quando eu comecei a falar, o Boni disse: ‘A única hora que não é para falar é agora! Deixa, deixa!’ Então ficou aquele som do coveiro.”

FONTES

Depoimentos concedidos ao Memória Globo por: Carlos Nascimento (10/05/2002), Carlos Tramontina (27/01/2004), Isabela Assumpção (12/11/2008) e Tonico Ferreira (16/03/2004). Jornal Nacional: a notícia faz história. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004.



Globo 50 Anos – coberturas: Acidente Radioativo em Goiânia – Césio 137

Goiânia foi palco do maior acidente radiológico do mundo, em setembro de 1987. A contaminação afetou a saúde de centenas de pessoas.

A HISTÓRIA

No dia 13 de setembro de 1987, um aparelho contendo uma peça radioativa foi achado e aberto por catadores de papel, em Goiânia. O equipamento estava num prédio abandonado onde funcionava uma clínica desativada.  Os homens acharam que se tratava de sucata e venderam o fragmento a um ferro-velho. A cápsula projetava uma luz brilhante que despertou curiosidade, e muita gente acabou manuseando o material.

O acidente foi descoberto duas semanas depois. Após os primeiros sinais de contágio pela radioatividade, a peça foi levada à Vigilância Sanitária, que constatou tratar-se de material tóxico. A partir de então, casas e ruas foram isoladas, e a cidade foi invadida por especialistas e técnicos em radiação. Moradores fizeram testes para saber se estavam contaminados. Os primeiros atendimentos foram no Estádio Olímpico de Goiânia, e os casos mais graves foram transferidos para o Rio de Janeiro.

Mais de mil pessoas foram contaminadas por radiação de césio-137. Na ocasião, quatro morreram. Mas, estima-se que dezenas de pessoas faleceram em consequência de complicações desenvolvidas a partir da contaminação pelo césio 137.

A tragédia causou uma comoção nacional, mas também gerou, na época, uma discriminação contra os goianos. Ainda hoje, uma associação de vítimas luta para resgatar a cidadania dessas pessoas que foram contaminadas.

EQUIPE E ESTRUTURA

A Globo fez matérias sobre o acidente com o césio-137 com o apoio da TV Anhanguera, afiliada em Goiás. Para reforçar a cobertura, em diferentes momentos, enviou repórteres da equipe do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Logo após as primeiras informações virem à tona, Valéria Sfeir embarcou para Goiânia, onde permaneceu cerca de uma semana. Em seguida, Carlos Nascimento e, depois, Carlos Dorneles, chegaram à cidade. Posteriormente, Ilze Scamparini passou um mês no local para fazer um Globo Repórter especial sobre o assunto. No Rio de Janeiro, Sandra Moreyra acompanhou o atendimento aos pacientes mais graves, internados no Hospital Naval.

DESTAQUES

Brilho azul

Em 30 de setembro de 1987, o Jornal Nacional apresentou as primeiras informações sobre o desastre com o césio-137, em Goiânia. Em nota, explicou que 11 pessoas estavam internadas num hospital da cidade com sintomas de contaminação pela radioatividade. Um cilindro de ferro e chumbo, que continha o elemento radioativo, foi encontrado nos escombros de uma clínica e vendido a um ferro-velho.

No dia seguinte, o assunto ganhou mais destaque no telejornal. Foram exibidas as primeiras imagens dos pacientes contaminados. No Estádio Olímpico, no centro de Goiânia, moradores com suspeita de contágio receberam tratamento especial de médicos e técnicos do Rio de Janeiro e São Paulo que integravam a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). O dono da clínica onde foi encontrado o aparelho de radioterapia deu entrevista e disse que a máquina não havia sido retirada do local porque o terreno estaria numa disputa judicial.

Os casos mais graves foram transferidos para a emergência nuclear do Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio, como mostraram as reportagens de Sandra Moreyra.

Equipe em Goiânia

Logo após as primeiras notícias, a Globo enviou a Goiânia repórteres do Rio de Janeiro e de São Paulo. Valéria Sfeir foi a primeira a chegar à cidade. Durante uma semana, mostrou o trabalho dos técnicos em energia nuclear, as discussões sobre o que fazer com o lixo radioativo e o atendimento médico às pessoas contaminadas. Sua primeira reportagem foi ao ar no dia 1º de outubro.

No dia 16 de outubro, foi a vez de Carlos Dorneles, que permaneceu na cidade por quase um mês. Suas reportagens destacaram, entre outros assuntos, a escolha do lugar que serviria de depósito provisório para o lixo radioativo, a retirada desse material do centro e o tratamento que as pessoas contaminadas estavam recebendo nos hospitais locais. Dias depois, Carlos Nascimento reforçou a cobertura ao lado de Valéria Sfeir. O repórter acompanhou a descontaminação de áreas isoladas em Goiânia e a visita do então presidente da república José Sarney ao local onde aconteceu o acidente.

Leide das Neves Ferreira

Leide das Neves Ferreira

As primeiras vítimas fatais da radiação por césio-137 foram a menina Leide das Neves Ferreira e sua tia, Maria Gabriela Ferreira. As duas estavam internadas no Hospital Naval, no Rio de Janeiro, mas não resistiram à contaminação, como mostrou o Jornal Nacional de 23 de outubro.

Os corpos foram colocados em caixões revestidos de chumbo e seguiram para Goiânia, onde seriam enterrados em túmulos de concreto no dia 26. Com medo de contaminação, moradores vizinhos ao cemitério queriam impedir o sepultamento.

Dias depois, faleceram Israel Batista dos Santos e Admílson Alves de Souza. Os dois eram empregados do ferro-velho e também estavam internados no Rio.

A menina Leide das Neves Ferreira acabou se transformando num símbolo do primeiro acidente radioativo do Brasil. Uma fundação com seu nome foi criada para dar assistência às vítimas do césio-137.


Globo Repórter

Em 17 de dezembro de 1987, foi ao ar um Globo Repórter especial sobre o acidente radioativo de Goiânia. Uma das questões abordadas pelo programa foi o que fazer com o lixo atômico no Brasil. A repórter Ilze Scamparini passou um mês na cidade acompanhando as discussões sobre o tema e os desdobramentos do caso.

Foram mostradas imagens exclusivas de pacientes em estado grave, quando ainda estavam internados no hospital no Rio de Janeiro, e uma entrevista com Devair Alves Ferreira, o dono do ferro-velho.

Para ajudar o telespectador a entender melhor como aconteceu a tragédia, foi feita uma reconstituição da história com a participação de atores do elenco da emissora, como Carlos Vereza,Wolf Maya, Thelma Reston e Stepan Nercessian. O cenógrafo Rodrigo Cid reproduziu o ferro-velho e algumas ruas de Goiânia na cidade cenográfica de Guaratiba, no Rio.

Culpados

Em 1996, os médicos Orlando Teixeira, Criseide de Castro e Carlos Bezerril, responsáveis pela clínica abandonada onde o aparelho de radioterapia foi achado, e o físico hospitalar Flamarion Goulart, foram condenados por homicídio culposo – três anos de prisão em regime semi-aberto. As penas foram trocadas por serviços comunitários.

A Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), que deveria fiscalizar o césio na clínica, foi condenada a prestar assistência médica às vítimas e a seus parentes. O governo do estado de Goiás e a Cnen foram obrigados a pagar indenizações.

Em julho de 1997, o lixo radioativo – cerca de seis mil toneladas de material – foi levado para um depósito subterrâneo em Abadia de Goiás.

Vinte anos depois

Vinte anos depois, em agosto de 2007, o Linha Direta Justiça levou ao ar um especial sobre o acidente com o césio-137. O programa, com direção-geral de Milton Abirached, relembrou o caso com uma dramatização do que acontecera em Goiânia, quando duas pessoas encontraram um aparelho de radioterapia numa clínica abandonada.

Além da simulação, a equipe entrevistou vítimas da tragédia, especialistas de diferentes áreas e autoridades responsáveis na época.

O especial “Césio 137” foi um dos finalistas na categoria “atualidades” do Prêmio Emmy Internacional, em 2008.

FONTES

Depoimento concedido ao Memória Globo por: Sandra Moreyra (15/05/2002); Globo Repórter, 17/12/1987; Jornal Nacional, 30/09/1987, 01-03/10/1987, 08/10/1987, 23/10/1987, 27-28/10/1987;Linha Direta, 09/08/2007; http://www.cesio137goiania.go.gov.br/ em 18/10/2013.



Globo 50 Anos – coberturas: Impeachment de Collor

 Fernando Collor, o primeiro presidente eleito pelo voto direto após o fim do regime militar no Brasil, foi também o primeiro a sofrer um processo de impeachment.


A HISTÓRIA

Em 29 de setembro de 1992, pela primeira vez na história da República do Brasil, um presidente, eleito pelo voto direto, foi afastado por vias democráticas. Por 441 contra 38 votos, a Câmara dos Deputados votou pelo impedimento de Fernando Collor, empossado em 15 de março de 1990. As acusações apontavam para um esquema de corrupção no governo que envolvia pessoas próximas ao presidente, como Paulo César Farias, ex-tesoureiro da campanha de Collor.

EQUIPE E ESTRUTURA

Desde as primeiras denúncias contra o presidente Collor, o Jornal Nacional dedicou grande parte de seu noticiário à crise política que se instalara no governo.

A Globo acompanhou passo a passo os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), desde a sua instauração até a leitura do relatório final, 85 dias depois. No dia 9 de junho, o repórter Álvaro Pereira assistiu às seis horas de depoimento de PC Farias no Congresso e apresentou no JN um resumo de suas declarações.

No dia 24 de agosto, a Globo transmitiu, também ao vivo, a sessão de leitura do relatório final da CPI no Congresso Nacional. À noite, o JN entrou ao vivo do estúdio de Brasília, apresentado por Carlos Nascimento. Em entrevista ao repórter Francisco José, Paulo César Farias declarou-se inocente.

O repórter Marcelo Canellas fez parte da equipe que cobriu o movimento contra a corrupção no governo liderado pelos estudantes brasileiros, que ficaram conhecidos como “caras-pintadas”.

Em setembro de 1992, o Jornal Nacional registrou a solenidade de entrega do pedido de impeachmente a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do parecer. A Globo transmitiu ao vivo toda a sessão de votação, que durou pouco mais de duas horas. O JN desse dia foi inteiramente dedicado à votação na Câmara. Cid Moreira e Sérgio Chapelin abriram o telejornal, Carlos Nascimento seguiu com a apresentação diretamente de Brasília, onde estavam os repórteres Alexandre Garcia, Renato Machado,Pedro Bial, Delis Ortiz e Heraldo Pereira.

DESTAQUES

As denúncias e a abertura da CPI

Três meses depois da posse de Fernando Collor, em junho de 1990, surgiram as primeiras denúncias de corrupção no governo, atingindo, naquele momento, apenas o segundo escalão. Em outubro, as acusações passaram a envolver pessoas próximas ao presidente, como PC Farias, o ex-tesoureiro da campanha de Collor, que agiria como intermediário de negócios entre o empresariado e o governo. A partir daí, os escândalos e as denúncias se sucederam e, a cada mês, novos nomes eram apontados.

No dia 24 de maio de 1992 as denúncias atingiram diretamente o presidente da República. Numa entrevista à revista Veja, Pedro Collor acusou o irmão de manter uma sociedade com PC Farias, que seria seu testa-de-ferro nos negócios.

As denúncias rapidamente tiveram repercussão no Congresso Nacional. No dia 25 de maio, o telejornal informou que a Polícia Federal instauraria inquérito para apurar as denúncias contra Collor. O assunto ocupou todo o primeiro bloco do Jornal Nacional.

No bloco seguinte, em matéria de três minutos, mostrou-se as repercussões do escândalo no Congresso e na economia.

O presidente, por sua vez, pediu a abertura de uma ação penal com base na Lei de Imprensa, para responsabilizar o autor das denúncias por crime contra a honra. Durante toda a semana o Jornal Nacionalacompanhou de perto a crise política no governo.

O procurador-geral da República, Aristides Junqueira, pediu a abertura de inquérito para a apuração de crimes contra a administração pública federal, atribuídos ao presidente Fernando Collor, à ex-ministra Zélia Cardoso de Melo, a PC Farias e ao piloto de avião Jorge Bandeira de Melo, acusado de intermediar a liberação de verbas no Ministério da Ação Social. Naquele dia, o presidente divulgou uma carta à nação na qual se dizia profundamente chocado com as declarações “insensatas e falsas” do irmão Pedro Collor. O documento teve alguns de seus trechos divulgados no JN.

Dois dias mais tarde, Pedro Collor, em companhia da mulher, Tereza, do seu advogado e de uma equipe médica, disse em entrevista coletiva que não poderia provar todas as acusações contra Fernando Collor e PC Farias que fizera à revista Veja, mas, mesmo assim, estava com a consciência tranquila. Também tornou público o resultado dos exames de sanidade mental a que tinha se submetido. Segundo o laudo ele estava apto a realizar todos os atos de responsabilidade civil e não apresentava nenhum diagnóstico psiquiátrico.

Naquele mesmo dia, 27 de maio, por solicitação de parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT), o Congresso instaurou uma CPI para apurar as denúncias contra PC Farias. A Rede Globo acompanhou passo a passo os trabalhos da CPI até sua conclusão, quase três meses mais tarde.

O relatório final da CPI

O cerco contra Fernando Collor apertou no dia 28 de junho, quando a revista IstoÉ publicou uma entrevista do motorista Eriberto França confirmando que a empresa Brasil-Jet, de Paulo César Farias, pagava as contas da Casa da Dinda, residência do presidente. A CPI descobriu, então, que a secretária particular do presidente, Ana Acioli, recebia depósitos de PC e de seus “fantasmas” (nomes fictícios de titulares de contas movimentadas pelo “esquema PC”). A prova material definitiva dos vínculos do presidente com o sistema de corrupção (um cheque utilizado na compra do Fiat Elba de Rosane Collor) foi localizada por Jorge Bastos Moreno, repórter do jornal O Globo.

A Globo transmitiu, ao vivo, a sessão de leitura do relatório final da CPI no Congresso Nacional em 24 de agosto. Foram lidas na íntegra suas 200 páginas, redigidas pelo senador Amir Lando. Além de Paulo César Farias, foram apontados como os principais envolvidos Cláudio Vieira, Jorge Bandeira de Melo, Rosinete Melanias, Marta Vasconcelos, Ana Acioli, Najun Turner e José Roberto Nehring. Eles foram responsabilizados por crimes de corrupção, exploração de prestígio, falsificação, sonegação, formação de quadrilha, falso testemunho, entre outros. O relatório apontou as ligações de Fernando Collor com o esquema de corrupção. Estimava-se que um total de 6 milhões e 500 mil dólares haviam sido transferidos para os gastos pessoais do presidente.

No dia da leitura do relatório, uma parte do Jornal Nacional foi apresentada, ao vivo, do estúdio de Brasília, por Carlos Nascimento. Foi feito um histórico do caso desde as denúncias de Pedro Collor e apresentadas as principais conclusões da CPI. Em seguida, mostrou-se a repercussão do fato entre governadores e outros políticos. Paulo César Farias se disse inocente numa entrevista exclusiva concedida ao repórter Francisco José.

Diante das descobertas da CPI, que evidenciavam o envolvimento de Collor com PC Farias, o impeachment do presidente tornou-se o tema central dos noticiários da Globo. Antes mesmo da conclusão do relatório, o Jornal Nacional registrou as primeiras manifestações populares exigindo o afastamento do presidente.

Fantástico mostrou, no dia 16 de agosto, nas principais capitais do país, a manifestação do povo, vestido de preto contra os atos de corrupção. Era uma resposta a Collor, que havia convocado a população para sair às ruas de verde e amarelo, em seu apoio. Alexandre Garcia fez uma crônica sobre a situação política do país.

Dias depois, jovens estudantes de todo o país, pintando o rosto de verde e amarelo, também ganharam as ruas em protesto. No dia 21 de agosto, cerca de 100 mil “caras-pintadas” se reuniram numa passeata na Avenida Rio Branco, no Centro do Rio. Marcelo Canellas fazia parte da equipe que cobriu a manifestação dos estudantes. A imagem de uma jovem pintando o rosto do repórter e, em seguida, a lente da câmera tornou-se um ícone desse período.

Pedido de impeachment

No dia 1º de setembro, o Jornal Hoje, Jornal Nacional e o Jornal da Globo exibiram a solenidade de entrega do pedido de impeachment, assinado pelo presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Barbosa Lima Sobrinho, e pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcelo Lavenère, no Salão Verde da Câmara dos Deputados.

No dia seguinte, os três principais telejornais da emissora mostraram a leitura do pedido de impeachment e trechos dos discursos dos parlamentares José Genoino, Gastone Righi, Nelson Jobim e do presidente da Câmera Federal, Ibsen Pinheiro.

Na sexta-feira, dia 25, os telejornais nacionais da Globo acompanharam as deputadas Irma Passoni e Sandra Starling lendo, na Câmara, o parecer do relator Nelson Jobim pedindo a abertura de processo contra o presidente.

No domingo, o Fantástico exibiu um perfil do presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), Lindberg Farias, líder da campanha dos “caras-pintadas”, e uma matéria com o vice-presidente Itamar Franco, que aguardava o provável impeachment de Fernando Collor para assumir a presidência.

Aprovação do impeachment na Câmara

Dia 29 de setembro de 1992, a Globo transmitiu ao vivo a sessão da Câmara dos Deputados, de pouco mais de duas horas, que aprovou o pedido de impeachment do presidente. Dos 503 deputados, 480 estavam presentes. Eles foram chamados um a um, por ordem alfabética, para dar seu voto ao microfone. O momento mais emocionante foi quando o deputado Paulo Romano (PFL-MG) disse o “sim” decisivo. O parecer foi aprovado com 441 votos, muito além das previsões da própria oposição, cujos cálculos apontavam 380 votos favoráveis.

Jornal Nacional desse dia foi inteiramente dedicado à votação na Câmara. Cid Moreira e Sérgio Chapelin abriram o Jornal Nacional, chamando a atenção para a importância do fato: “Uma terça-feira histórica para o Brasil. Pela primeira vez, a Câmara autoriza o Senado a julgar o presidente da República num processo de impeachment”. Em seguida, Carlos Nascimento apresentou o telejornal, diretamente de Brasília, onde estavam os repórteres Alexandre Garcia, Renato Machado, Pedro Bial,Delis Ortiz e Heraldo Pereira.

No dia seguinte, Ibsen Pinheiro, presidente da Câmara dos Deputados, entregou, pessoalmente, o parecer contendo as denúncias contra Fernando Collor a Mauro Benevides, presidente do Senado Federal. Em menos de duas horas, o documento foi aprovado. À tarde, o pedido de impeachment já estava no plenário do Senado, que se tornou a partir de então o tribunal de julgamento do presidente por crime de responsabilidade.

Presidente afastado

Fernando Collor, como determinava a lei, foi afastado do cargo compulsoriamente por 180 dias e substituído, em 2 de outubro, pelo vice-presidente Itamar Franco. Carlos Nascimento fez a narração, ao vivo, do seu afastamento e cobriu, junto com Renato Machado, a posse do novo presidente.

No Fantástico do dia 06 de dezembro, o repórter Alexandre Garcia entrevistou o presidente afastado sobre o processo deimpeachment no Senado. Fernando Collor negou a possibilidade de renúncia ou possíveis planos de deixar o país.

Em 29 de dezembro, Jornal Hoje, o Jornal Nacional e o Jornal da Globo exibiram o último julgamento de Collor por crime de responsabilidade. Antes do final, diante da tendência dos senadores de afastá-lo definitivamente do cargo e suspender seus direitos políticos, Fernando Collor decidiu renunciar. Os jornais da emissora entrevistaram os políticos Roberto Freire, Ciro Gomes, Albano Franco e Lula sobre a renúncia e sobre o governo Itamar Franco.

Mesmo com a renúncia, o julgamento prosseguiu e o presidente afastado foi condenado, por 76 votos a três, à inelegibilidade e à inabilitação por oito anos para o exercício de cargos públicos.

FONTES

Fantástico (16/08/1992); Jornal Nacional (25/05/1992 e 29/09/1992); Jornal Nacional – a notícia faz história. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2004. Sites: http://www.pt.wikipedia.org, acessado em 18/07/2012; http://www.youtube.com acessado em 18/07/2012.


Globo 50 Anos – coberturas: Morte Lady Di

Paris, agosto de 1997. Morre a princesa de Gales, Diana, num acidente de carro. Conhecida como Lady Di, a ‘princesa do povo’ estava acompanhada do namorado, Dodi Al-Fayed.


A HISTÓRIA

Era o início da madrugada do dia 31 de agosto de 1997 quando a princesa Diana e seu namorado, o empresário egípcio Dodi Al-Fayed, deixaram o Hotel Ritz, onde estavam hospedados em Paris, a bordo de um Mercedes guiado pelo motorista Henri Paul. Dentro do veículo também encontrava-se o guarda-costas de Fayed, Trevor Rees-Jones.

O carro, que estava sendo perseguido por paparazzi, colidiu com uma pilastra do túnel da Pont d’Alma, matando Diana, Dodi e Henri, e deixando o guarda-costas seriamente ferido e desmemoriado. Apesar de diversas teorias, as investigações concluíram que o motivo do acidente foi a alta velocidade do veículo, que fugia do grupo de fotógrafos, e o consumo de álcool por parte do motorista, Henri Paul.

EQUIPE E ESTRUTURA

Um time de correspondentes da Globo cobriu, de Londres, a morte de Diana: William Waack, Ana Luiza Guimarães, Marcos Uchoa e Beth Lima. César Tralli acompanhou as investigações diretamente de Paris, desde o momento em que o acidente ocorreu. Dos Estados Unidos, Edney Silvestre, Sônia Bridi,Roberto Cabrini e Heloisa Villela repercutiram a tragédia.

DESTAQUES

Plantão

Carro em que estava Lady Di

As primeiras notícias sobre o acidente envolvendo a princesa de Gales foram ao ar durante a transmissão de um jogo do Brasil, no sábado à noite, quando já era madrugada em Paris. César Tralliera o repórter de plantão no escritório da Globo na capital inglesa: “Era meu plantão, me lembro que eu já estava indo embora para casa. Um jogo do Brasil era transmitido ao vivo, com narração do Galvão Bueno. Daí começou a pintar a notícia de que Diana tinha se envolvido num grave acidente em Paris e o mistério era se ela estava bem ou não. O nosso escritório tinha uma estrutura mínima para entrar ao vivo, compramos um horário no satélite. Eu me lembro o Galvão me chamando no intervalo do primeiro tempo: ‘Vamos ao escritório de Londres, com notícias sobre um acidente que envolve a princesa Diana.’ A gente deu vários boletins, dizendo o que tinha acontecido até aquele momento. Quando veio a confirmação da morte dela, fomos uma das primeiras emissoras do mundo a entrar ao vivo. A gente estava realmente prontinho: quando viesse a confirmação, a gente interrompia a programação e entrava ao vivo de Londres. Demos a notícia rapidamente. Fui pra casa, fiz uma malinha e peguei o primeiro trem, porque não tinha voo de madrugada, de Londres para Paris. Eram três e meia da manhã quando eu embarquei para Paris para cobrir a morte da Diana.”

“Quando veio a confirmação da morte dela, fomos uma das primeiras emissoras do mundo a entrar ao vivo” César Tralli sobre a notícia da morte de Diana Spencer

Eric Hart, na época editor internacional do Jornal Nacional¸ explica como se deu a decisão de enviar César Tralli para o local. “O acidente foi na madrugada no horário europeu, e quando se confirmou a notícia, a gente precisava mandar alguém rapidamente para cobrir de Paris. Na época, a gente não tinha escritório lá, tinha só em Londres. Imediatamente, mandamos o César Tralli e, no dia seguinte, ele estava ao vivo no Fantástico.”

Primeiras notícias

Na manhã do domingo, 31 de agosto, o Esporte Espetacular acompanhou as primeiras notícias sobre a morte da princesa, mostrando, através de imagens de agências internacionais, o local do acidente, as homenagens na frente do Palácio de Buckingham, assim como a entrevista coletiva na qual Jean-Louis Debré, ministro do Interior da França, declarou, oficialmente, a morte de Diana Spencer.

Edição Especial

O Fantástico daquele domingo dedicou-se quase que exclusivamente à cobertura detalhada sobre o acidente que matou a princesa. Luiz Nascimento, diretor do programa, relembra que a agilidade fui fundamental para essa edição: “Lady Di morreu na noite de sábado para domingo. Mesmo assim, no Fantástico do dia seguinte tinha repórter ao vivo de Londres, de Paris, de todos os locais.”

Assim que chegou em Paris, César Tralli fez uma matéria falando sobre as acusações de que os fotógrafos que estavam perseguindo a princesa seriam responsáveis por sua morte. Charles Spencer, seu irmão, havia escrito um comunicado responsabilizando a imprensa por seu falecimento. A matéria também dava um breve histórico sobre o assédio que Diana sofria por parte da imprensa desde que havia se casado com o príncipe Charles. Em outra reportagem, Tralli entrevistou o médico brasileiro Leonardo Esteves Lima, que havia socorrido Diana assim que ela chegou ao Hospital Salpetriere, em Paris. “A gente conseguiu conversar com o médico brasileiro que a atendeu no hospital, foi muito marcante”, declara o correspondente.

O namoro de Diana com o milionário egípcio Dodi Al-Fayed também foi assunto no dominical, que mostrou trechos de uma entrevista coletiva de Mohamer Al-Fayed, pai de Dodi e dono da loja de departamentos Harrods. Ana Luiza Guimarães, correspondente da Globo em Londres, falou sobre os casos amorosos da princesa.

Foi ao ar um perfil de Diana Frances Spencer, nascida em 1 de julho de 1961 e morta naquela madrugada, aos 37 anos, com toda sua trajetória, desde o casamento com o príncipe Charles até seus romances pósseparação. O matrimônio que tornou a plebeia realeza, ocorrido em 29 de julho de 1981, havia sido o evento televisionado de maior audiência no mundo, até então, com cerca de 750 milhões de espectadores em mais de setenta países.

Ainda foram ao ar, naquele domingo, uma matéria de Delis Ortiz com a nota de pesar do embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima e sua esposa, Lúcia, amigos pessoais da princesa morta; reportagens das correspondentes Sônia Bridi, de Nova York, e Beth Lima, de Londres, sobre o inconfundível estilo de Diana, copiado por mulheres de todas as raças; a repercussão de sua morte no mundo; trechos de uma entrevista que Lady Di deu à BBC de Londres sobre ter sido infiel durante o casamento;  sua visita ao Brasil; e uma simulação de como o acidente teria ocorrido.

No final daquela edição, foram exibidas imagens do caixão de Diana chegando a Londres, coberto pela bandeira da casa de Windsor, e das flores que estavam sendo depositadas na frente do Palácio de Buckingham. O velório de Dodi Al-Fayed também foi mostrado.

A mais fotografada do mundo

Quando faleceu, Lady Di era a mulher mais fotografada do mundo. Mesmo após sua morte, a exploração da imprensa sensacionalista, sobretudo inglesa e europeia, não mudou, como mostrou o correspondente William Waack, de Londres, ao Jornal Nacional do dia 1º de setembro. Fotos da princesa morta estavam circulando em veículos sensacionalistas.

 Também da capital inglesa, Ana Luiza Guimarães mostrou a comoção local: milhares de buquês de flores já cobriam as calçadas em frente aos palácios de Kensington e Buckingham, e as filas para assinar o livro de condolências eram enormes.
Marcos Uchoa visitou os lugares frequentados pela princesa de Gales em sua rotina; enquanto Beth Lima mostrou os soldados carregando o caixão da princesa, que partia deixando dois filhos pequenos: William, de 15 anos, e Harry, de 12.

De Paris, César Tralli falou sobre as investigações da polícia francesa, enquanto William Waack fez uma matéria sobre as imagens das câmeras do circuito interno do Hotel Ritz, quando Diana e Dodi deixaram o local para entrar no Mercedes. O depoimento do guarda-costas e a última entrevista de Diana, na qual ela afirmava que iria se casar com Dodi para a revista Paris Match, também foram assunto da matéria.

Na mesma edição do telejornal, Edney Silvestre, correspondente nos Estados Unidos, falou sobre as ações humanitárias da princesa e encontros com Madre Teresa da Calcutá, Nelson Mandela, vítimas de minas e doentes terminais. O repórter lembrou o encontro de Diana com um militar brasileiro mutilado em uma mina explosiva em Honduras, pouco mais de um mês antes de sua morte.

Família real

Durante a semana seguinte, a cobertura da Globo seguiu em todos os telejornais. O Bom Dia Rio de 3 de setembro mostrou que as reverências à princesa estendiam-se pelo mundo todo: no Rio de Janeiro, uma rua havia sido batizada de “Rua Princesa Diana de Gales”.

No Jornal Nacional de 4 de setembro, William Waack falou, de Londres, sobre a reação da família real, considerada pela imprensa local e pela opinião pública como ‘fria’, por ter se isolado no Palácio de Balmoral, na Escócia, e não ter prestado pronunciamento oficial – o que só viria a acontecer dias mais tarde, por ocasião de seu funeral. Em Paris, César Tralli entrevistou o fotógrafo Romuald Hart, indiciado na morte da princesa. Ele negou ter participado da perseguição.

Teorias conspiratórias

As suspeitas de que Diana teria sido assassinada começaram a surgir na internet, como mostrou William Waack de Londres para o Jornal Hoje de 5 de setembro. “Trabalhei desesperadamente nesse caso. O que mais me fascinou foi o estado coletivo em que o país entrou. Não só o país, porque o fenômeno não se restringiu a Londres, à Inglaterra ou ao Reino Unido. Teve uma projeção mundial, europeia, particularmente”, relembra Waack.

No JN foram ao ar imagens de Diana e Dodi andando da porta do Hotel Ritz até o Mercedes estacionado diante da rua e vários fotógrafos os aguardando. De Paris, César Tralli informou que a polícia interrogava os funcionários do Ritz e que oito fotógrafos haviam sido indiciados por suposta perseguição.

Globo Repórter

“A cobertura da morte de Diana realmente foi marcante” César Tralli, sobre seu trabalho em Paris

Um programa especial, inteiramente voltado para a memória da princesa Diana, foi ao ar naquela sexta-feira, 5 de setembro. Houve matérias dos correspondentes Ana Luiza Guimarães, Pedro Bial e Beth Lima, todos de Londres; de César Tralli, de Paris, e do jornalistaRoberto Cabrini, dos Estados Unidos. A vida da princesa, seu trabalho caridoso, a perseguição dos tabloides, a fúria dos paparazzi e seu acidente fatal foram abordados. César Tralli relembra: “A cobertura da Diana realmente foi marcante. Eu fiquei duas semanas em Paris, acho que dormia três horas por noite, duas horas e meia. A gente fez um Globo Repórter com a reconstituição de como ela morreu. Contratamos motoqueiros, porque tinha aquela coisa de que o Mercedes estava sendo perseguido pelos paparazzi, e fizemos uma reconstituição muito fiel, filmando dentro e fora do carro.”

Velório e cortejo

Funeral de Diana

No sábado seguinte à tragédia, a Globo transmitiu ao vivo a chegada do cortejo fúnebre e o velório de Lady Di na Abadia de Westminister. A cerimônia, para dois mil convidados, contou com apresentações do cantor Elton John e de um discurso do então primeiro-ministro britânico Tony Blair. A narração ficou por conta dos jornalistas Pedro Bial, dos es

“Eu nunca tinha transmitido um funeral na minha vida. E tinha acabado de assumir o posto de correspondente ali. Confesso que eu não sei como eu consegui fazer aquilo”, relembra William Waack. “Entramos ao vivo de manhã, com Pedro Bial no estúdio. Eu estava controlando a transmissão. Foi muito impactante, uma daquelas grandes coberturas. Praticamente todos os canais estavam no ar, mas a gente fez um belo trabalho”, recorda-se Renê Astigarraga, então editor internacional do Jornal Nacional.

A cobertura seguiu no JN daquela noite, com matéria de Ana Luiza Guimarães sobre como foi montada a operação de segurança para a cerimônia, transmitida para 187 países e assistida por cerca de 2,5 bilhões de pessoas. Depois, conforme informou a correspondente, o corpo de Diana seguiria para a sua cidade natal, Althorp, onde ficam os túmulos da família Spencer. túdios da Globo, no Rio de Janeiro, e William Waack, de Londres.

Entrevista exclusiva

O Fantástico de 7 de setembro mostrou o mar de flores que havia tomado conta do Palácio de Buckingham no dia seguinte ao funeral da princesa. Uma matéria sobre seus filhos, William e Harry, também foi ao ar. Edney Silvestre fez uma reportagem sobre como a bebida alcoólica pode afetar os reflexos de um motorista – motivo mais provável para a causa do acidente de Diana.

“A gente tinha um furo ali.” Zeca Camargo sobre sua entrevista com Elton John 

Ainda na mesma edição do dominical, Zeca Camargo realizou uma entrevista exclusiva com o cantor Elton John, amigo pessoal da princesa. “Eu me lembro de entrevistar o Elton John semanas depois da Princesa Diana ter morrido, ele que já tinha feito uma música para ela. Foi uma entrevista interessante. Ele não ia falar da Princesa Diana, simplesmente. Quando você entrevista uma celebridade, um grande astro assim, tem uma série de coisas que você não pode falar. Eu já estava acostumado com isso. Naquele caso, era óbvio, eu sabia que vinha um veto para não falar nem da Princesa Diana, nem do estilista Gianni Versace, que tinha morrido também poucas semanas antes. E, a uma certa altura, ele tocou no assunto. Então, a gente tinha um furo ali, vamos dizer, porque todo mundo queria saber do grande amigo da Diana e a gente tinha isso no Fantástico por uma circunstância interessante”, relembra o jornalista.

Um ano depois

O Fantástico de 7 de junho de 1998 exibiu uma reportagem de Ana Luiza Guimarães, diretamente de Londres, sobre as possibilidades cogitadas para a morte da princesa. “Os minutos seguintes ao acidente guardam segredos que a polícia não conseguiu decifrar: houve omissão de socorro? O que fizeram os fotógrafos? O que viram as testemunhas que passaram pelo túnel no momento da tragédia? Sem as respostas para essas perguntas, a morte da princesa continua sendo um mistério”, disse a correspondente. Apesar do tempo ter passado, não se havia chegado a uma conclusão. Para a polícia francesa, a combinação de álcool e alta velocidade havia sido fatal. O guarda-costas estava com amnésia e pouco podia ajudar a polícia. Mohamed Al-Fayed, pai de Dodi, acreditava que o acidente tinha sido um atentado para impedir que a mãe do futuro rei da Inglaterra se casasse com um muçulmano. Inúmeras teorias conspiratórias haviam sido levantadas por um documentário britânico lançado naquela semana.

Para a edição do Fantástico de um ano da morte da princesa, a repórter Beth Lima foi até a cidade natal de Diana, Althorp, e registrou o movimento de admiradores que iam prestar homenagens em seu túmulo. Ana Luiza Guimarães mostrou a inauguração da Althorp House, museu dedicado à princesa.

Dez anos

Para lembrar a primeira década da morte de Diana Spencer, um show beneficente foi produzido no estádio de Wembley, com a participação de músicos e dos filhos da princesa. As imagens foram exibidas no Fantástico de 1º de junho de 2007, juntamente com trechos de entrevistas concedidas a uma rede de televisão britânica pelos príncipes William e Harry, então com 24 e 22 anos.

FONTES

Depoimentos concedidos ao Memória Globo por: César Tralli (15/04/2010), Eric Hart (06/06/2011), Luiz Nascimento (22/01/2001), Renê Astigarraga (10 e 11/02/2011), William Waack (29/05/2002) e Zeca Camargo (17/12/2007); Fantástico 31/08/1997, 07/07/1998, 07/09/1997, 30/08/1998, 01/07/2007; Bom Dia Rio 03/09/1997; Esporte Espetacular 31/08/1997; Globo Repórter 05/09/1997; Jornal Hoje05/09/1997; Jornal Nacional 01/09/1997, 04/09/1997, 06/09/1997; Programação Especial 06/09/1997.


Coluna “Globo 50 Anos” entra na fase das coberturas

Depois de quase 5 meses relembrando as novelas, minisséries, telejornais e seriados que fizeram história nos 50 anos da Globo, a coluna “Globo 50 Anos” irá relembrar a partir da edição desta segunda as coberturas que fizeram história nesses 50 anos. Coberturas de morte, politicas, atentados, entre outros tipos ficaram marcadas nesses 50 anos de Globo. Então não perca essa nova fase de nossa coluna “Globo 50 Anos”.

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