Vamos Recordar? Sol de Verão

Com Sol de Verão, Manoel Carlos se firmou como cronista da classe média do Rio de Janeiro.


TRAMA PRINCIPAL

Cécil Thiré em cena de Sol de Verão

Infeliz no casamento, Rachel (Irene Ravache) decide se separar do marido, o empresário Virgílio (Cécil Thiré). Disposta a dar uma virada em sua vida, ela se muda de Petrópolis para a zona sul do Rio de Janeiro com a filha, Clara (Débora Bloch), passando a morar na casa da mãe, Laura (Beatriz Segall), em Ipanema. Ali ela se apaixona pelo charmoso, mas rude, Heitor (Jardel Filho), dono de uma oficina mecânica. Ele mora com a irmã, Irene (Beatriz Lyra), em um sobrado antigo, um dos principais cenários da novela.

Após tantos anos de casamento, Rachel tem dificuldades para se entregar ao novo relacionamento, mas Heitor a conquista. O casal vive um intenso romance, que não conta com o apoio da mãe e dos amigos de Rachel por conta da diferença de classe social entre os dois. Mas, apaixonada, ela se muda para o sobrado do mecânico. Clara sofre com a separação dos pais e fica muito dividida, especialmente por ter que se afastar do convívio com o pai, a quem é muito ligada. Virgílio não aceita a separação, cercando Rachel de todas as maneiras e dizendo a todos que ainda a ama.

O ator Jardel Filho morreu de ataque cardíaco em 19 de fevereiro de 1983, antes do desfecho da trama. Com a sua morte, o destino de Rachel sofre alterações. Ela passa a ser cortejada pelo professor Horácio (Paulo Figueiredo) e por Virgílio, mesmo depois de descobrir que está esperando um filho de Heitor. No último capítulo da novela, Rachel dá à luz um menino. Virgílio, feliz, vai à maternidade dar os parabéns ao grande amor de sua vida e fica comovido com o bebê. A cena final mostra os três juntos, dando a entender que o casal poderá se reconciliar.

TRAMA PARALELAS

O mecânico e o médico charlatão

No decorrer da trama, Heitor (Jardel Filho) enfrenta o médico charlatão Hilário (Carlos Kroeber), proprietário do terreno em que mora junto com seu ajudante, o surdo-mudo Abel (Tony Ramos). Ao descobrir que sua mulher, Sofia (Yara Amaral), teve um caso com o pai de Abel, Caetano (Gianfrancesco Guarnieri), Hilário exige que o rapaz seja expulso do casarão.

O triste Abel

Abel, de quem as pessoas sabem muito pouco, é um jovem divertido, sensível e inteligente, que esconde suas tristezas. Aos 8 anos de idade, teve meningite e ficou surdo. A deficiência, no entanto, não o impede de aproveitar ao máximo a vida: ele é amante do futebol, adora tomar chope e paquerar. Aos 18 anos, Abel foi abandonado pelo pai, tornando-se uma pessoa mais reclusa. O rapaz, que desconhece a identidade da mãe, emprega-se na oficina de Heitor e passa a morar com ele no sobrado. Por conta da proximidade com Abel, Rachel (Irene Ravache) encontra uma oportunidade de dar aulas para uma turma de deficientes auditivos no colégio onde ele estuda. Ao longo da trama, Abel desperta o amor de Clara (Débora Bloch) e Olívia (Carla Camurati), casando-se com a primeira no final da novela.

O mistério sobre a origem de Abel é revelado no fim da história. Seu pai o abandonou porque, há muitos anos, fora acusado de crime de curandeirismo, e fugiu para não ser preso. A mãe de Abel é Sofia (Yara Amaral) que, ao dar à luz, pensou que o filho tivesse morrido. Reencontrando a mãe, Abel ganha dois irmãos, Miguel (Mário Gomes) e Romeu (Miguel Falabella). Além disso, o rapaz se submete a exercícios de logopedia e fonoaudiologia e reaprende a falar.

CENAS MARCANTES

Uma das cenas mais comoventes da novela acontece nos capítulos finais: ao descobrirem que são mãe e filho, Sofia (Yara Amaral) e Abel (Tony Ramos) se abraçam, emocionados.

CURIOSIDADES

Manoel Carlos conta que o mote da trama, sobre uma mulher que decide abrir mão de um casamento aparentemente feliz, onde tem tudo, para buscar sua verdadeira felicidade, teve uma repercussão negativa na época. Muitos telespectadores mandavam cartas à Globo definindo a atitude de Rachel (Irene Ravache) como um péssimo exemplo.

A morte de Jardel Filho abalou toda a equipe de Sol de Verão. A direção da Globo encomendou uma pesquisa junto ao público para saber se deveria dar continuidade ou não à produção. A maioria dos entrevistados achou que a novela deveria permanecer no ar. O autor Manoel Carlos, no entanto, muito amigo de Jardel Filho, alegou que se sentia impossibilitado de concluir a tarefa, e a direção optou por apressar o fim da trama. Lauro César Muniz foi chamado para escrever os 17 capítulos finais e contou com a assessoria de Gianfrancesco Guarnieri, dramaturgo experiente e ator do elenco da novela.

Jardel Filho em Sol de Verão

Ao final da exibição do último capítulo do qual Jardel Filho participara, o elenco prestou uma homenagem ao ator, dando depoimentos emocionados. Manoel Carlos também prestou sua homenagem: escreveu um texto especial, lido por Gianfrancesco Guarnieri, que foi ao ar no início do capítulo 121. O texto dizia: “Peço a vocês que me vejam não como um dos atores, mas como todos os atores do elenco desta novela (…). Eu peço a todos um instante de reflexão sobre esse velho ofício de esconder a própria vida, sacrificá-la mesmo, em benefício de outras, fictícias, mas que acabam por igualar-se à verdadeira, tão bem são elas vividas. E é por isso que o homem-ator tem que ter muitas vidas dentro de si (…) É por isso que quando morre um ator, morrem tantas pessoas com ele. (…) Quando Cacilda Becker morreu, Carlos Drummond de Andrade escreveu: “Morreram Cacilda Becker”. Assim deve ser dito sempre. Agora… morreram Jardel Filho”. O texto era entremeado por imagens de Jardel Filho e cenas dele como Heitor. Em uma das sequências, o personagem dizia: “Às vezes eu fico pensando… Pra onde será que vai tudo que uma pessoa sabe quando ela morre? É. A cabeça de um homem. Tantos planos, conhecimentos (…) Pra onde vai tudo isso que ele sabia?”

Irene Ravache em Sol de Verão

A primeira cena escrita por Lauro César Muniz mostra o jardim do sobrado de Heitor (Jardel Filho) sendo destruído por um enorme trator. O jardim ficava sob os cuidado de Abel (Tony Rarmos), que colocou uma placa com o nome Heitor. Ali, vários personagens se encontravam. Com a destruição, todos ficam tristes, como se tivessem perdido algo muito importante em suas vidas. Logo em seguida, Rachel (Irene Ravache) anuncia que espera um filho de Heitor. Em conversa com a mãe, ela diz: “É como se ele continuasse vivo dentro de mim. Eu vou ter um filho do homem que eu sempre amei”, referindo-se a Heitor, deixando clara a morte do personagem. Depois, Rachel propõe a todos que reconstruam o jardim, juntos: “A gente não vai se entregar, não. Essa história a gente vai levar até o fim”, diz a personagem, olhando para a câmera.

O desfecho da novela foi bastante tumultuado. Os textos chegavam em cima da hora, e as cenas eram gravadas pouco tempo antes de serem exibidas. Apesar dos problemas, a audiência cresceu no último mês de exibição. Como a novela seguinte ainda não estava pronta, a TV Globo optou por mostrar, logo depois de Sol de Verão, uma versão compacta de O Casarão, novela de Lauro César Muniz, exibida originalmente em 1976.

Manoel Carlos havia planejado um final feliz para Heitor e Rachel. Os dois terminariam a novela juntos e iriam se casar na Holanda. Heitor era descendente de holandeses e tinha o sonho de conhecer a terra de seus antepassados.

Segundo o autor, Vera Fischer foi o primeiro nome pensado por ele para o papel da protagonista Rachel. Mas a atriz não podia estrelar a novela porque havia feito Brilhante, de Gilberto Braga, que terminara cerca de sete meses antes. A escolha de Irene Ravache, no entanto, foi muito acertada, porque a atriz defendeu muito bem sua personagem.

Segundo Manoel Carlos, a ideia para a trama de Sol de Verão nasceu durante uma noite de ano-novo em que ele passou com o amigo Jardel Filho. O autor conta que, na época, estava escrevendo um espetáculo de teatro especialmente para o ator e, durante uma conversa informal, teve a ideia para uma nova novela. O protagonista não poderia ser outro.

Para compor o personagem Abel, Tony Ramos foi ao Instituto Nacional de Educação dos Surdos e gravou imagens de um casal de deficientes auditivos que tinha um filho sem problemas de audição. Com a fita, pôde observar os gestos, os sinais, todas as expressões dos surdos-mudos. O ator contou que passou até a observar a vibração do piso provocada pela música. Como seu personagem trabalhava na oficina mecânica de Heitor, onde havia os mais diversos ruídos, ele teve de aprender a não piscar quando se batia o martelo ou quando um motor começava a funcionar de repente.

O personagem Abel teve grande repercussão entre o público. Nas escolas, as crianças passaram a reproduzir a linguagem dos surdos-mudos. O jornal O Globo chegou a publicar o alfabeto dos sinais, que também começou a ser distribuído em panfletos nas ruas das grandes cidades.

Assim como havia feito em Baila Comigo, novela exibida em 1981, Manoel Carlos escreveu um enredo no qual os personagens representavam as alegrias e tristezas da classe média. O autor firmava ali a marca de seu estilo: a composição de retratos da vida cotidiana das camadas médias nas grandes cidades.

Miguel Falabella em Sol de Verão

Sol de Verão foi um dos primeiros trabalhos da dupla de diretores Guel Arraes e Jorge Fernando na TV Globo. A novela foi, também, a primeira de Miguel Falabella e Irene Ravache na emissora.

TRILHA SONORA

Nacional: 
Você Não Soube Me Amar 
Compositores: Evandro Mesquita / Ricardo Barreto
Intérpretes: Blitz

Muito Estranho 
Compositores: Cláudio Rabello / Dalto
Intérpretes: Dalto

Bilhete 
Compositores: Ivan Lins / Vitor Martins
Intérpretes: Fafá de Belém

Tempo Quente 
Compositores: Lulu Santos / Nelson Motta
Intérpretes: Ricardo Graça Mello

Tempos Modernos 
Compositores: Lulu Santos
Intérpretes: Lulu Santos

Questão de Tempo 
Compositores: Kleiton Ramil
Intérpretes: Nara Leão

Tô que Tô 
Compositores: Kledir Ramil / Kleiton Ramil
Intérpretes: Simone

Esfinge 
Compositores: Djavan
Intérpretes: Djavan

O Melhor Vai Começar 
Compositores: Guilherme Arantes
Intérpretes: Guilherme Arantes

Tendência 
Compositores: Ivone Lara / Jorge Aragão
Intérpretes: Beth Carvalho

Tal Qual Eu Sou 
Compositores: Hermínio Bello de Carvalho / Vital Lima
Intérpretes: Lucinha Araújo (Partic. especial Vital Lima)

Coisas de Casal 
Compositores: Rita Lee / Roberto de Carvalho
Intérpretes: Rádio Táxi
 

Só o Tempo 
Compositores: Paulinho da Viola
Intérpretes: Paulinho da Viola

Sumida 
Compositores: Rose / Wando
Intérpretes: Wando
 
Internacional: 
Baby I Need Your Lovin’ 
Compositores: Holland / Dozier
Intérpretes: Carl Carlton

Don’t Look Back 
Compositores: James Warren
Intérpretes: The Korgis

Être 
Compositores: Georges Garvarentz
Intérpretes: Charles Aznavour

I Don’t Wanna Dance 
Compositores: Eddy Grant
Intérpretes: Eddy Grant

Hard to Say I’m Sorry 
Compositores: D. Foster / P. Cetera
Intérpretes: Chicago

Wot 
Compositores: Captain Sensible
Intérpretes: Captain Sensible

Hypnos 
Compositores: Gerto Heupink
Intérpretes: Future World Orchestra

Situation 
Compositores: Alison Moyet / Vince Clarke
Intérpretes: Yazoo

Save a Prayer 
Compositores: Duran Duran
Intérpretes: Duran Duran

Voyeur 
Compositores: D. Ellingson / D. Hitchings
Intérpretes: Kim Carnes

Love Leads To Madness 
Compositores: Nazareth
Intérpretes: Nazareth

Love And My Best Friend 
Compositores: Angela Winbush / Rene Moore
Intérpretes: Janet Jackson

Do That to Me One More Time 
Compositores: Toni Tennille
Intérpretes: Latimore

Fallin’ Love 
Compositores:
Intérpretes: Sunset

ELENCO EM ORDEM ALFABÉTICA

Adelaide Conceição
Alcione Mazzeo
Ana Maria Sagres – Irmã Alzira, professora do colégio
Beatriz Lyra – Irene
Beatriz Segall – Laura
Beth Wainberg
Camila Amado – Noêmia
Carla Camurati – Olívia
Carlos Kroeber – Hilário
Cécil Thiré – Virgílio
Débora Bloch – Clara
Duse Nacaratti – Madalena
Edson Silva – Gaspar
Gianfrancesco Guarnieri – Caetano
Gésio Amadeu – Pedrinho
Helber Rangel – Germano
Irene Ravache – Rachel
Isabel Ribeiro – Flora
Isabela Garcia
Isis de Oliveira – Beatriz
Ivan Mesquita – Gilberto
Jardel Filho – Heitor
José Prata
Manoel Eliziário – José, caseiro de Petrópolis
Márcia Rodrigues – Geni
Maria Alves – Matilde
Maria Helena Pader – Irmã Luzia
Mario Gomes – Miguel
Miguel Falabella – Romeu
Mônica Torres – Mônica
Monique Curi – Glorinha

Nelson Xavier – Zito
Normal Geraldy

Oberdan Junior – Rogério
Paulo Figueiredo – Horácio
Pratinha – Pelé, entregador da floricultura
Tânia Scher – Lola
Thereza Mascarenhas – Zezé
Tony Ramos – Abel
Yara Amaral – Sofia



Reviva: Os 15 anos de “Laços de Família”

Vera Fisher e Carolina Dieckmann em Laços de Família

O amor incondicional de uma mãe pela filha direcionava a crônica urbana desenvolvida em Laços de Família, novela na qual o autor Manoel Carlos voltou a usar como cenário o bairro carioca do Leblon para falar de temas universais como as relações amorosas e familiares, em especial as construídas entre pais e filhos, com doses equilibradas de folhetim e realismo.

A novela começa às vésperas do réveillon de 2000, com um acidente de trânsito envolvendo a

Vera Fisher e Reynaldo Gianecchini em Laços de Família

protagonista Helena (Vera Fischer) – uma empresária de 45 anos, sócia de uma clínica de estética – e Edu (Reynaldo Gianecchini), um médico recém-formado, 20 anos mais novo. Helena está a caminho da praia quando seu carro se choca com o do jovem médico. De início os dois se estranham, mas depois acabam se envolvendo.

O acidente acontece em frente à livraria Dom Casmurro, de propriedade de Miguel (Tony Ramos), um homem culto e bem colocado na vida, pai de dois filhos. O mais velho é Paulo (Flávio Silvino), rapaz com sequelas neurológicas resultantes de um desastre de carro, no qual a mulher de Miguel faleceu. A mais nova é a rebelde Ciça (Júlia Feldens), uma jovem imatura e irresponsável, que ama o pai e o irmão mas não consegue encarar a vida com responsabilidade. Com o passar do tempo, ela aprende a entendê-los melhor e a merecer seu respeito. Quando Edu leva Helena até a livraria para prestar os primeiros socorros, Miguel se encanta imediatamente por ela.

Edu e Helena se apaixonam, e o romance gera reações positivas e negativas. Uma que não vê com bons olhos o namoro de Edu com uma mulher mais velha é Alma Flora (Marieta Severo), a tia superprotetora e autoritária de Edu, que tem um ciúme exacerbado do sobrinho. Incapaz de ter filhos, ela cuidou de Edu e de sua irmã, Estela (Júlia Almeida), e do patrimônio que eles herdaram após a morte dos pais. Alma é dona de um haras, entregue aos cuidados de Pedro (José Mayer), um homem duro, rústico e completamente apaixonado pelo que faz. Ele é primo de Helena, e os dois viveram um romance no final da adolescência.

 Helena é mãe de dois filhos. Fred (Luigi Baricelli), engenheiro recém-formado, mas desempregado, é casado com Clara (Regiane Alves), uma menina rica e superficial que casou jovem e não consegue se adaptar a uma vida de dificuldades financeiras. Os dois têm uma filha pequena, Nina (Larissa Honorato). A filha mais nova de Helena é Camila (Carolina Dieckmann), que estuda literatura em Oxford, na Inglaterra. Ela conhece o namorado da mãe no Japão, onde Helena vai visitá-la no início da novela. Mais tarde, de volta ao Brasil, a moça fica encantada com a felicidade de Helena e desenvolve uma relação de amizade com Edu, já que os dois têm a mesma idade e os mesmos interesses. Com o tempo, porém, Camila descobre que está apaixonada por Edu e que é correspondida. Ambos resistem o quanto podem, e sofrem com a situação. Ao perceber a paixão dos dois e dar-se conta de que seu relacionamento com o namorado está condenado, Helena decide se afastar de Edu para que a filha seja feliz. Depois de uma transição dolorosa e cheia de discussões, Edu e Camila acabam juntos. Tempos depois, Miguel investe no seu amor por Helena e consegue conquistá-la.

Carolina Dieckmann em cena de Laços de Família.

Helena está feliz e prestes a ser pedida em casamento por Miguel. Sua filha está casada com Edu e grávida dele. Tudo parece estar bem, até que Camila perde o bebê e descobre que sofre de leucemia. A jovem se submete ao tratamento, mas suas chances de sobreviver dependem, fundamentalmente, de um bem-sucedido transplante de medula. O doador em potencial seria o seu irmão, Fred, mas, para surpresa de todos, os dois não são filhos do mesmo pai.

Helena mantinha em segredo a identidade do pai de Camila mas, diante da gravidade da situação, revela que ela é filha de Pedro. Depois que engravidou do primo, ainda jovem, Helena foi expulsa de casa pelo pai, e decidiu manter segredo sobre o caso. Agora, disposta a qualquer coisa para salvar a filha, Helena se sacrifica pela segunda vez. Ela abre mão do seu amor por Miguel, se afasta dele – recusando, inclusive, seu pedido de casamento – e engravida de Pedro para gerar um doador de medula para a filha.

A filha de Helena e Pedro nasce, e é batizada com o nome de Vitória. O transplante de medula é realizado com sucesso, e Camila se recupera totalmente da doença. Ela termina a novela feliz, ao lado de Edu, que já não é tão controlado por Alma como antes. Helena se reconcilia com Miguel, que a pede em casamento novamente.

CURIOSIDADES

Laços de Família abordou temas relacionados a valores familiares tradicionais e, por conta disso, sofreu resistência por parte da Igreja, do Juizado de Menores e do Ministério da Justiça. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por exemplo, proibiu o uso de qualquer uma de suas paróquias para a gravação do casamento de Edu (Reynaldo Gianecchini) e Camila (Carolina Dieckmann). O juiz Siro Darlan, da 1ª Vara da Infância e Juventude, avaliou que a trama não era adequada ao horário, e a novela passou a ser exibida a partir das 21h. Também por determinação do juiz, os atores com menos de 18 anos foram afastados temporariamente das gravações. Siro Darlan alegou que as cenas da novela apresentavam “conotação sexual” e “violência” excessivas para as crianças, e que elas eram submetidas a “longas jornadas de trabalho”. A Rede Globo recorreu da decisão e, sob determinações e critérios da Justiça, o elenco voltou a gravar.

Manoel Carlos conta que a ideia central de Laços de Família partiu da leitura de uma notícia de jornal: nos Estados Unidos, em 1990, a mãe de uma jovem com leucemia engravidou para salvar a filha. A história parecia tão boa que o autor deu como certa sua adaptação pelos estúdios de cinema. Quatro anos depois, nem sinal de um filme sobre o assunto. Em 1995, decidido a resgatar a história, ele encomendou uma pesquisa completa e escreveu a sinopse. O sacrifício da mãe pela filha é um dos temas caros ao autor, que já havia explorado situações semelhantes nas novelas História de Amor (1995) e Por Amor (1997).

Manoel Carlos sempre considerou Helena um nome forte e mitológico. Foi por isso que batizou assim as protagonistas de todas as suas novelas. Em Laços de Família, Vera Fischer deu vida à quinta Helena do autor criada para uma telenovela da TV Globo. As novelas anteriores foram Baila Comigo (1981, protagonizada por Lilian Lemmertz), Felicidade (1991, estrelada por Maitê Proença), História de Amor(1995, que tinha Regina Duarte como protagonista) e Por Amor (1997, novamente com Regina Duarteno papel principal). Depois ainda vieram as novelas Mulheres Apaixonadas (2003, protagonizada porChristiane Torloni), Páginas da Vida (2006, estrelada por Regina Duarte) e Viver a Vida (2009, com Taís Araújo no papel principal).

Capitu, a polêmica personagem vivida por Giovana Antonelli, foi inspirada em uma reportagem do jornalista Gilberto Dimenstein para a Folha de S. Paulo sobre o grande número de garotas de programa nas faculdades do Rio de Janeiro e de São Paulo. Para escrever a trama, Manoel Carlosprovidenciou ampla pesquisa sobre o assunto e entrevistou dezenas de jovens universitárias que se prostituíam.

Laços de Família marcou a estreia de Reynaldo Gianecchini na TV. Também foi a primeira novela deJuliana Paes, após uma participação em Malhação.

Manoel Carlos fez uma rápida aparição no primeiro capítulo de Laços de Família, na cena em que Miguel (Tony Ramos) é apresentado aos telespectadores. Quando o personagem entra na livraria Dom Casmurro, passa pelo autor da novela, que passeia entre as estantes, e o cumprimenta com a cabeça.

Laços de Família foi vendida para mais de 65 países, entre eles Bolívia, Chile, Grécia, França, Honduras, Iugoslávia, Portugal e Rússia. Durante a exibição da novela pela Telemundo, nos EUA, foi realizada uma campanha de doação de medula óssea – denominada Regala Esperanza, Regala Vida –, a exemplo do que aconteceu no Brasil.

Laços de Família foi reapresentada em Vale a Pena Ver de Novo, a partir de fevereiro de 2005.

TRILHA SONORA

Volume 1:

Como Vai Você – Tema de Helena
Compositores: Antônio Marcos/ Mário Marcos
Intérprete: Daniella Mercury

Próprias Mentiras – Tema de Íris
Compositores: Deborah Blando/ Marc Moreau
Intérprete: Deborah Blando

Débora Secoh em Laços de Família.

Solamente Una Vez – Tema de Alma
Compositores: Agustín Lara
Intérprete: Nana Caymmi

O Pai da Alegria – Tema do núcleo dos amigos de Helena
Compositores: Agrião/ Martinho da Vila
Intérprete: Martinho da Vila

Corcovado
Compositores: Antonio Carlos Jobim/ Gene Lees
Intérprete: Astrud Gilberto (Partic. especial Tom Jobim, João Gilberto e Stan Getz)

Balada do Amor Inabalável – Tema de Edu
Compositores: Fausto Fawcett/ Samuel Rosa
Intérprete: Skank

Man (I Feel Like a Woman) – Tema de Cynthia
Compositores: Robert John “Mutt” Lange/ Shania Twain
Intérprete: Shania Twain

Samba de Verão
Compositores: Marcos Valle/ Paulo Sérgio Valle
Intérprete: Caetano Veloso

My Way (Comme D’Habitude)
Compositores: Jacques Revaux/ Paul Anka
Intérprete: Paul Anka

Perdendo Dentes – Tema de Ciça
Compositores: Fernanda Takai/ John
Intérprete: Pato Fu

Sentimental Demais
Compositores: Evaldo Gouveia/ Jair Amorim
Intérprete: Simone

Baby – Tema de Camila
Compositores: Caetano Veloso
Intérprete: Mutantes

Abraçavel Você
Compositores: George Gershwin/ Ira Gershwin/ Carlos Rennó/ Nelson Ascher
Intérprete: Jane Duboc

Mensagem de Amor – Tema de Paulo
Compositores: Herbert Vianna
Intérprete: Lucas Santtana

Peão Apaixonado – Tema de Pedro
Compositores: José Divino Neves/ Luiz Felizardo
Intérprete: Rionegro & Solimões

Volume 2:

Breathe – Tema de Cynthia
Compositores: Holly Lamar/ Stephanie Bentley
Intérprete: Faith Hill

So Nice (Summer Samba)
Compositores: Norman Gimbel/ Marcos Valle/ Paulo Sérgio Valle
Intérprete: Bebel Gilberto

How Insensitive – Tema de Helena
Compositores: Antonio Carlos Jobim/ Vinicius de Moraes/ Norman Gimbel
Intérprete: Laura Fygi

I’ll Try – Tema de Pedro
Compositores: Alan Jackson
Intérprete: Alan Jackson

Spanish Guitar – Tema de Capitu e Freddy
Compositores: Diane Warren
Intérprete: Toni Braxton

Love by Grace – Tema de Camila
Compositores: Dave Loggins/ Wayne Tester
Intérprete: Lara Fabian

The Look of Love
Compositores: Burt Bacharach/ Hal David
Intérprete: Dusty Springfield

Let’s Face the Music and Dance
Compositores:  Irving Berlin
Intérprete: Diana Krall

Save Me – Tema de Edu e Camila
Compositores: Isaac Hanson/ Taylor Hanson/ Zac Hanson
Intérprete: Hanson

Rome Wasn’t Built in a Day – Tema de Íris
Compositores: Paul Godfrey/ Ross Godfrey/ Skye Edwards
Intérprete: Morcheeba

Gotta Tell You
Compositores: Anders Sven Bagge/ Arnthor Birgisson/ Samantha Mumba
Intérprete: Samantha Mumba

When I Fall in Love
Compositores: Edward Heyman/ Victor Young
Intérprete: Ricky Astley

As Time Goes By – Tema de Miguel
Compositores: Herman Hupfeld
Intérprete: Jimmy Durante

Girl
Compositores: Lennon/ McCartney
Intérprete: Terra Molhada

Devolva-me – Tema de Clara
Compositores: Lilian Knapp/ Renato Barros
Intérprete: Adriana Calcanhoto

Gatas Extraordinárias
Compositores: Caetano Veloso
Intérprete: Cássia Eller

Esperando na Janela – Tema de Ciça
Compositores: Blanch
Intérprete: Cogumelo Plutão

Ímã
Compositores: Paulinho Moska
Intérprete: Paulinho Moska

ABERTURA

A Videographics – divisão de design da Rede Globo, sob o comando de Hans Donner – criou uma abertura para a novela em que fotografias e pinturas impressionistas se fundiam para retratar paisagens do Leblon, ao som da canção Corcovado, de Tom Jobim, gravada por Stan Getz, Astrud Gilberto e João Gilberto.

AÇÕES SOCIOEDUCATIVAS

A abordagem da leucemia levou a Rede Globo a ganhar o mais importante prêmio de responsabilidade social do mundo, o BITC Awards for Excellence 2001, na categoria Global Leadership Award. A emissora concorreu com as campanhas sociais exibidas na programação de 2000, tendo como destaque o chamado “efeito Camila” – o aumento significativo no número de doadores de sangue, órgãos e medula óssea por conta do drama da personagem de Carolina Dieckmann. As imagens de Camila tendo os cabelos tosados como consequência do tratamento da leucemia foram usadas depois em uma campanha da Rede Globo pela doação de medula. Nas semanas que se seguiram ao capítulo final de Laços de Família, o Instituto Nacional do Câncer registrou 149 novos cadastramentos. Antes, o índice era de dez por mês.

Laços de Família marcou o retorno do ator Flávio Silvino à televisão após sete anos de afastamento devido a um acidente de carro. Manoel Carlos criou para ele o personagem Paulo, um jovem com sequelas semelhantes às do ator, e assim abordou o cotidiano e a luta de um jovem com dificuldades motoras para superar suas limitações.

A pedido da então primeira-dama Ruth Cardoso, Manoel Carlos escreveu cenas que ajudaram a campanha “Solidariedade e Cidadania”.

A impotência masculina foi um dos temas discutidos em Laços de Família.  A novela esclareceu dúvidas e preconceitos sobre a questão por meio do personagem Viriato (Zé Victor Castiel), um marido alegre e boa gente que entra em depressão ao perceber que não consegue mais se relacionar sexualmente com a esposa, Ivete (Soraya Ravenle), assistente de Helena (Vera Fischer) na clínica.

Através do personagem Miguel (Tony Ramos), dono da fictícia livraria Dom Casmurro, Manoel Carlos chamou a atenção para a importância da leitura e divulgou livros novos e antigos.

PRÊMIOS

Marieta Severo foi eleita pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) a melhor atriz do ano 2000 por seu desempenho no papel de Alma. O prêmio de revelação foi entregue a Júlia Feldens, que viveu a rebelde Ciça. No ano seguinte, o autor Manoel Carlos recebeu do Sindicato Nacional dos Editores de Livros o Prêmio José Olympio.

ABERTURA DA NOVELA:

Fonte: Memória Globo