Top 10: novelas que o VIVA poderia atualizar, assim como fizeram com Globo de Ouro e a Escolinha – parte 1

Nas últimas semanas, acompanhamos o Globo de Ouro Palco VIVA Axé. Agora, estamos todos na expectativa da nova Escolinha do Professor Raimundo. Duas reverências do VIVA a clássicos da programação da TV Globo. Ao mesmo tempo, a imprensa noticia que O Rebu, novela de Bráulio Pedroso escrita em 1974 e revisitada em 2014, deve ser transformada em série para a TV norte-americana. Foi então que me veio uma ideia muito insana, e, para mim, muito bacana: já pensou se o VIVA readaptasse grandes sucessos da TV Globo em formato de série ou minissérie?

Lima Duarte e Bete Mendes em O Rebu
Bete Mendes e Lima Duarte na primeira versão de O Rebu.

Aí você, caro leitor, vai dizer: “o VIVA foi feito para reprisar novelas; não para refazê-las!”. E eu te direi: “não é bem assim”! Com essas incursões ao musical dos anos 80 e ao humorístico comandado pro Chico Anysio, o VIVA mostra que reprisar conteúdos é pouco; é preciso reinventá-los. E porque não reinventar uma novela, a adequando em outro formato? Sim, porque de novela na programação já estamos bem servidos com Cambalacho, Despedida de Solteiro e Fera Ferida; vamos partir para as séries!

Pensando nisso, listo abaixo dez títulos que eu gostaria de ver em nova versão aqui no VIVA. As tramas que escolhi, provavelmente, já não existem mais (não na íntegra). Com os incêndios que atingiram a TV Globo até meados da década de 70 (período em que a maioria das novelas selecionadas foi exibida), muito conteúdo se perdeu. Já pensou que bom, numa parceria com a TV Globo, “recuperar” tais conteúdos, mobilizando autores preparados para serem titulares, diretores aptos a assumir uma produção e atores prontos para encabeçar um elenco? Ficam aqui minhas sugestões!
Regina Duarte em Véu de Noiva

Véu de Noiva
Andréa (Regina Duarte), vendedora de uma loja de departamentos, descobre no dia de seu casamento que o noivo, Luciano (Geraldo Del Rey), tem um caso com sua irmã, Flor (Myrian Pérsia). Atordoada, ela sofre um acidente que a coloca diante do renomado piloto de corridasMarcelo Montserrat (Cláudio Marzo). Após abandonar a noiva, Irene (Betty Faria), e contra a vontade de sua mãe, Helena (Glauce Rocha), que mantém relações suspeitas com Felício(Gilberto Martinho), pai de Andréa, Marcelo se casa com a jovem. Já Flor é abandonada grávida e, incapaz de criar a criança sozinha, a deixa sob os cuidados da irmã. Anos depois, casada com Armando (Carlos Eduardo Dolabella), ela decide tomar a guarda da criança de Andréa.

Novela Véu de NoivaBastidores
Primeiro folhetim realista da TV Globo, concebido após o sucesso de Beto Rockfeller na TV Tupi, Véu de Noivamobilizou a audiência com a disputa judicial em torno do filho de Flor criado por Andréa. E com o assassinato de Luciano, alvejado enquanto tocava piano, emergencialmente criado pela autora Janete Clair após a saída de Geraldo Del Rey da TV Globo. Na trilha sonora, a primeira produzida especialmente para uma novela, Elis Regina e os então exilados Chico Buarque e Caetano Veloso.

Regina Duarte em Por que atualizar Véu de Noiva?
Por ser uma ode ao romantismo. As chamadas da novela diziam que “em Véu de Noiva tudo acontece como na vida real”. E a vida real é muito melhor com romance, não é? E também por tudo o que ela reapresenta para a teledramaturgia da TV Globo. É de se estranhar inclusive que, até hoje, a trama nunca tenha sido cogitada para um remake. O SBT chegou a adaptar a radionovela que inspirou Janete Clair a criar Véu de Noiva, mas o cerne da narrativa era bem diferente do enredo produzido em 1969.
Na novela Verão Vermelho, Paulo Goulart está com Dina Sfat, Jardel Filho e Arlete Salles

Verão Vermelho
Filha do sapateiro Bruno (Mário Lago), Adriana (Dina Sfat) casou-se por amor com o latifundiário Carlos (Jardel Filho). Sofreu toda a sorte de humilhações por parte de sua sogra,Jandira Serrano (Ida Gomes), e hoje é obrigada a conviver com a infidelidade do marido, amante de Selma (Arlete Salles). Em meio às comemorações dos quinze anos de sua filha,Patrícia (Maria Cláudia), Adriana reencontra Flávio (Paulo Goulart), com quem se envolveu no passado e por quem Patrícia diz estar apaixonada. Também a trajetória de Raul (Carlos Vereza), cuja família fora exterminada a mando de Jandira devido a uma disputa de terras; e de Geralda (Lúcia Alves), que rejeita a mãe, Clementina (Ruth de Souza), pelo fato dela ser negra.

Patrícia (Maria Cláudia) em Verão VermelhoBastidores

Encarregado de renovar o horário das dez, tal e qual sua esposa, Janete Clair, vinha fazendo às oito com Véu de Noiva, Dias Gomes criouVerão Vermelho. Ambientou a trama na Bahia, destacando as festas de ruas e as rodas de candomblé e capoeira. E afrontou a ditadura militar ao debater o desquite e a reforma agrária. Ainda, trouxe uma novidade em termos de narrativa: a ação tinha início no presente, se deslocava para o passado de Carlos e Adriana, e depois retornava para o verão de 1970.

Adriana (Dina Sfat) e Bruno (Mário Lago) em Verão VermelhoPor que atualizar Verão Vermelho?
Talvez a trama de Verão Vermelho mais pertinente aos dias de hoje seja a de Adriana; em especial, a que se refere ao passado da personagem, submetida a agressões físicas e verbais por parte de Carlos e da mãe deste, Jandira, e ao assédio sexual do cunhado,Irineu (Emiliano Queiróz). Em tempos nos quais este tema, ao ser abordado na redação do ENEM, por exemplo, ainda causa reações incompreensíveis por parte de segmentos da nossa sociedade, nada melhor do que atualizarVerão Vermelho a partir deste viés.

Nívea (Renata Sorrah), Vitor (Francisco Cuoco) e Marieta (Vanda Lacerda) em Assim na Terra Como no Céu
O padre Vítor (Francisco Cuoco) abandona a batina ao se apaixonar por Nívea (Renata Sorrah), misteriosamente assassinada após posar nua para uma revista estrangeira a fim de quitar uma dívida de seu pai. Na tentativa de descobrir o responsável pelo crime, Vítor se envolve com Helô (Dina Sfat), jovem que sofre de transtornos psicológicos. Quem teria matado Nívea? A própria Helô, em um de seus surtos, ou Renatão (Jardel Filho), playboy que a levou a posar nua? Ricardinho (Carlos Vereza), seu ex-namorado, ou a amante dele, Jurema(Arlete Salles)? Em meio às investigações, Vítor mergulha no submundo da sociedade e da juventude carioca, dominada por negócios escusos, consumo de drogas e banalização do sexo.

Em 'Assim na Terra como no Céu'Bastidores
Dias Gomes, mais uma vez, calcava seu enredo em temas polêmicos. Além da discussão do celibato e do desenfreado consumo de drogas pela juventude de Ipanema, naquele início dos anos 70, abordou o homossexualismo, ainda que de forma velada, através do costureiro Rodolfo Augusto (Ary Fontoura), e a busca pela juventude eterna, que chegou a impedirDanuza (Heloísa Helena), adepta de intervenções cirúrgicas e tratamentos estéticos, de chorar a morte do filho Ricardinho.

Ricardinho (Carlos Vereza) e Jurema (Arlete Salles) em Assim na Terra Como no CéuPor que atualizar Assim na Terra Como no Céu?

Todos os debates propostos pela novela ainda estão em voga, seja nos escândalos do Vaticano, na liberação das drogas, na definição de gênero ou no aumento crescente do número de cirurgias plásticas em indivíduos jovens. E é claro, a trama policial, que fez deAssim na Terra Como no Céu um grande sucesso! Pensou que bacana ver uma série, que exponha, a cada episódio, um dos suspeitos e seus motivos para matar Nívea, de forma que a coisa vá se afunilando até chegarmos ao culpado? Show!
O Homem  Que deve Morrer

O Homem Que Deve Morrer
Numa cidadezinha de Santa Catarina, uma misteriosa luz envolve Orjana (Neuza Amaral) e Valdez (Ênio Santos), seu pai adotivo, e “invade” o sonho de três crianças. Dias depois, Orjana se descobre grávida. O namorado nega ser o pai do bebê; a mãe adotiva suspeita que a moça tenha se relacionado com seu esposo. Nasce um menino, Ciro (Tarcísio Meira), que, trinta anos depois, salva a vida do comendador Liberato (Macedo Neto) com suas habilidades médicas e mediúnicas. Pouco depois, realiza um transplante de coração que salva Otto Von Müller (Jardel Filho), passando a ser considerado santo pela população local. Otto, porém, se volta contra Ciro, já que, apreciador do nazismo, não aceita ter recebido o coração de um negro.

Claudio Cavalcanti - O Homem que deve morrerBastidores
Janete Clair propunha uma parábola sobre a vida de Jesus Cristo. A Censura, no entanto, impediu que o tema fosse desenvolvido a contento, o que descaracterizou não só Ciro Valdez, que acabou sendo visto como um “extraterrestre” que incorporava o espírito de um médico, como outros personagens que, de alguma forma, se assemelhavam a figuras bíblicas. Fato é que a novela fez sucesso, principalmente por conta da oposição de Ciro e Otto, que disputavam o amor de Ester (Glória Menezes).

Otto (Jardel Filho), Lia (Arlete Salles), Baby (Cláudio Cavalcanti) e Valter (Dary Reis) em O Homem Que Deve MorrerPor que atualizar O Homem que Deve Morrer?

Com a Censura no calcanhar, O Homem que Deve Morrer não foi fundo em problemas ainda hoje longes de resoluções, como a reminiscência do nazismo e a intolerância religiosa. Também no espiritismo, hoje abordado, com êxito, em Além do Tempo, da TV Globo. Uma atualização da novela poderia explorar melhor o perfil misterioso do protagonista, tido por uns como médico e por outros como monstro: seria Ciro Valdez um charlatão, um espírito desenvolvido ou um novo Cristo?
Sérgio Cardoso em

O Primeiro Amor
O professor Luciano (Sérgio Cardoso) assume a direção do colégio de Nova Esperança, atrapalhando os planos de Maria do Carmo (Tônia Carrero), a professora de inglês, e obrigando seus quatro filhos, dentre eles a rebelde Babi (Suzana Gonçalves) a ficarem sob os cuidados da governanta Paula (Rosamaria Murtinho), apaixonada pelo patrão. Eis que surgeGiovana (Aracy Balabanian), psicóloga que também se envolve com o professor ao ser contratada por ele para ajudar os desajustados alunos do colégio, como Rafa (Marcos Paulo), líder de uma gangue de motoqueiros. Ainda, os atrapalhados Shazan (Paulo José) e Xerife(Flávio Migliaccio), divertidos inventores que cuidam da oficina de bicicletas da cidade.

Aracy Balabanian em Bastidores
Para sempre lembrada pelo triste episódio envolvendo a morte de seu protagonista, Sérgio Cardoso, a poucos capítulos do fim, O Primeiro Amor marcou a fase “água-com-açúcar” do horário das sete. O autor da novela, Walther Negrão, a desenvolveu de forma que cada núcleo dialogasse com uma fatia de audiência: idosos, adultos, adolescentes e crianças. Estas se renderam às bicicletas que tanto sucesso faziam na novela, a ponto da fabricante Caloi lançar um novo modelo do “brinquedo” na trama.

Nivea Maria O Primeiro AmorPor que atualizar O Primeiro Amor?
Porque essa novela bate forte na memória afetiva de muitos telespectadores. Seja pelo romantismo do enredo, pelo lúdico dos passeios de bicicleta ou pela eterna infância de Shazan e Xerife, que chegaram a ganhar um programa só deles. Além disso, O Primeiro Amor discute a relação entre pais e filhos, a importância do diálogo em família e do ensino de qualidade. Daria uma boa série, um tanto quanto ingênua e inocente, muito gostosa de ver, lembrando, quem sabe, a icônica Anos Incríveis

E então? Gostaram das novelas e das atualizações sugeridas? Vale lembrar: este texto se baseia em suposições, tanto a de que estas novelas já não existem mais, na íntegra, quanto a de que o VIVA pode vir, um dia, a investir em dramaturgia. No próximo post, resgato mais cinco tramas que merecem uma nova edição. Nos vemos lá! 😉

Fonte: Coluna Vivo no Viva/Canal Viva/Duh Secco

Personagens Inesquecíveis: Shazan e Xerife – O Primeiro Amor

Um dos maiores sucessos de O Primeiro Amor foi a dupla de trapalhões Shazan (Paulo José) e Xerife (Flávio Migliaccio), inventores de objetos estranhos como a “camicleta” – cruzamento de caminhão com bicicleta. Eles trabalham na oficina de bicicletas de Nova Esperança. É na camicleta que a dupla deixa Nova Esperança no final da novela, iniciando uma jornada em busca da peça mágica que lhes permitirá realizar o sonho de construir uma bicicleta voadora.

Os personagens fizeram tanto sucesso na novela, que em 1973 ganharam um seriado na Globo, chamado de Shazan, Xerife e Cia.

RELEMBRE MOMENTOS DOS PERSONAGENS: 


Vamos Recordar? O Primeiro Amor


Tendo como cenário principal uma escola, O Primeiro Amor trazia um víuvo no centro de um triângulo amoroso.

Marco Nanini e Sérgio Cardoso em cena

O professor Luciano Lima (Sérgio Cardoso) chega à cidade fictícia de Nova Esperança para assumir a direção de um colégio. Viúvo, contrata uma governanta para tomar conta de seus quatro filhos: Júnior (Herivelto Martins Filho), Babi (Suzana Gonçalves), Zizi (Rosana Garcia) e Rui (Marco Nanini). O professor e a governanta Paula (Rosamaria Murtinho) se apaixonam, mas o romance encontra forte resistência dos filhos, especialmente de Babi, a mais rebelde dos quatro.

Luciano também encontra dificuldades no colégio. Sua antiga namorada, a professora de inglês Maria do Carmo (Tônia Carrero), faz o que pode para lhe roubar o cargo de diretor. Paralelamente, uma turma de alunos desajustados e rebeldes, liderada pelo motoqueiro Rafa (Marcos Paulo), tumultua o ambiente escolar e incomoda os outros estudantes. Nesse cenário, surge Giovana (Aracy Balabanian), jovem psicóloga contratada por Luciano para ajudá-lo a lidar com os alunos rebeldes. Ela acaba formando um triângulo amoroso com Paula e o professor.

TRAMAS PARALELAS

Um dos maiores sucessos de O Primeiro Amor foi a dupla de trapalhões Shazan (Paulo José) e Xerife (Flávio Migliaccio), inventores de objetos estranhos como a “camicleta” – cruzamento de caminhão com bicicleta. Eles trabalham na oficina de bicicletas de Nova Esperança. É na camicleta que a dupla deixa Nova Esperança no final da novela, iniciando uma jornada em busca da peça mágica que lhes permitirá realizar o sonho de construir uma bicicleta voadora.

CURIOSIDADES

Rosamaria Murtinho e Sérgio Cardoso

O elenco de O Primeiro Amor sofreu um duro golpe no dia 18 de agosto de 1972, a apenas 28 capítulos do final da novela: Sérgio Cardoso, o protagonista da novela, faleceu vítima de um ataque cardíaco. A morte do ator gerou comoção nacional. Para substituí-lo, foi convocado Leonardo Villar. Sua primeira cena foi ao ar no capítulo 200, com uma singela homenagem a Sérgio Cardoso. A imagem no vídeo foi congelada após o ator deixar um aposento. Reunido com o resto do elenco no palco do Teatro Fênix, o ator Paulo José leu um texto anunciando a mudança e relembrando a trajetória de Sérgio Cardoso no teatro e na televisão, e explicou que, a partir daquele momento, Leonardo Villar, amigo pessoal de Sérgio Cardoso, dos tempos do Teatro Brasileiro de Comédia, passava a substituir o colega, como forma de homenageá-lo. Em seguida, a cena prosseguiu e, quando a porta do aposento se abriu novamente, Leonardo Villar entrou em cena, já como o professor Luciano.

Antes de começar a escrever O Primeiro Amor, Walther Negrão se reuniu com Homero Icaza Sanchez, então responsável pelo Departamento de Análise e Pesquisa da TV Globo, para analisar, com base em uma pesquisa junto ao público, os elementos que haviam funcionado na novela anterior, Minha Doce Namorada (1971), um sucesso grande escrito por Vicente Sesso. A partir das conclusões da conversa, o autor criou personagens que pudessem gerar respostas equivalentes junto ao telespectador.

Shazan e Xerife, uma dupla de “superanti-heróis”, como eram descritos nas chamadas da novela, davam o tom cômico e juvenil do parque de diversões de O Primeiro Amor. Já a gangue de motociclistas comandada por Rafa foi criada, segundo Walther Negrão, para atrair o público masculino entre 15 e 25 anos, o qual Homero Icaza Sanchez apontava como uma parcela dos telespectadores a ser conquistada. As ameaçadoras motocicletas que os rebeldes da gangue de Rafa pilotavam serviam como contraponto às bicicletas que apareciam na abertura da novela e na oficina de Shazan (Paulo José) e Xerife (Flávio Migliaccio). Estas representavam uma tentativa de conferir à trama um tom nostálgico e lúdico. As bicicletas fizeram sucesso e se tornaram mania entre o público, a ponto de uma fábrica lançar um modelo novo, que foi popularizado pela novela, dando início ao merchandising na teledramaturgia da TV Globo.

A primeira dupla escolhida por Walther Negrão para viver Shazan e Xerife foi Paulo José e Armando Bógus. O autor mudou de ideia depois que Daniel Filho, supervisor da novela, sugeriu o nome deFlávio Migliaccio, com quem Paulo José já havia trabalhado no teatro e no cinema.

Shazan e Xerife fizeram tanto sucesso em O Primeiro Amor que, encerrada a novela, voltaram como estrelas do seriado Shazan, Xerife & Cia (1972). Segundo Paulo José, a ideia do seriado já existia desde o início, e a novela fora considerada o veículo ideal para se testar a popularidade dos personagens. O seriado, exibido com grande sucesso durante dois anos, apresentava as aventuras da dupla e sua saga para construir a bicicleta voadora.

O nome “Shazan” é uma referência ao Capitão Marvel, super-herói das histórias em quadrinhos. Quando o jovem Billy Batson gritava a palavra mágica “Shazam”, ganhava a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, o vigor de Atlas, o poder de Zeus, a coragem de Aquiles e a velocidade de Mercúrio. Na novela, a grafia do nome era diferente: “Shazan”. Já o nome “Xerife” foi tirado do apelido de infância de um primo do autor Walther Negrão.

Em 1998, em homenagem aos 25 anos de criação dos personagens, a dupla foi inserida na trama da novela Era Uma Vez…, também de Walther Negrão, em uma participação especial. A novela também era ambientada em uma cidade chamada Nova Esperança.

O Primeiro Amor marcou a estreia da atriz Aracy Balabanian na Rede Globo.
Rosamaria Murtinho já havia feito quatro novelas com Sérgio Cardoso quando se transferiu de São Paulo para o Rio de Janeiro para atuar em O Primeiro Amor.

Elenco:

Ângelo Antônio – Moby Dick
Antonio Carlos
Aracy Balabanian – Giovana
Célia Biar – Olga
Darcy de Souza
Djenane Machado – Glorinha
Elza Gomes – Júlia
Ênio Carvalho – Léo
Flávio Migliaccio – Xerife
Herivelto Martins Filho – Junior
Jardel Mello – Dr. Mateus
João Luís – João
João Zacharias
Leonardo Villar – Luciano
Lícia Magna
Macedo Neto
Marco Nanini – Rui
Marcos Paulo – Rafael
Murilo Nery – Vicente
Nair Prestes
Nívea Maria – Helena
Paulo José – Shazan
Reinaldo Gonzaga – Maurício
Renata Sorrah – Mariana
Roberto Pirillo – Hélio
Rosamaria Murtinho – Paula
Rosana Garcia – Zizi
Sadi Cabral – Quim
Sérgio Cardoso – Luciano
Sérgio Mansur – Rica
Suzana Gonçalves – Babi
Tônia Carrero – Maria do Carmo
Ubiratan Martins



Reviva: Nos anos 1970, lenda dizia que ator da Globo teria sido enterrado vivo

 Uma das lendas mais famosas dos anos 1970 envolveu a morte do ator Sérgio Cardoso. Um dos grandes nomes do teatro e da televisão brasileira nos anos 1950 e 1960, ele morreu em consequência de um ataque cardíaco no dia 18 de agosto de 1972, no Rio de Janeiro, aos 47 anos.

A morte do ator comoveu todo o Brasil. Mais de 15 mil pessoas, de acordo com reportagens da época, compareceram ao enterro no cemitério São João Batista. Pouco tempo depois, surgiu um boato, repercutido em toda a mídia brasileira, de que o ator sofria de catalepsia, uma doença rara que deixa os membros rígidos por horas, como se a pessoa estivesse morta. Por causa da doença, Sérgio Cardoso teria sido enterrado vivo.

A história dizia que a família teria pedido que o corpo fosse exumado. Ao abrir o caixão, Sérgio Cardoso estaria virado de bruços, com arranhões no rosto. O fato sempre foi negado pelos familiares do ator. Durante muitos anos a lenda foi contada, com diferentes versões, causando medo principalmente em familiares de pessoas vítimas de ataques cardíacos.

Fantástico revive

Em novembro de 1979, o assunto voltou à tona após a entrevista do tabelião Manoel Olegário da Costa ao Fantástico. Dizendo ser amigo de Cardoso, Costa relatou que em um dos encontros o ator teria demonstrado, com clareza, o pavor de ser enterrado vivo. “Ele disse realmente que tinha medo que isso pudesse acontecer”, comentou.

A atriz Nydia Licia, que foi casada com o Sérgio Cardoso durante dez anos, falou pela primeira vez sobre o assunto na mesma reportagem do Fantástico. Ela afirmou que o assunto causava muito sofrimento à família e que o ator nunca havia comentado sobre esse pavor. “Ele nunca teve catalepsia, certeza absoluta. Não somente jamais manifestou algum sintoma de doença nervosa no período que estivemos casados nem depois. O povo pode comentar, mas não é verdade”, disse.

Sérgio Cardoso em cena da novla A Cabana do Pai Tomás (1970), em que se pintava de preto

Licia também disse que não conhecia Costa. “Não conheço esse senhor, não sei se Sérgio o procurou ou se foi uma conversa informal, mas o fato de ter dito na conversa que tinha medo de ser enterrado vivo não quer dizer absolutamente nada”, salientou.

Segundo a atriz, o boato surgiu logo após a morte de Sérgio Cardoso. “Uma pessoa que ninguém conhece procurou um jornal de Manaus, dizendo que Sérgio havia sido enterrado vivo e que a família teria pedido exumação do cadáver. Imediatamente a notícia correu o Brasil inteiro”, declarou.

Ela afirmou, categoricamente, que o caixão nunca foi aberto. “Nunca precisou, de maneira alguma, não tem porquê. Sérgio faleceu no dia 18 de agosto de 1972 e ponto final. Ninguém tem dúvida, nem os médicos, nem a família. O resto do público eu espero que não tenha mais”, disparou.

Carreira

Sérgio Cardoso nasceu em Belém no dia 15 de março de 1925. Formou-se em Direito no Rio de Janeiro e sonhava ser diplomata, mas quando conheceu o Teatro Universitário decidiu seguir a carreira de ator.

Além de diversos papeis marcantes no teatro, Cardoso fez muito sucesso na novela Antônio Maria, da Rede Tupi, em 1968. Na Globo, protagonizou A Cabana do Pai Tomás, em 1969; Pigmalião 70, em 1970: e A Próxima Atração, em 1971.

Na novela O Primeiro Amor (1972)

Quando morreu, vivia o professor viúvo Luciano em O Primeiro Amor, novela das 19h da Rede Globo. Faltavam apenas 28 capítulos para o desfecho da trama. Ele teve que ser substituído por Leonardo Villar, que entrou em cena após um texto lido por Paulo José.

Agradecimentos: Site Notícias da TV