Reviva: Os 35 anos das três Marias da televisão. Relembre!

Maria José (Glória Pires), Maria da Glória (Maitê Proença) e Maria Augusta (Nádia Lippi)

Há 35 anos, estreou a novela “As Três Marias” no horário das seis da Globo. Ainda sob a direção de Herval Rossano, o núcleo experimentava uma sequência com uma trama contemporânea (a anterior foi “Marina”). Vale lembrar que, desde que assumiu o horário, em 1975, Rossano só produzia novelas de época inspiradas em obras da literatura.

O romance de Rachel de Queiroz, no qual a novela foi baseada, foi publicado em 1939, entretanto sua trama para a televisão foi trazida para a atualidade de 1980. Apesar dos esforços para emplacar mais uma novela, “As Três Marias” não fez sucesso. O adaptador,Wilson Rocha, desentendeu-se com o diretor Herval Rossano e foi substituído por Walther Negrão, que transformou a história de Rachel de Queiroz numa trama policialesca com direito a um “quem matou?”.

Maria José (Glória Pires) e Lucas (Kadu Moliterno)

Na história da novela, as três marias do título – Maria Augusta (Nádia Lippi), Maria José (Glória Pires) e Maria da Glória (Maitê Proença) – se reencontram depois de anos afastadas, Elas foram colegas num internato na Suíça (no livro original, o internato era em Fortaleza, Ceará). Os problemas atuais que cada uma delas enfrenta acaba por unir esses laços novamente.

Maria José (Glória Pires) cresceu atormentada pela mãe, Júlia (Elizabeth Gasper), uma mulher amargurada que não superou o fato de ter sido abandonada pelo marido, Ramiro (José Augusto Branco), que se casou com outra mulher. Influenciada pela mãe, Maria José não consegue se apegar a nenhum homem, pois tem medo de passar o que ela passou. Nem mesmo pelo romântico Aluísio (Marco Nanini), que desenvolve uma paixão platônica pela amiga. O publicitário mulherengo Lucas (Kadu Moliterno), se apaixona verdadeiramente por Maria José, mas ela o rejeita, apesar de balançada. A mãe ainda proíbe o namoro, por saber dos antecedentes do rapaz.

Guta (Nádia Lippi) / Raul (Edney Giovenazzi)

Maria da Glória (Maitê Proença) é a mais rica das três. Perdeu o pai quando era adolescente e nunca superou o fato. Administra os bens da família e se esconde atrás da casca de mulher determinada. É, na realidade, muito frágil e carente. O namorado Afonso (João Paulo Adour), que está interessado em sua fortuna, se aproveita de sua fragilidade para dominá-la. Glória fica balançada por Davi (Edwin Luisi), amigo de Afonso que percebe tudo e tenta abrir-lhe os olhos.

Afonso (João Paulo Adour) e Maria da Glória (Maitê Proença)

Maria Augusta, a Guta (Nádia Lippi), é a mais madura das três marias. No romance original, a história é narrada em primeira pessoa por Guta. Ela perdeu a mãe cedo e afastou-se do pai Conrado (Mauro Mendonça) quando ele casou-se com Lourdes (Elizabeth Hartmann) e constituiu uma nova família. Sentindo-se sem um lar, Guta procura seu lugar no mundo através de suas relações amorosas. Muito bonita, ela é desejada por Davi (Edwin Luisi), que desistiu de ajudar Glória, e por Raul Torreão (Edney Giovenazzi), um artista plástico preso à ex-mulher, Alzira (Jacqueline Laurence), que tem uma relação doentia com ele, apesar de separados.

Conrado (Mauro Mendonça) e Lourdes (Elizabeth Hartmann), pai e madrasta de Guta

Quem reúne as três marias no início da novela é Teresa (Kátia D´Angelo), outra amiga dos tempos de internato. Mas Teresa enfrenta um problema sério: ela faz um aborto ao saber que ficou grávida de Raul Torreão. É quando um crime movimenta a trama da novela. Teresa é assassinada. Seu amigo, o jovem médico Antônio (Denis Derkian), começa a investigar o crime por conta própria ao saber que o médico responsável pelo aborto fora o Dr. Macedo (Roberto de Cleto). Ao descobrir a verdade sobre a morte de Teresa, Antônio é assassinado e o Dr. Macedo também.

Quem matou Teresa, Antônio e o Dr. Macedo? O delegado Damasceno (Jorge Cherques) é o responsável pelo caso. Ao final, ele descobre que Alzira fora a mandante dos crimes. Ela mandou o médico matar Teresa, depois, seu amigo Antônio, por fim, ela mesma matou o Dr. Macedo, seu cúmplice. Alzira encomendou a morte de Teresa por ciúmes, ao saber que ela engravidara de seu ex-marido Raul.

Júlia (Elizabeth Gasper) e Ramiro (José Augusto Branco), pais de Maria José

Um núcleo interessante de “As Três Marias” era o de Jandira (Clarisse Derziê), outra amiga das moças. Ela sofria com o marido desempregado Leonel (José de Abreu), um homem violento, e tinha que sustentar a família. Uma tragédia se abate sobre sua casa: o filho pequeno morre, num acidente doméstico, por negligência dos pais. Uma grande amiga de Jandira era Aurinívea (Glauce Graieb), uma ex-freira que se entrega ao amor ao conhecer Davi – ele, de família judia, numa relação desaprovada pela mãe, Ruth (Joyce de Oliveira).

Leonel (José de Abreu) e Jandira (Clarisse Derziê)

As Três Marias” marcou a estreia de José de Abreu na televisão. Foi também a primeira novela de Maitê Proença na Globo (ela vinha da Tupi). E a última novela do jovem ator Osmar de Mattos, que morreu antes da estreia, num acidente automobilístico em São Paulo. Osmar havia gravado cinco capítulos, como Cleber, um amigo de Teresa, e chegou a aparecer no ar. Com a morte do ator, seu personagem deixou de existir. Ele havia feito sucesso em “Dancin´Days”, dois anos antes, como o modelo fotográfico Ricardo, que chegou a se envolver com Verinha (Lídia Brondi).

Alzira (Jacqueline Laurence) e Jonas (Cláudio Corrêa e Castro), pai de Lucas

A trilha sonora de “As Três Marias” foi bem marcante, com alguns sucessos das rádios daquele tempo, como o tema de abertura, “Eu e a Brisa”, belíssima gravação de Baby Consuelo, e “Fonte da Saudade”, uma das mais bonitas canções da dupla gaúcha Kleiton e Kledir. A principal música da trilha era “Canção de Verão”, hit instantâneo do Roupa Nova que virou o hino do verão de 1981.

“É como um sol de verão queimando no peito
Nasce um novo desejo em meu coração
É uma nova canção rolando no vento
Sinto a magia do amor na palma da mão
É verão! Bom sinal! Já é tempo
De abrir o coração e sonhar…” 

Aurinívea (Glauce Graieb) e Davi (Edwin Luisi)

Depois de duas novelas contemporâneas de pouca repercussão (“Marina” e “As Três Marias”), a Globo não teve dúvida, voltou com uma produção de época à seis: “Ciranda de Pedra”, e acertou em cheio.

Fotos preto-e-brancas: CEDOC/TV Globo – Fotos coloridas: Reprodução

Fonte e Texto: Blog do Nilson Xavier/CanalViva

Reviva: A trajetória de Yoná Magalhães, a primeira mocinha da Globo

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Atriz do mítico Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), Yoná Magalhães, quem diria?, entrou para a vida artística por acaso, apenas para ajudar a família quando o pai ficou desempregado. “Eu tinha que ajudar de alguma maneira, não sabia muito como, queria continuar os meus estudos. Gostava de brincar de teatro, essas coisas que todo mundo faz. Então eu digo: ‘Quem sabe não é por aí, né?’ Fui fazendo pequenas pontas, pequenos papéis, isso em meados da década de 1950, até que consegui um contrato com a Rádio Tupi”. Yoná Magalhães Gonçalves nasceu no dia 7 de agosto de 1935, no Lins de Vasconcelos, subúrbio do Rio de Janeiro. Depois de sua passagem pelo rádio, teve a primeira chance de estrelar uma telenovela, convidada por Antônio Leite – ainda antes do advento do videoteipe. Em seguida, participou de novelas e do Grande Teatro da TV Tupi e excursionou pelo Brasil com as peçasO Amor é Rosa Bombom e Society em Baby-Doll, em 1962, com a companhia de André Villon e Ciro Costa.

Durante a turnê teatral, conheceu e se casou com o produtor Luis Augusto Mendes e foi morar na Bahia. Em Salvador, participou com o grupo A Barca, formado por ex-alunos da Escola de Teatro, do Grande Teatro, na TV Itapoã, sob a direção de Luiz Carlos Maciel. Também atuou no filme de Glauber Rocha, um marco do Cinema Novo: “Eu não estava engajada em nada, eu não consegui perceber a grandeza daquela obra, não consegui perceber o significado. Também ninguém esperava que fosse o que foi”. De volta ao Rio em 1964, continuou trabalhando em teatro, chegando a montar sua própria companhia, com a qual encenou O Pecado Imortal e Os Inimigos Não Mandam Flores, de Pedro Bloch.

Yoná Magalhães fez parte do primeiro elenco da TV Globo. Contratada em 1965, protagonizou a novela Eu Compro Esta Mulher (1966), de Glória Magadan, onde formou o primeiro par romântico de sucesso da emissora com o ator Carlos Alberto. “A audiência deu um pulo astronômico. Eu não sei bem esse mistério da dupla romântica, mas na época causava grande frisson.

A identificação era muito grande, porque aquela dupla continuava, então aquilo era de verdade”. A atriz trabalhou ainda em outras novelas da mesma autora, como O Sheik de Agadir (1966), A Sombra de Rebecca (1967), O Homem Proibido (1968), A Gata de Vison (1968/1969), quando contracenou com Tarcísio Meira, e A Ponte dos Suspiros (1969).

Ela e Carlos Alberto se transferiram para a Tupi de São Paulo, em 1971, para participar deSimplesmente Maria, dirigida por Walter Avancini. No ano seguinte, já de volta à Globo, atuou em Uma Rosa com Amor, de Vicente Sesso, em que disputava com Marília Pêra as atenções de Paulo Goulart. Depois, juntou-se a Tarcísio Meira, Glória Menezes, Francisco Cuoco em O Semideus (1973), de Janete Clair, sob a direção de Daniel Filho e Walter Avancini. Em Espelho Mágico (1977), de Lauro César Muniz, interpretou Nora Pelegrini, uma ex-estrela que amargava papéis coadjuvantes; e em Sinal de Alerta (1978), de foi a jornalista Talita, proprietária da Folha do Rio, jornal que lidera uma campanha contra a deterioração do meio ambiente.

No final da década de 1970, mudou-se para São Paulo, onde trabalhou na TV Tupi, atuando na novela Gaivotas (1979), de Jorge Andrade, e na Bandeirantes, participando das novelas Cavalo Amarelo (1980), de Ivani Ribeiro, Os Imigrantes (1981), de Benedito Ruy Barbosa, Wilson Aguiar Filho e Renata Palottini, e Maçã do Amor(1983), de Wilson Aguiar Filho. De volta ao Rio e à Globo em 1984, viveu a americanófila Maria das Graças – ou Grace –, em Amor com Amor se Paga, de Ivani Ribeiro.

No ano seguinte, esteve no elenco de uma das novela de maior sucesso da história da emissora: Roque Santeiro, de Dias Gomes e Aguinaldo Silva. Nela, interpretou a Matilde, dona da boate onde trabalham as dançarinas Ninon (Cláudia Raia) e Rosaly (Isis de Oliveira). “Eu falava: ‘Pô, não podia também cantar um pouco? Eu danço um bocadinho…’. E aí começou aquela coisa: ‘Ih, a Yoná, olha a Yoná está de malha, olha a perna!’. Enfim, aconteceu o nunca esperado por ninguém, nem por mim, que foi o convite da Playboy para fotografar. Por causa da Matilde do Roque Santeiro, você vê? Foi uma coisa espantosa para as pessoas, mas eu já sabia que eu tinha perna há muito tempo”. A seguir, participou da novela O Outro (1987), de Aguinaldo Silva, na qual viveu outra personagem exuberante, a Índia do Brasil.

Nos anos 1990, atuou em quatro novelas de Walther Negrão:Despedida de Solteiro (1992), Anjo de Mim (1996), Era uma Vez… (1998) e Vila Madalena (1998). Em Senhora do Destino (2004), de Aguinaldo Silva, foi Flaviana, sogra de Giovanni Improtta (José Wilker). Em Paraíso Tropical (2007), de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, deu vida à ex-vedete Virgínia, mulher do malandro Belisário Cavalcanti (Hugo Carvana), com quem praticava pequenos golpes. Atuou ainda em Negócio da China (2008), de Miguel Falabella, e Cama de Gato (2009), de Thelma Guedes e Duca Rachid. Em 2013, interpretou a decadente socialite Glória Pais em Sangue Bom.

A atriz participou também de importantes minisséries da Globo, como Grande Sertão: Veredas (1985), adaptada da obra de Guimarães Rosa por Walter George Durst, e Engraçadinha… Seus Amores e Seus Pecados (1995), adaptada da obra de Nelson Rodrigues por Leopoldo Serran, e atuou em diversos seriados, entre os quais a segunda versão de Carga Pesada e Tapas & Beijos.

De sua carreira no teatro, a atriz destaca as montagens de Terror e Miséria, de Bertolt Brecth; Os Físicos, de Durremat; Os Inimigos Não Mandam Flores, de Pedro Bloch; Balbina de Inhansã, de Plínio Marcos;Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues; Mulher Integral, de Carlos Eduardo Novaes; Falcão Peregrino, de Vicente Pereira; Vagas para Moças de Fino Trato, de Alcione Araújo; A Partilha, de Miguel Falabella; e O Milagre da Santa, Vicente Pereira. No cinema, além de Deus e o Diabo e de uma versão de Society em Baby-Doll, dirigida por Waldemar Lima e Luiz Carlos Maciel, atuou ainda em Alegria de Viver(1958), de Watson Macedo, e Pista de Grama (1958), de Haroldo Costa.

Yoná Magalhães morreu no dia 20 de outubro de 2015, no Rio de Janeiro, aos 80 anos.
[Depoimento concedido ao Memória Globo por Yoná Magalhães em 14/06/2000.]

GALERIA DE FOTOS DE YONÁ:


Reviva: Relembre a carreira de Fernanda Montenegro, a aniversariante de hoje

Fernanda em “Doce de Mãe”

Seja no teatro, no cinema ou na televisão, ela é quem podemos chamar de Grande Dama da dramaturgia. Foi a única brasileira indicada ao Oscar e a primeira contratada pela TV Tupi do Rio de Janeiro em janeiro de 1951. Fernanda Montenegro, nome artístico de Arlette Pinheiro Esteves da Silva, nasceu em 16 de outubro de 1929, no bairro do Campinho, Rio de Janeiro. Começou sua carreira aos 15 anos, como redatora, locutora e radioatriz da Rádio MEC. “Desde cedo, eu trabalho muito. E a rádio foi a universidade que eu não tive”, conta. Pisou em um palco, pela primeira vez, aos oito anos para participar de uma peça na igreja. A estreia oficial no teatro aconteceu em dezembro de 1950, ao lado de Fernando Torres, seu parceiro de toda a vida, em 3.200 Metros de Altitude, de Julian Luchaire.

Como Lulu de Luxemburgo em “As Filhas da Mãe”

Na Tupi, participou, por dois anos, de cerca de 80 peças, exibidas nos programas Retrospectiva do Teatro Universal e Retrospectiva do Teatro Brasileiro. Ganhou o prêmio de Atriz Revelação da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, em 1952, por seu trabalho em Está Lá Fora um Inspetor, de J.B. Priestley, e Loucuras do Imperador, de Paulo Magalhães. Já casada com Fernando Torres, mudou-se para São Paulo em 1954, onde fez parte da Companhia Maria Della Costa e do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). Lá, o casal formou sua própria companhia, o Teatro dos Sete – com Sergio Britto, Ítalo Rossi, Gianni Ratto, Luciana Petruccelli e Alfredo Souto de Almeida –, que fez sua estreia, com imenso sucesso, em 12 de dezembro de 1959, com O Mambembe, de Artur Azevedo, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. “Muita gente acha um espetáculo histórico. Porque era como se nós tivéssemos concluído 50 anos de uma era: a mudança para Brasília, a contracultura que estava vindo, uma outra estrutura libertária de vida estava sendo proposta”, conta.

Bete Gouveia em “Passione”

De volta à Tupi carioca, atuou em mais de 160 peças do Grande Teatro Tupi, de 1956 a 1965. Na TV Rio, estreou nas novelas, em 1963, em Pouco Amor Não é Amor e A Morta sem Espelho, ambas de Nelson Rodrigues. Na recém-criada TV Globo, participou do programa 4 no Teatro (1965), série de teleteatros sob a direção de Sérgio Britto. No ano seguinte, na Tupi, foi a Amália, de Calúnia, novela de Talma de Oliveira. E em 1967, estreou na TV Excelsior como Lisa, em Redenção, de Raimundo Lopes. A novela teve 596 capítulos e se tornou um marco na história da televisão brasileira.

Fernanda no Caso Especial “Medeia”

A atriz deixou a Excelsior em 1970, e se manteve afastada da televisão durante nove anos, intervalo durante o qual atuou em apenas dois trabalhos: no teleteatro A Cotovia (1971), de Jean Anouilh, da Tupi, e num Caso Especial da Globo, Medeia (1973), uma adaptação de Oduvaldo Vianna Filho da tragédia de Eurípedes. O programa acabou superando em audiência a estreia de Chacrinha na Tupi. A volta definitiva aconteceu em Cara a Cara (1979), de Vicente Sesso, na TV Bandeirantes.

Em sua estreia na Globo em “Baila Comigo”

Fernanda Montenegro estreou em novelas da Globo em 1981, em Baila Comigo, de Manoel Carlos. A personagem, Sílvia Toledo Fernandes, foi escrita especialmente para ela.
No mesmo ano, viveu a pérfida milionária Chica Newman de Brilhante, de Gilberto Braga. “Chica Newman foi ótima, porque era a bandida da história. Era aquela mulher terrível, rica, horrenda, mau-caráter, todas as distorções que se projeta na gente da alta estirpe. Gilberto me deu dois papéis maravilhosos: esse e a Olga (de O Dono do Mundo).”

A vilã Chica da novela “Brilhante”

Seu maior sucesso até hoje na televisão, porém, foi em Guerra dos Sexos (1983), novela de Silvio de Abreu, dirigida por Jorge Fernando e Guel Arraes. A atriz protagonizou cenas hilariantes e inesquecíveis ao lado de Paulo Autran, como os primos Charlô e Otávio. Obrigados a conviver sob o mesmo teto e a trabalhar na mesma empresa, devido ao testamento de um tio, os dois viviam em pé de guerra. “O encontro com o Paulo foi maravilhoso. Nós entramos numa sintonia de comediantes e nunca tínhamos trabalhado juntos.” Pela novela, Fernanda ganhou o prêmio de Melhor Atriz da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Do mesmo autor, também fez Cambalacho (1986), Sassaricando (1987), A Rainha da Sucata (1990), As Filhas da Mãe (2001), Belíssima(2006), quando viveu outra vilã famosa, a Bia Falcão, e Passione (2010).

Como a inesquecível Charlô na versão original de “Guerra dos Sexos”

Atuou também em duas novelas épicas de Benedito Ruy Barbosa: Renascer (1993) e Esperança (2002), na qual pôde reencontrar suas origens, no papel de uma avó italiana: “Eu tenho avós italianos, que vieram para cá como imigrantes, no fundo de um navio, em 1897. Até meus 18 anos, quando a minha avó morreu, eu fui praticamente criada por ela. Como convivi muito com ela. Ela queria me impregnar com toda uma história, uma experiência passada oralmente. De certa forma, talvez seja eu a última memória dessa minha avó”, diz. A atriz participou também de minisséries como Riacho Doce (1990), Incidente em Antares (1994), O Auto da Compadecida (1999) e Hoje é Dia de Maria (2005).

Na minissérie “O Alto da Compadecida”, como a Nossa Senhora, a Compadecida

Em mais de 50 anos de teatro, a atriz ganhou diversos prêmios, por espetáculos como A Moratória(1955), de Jorge Andrade, Mary, Mary (1963), de Jean Kerr, Mirandolina (1964), de Carlo Goldoni, A Mulher de Todos Nós (1966), de Henri Becque, É… (1977), de Millôr Fernandes, As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant (1982), Rainer Werner Fassbinder, Dona Doida (1987), de Adélia Prado, e The Flash and Crash Days (1993), de Gerald Thomas, quando atuou ao lado da filha, Fernanda Torres.

Na pele da divertida Naná de “Cambalacho”

Estreou no cinema com A Falecida (1964), de Leon Hirszman, que lhe deu o prêmio de Melhor Atriz na I Semana do Cinema Brasileiro (futuro Festival de Brasília). Do mesmo diretor, fez também o clássicoEles Não Usam Black-Tie (1980), adaptação da peça de Gianfrancesco Guarnieri. Em Redentor (2004), foi dirigida por seu filho, Cláudio Torres; e também atuou na produção internacional O Amor Nos Tempos do Cólera (2007), de Mike Newell, como Tránsito Ariza, mãe do personagem do ator espanhol Javier Bardem. Além da indicação ao Oscar, Central do Brasil (1999) lhe rendeu o Urso de Prata do Festival de Berlim, entre vários outros prêmios.

Fernanda viveu a épica vilã Bia Falcão em “Belíssima”

Em 1999, Fernanda Montenegro foi condecorada com a maior comenda que um brasileiro pode receber da Presidência da República, a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito, “pelo reconhecimento ao destacado trabalho nas artes cênicas brasileiras”. Na época, uma exposição realizada no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro, comemorou os 50 anos de carreira da atriz. Em 2004, aos 75 anos, recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Tribeca, em Nova York.

Como a protagonista Zazá na novela “Zazá”

Em 2012, a atriz foi protagonista do último capítulo da minissérie As Brasileiras como a artista Mary Torres no episódio Maria do Brasil. Em 2012, protagonizou o especial de fim de ano Doce de Mãe e garantiu o prêmio de Melhor Atriz no 41° Emmy Internacional. O especial virou um seriado em 2014, pelo qual Fernanda está indicada novamente ao prêmio.

Fernanda viveu a cafetina de luxo Olga em “O Dono do Mundo”

Em 2013, interpretou Dona Cândida Rosado, a Candinha, no remake de Saramandaia, de Ricardo Linhares. Em 2014 viveu a personagem Bibiana na minissérie O Tempo e o Vento – segunda adaptação da Globo para obra homônima de Erico Verissimo.

Em cena da minissérie “Incidente em Antares”

Em 2015, Fernanda Montenegro retornou à televisão na pele da advogada Teresa, na novela Babilônia, de Gilberto Braga. Homossexual, Teresa é casada com a milionária Estela (Nathália Timberg), mãe da ambiciosa Beatriz (Gloria Pires), uma das protagonistas na novela.

Interpretando a também cafetina Jacutinga em “Renascer”

[Depoimento concedido ao Memória Globo por Fernanda Montenegro em 06/11/2002.]

Reviva: No Dia das Crianças, relembre atores mirins que fizeram sucesso em novelas

Atualmente acompanhamos o talento precoce de Patrick de Oliveira e Fernanda Nobre em “Despedida de Solteiro” – o Léo e a Bibi. Patrick também é visto em “Fera Ferida“, como Romãozinho, filho do Coveiro Orestes (Cláudio Marzo). O ator cresceu na televisão. Entre outros trabalhos, estão a novela “A Próxima Vítima”, em 1995, e a minissérie “A Muralha”, em 2000, já adolescente. Fernanda Nobre também cresceu diante dos olhos dos telespectadores. Ainda menina, participou de “Quatro por Quatro” e “História de Amor”. Adolescente, foi vista na “Malhação”, como Bia, nas temporadas de 1999 a 2003. Adulta, atuou em várias produções da Record, bem como em algumas séries do GNT.

Cambalacho” também tem uma galerinha em que algumas crianças tiveram destaque na TV. Os filhos de Naná (Fernanda Montengro) – crianças de rua que ela pegou para criar – são: Bepa (Gabriela Bicalho), Chiquito (Fernando Vanucci Jr.), Maneco (João Rebello), Mena (Cristiane Lopes), Miltinho (Kiko Olivetti) e Betinho (Daniel Marques). Destes, Gabriela Bicalho já era figurinha fácil na Globo. Irmã da também atriz-mirim Izabela Bicalho (que seguiu a carreira), Gabriela participou de “Final Feliz”, “Champagne” e “Roque Santeiro” (como a fiha de Lulu e Zé das Medalhas). João Rebello é sobrinho de Jorge Fernando, diretor geral de “Cambalacho”. Ainda moleque, atuou em outras novelas, como “Bebê a Bordo”, “O Sexo dos Anjos” e “Vamp” (era um dos filhos de Carmem Maura), entre 1988 e 1992.

Neste Dia das Crianças, vamos relembrar alguns atores-mirins que fizeram sucesso na televisão, independentemente de terem seguido carreira ou não. Falando neles, é impossível não citar a estrela Glória Pires, que começou cedinho. Com 8 anos, apareceu na abertura de “A Pequena Órfã” (a da reprise na Globo, em 1971). No ano seguinte, atuou no Caso Especial “Sombra Suspeita” e na novela “Selva de Pedra”. Nessa época, Glorinha assinava Glória Maria – como aparecia seu nome nos créditos de seus trabalhos em TV. Foi vista ainda em “O Semideus” (1974) e, pré-adolescente, em “Duas Vidas” (1977). Com o papel de Marisa em “Dancin´Days”, sua carreira deslanchou.

Por causa do sucesso da novela “A Pequena Órfã” (produzida pela TV Excelsior em 1968), entre o final dos anos 60 e o início dos 70, apareceram várias novelas que exploraram o filão “criança abandonada e/ou carente”. Assim, foram ao ar produções como “Ricardinho, sou criança, quero viver” (Bandeirantes, 1968) com Dimitri Orico, “Sozinho no Mundo” (Tupi, 1968) com Guto Franco, “O Meu Pé de Laranja Lima” (Tupi,1970/1971) com Haroldo Botta, “Tilim” (Record, 1970/1971) com Júlio César Cruz, e “Pingo de Gente” (Record, 1971) comElisa D´Agostino. A estrela de “A Pequena Órfã”, Patricia Aires, filha do ator Percy Aires, atuou ainda na versão original de “Meu Pedacinho de Chão”, de 1971, como a menina Pituca.

O garoto Ayres Pinto foi o mais requisitado em novelas da Excelsior nos anos 60: “A Deusa Vencida”, “A Grande Viagem”, “Os Fantoches” e “O Terceiro Pecado”, entre 1965 e 1968. Ainda: “A Última Testemunha” (Record, 1968/1969), “João Juca Jr.” (Tupi, 1969/1970) e “Meu Pedacinho de Chão”, como Serelepe. Haroldo Botta cresceu atuando em novelas na Tupi. Além de “O Meu Pé  de Laranja Lima”, participou, entre outras, de “Nossa Filha Gabriela”, “Camomila e Bem-me-quer”, “Mulheres de Areia”, “A Barba Azul” e “A Viagem”, entre 1970 e 1976. Douglas Mazzola foi outro menino atuante em novelas da Tupi: “O Meu Pé de Laranja Lima”, “Nossa Filha Gabriela”, “A Barba Azul”, “O Velho, o Menino e o Burro” e “Éramos Seis, entre 1970 e 1977.

As irmãs Rosana e Isabela Garcia também cresceram nas novelas. Rosana Garcia ganhou notoriedade ao viver a Narizinho do “Sítio do Picapau Amarelo”, entre 1977 e 1980. A atriz estreou na TV com 7 anos, na novela “O Primeiro Amor”. Atuou ainda em “A Patota” e “Fogo Sobre Terra” (entre 1972 e 1974). Isabela Garcia também começou cedo: fez o Caso Especial “Medéia”, com 7 anos. Aos 8, atuou em sua primeira novela, “Vejo a Lua no Céu” (1976). Criança, entre 1977 e 1980, trabalhou em “Nina”, “Pai Herói” e “Água Viva” – como a órfã Maria Helena.

Narjara Turetta tinha 9 anos quando viveu a protagonista da novela “Papai Coração”, da Tupi, em 1976. Atuou também em “Salário Mínimo”, na mesma emissora, e, em 1979-1980, viveu a filha pré-adolescente de Regina Duarte no seriado “Malu Mulher”, na Globo. O garoto Carlos Poyart fez sucesso ao atuar na novela “Duas Vidas”, em 1976/1977, como Téo, filho de Betty Faria. Fez ainda “O Astro” (1977/1978) e o humorístico “Planeta dos Homens”, onde popularizou o bordão “criança sofre!”.

O menino Alexandre Raymundo marcou as novelas da Band do início dos anos 80: “O Meu Pé de Laranja Lima”, “Ninho da Serpente”, “Campeão” e “Maçã do Amor”, entre 1980 e 1984. Monique Curi (lembra da Lidia de “Felicidade” e da Mariana de “História de Amor”?) cresceu fazendo novelas na Globo. Garotinha, participou de “Os Gigantes”, “Marina”, “Baila Comigo” e “Sol de Verão”, entre 1979 e 1983. Jonas Torres foi outro que fez sucesso quando criança. Aos 10 anos participou da novela “Vereda Tropical” (1984/1985) e, a partir do ano seguinte, foi o garoto Bacana da série “Armação Ilimitada” (1985/1988). Recentemente foi visto na novela “Império”.

Do Clube do Curumim de “A Gata Comeu” (1985), Danton Mello, Juliana Martins e Oberdan Júnior seguiram carreira. Oberdan fez sucesso ao participar do Caso Verdade “O menino do olho azul”, em 1982. No mesmo ano entrava para o elenco da novela “Sol de Verão”, para depois trabalhar em “Amor com Amor se Paga” e “A Gata Comeu” (1984 e 1985). Adulto, teve um papel de destaque em “Renascer”, em 1993. Juliana Martins tinha 11 anos quando atuou em “A Gata Comeu”. Nunca abandonou a carreira: recentemente foi vista em “Cheias de Charme” (2012) e “Geração Brasil” (2014).

Danton Mello tinha 10 anos quando participou de “A Gata Comeu”. Criança, fez ainda “Vale Tudo” (1988), como filho de Ivan e Leila, e “Tieta” (1989/1990), como o filho caçula de Perpétua. Também nunca deixou a carreira, está no ar em “I Love Paraisópolis”. Seu irmão Selton Mello também foi ator-mirim: estreou com 9 anos no seriado “Dona Santa” (Bandeirantes, 1982). Ainda criança, atuou nas novelas “Braço de Ferro” (Bandeirantes, 1983), “Corpo a Corpo” e “Sinhá Moça” (Globo, 1984 a 1986). Hoje, Selton é uma figura respeitada em nosso cenário artístico, por sua atuação no cinema e na televisão.

Caio Junqueira, filho do falecido ator Fábio Junqueira, é meio irmão de Jonas Torres. Caio também começou pequenininho: participou do seriado “Tamanho Família”, na Manchete (1985/1986), e depois na “Armação Ilimitada”, na Globo, em 1988. Ainda criança, foi visto na minissérie “Desejo” e na novela “Barriga de Aluguel”, em 1990. Já a atriz Paloma Duarte estreou na TV com 11 anos, ao atuar na “Armação Ilimitada”, em 1988. Sua mãe, Débora Duarte, tinha 8 anos quando estreou na televisão, na novela “Os Miseráveis”, da Tupi, em 1958.

Jonathan Nogueira também cresceu na TV: entre 1986 e 1991, participou das novelas “Hipertensão”, “Vida Nova”, “Tieta” e “O Dono do Mundo”, em que viveu o filho do personagem de Kadu Moliterno. Natália Lage – hoje atriz tendo atuado recentemente na série “Tapas e Beijos” – começou com 10 anos, no seriado “Tarcísio e Glória”, em 1988. No ano seguinte, estrelou a novela “O Salvador da Pátria”. Pré-adolescente, Natália foi vista em “Perigosas Peruas”, em 1992. Cinco crianças se revezaram no papel de Heleninha em “Bebê a Bordo” (1988/1989), em diferentes fases de crescimento da bebê. Mas foi a menina Beatriz Bertu (da última fase) que encantou a todos. Beatriz ainda esteve em “Perigosas Peruas”, em 1992.

Igor Lage, com poucos anos, esteve em “Selva de Pedra”, em 1986. Em seguida, em “Hipertensão”, para depois participar de “Top Model” (1989/1990), como Ringo Starr, um dos filhos de Gaspar, e “Vamp” (1991/1992), como Pingo, o menino do circo de Simão. A novela “Top Model” lançou outros pré-adolescentes que seguiriam carreira na TV: Carol Machado, Rodrigo Penna e Henrique Faria – os três atuaram ainda em “Vamp”, em 1991-1992.

Deborah Secco tinha 10 anos quando fez sua primeira novela: “Mico Preto”, em 1990.Fernanda Rodrigues estreou com 12, em “Vamp”, para depois atuar em “Deus Nos Acuda” e “A Viagem” (entre 1992 e 1994). Tatianne Goulart fez sucesso como a filha de Maitê Proença na novela “Felicidade”, entre 1991 e 1992. Criança, continuou fazendo TV: “O Mapa da Mina” e “Quatro por Quatro”, entre 1993 e 1995. Com 7 anos, Eduardo Caldas participou de “Felicidade”, como o menino Alvinho. Foi visto ainda em “De Corpo e Alma”, “Pátria Minha” e “Vira-lata” (entre 1992 e 1996), entre outras.

Com 7 anos, Carolina Pavanelli estrelou “Sonho Meu” (1993/1994), como a menina Laleska. Da mesma novela, participou Luiza Curvo, então com 7 anos. Luiza, ainda menina, atuou na minissérie “Engraçadinha” e na novela “Cara e Coroa”, entre 1995 e 1996. Ingrid Fridmannpequena esteve em “História de Amor” e “Xica da Silva” (na Manchete), entre 1995 e 1997.Cecília Dassi encantou o Brasil quando participou de “Por Amor”, em 1997-1998. No ano seguinte esteve em “Suave Veneno”. A novela “Chiquititas”, do SBT, de 1997 a 2001, lançou vários atores-mirins que seguiriam carreira na TV: Fernanda Souza, Débora Falabella, Carla Diaz, Gisele Frade, Bruno Gagliasso, os irmãos Stephany e Kayky Brito, e outros.

A menina Isabelle Drumond, com 7 anos, esteve na minissérie “Os Maias”, em 2001 e, em seguida, foi escolhida para ser a primeira criança a interpretar a boneca Emília na nova versão do “Sítio do Picapau Amarelo”. O garoto Pedro Malta ganhou papéis de destaque nas novelas “Coração de Estudante”, “Kubanacan” e “Prova de Amor” (Record), entre 2002 e 2006. Sérgio Malheiros, com 10 anos, destacou-se em “Da Cor do Pecado” (2004), como Raí, filho de Preta. Bruna Marquezine encantou a todos com sua interpretação nas novelas “Mulheres Apaixonadas” e “América” (entre 2003 e 2005) – atualmente é a protagonista de “I Love Paraisópolis”. A menina Carolina Oliveira, com 9 anos, foi a revelação na TV em 2005 ao protagonizar a minissérie “Hoje é Dia de Maria”. Atualmente, também está em “I Love Paraisópolis”.

Vamos encerrar na década de 2000 citando Marina Ruy Barbosa, que fez sua primeira participação em novela em 2002, com 7 anos, em “Sabor da Paixão”. Dois anos depois estava no elenco de “Começar de Novo”, “Belíssima” e “Sete Pecados” (entre 2004 e 2008).

Fotos: CEDOC/TV Globo

Fonte do texto: “Almanaque da Telenovela Brasileira” (Nilson Xavier, Panda Books)

Reviva: De volta aos anos 80: as novelas das sete que marcaram a década

Célia Biar e Marília Pêra em “Brega e Chique”

Houve um tempo em que as novelas do horário das sete da Globo reinaram absolutas na preferência do público. Isso é perceptível tomando como amostra “Cambalacho“, atração do Viva. Que delícia acompanhar essa novela, que remete a uma época em que Silvio de Abreu(o autor) deitava e rolava com suas histórias de chanchada, amparadas pela direção criativa de Jorge Fernando.

Antes de avançar, é preciso analisar o panorama do horário na época, década de 1980. Até o final do anos 70, Cassiano Gabus Mendes havia sedimentado seu estilo de comédias românticas, leves, divertidas e charmosas, “novelas de situação“, tomando emprestado uma caractérística atribuída às “sitcoms” da TV americana. A Globo sentia que era preciso avançar e usar o horário para extrapolar no humor. Tentativas foram feitas com “Feijão Maravilha“, de Bráulio Pedroso (1979) e “Chega Mais“, de Carlos Eduardo Novaes (1980).

Lucélia Santos em “Vereda Tropical”

Silvio de Abreu bem que tentou algo neste sentido com “Pecado Rasgado“, sua estreia na Globo (1978-1979), mas foi podado pelo diretor, Régis Cardoso. Em 1980, Cassiano Gabus Mendes seguia com sua novela “Plumas e Paetês” quando sofreu um infarte que o afastou da produção. Silvio o substituiu eficazmente, aumentando o humor na história e elevando a audiência. Talvez, este tenha sido o primeiro passo efetivo para uma pequena “revolução” no horário.

Em sua trama seguinte, Silvio recebeu uma direção cheia de gás e com a criatividade que ele precisava para levar adiante suas ideias: os então jovens Jorge Fernando e Guel Arraes, com direção geral do experiente Roberto Talma. A partir de uma ideia de Janete Clair, Silvio estreou “Jogo da Vida“, em 1981. A novela começou como uma leve comédia dramática. Mas se você tomar o primeiro capítulo de “Jogo da Vida” e o último, verá que os estilos são completamente diferentes. Silvio foi, a cada capítulo, imprimindo cada vez mais a sua marca, calcada no humor rasgado, pastelão às vezes, com influências nas chanchadas da Atlântida e no cinema de comédia de Hollywood.

Malu Mader e Cecil Thiré em “Top Model”

Em 1982, Cassiano Gabus Mendes subsituiu Silvio no horário com “Elas por Elas“, que se tornou um de seus melhores trabalhos. Nesta, percebe-se que Cassiano investiu mais no humor do que em seus folhetins anteriores. Talvez influenciado pela “nova ordem” que se estabelecia para o horário das sete. Teve a colaboração de um jovem roteirista que cresceria na Globo com um estilo próprio: Carlos Lombardi. E muito do sucesso de “Elas por Elas” se deve à criação inesquecível de Luiz Gustavo como o detetive atrapalhado Mário Fofoca. Cassiano já não era mais o mesmo de suas leves comédias românticas de antes.

Maitê Proença, Paulo Goulart e Glória Menezes em “Jogo da Vida”

Na sequência, como forma de contrabalancear estilos – e até para manter uma certa diversidade de tramas – a Globo estreou “Final Feliz“, de Ivani Ribeiro. Era a prmeira novela da autora na Globo e sua única trama inédita na emissora. Ivani apresentou uma novela mais romântica, leve e ao mesmo tempo divertida, com personagens cativantes. Outro sucesso. Em seguida, 1983, era a vez de Silvio de Abreu de novo. E ele veio bem munido, com Carlos Lombardi como colaborador e Jorge Fernando e Guel Arraes na direção, à frente da revolucionária “Guerra dos Sexos“. Pronto, não havia mais volta. Acertou-se em cheio no humor que o horário buscava.

Eva Wilma e Cristina Pereira em “Elas por Elas”

Guerra dos Sexos” foi tão inovadora à sua época que acabou por influenciar e gerar toda uma linha de programas de humor deste tipo nos anos 80, como a série “Armação Ilimitada” e o humorístico “TV Pirata“, dirigidas por quais Guel Arraes. Misturando drama e folhetim com humor nonsense e chanchada, e tendo uma temática muito pertinente para a época, “Guerra dos Sexos” marcou a televisão de tal forma que muito do que se viu depois, parecia nela referenciada.

Em 1984, no lugar da comédia rasgada, uma comédia de costumes: “Transas e Caretas“, de Lauro César Muniz, sem a mesma repercussão que a trama anterior. Depois, foi a vez deCarlos Lombardi apresentar uma história sua: “Vereda Tropical“, com supervisão de texto deSilvio de Abreu, direção de Guel e Jorginho. Apesar de assinada por Lombardi, percebe-se em “Vereda Tropical” toda a influência de Silvio e dos diretores, seja pelas ambientações, pelos tipos humanos ou pela abordagem do humor.

Cássio Gabus Mendes, Malu Mader e Betty Gofman em “Ti-ti-ti”

Lauro César Muniz voltou ao horário da sete, dessa vez supervisionando o texto de Daniel Más em “Um Sonho a Mais“, uma história que prometia, mas que acabou confundindo – apesar de ter mantido a audiência em alta. Cassiano retornou em seguida, com a criativa “Ti-ti-ti“, outro de seus grandes sucessos. A disputa entre os costureiros Victor Valentim e Jacques Leclair (Luiz Gustavo e Reginaldo Faria) deu muito pano pra manga – com perdão do trocadilho.

Já era o ano de 1986. Foi quando chegou a vez de “Cambalacho“, a mais chanchada das novelas de Silvio de Abreu. O resultado conferimos diariamente no Viva, logo, dispensa apresentações. Ivani voltava às sete horas depois de duas passagens de sucesso pelo horário das seis (“Amor com Amor se Paga” e “A Gata Comeu“). Agora, vinha com uma trama inocente e interiorana: “Hipertensão“. Um erro estratégico! Essa novela seria mais apropriada ao horário das seis: boa, mas destoava do estilo que Cassiano, Silvio, Jorginho e Lombardi haviam sedimentado.

Isabela Garcia e Beatriz Bertu em “Bebê a Bordo”

Em 1987, foi a vez de Cassiano voltar com uma nova história: “Brega e Chique“, dirigida porJorge Fernando, considerada a melhor novela daquele ano, capitaneada, principalmente, pelo talento de Marília Pêra, que viveu uma das protagonistas, Rafaela Alvaray. Na sequência, “Sassaricando“, de Silvio de Abreu, pela primeira vez sem Jorginho. Talvez por isso, essa novela tenha seguido uma linha diferente. Ainda com força na comédia e em tipos engraçados (como Tancinha/Cláudia Raia e Fedora/Cristina Pereira), mas também com uma trama policial, mais elaborada.

Carlos Lombardi, até então numa geladeira que já durava quase quatro anos, retornou com uma novidade: “Bebê a Bordo“, em que ele mostrou amadurecimento no texto, demarcando um estilo próprio e original que passou a caracterizá-lo: dramas familiares recheados de comédia num texto sarcástico e rápido, e um apelo quase erótico, ora refletido no texto, ora nos tipos humanos, vestidos ou pouco vestidos.

Elza Gomes em “Final Feliz”

O ano de 1989 fechou a década com dois grandes sucessos que entraram para a história: “Que Rei Sou Eu?“, novela de capa-e-espada de Cassiano Gabus Mendes, êxito incontestável com grandes momentos de Antônio Abujamra (o bruxo Ravengar) e Tereza Rachel (a Rainha Valentine). E a novela jovem “Top Model“, escrita por Antônio Calmon eWalther Negrão, com Malu Mader como a protagonista Duda, e o paizão Gaspar (Nuno Leal Maia) e toda uma renca de filhos.

Pena que esse cenário, de novelas marcantes e criativas exibidas na sequência, pouco a pouco foi dimuindo. Com a chegada dos anos 90, o quarteto Cassiano-Silvio-Jorginho-Lombardi se dissolveu em parte, com a morte de Cassiano (em 1993) e com trabalhos em outros horários. A década de 80 ficou para trás e a maioria das histórias aqui citadas viraram referência pop para as gerações que se seguiram.

Fotos: CEDOC/TV GLobo.

Carlos Augusto Strazzer, John Herbert e Laerte Morrone em “Que Rei Sou Eu?”

Fonte: Canal Viva/Nilson Xavier 

Reviva: TOP 10 Belas Atrizes – Anos 2010

Só gata! Encerro minha saga pelas mais belas atrizes da televisão brasileira em todos os tempos com a década atual, cinco anos que já nos trouxeram beldades talentosas.

Nathalia Dill

Viviane/Vitória em “Escrito nas Estrelas” (Foto: CEDOC/TV Globo)

Engraçado que a loura que acostumamos a ver em papeis de mocinha, começou na TV na pele da vilazinha insuportável Débora da temporada 2007 da “Malhação”. O sucesso da personagem lhe rendeu a protagonista da novela “Paraíso”, em 2009. E Nathalia entrou na década seguinte com tudo, emendando uma novela na outra.

Papeis na década: Viviane/Vitória em “Escrito nas Estrelas”, Dora em “Cordel Encantado”, Débora em “Avenida Brasil”, Silvia em “Joia Rara”, Laura em “Alto Astral”.

Ísis Valverde

Marcela em “Ti-ti-ti” (Foto: CEDOC/TV Globo)

A atriz já havia se destacado na década anterior, em papeis como Ana do Véu em “Sinhá Moça” e Rakelly em “Beleza Pura”. Mas foi nessa década que Ísis ganhou status de estrela de nossa TV.

Papeis na década: Marcela no remake de “Ti-ti-ti”, Suellen em “Avenida Brasil”, Sereia na minissérie “O Canto da Sereia”, Antônia na minissérie “Amores Roubados”, Sandra em “Boogie Oogie”.

Bruna Linzmeyer

Leila em “Insensato Coração” (Foto: CEDOC/TV Globo)

Estreou na televisão em 2010, na série “Afinal O Que Querem As Mulheres?”. Na sequência ganhou um papel em “Insensato Coração” e vem se destacando pela beleza e talento. Atualmente está em “A Regra do Jogo”.

Papeis na década: Tatiana na série “Afinal O Que Querem As Mulheres?”, Leila em “Insensato Coração”, Anabela no remake de “Gabriela”, Linda em “Amor à Vida”, Professora Juliana em “Meu Pedacinho de Chão”, Belisa em “A Regra do Jogo”.

Grazi Massafera

Lucena em “Aquele Beijo” (Foto: CEDOC/TV Globo)

Do BBB5 (em 2005) para as novelas e o estrelato. Grazi atuou em algumas novelas e foi apresentadora de programa de beleza. Bela e carismática, atualmente está arrancando elogios de todos os lados por sua performance como a drogada Larissa na novela “Verdades Secretas”.

Papeis na década: Deodora em “Tempos Modernos”, Lucena em “Aquele Beijo”, Ester em “Flor do Caribe”, Jéssica Malta em “Geração Brasil”, Larissa em “Verdades Secretas”.

Débora Nascimento

Tessália em “Avenida Brasil” (Foto: CEDOC/TV Globo)

Apareceu na TV como uma empregada passista de escola de samba na novela “Duas Caras” (2007). De lá para cá vem ganhando cada vez mais papeis de destaque, chamando a atenção do público pela beleza.

Papeis na década: Tessália em “Avenida Brasil”, Taís em “Flor do Caribe”, Maria Vergara em “Geração Brasil”, Sueli em “Alto Astral”.

Isabelle Drummond

Cida em “Cheias de Charme” (Foto: CEDOC/TV Globo)

Caso de atriz-mirim que cresceu na televisão diante do público: seu primeiro papel foi aos sete anos, como a filha de Ana Paula Arósio na minissérie “Os Maias”, em 2001. Será sempre lembrada como a Emília do “Sítio do Picapau Amarelo”, entre 2001 e 2006. Um grande talento e promessa para o futuro na televisão.

Papeis na década: Rosa em “Cordel Encantado”, Cida em “Cheias de Charme”, Giane em “Sangue Bom”, Megan Lily em “Geração Brasil”, Júlia em “Sete Vidas”.

Sophie Charlotte

Amora em “Sangue Bom” (Foto: CEDOC/TV Globo)

Outra “cria” da “Malhação”, Sophie foi vista em pequenos papeis nas temporadas de 2004 e 2005. Mas foi na “Malhação 2007” que despontou como atriz, no papel da mocinha Angelina. De lá para cá, vem se consolidando como uma atriz de talento.

Papeis na década: Stéfani no remake de “Ti-ti-ti”, Maria Amália em “Fina Estampa”, Amora em “Sangue Bom”, Duda no remake de “O Rebu”, Alice em “Babilônia”.

Maria Casadevall

Patrícia em “Amor à Vida” (Foto: CEDOC/TV Globo)

Alguém lembra dela na série “Lara com Z”? Eu nem lembrava! Foi sua estreia na televisão. Mas Maria Casadevall fez sucesso mesmo em sua personagem seguinte: Patrícia na novela “Amor à Vida”. No ar atualmente em “I Love Paraisópolis”, ainda é uma novata na TV mas que já deu mostras de seu potencial como atriz.

Papeis na década: Maria Valentina na série “Lara com Z”, Patrícia em “Amor à Vida”, Lili na série “Lili, a Ex” (GNT), Margot em “I Love Paraisópolis”.

Érika Januza

Alice em “Em Família” (Foto: TV Globo/Paulo Belote)

Lançada na série “Subúrbia”, em 2012, Érika Januza é outra novata na televisão. De beleza estonteante, já mostrou talento em seu segundo papel, na novela “Em Família”, em 2014.

Papeis na década: Conceição na série “Subúrbia”, Alice em “Em Família”.

Bruna Marquezine

Marizete em “I Love Paraisópólis” (Foto: TV Globo/Estevam Avellar)

Outra atriz que cresceu na TV diante de nossos olhos. Quem não lembra da menina Salete na novela “Mulheres Apaixonadas”, em 2003? De lá para cá, Bruna emendou uma novela na outra, ganhando cada vez mais destaque, até chegar ao posto de protagonista – em “Em Família”, no ano passado, e em “I Love Paraisópolis”, atualmente.

Papeis na década: Terezinha em “Araguaia”, Belezinha em “Aquele Beijo”, Lurdinha em “Salve Jorge”, Helena/Luiza em “Em Família”, Marizete em “I Love Paraisópolis”.

A década traz ainda a beleza de Adriana Birolli, Ágatha Moreira, Alice Wegman, Ana Carolina Dias, Andrea Horta, Bia Arantes, Bianca Bin, Bianca Comparato, Bianca Salgueiro, Bruna Hamu, Camila Queiroz, Carla Salle, Caroline Abras, Chandelly Braz, Day Mesquita, Ellen Roche, Fabíula Nascimento, Gabriela Oliveira, Geovanna Ewbank, Giovanna Lancelotti, Isabella Santoni, Juliana Paiva, Juliana Lohmann, Julianne Trevisol, Larissa Maciel, Letícia Colin, Letícia Medina, Letícia Persilles, Lua Blanco, Lucy Ramos, Luísa Valdetaro, Maria Eduarda Carvalho, Maria Helena Chira, Mariah Rocha, Mariana Rios, Mariana Xavier, Marina Ruy Barbosa, Mayana Moura, Mayana Neiva, Mayra Charken, Milena Toscano, Mônica Iozzi, Nanda Costa, Roberta Rodriguez, Rosane Mulholand, Sabrina Petráglia, Sheron Menezes, Simone Gutierrez, Sophia Abrahão, Tainá Müller, Thaila Ayala, Thaís Melchior, Yanna Lavigne.


Agradecimentos: Nilson Xavier/Canal Viva