Vamos Recordar? Sonho Meu (última edição)

As novelas A Pequena Órfã  (TV Excelsior, 1968) e Ídolo de Pano  (TV Tupi, 1974), de Teixeira Filho, inspiraram a trama.


TRAMA PRINCIPAL

Sonho Meu é inspirada nas novelas A Pequena Órfã, exibida pela TV Excelsior em 1968, e Ídolo de Pano, produzida pela TV Tupi em 1974, ambas de Teixeira Filho. A novela conta o drama de Claudia Lins (Patrícia França), que perde a guarda da filha, Maria Carolina (Carolina Pavanelli), para a cunhada Elisa (Nívea Maria), devido às constantes brigas com o marido, o violento Geraldo (José de Abreu). A menina é deixada pela tia em um orfanato no Rio de Janeiro.

No início da trama, Claudia está de mudança do Rio de Janeiro para Curitiba, decidida a fugir de Geraldo e recomeçar sua vida. Ao chegar na nova cidade, ela conhece os irmãos Lucas Candeias de Sá (Leonardo Vieira) – por quem se apaixona – e Jorge Candeias de Sá (Fábio Assunção), um mau-caráter que faz tudo para conquistá-la. Os dois, junto com a avó, Paula Candeias de Sá (Beatriz Segall), são donos da empresa de brinquedos Ludens, onde Claudia consegue um trabalho. Ao saber da paixão de seus netos pela jovem, Paula se torna a grande rival de Claudia. Ela faz tudo para afastá-la de sua família, temendo o desentendimento entre Lucas e Jorge. Claudia, por sua vez, sofre com a ausência de sua filha, e faz o possível para recuperar a guarda da menina.

Em determinado momento da trama, Claudia se casa com Lucas e é acusada de bigamia, tendo que enfrentar um processo judicial, com risco de perder definitivamente a guarda da filha para o pai. Ela passa a sofrer com a perseguição de Geraldo e de Jorge, que se revela um homem inescrupuloso, capaz de qualquer armação para prejudicá-la. Jorge procura, de todas as maneiras, separar Claudia de seu irmão, além de tentar afastar a avó da direção da fábrica de brinquedos da família. A novela tem um final feliz: Claudia obtém a guarda da filha, e vai morar no Rio de Janeiro com Tio Zé e Lucas, com quem tem um filho.

PRODUÇÃO

A novela foi gravada em Curitiba, no Paraná.

CENOGRAFIA E ARTE

Sonho Meu contou com uma cidade cenográfica montada em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro, que reproduzia detalhes da arquitetura de Curitiba. Foram necessários 28 dias para construí-la.

CURIOSIDADES

Patrícia França e Leonardo Vieira foram convidados para estrelar o casal protagonista da trama depois do sucesso da primeira fase da novela Renascer (1993), na qual também haviam feito par romântico.

Sonho Meu marcou a estreia de Ângelo Paes Leme em novelas da TV Globo.

Este foi o último trabalho da atriz Claudia Magno, que morreu em janeiro de 1994, durante a exibição da novela. A atriz interpretava a personagem Josefina na trama.

O grande destaque de Sonho Meu foi a atuação de Carolina Pavanelli. A menina emocionou e divertiu a todos com sua doce personagem.

Fábio Assunção fez seu primeiro vilão na TV nessa novela. E foi também a primeira vez que atuava em uma trama das 18h.

Lauro César Muniz, supervisor de texto da trama, conta que o público brasileiro teve dificuldades em aceitar a bigamia da protagonista Claudia (Patrícia França), o que levou o autor a antecipar a decisão da personagem em assumir seu romance com Lucas (Leonardo Vieira) e enfrentar um processo judicial.

Sonho Meu foi exibida em vários países, como Bolívia, Chile, Chipre, Costa Rica, Filipinas, Guatemala, Honduras, Indonésia, Jordânia, Malásia, Nicarágua, Síria, Líbano, Panamá, Peru, Polônia, Porto Rico, Portugal, República Dominicana, Rússia, Turquia, Ucrânia, Uruguai e Venezuela.

TRILHA SONORA

Nacional


Bhaja Shiri Krishna – Tema de Santiago e Marília
Compositores: Mantra
Intérpretes: Homem de Bem

Ando Meio Desligado – Tema de Giacomo Madureira
Compositores: Sérgio Dias/ Rita Lee/ Arnaldo Baptista
Intérpretes: Roupa Nova

Melhores Dias – Tema de Mariana
Compositores: Dudu Falcão
Intérpretes: Rita de Cássia

Frágil – Tema de Lucia
Compositores
Intérpretes: Guido Brunini

Todas as Ruas – Tema da locação Curitiba
Compositores
Intérpretes: Orquestra Harmônica de Curitiba

Querer é Poder – Tema de abertura
Compositores: José Augusto/ Carlos Colla
Intérpretes: José Augusto e Xuxa

O Preço de uma Vida – Tema de Claudia
Compositores: Paolo Vallest/ Beppe Datti – versão de Ronaldo Bastos
Intérpretes: Selma Reis

Um Pouco Mais – Tema de Francisca
Compositores: Guilherme Arantes
Intérpretes: Guilherme Arantes

Vieste – Tema de Lucas
Compositores: Ivan Lins/ Vitor Martins
Intérpretes: Ivan Lins

Um Sonho Maior – Tema de Tio Zé
Compositores: Sérgio Fonseca
Intérpretes: Danilo Caymmi

Privação de Sentidos – Tema de Gilda
Compositores: Tavito/ Aldir Blanc
Intérpretes: Watusi

Dançando com Lágrimas nos Olhos – Tema de Fiapo e Elisa
Compositores
Intérpretes: – Orquestra e Coro RGE
 
Internacional:


What is Love
Compositores: Dee Dee Halligan/ Junior Torello
Intérpretes: Haddaway

Under the Same Sun – Tema de Gilda
Compositores: Fairbairn/ Meine/ Hudson
Intérpretes: Scorpions

Mr. Vain
Compositores: Jay Supreme/ Nosie Katzmann/ Steven Levis
Intérpretes: Culture Beat

Right Here (Human Nature Mix)
Compositores: John Bettis/ Steve Porcaro
Intérpretes: SWV

Show Me Love
Compositores: Allen George/ Fred McFarlane
Intérpretes: Robin S

Cryin’ – Tema de Giacomo Madureira e Francisca Fontana
Compositores: Joe Perry/ Steven Tyler/ Taylor Rhodes
Intérpretes: Aerosmith

Living Without Your Love – Tema de Dr. Fontana
Compositores
Intérpretes: Rennie Ladd

For Whom The Bell Tolls – Tema de Lucas e Claudia
Compositores: B. Gibb/ M. Gibb/ R. Gibb
Intérpretes: Bee Gees

Felicità
Compositores: L. Dalla
Intérpretes: Lucio Dalla

More and More
Compositores: Giora Schein/ Nosie Katzmann/ Olivier Reinecke/ Tony Dawson-Harrison
Intérpretes: Captain Hollywood Project

Wild World
Compositores: Cat Stevens
Intérpretes: Mr. Big

House of Love – Tema de Ortega
Compositores: J. Harry/ R. Charles
Intérpretes: Rupaul

Con Los Años Que Me Quedan – Tema de Magnólia
Compositores: Gloria Estefan
Intérpretes: Gloria Estefan

Don’t Say Goodbye
Compositores
Intérpretes: Oseas

AÇÕES SOCIOEDUCATIVAS

Através da personagem Maria Carolina (Carolina Pavanelli), que sofre de leucemia, Sonho Meu abordou o tema da doação de sangue. A doença da menina propiciou a discussão sobre a qualidade do sangue, doação voluntária e Aids.

ELENCO

Abrahão Ribeiro

Alexandre Lipiani – Luís Ortega

André Mucci

Andrea Stelzer

Antonio Vianna

Ângelo Paes Leme – Santiago

Arminda Pinho

Beatriz Segall – Paula Candeias de Sá

Bernadeth Lyzio – Júlia

Bete Madruga – Taboinha

Bianca Blonde

Carlos Alberto – Fiapo

Carlos Kroeber – Varela

Carmem Caroline – Ximena

Carolina Pavanelli – Maria Carolina (Laleska)

Cesar Augusto

Cláudia Magno – Josefina

Cláudia Scher – Aída

Claudia Wagner

Cristina Mullins – Márcia

Daniela Camargo – Francisca

Debora Duarte – Mariana

Débora Viana

Dora Fennandes

Eduardo Caldas – Chico

Elias Gleizer – Tio Zé

Eri Johnson – Giácomo Madureira (Jayme)

Fabiano Miranda – Trigo

Fábio Assunção – Jorge

Fátima Patrício

Fernanda Ferras

Flávia Alessandra – Inês

Flávio Galvão – João Fontana

Françoise Forton – Gilda

Gisela Reimann – Alice

Hélio Ribeiro – Delegado Juarez

Isabela Garcia – Lúcia

Jayme Periard – William

Jarbas Fontenele

Jorge Cherques – Bóris

José Augusto Branco

José de Abreu – Geraldo

Julieta Wilmar

Jussara Calmon

Karine Melo – Marília

Laura de La Roque

Leonardo Borges

Leonardo Vieira – Lucas

Lina Fróes – Dona Rosa

Luciana Carvalho

Luiza Curvo – Aninha

Maguinha – Iracema

Manoel Theodoro

Mara Sandes

Marcelo Coutinho

Maria Thompson – Clara

Mauro Gorini – Feriado

Mauro Mendonça – Carlos

Mirela

Moacyr Alves

Monique Marques Marina Thompson – Clara

Monique Lafond

Myrian Pires – Cecília

Naura Schneider – Dra. Helena

Nedira Campos – Ângela

Newton Martins – Mercadoria

Nívea Maria – Elisa

Paulo Marrayo

Paulo Rezende

Patrícia França – Cláudia

Priscila Camargo – Polaca

Raimundo Emerson

Renata Castro Barbosa – Carla

Rogério França

Roselaine Pissaia

Sérgio Fonta – Cunha

Sérgio Mannarino – Carlos Alberto

Tânia Loureiro – Miriam

Vanda Alves

Walmor Chagas – Dr. Afrânio Guerra

Yoná Magalhães – Magnólia

 

FONTES

Depoimentos concedidos ao Memória Globo por: Beatriz Segall(03/06/2002), Fábio Assunção (04/04/2006) e Lauro César Muniz(12/11/2001); Boletim de Programação da Rede Globo, número: 1081; Centro de Documentação da TV Globo (Cedoc); “Fiocruz faz merchandising em novela da Globo” In: O Estado de S.Paulo, 18/11/1993; MEMÓRIA GLOBO. Dicionário da TV Globo, v.1: programas de dramaturgia & entretenimento. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2003; MEMÓRIA GLOBO. Guia Ilustrado TV Globo – Novelas e Minisséries. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2010; VIVEIROS, Virgínia. “Impunidade de uniforme branco” In: O Globo, 05/12/1993; VIVEIROS, Virgínia. “O quarteirão real da Curitiba virtual” In: O Globo, 14/09/1993; VIVEIROS, Virgínia. “Lágrimas do passado para garantir emoção” In: O Globo, 19/09/1993; “Sonho Meu ganha mais 25 capítulos” In: O Dia, 03/03/1994; www.teledramaturgia.com.br, acessado em 05/2006; http://viaglobal/cedoc (intranet),  acessado em 04/2006.


E chegamos ao fim desta coluna… Agradeço a todos que acompanhou a coluna desde a estreia e pedir desculpas por não ter avisado que a final seria hoje. Mas em 2016 voltaremos com mais uma temporada. Um beijão e até lá.

 

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Pelas Trilhas das Novelas: Querer é Poder – José Augusto e Xuxa (Sonho Meu, 1993 – 2ª edição)

Música: Querer é Poder
Cantor (a): José Augusto e Xuxa
Novela: Sonho Meu (1993)
Tema de: Abertura

Letra: 

Eu posso ir onde eu quiser
Rabiscos em algum papel
Chegar bem perto das estrelas e tocar no céu

Sonhando eu posso ser um rei
Quem sabe até superstar
É só deixar a porta aberta pra ilusão entrar

Eu posso até falar com Deus
De noite em minha oração
E caminhar por entre nuvens feitas de algodão

Eu posso tudo que eu quiser
É só querer acreditar
Se eu fechar bem forte os olhos e quiser sonhar

Sonho meu
Sonho meu
Tudo pode acontecer

É só acreditar na vida, acreditar na sorte e tudo pode ser

Sonho meu
Sonho meu
Eu posso tudo que eu sonhar

Se eu levar a vida a sério e fizer direito, se eu acreditar

Eu posso até falar com Deus
De noite em minha oração
E caminhar por entre nuvens feitas de algodão

Posso tudo que eu quiser
É só querer acreditar
Se eu fechar bem forte os olhos e quiser sonhar

Sonho meu
Sonho meu
Tudo pode acontecer

É só acreditar na vida, acreditar na sorte e tudo pode ser

Sonho meu
Sonho meu
Eu posso tudo que eu sonhar

Se eu levar a vida a sério, se eu fizer direito e se eu acreditar

Sonho meu
Sonho meu
Tudo pode acontecer

É só acreditar na vida, acreditar na sorte e tudo pode ser

Sonho meu
Sonho meu
Eu posso tudo que eu sonhar

Se eu levar a vida a sério, se eu fizer direito se eu acreditar

Sonho meu
Sonho meu
Tudo pode acontecer….


Quem matou Jorge Candeias de Sá? – 15ª edição

No decorrer da novela Sonho Meu (1993), cai a máscara de Jorge (Fábio Assunção) e Dona Paula (Beatriz Segall) expulsa o neto dos negócios. O rapaz enlouquece ainda mais e depois de tantas loucuras é misteriosamente assassinado. No final Afrânio (Walmor Chagas) assumi a culpa pelo assassinato de Jorge, mais na verdade o verdadeiro assassino era Lúcia (Isabela Garcia), filha de Afrânio e noiva de Jorge, e o matou após descobrir que estava sendo traída pelo noivo. O médico Afrânio assume o crime pra livrar a filha, que termina a novela viajando para o exterior. 

Reviva: Relembre a carreira de Elias Gleizer, que faleceu no sábado!

Elias

TRAJETÓRIA

Elias Gleizer já participou de mais de 50 de novelas, especiais e minisséries na televisão brasileira, desde sua estreia na TV Tupi, em 1959. Foram diversos papéis consagrados pelo grande público. Talvez pelo seu porte físico, seu jeito de boa gente, a ternura dos gestos e o olhar doce, o fato é que o ator não escapa de personagens do tipo bonachão, adorado por todos. E o público gosta disso. “Eu fiz mais de cinco novelas com crianças. Eu tenho cara de vovô. Mas fiz mais novela de padre. Foram dez padres. Também fiz frei, só não consegui ser bispo”, brinca.

Elias nasceu em 4 de janeiro de 1934, em São Paulo, filho de imigrantes judeus poloneses, de pai sapateiro e mãe dona de casa. Aliás, Elias não; para dizer seu nome de batismo, geralmente ele precisa repetir a mesma historinha de sempre: “Quando estou numa repartição pública, na hora da entrega do documento, eles começam: ‘Pedro de Oliveira, Antonio de Souza, Joaquim Gonçalves…’ Quando percebo uma pausa de dois minutos, falo: ‘Sou eu’. Meu nome é Ilicz. Costumo dizer que houve só três Ilicz no mundo: Ilytch Tchaikovsky, Vladimir Ilyich Lênin e Ilicz Gleizer.”

A profissão de ator não era, definitivamente, o sonho dos pais dos anos 1940. Mas o sapateiro Abraão Gleizer era sensível e obrigou o filho a aprender violino. “Tive de aprender. Comecei a tocar violino com 8, 9 anos. Aos 12 anos, já estava tocando numa orquestra juvenil amadora. Papai ia lá, me via no meio de 40 crianças, e chorava”, relembra. O jovem Elias ensaiava no Instituto Cultural Israelita quando foi convidado pelo diretor para participar de uma peça teatral. Foi com a intenção de experimentar, mas acabou gostando. “Sou persistente. Conforme ia faltando alguém, eu ia fazendo o papel do outro, até que fui o protagonista. Participamos de um festival de teatro amador, em 1956, e ganhei o prêmio. Em 1955, quem ganhou foi o Gianfrancesco Guarnieri. Era um festival de teatro seriíssimo”, classifica.

Não demorou e, em 1959, foi trabalhar na TV Tupi. Fez pontas, até chegar ao especial José do Egito, seu primeiro trabalho expressivo. A primeira novela na emissora foi em 1964, Se o Mar Contasse, de Ivani Ribeiro. “Naquele tempo, a TV era movida à lenha. A novela passava três vezes por semana e era ao vivo. Você recebia o capítulo um dia antes, ensaiava antes de ir para o ar, então aconteciam milhões de coisas. Tinha que improvisar, o ator tinha que ser ator.”

Trabalhou na Tupi até 1978, ano em que atuou na novela Salário Mínimo, de Chico de Assis. Foram mais de 20 novelas e especiais importantes, entre tantas outras pontas e participações, como em Nino, o Italianinho (1969), de Geraldo Vietri e Walther Negrão. Mas ele não guarda predileção por nenhum de seus personagens. Pelo simples fato de que sempre teve a consciência de colocar a profissão em primeiro plano. “Nunca recusei papel, nunca. A gente fazia com tanto amor, com tanto carinho, que tudo era importante. Não tem como destacar isso ou aquilo. Hoje você era o protagonista, amanhã fazia uma ponta, uma figuração. E você fazia da mesma maneira, de tanto amor que tinha por aquilo”, acredita. Mas o fato de atuar tanto tempo e em tantas telenovelas ao vivo fez toda a diferença. “Fazer ao vivo foi importantíssimo. Até hoje tem novelas que o autor entrega o capítulo quase na hora, no dia, e o elenco faz. Mas tem de ser ator”, ensina. Após tantos anos na emissora, Elias Gleizer teve rápidas passagens pela TV Bandeirantes e pelo SBT, de 1980 a 1983. Atuou, entre outras produções, na novela Meu Pé de Laranja Lima, de Ivani Ribeiro, e no seriado Dona Santa, quando viveu um padre e contracenou com a atriz Nair Bello.

Elias Gleizer estreou na Globo em 1984, convidado pelo autor Walther Negrão para atuar em Livre para Voar. “Walther, meu amigo do início de Tupi, falou assim: ‘Elias, estou escrevendo uma novela que é a história do meu pai. Ele era maquinista da estrada de ferro. Eu queria que você fizesse esse papel’. Aceitei e comecei a gravar. Fiz uma novela maravilhosa, foi muito bem”, conta.

Mais uma rápida passagem pelo SBT, para atuar em Uma Esperança no Ar, de Amilton Monteiro e Ismael Fernandes, e Elias Gleizer foi escalado para outra novela na Globo, Direito de Amar (1987), de Walther Negrão e Alcides Nogueira. Ele guarda boas recordações da produção dessa novela. “Eu fazia o dono de uma confeitaria. Foi um dos cenários mais lindos que eu já vi. Fizeram mais ou menos a Confeitaria Colombo, um luxo, uma coisa de louco. Era uma novela linda de época. E sempre dei sorte, sempre fiz sucesso”, lembra. Em Tieta (1989), de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares, viveu uma aventura que até hoje lhe traz gargalhadas e saudades: “Gravamos em Mangue Seco, na Bahia. Não tinha estrada, tínhamos que ir por Sergipe e atravessar o Rio Real para chegar.” Ele lembra que mal cabia no barco que o levou para o local de filmagem, e que, no primeiro dia, foi aconselhado por Reginaldo Faria a não beber água, sob risco de disenteria. Tomava água de coco todos os dias. No hotel, o chuveiro da suíte batia na altura de seu pescoço. Mas o cenário era deslumbrante. Na trama, vivia um motorista de ônibus, que chamava carinhosamente de Marinete.

Com Carolina Pavanelli em Sonho Meu (1993). Foto: Divulgação
Com Carolina Pavanelli em Sonho Meu (1993). Foto: Divulgação

A lista de novelas das quais participou é extensa. Atuou, por exemplo, em Explode Coração (1995), de Gloria Perez, primeira novela gravada inteiramente no Projac. “Estou presente em tudo, sou que nem arroz de festa. Doutor Roberto Marinho veio inaugurar os estúdios, bateu a claquete. Essa foi a primeira novela no Projac. Achei aquilo maravilhoso, fora de série. Para quem começou na Tupi, dividindo estúdio com o jornalismo… E, já prevendo, me mudei para lá”, conta. O ator também tem boas lembranças do trabalho em Chiquinha Gonzaga (1999), de Lauro César Muniz e Marcílio Moraes, pelo prazer de fazer uma minissérie. “Minissérie é feita com mais calma, mais cuidado, com mais esmero. Você pode estudar mais, tem um pouco mais de tempo. Novela, não: entrou o primeiro capítulo, o terceiro já está atrasado. É aquela pauleira”, compara.

Em Terra Nostra, de Benedito Ruy Barbosa (1999), foi escalado para o papel de Padre Olavo, mais um em sua carreira. Ele adorou. “Só que esse padre era diferente, era italiano. Sotaque italiano é a minha especialidade. Fazer sotaque é comigo”, garante, acrescentando que fala 12 idiomas. Ainda sobre o personagem recorrente em sua carreira, faz questão de contar: “Na época da Tupi, eu já fazia padre. Em Rosa dos Ventos, acho que fazia um padre. Eu ia à padaria vestido de padre, ia comer um sanduíche; passavam as meninas, e eu as cantava, paquerava, vestido de padre”, relembra. Outra novela marcante foi Caminho das Índias, de Gloria Perez, a primeira a vencer o Prêmio Emmy, em 2009. Na trama, Elias Gleizer viveu o Seu Cadore, que sofria com a falsa morte de um dos filhos e a esquizofrenia do neto querido. “Essa foi maravilhosa. Eu estava muito bem cercado. Foi um grande desafio”, pontua. O ator acha extremamente oportuno que as novelas levantem questões polêmicas, uma marca dos textos de Gloria Perez. No caso de Caminho das Índias, a esquizofrenia ganhou os holofotes. “Acho isso importantíssimo. A televisão é importantíssima para tudo. Ela levou progresso para o mundo todo. Depois que apareceu a televisão, todo mundo sabe de tudo”, crê.

Em 2010, emendou duas novelas: Tempos Modernos, de Bosco Brasil, e Passione, de Silvio de Abreu. Três anos mais tarde interpretou o cigano Manolo em Flor do Caribe (Walther Negrão). Além do trabalho em novelas e minisséries, Elias Gleizer também fez participações no seriado Malhação e no humorístico Zorra Total. Mesmo dizendo não gostar de fazer cinema, atuou em Didi Quer Ser Criança, dirigido por Alexandre Boury e Fernando Boury, com Renato Aragão (2004).

O ator faleceu no dia 16 de maio de 2015. Ele desenvolveu um quadro de falência circulatória em função de uma broncopneumonia.

[Depoimento concedido ao Memória Globo por Elias Gleizer em 18/04/2011.]

Carreira

Televisão

  • 1959 – José do Egito – Potifar
  • 1964 – Se o Mar Contasse – Ramirez
  • 1965 – O Mestiço – Xavier
  • 1965 – Olhos Que Amei
  • 1965 – A Outra – Sebastião
  • 1965 – Um Rosto Perdido
  • 1966 – A Inimiga – Frederico
  • 1966 – A Ré Misteriosa – Batista
  • 1966 – Os Irmãos Corsos
  • 1967 – Presídio de Mulheres
  • 1967 – Os Rebeldes
  • 1968 – Antônio Maria
  • 1969 – Nino, o Italianinho – Donato
  • 1970 – Simplesmente Maria – José
  • 1971 – A Fábrica – Ernesto
  • 1972 – Signo da Esperança
  • 1973 – Rosa dos Ventos – Padre José Lara
  • 1974 – O Machão – Comendador Stromboli
  • 1975 – Vila do Arco – Porfírio Caetano das Neves
  • 1976 – Xeque-Mate – Padre Inácio
  • 1976 – O Julgamento – Doutor Ernesto Alemão
  • 1978 – Salário Mínimo
  • 1980 – O Meu Pé de Laranja Lima – Padre Rosendo
  • 1982 – Dona Santa – Padre Ferdenuto
  • 1982 – Renúncia – Tio Jacques
  • 1983 – Acorrentada – Dr. Mesquita
  • 1983 – Sabor de Mel
  • 1984 – Livre para Voar – Pedrão
  • 1985 – Uma Esperança no Ar
  • 1987 – Direito de Amar – Manel
  • 1988 – Fera Radical – Donato Orsini
  • 1989 – Tieta – Jairo
  • 1990 – Mico Preto – Caroço
  • 1991 – Salomé – Padre Nazareno
  • 1992 – Pedra sobre Pedra
  • 1992 – Despedida de Solteiro – Vitório
  • 1993 – Agosto – Rosalvo
  • 1993 – Sonho Meu – Tio Zé (Mazurgski)
  • 1994 – Incidente em Antares – Barcelona
  • 1994 – As Pupilas do Senhor Reitor – José das Dornas
  • 1995 – Explode Coração – Augusto
  • 1996 – Anjo de Mim – Canequinha
  • 1998 – Era Uma Vez – Pepe
  • 1998 – Meu Bem Querer
  • 1999 – Chiquinha Gonzaga – Bergamini
  • 1999 – Terra Nostra – Padre Olavo
  • 2000 – Uga Uga
  • 2001 – As Filhas da Mãe – Dedé
  • 2002 – Brava Gente – Joaquim Mendes
  • 2002 – Esperança – João Alfaiate
  • 2004 – Um Só Coração – Padre
  • 2004 – Como uma Onda – Velho Bartô
  • 2005 – Bang Bang – Bispo
  • 2006 – Sinhá Moça – Frei José
  • 2006 – Pé na Jaca – Giácomo Lancelotti
  • 2008 – Guerra e Paz – Dr. Alcebíades
  • 2008 – Casos e Acasos – Aristides
  • 2009 – Caminho das Índias – Sr. Cadore
  • 2010 – Tempos Modernos – Abrãozinho Mota
  • 2010 – Passione – Diógenes Santarém
  • 2013 – Flor do Caribe – Manolo
  • 2014 – Boogie Oogie – Padre

Cinema

  • 1965 – Quatro Brasileiros em Paris – Policial
  • 1971 – Diabólicos Herdeiros
  • 2004 – Didi Quer Ser Criança
  • 2015 – Doce Pátria – Advogado

E essa é a nossa pequena e singela homenagem a esse grande ator, que a teledramaturgia perdeu! #EliasGleizerDescanceEmPaz 👋👋👋👋