Vamos Recordar? Sol de Verão

Com Sol de Verão, Manoel Carlos se firmou como cronista da classe média do Rio de Janeiro.


TRAMA PRINCIPAL

Cécil Thiré em cena de Sol de Verão

Infeliz no casamento, Rachel (Irene Ravache) decide se separar do marido, o empresário Virgílio (Cécil Thiré). Disposta a dar uma virada em sua vida, ela se muda de Petrópolis para a zona sul do Rio de Janeiro com a filha, Clara (Débora Bloch), passando a morar na casa da mãe, Laura (Beatriz Segall), em Ipanema. Ali ela se apaixona pelo charmoso, mas rude, Heitor (Jardel Filho), dono de uma oficina mecânica. Ele mora com a irmã, Irene (Beatriz Lyra), em um sobrado antigo, um dos principais cenários da novela.

Após tantos anos de casamento, Rachel tem dificuldades para se entregar ao novo relacionamento, mas Heitor a conquista. O casal vive um intenso romance, que não conta com o apoio da mãe e dos amigos de Rachel por conta da diferença de classe social entre os dois. Mas, apaixonada, ela se muda para o sobrado do mecânico. Clara sofre com a separação dos pais e fica muito dividida, especialmente por ter que se afastar do convívio com o pai, a quem é muito ligada. Virgílio não aceita a separação, cercando Rachel de todas as maneiras e dizendo a todos que ainda a ama.

O ator Jardel Filho morreu de ataque cardíaco em 19 de fevereiro de 1983, antes do desfecho da trama. Com a sua morte, o destino de Rachel sofre alterações. Ela passa a ser cortejada pelo professor Horácio (Paulo Figueiredo) e por Virgílio, mesmo depois de descobrir que está esperando um filho de Heitor. No último capítulo da novela, Rachel dá à luz um menino. Virgílio, feliz, vai à maternidade dar os parabéns ao grande amor de sua vida e fica comovido com o bebê. A cena final mostra os três juntos, dando a entender que o casal poderá se reconciliar.

TRAMA PARALELAS

O mecânico e o médico charlatão

No decorrer da trama, Heitor (Jardel Filho) enfrenta o médico charlatão Hilário (Carlos Kroeber), proprietário do terreno em que mora junto com seu ajudante, o surdo-mudo Abel (Tony Ramos). Ao descobrir que sua mulher, Sofia (Yara Amaral), teve um caso com o pai de Abel, Caetano (Gianfrancesco Guarnieri), Hilário exige que o rapaz seja expulso do casarão.

O triste Abel

Abel, de quem as pessoas sabem muito pouco, é um jovem divertido, sensível e inteligente, que esconde suas tristezas. Aos 8 anos de idade, teve meningite e ficou surdo. A deficiência, no entanto, não o impede de aproveitar ao máximo a vida: ele é amante do futebol, adora tomar chope e paquerar. Aos 18 anos, Abel foi abandonado pelo pai, tornando-se uma pessoa mais reclusa. O rapaz, que desconhece a identidade da mãe, emprega-se na oficina de Heitor e passa a morar com ele no sobrado. Por conta da proximidade com Abel, Rachel (Irene Ravache) encontra uma oportunidade de dar aulas para uma turma de deficientes auditivos no colégio onde ele estuda. Ao longo da trama, Abel desperta o amor de Clara (Débora Bloch) e Olívia (Carla Camurati), casando-se com a primeira no final da novela.

O mistério sobre a origem de Abel é revelado no fim da história. Seu pai o abandonou porque, há muitos anos, fora acusado de crime de curandeirismo, e fugiu para não ser preso. A mãe de Abel é Sofia (Yara Amaral) que, ao dar à luz, pensou que o filho tivesse morrido. Reencontrando a mãe, Abel ganha dois irmãos, Miguel (Mário Gomes) e Romeu (Miguel Falabella). Além disso, o rapaz se submete a exercícios de logopedia e fonoaudiologia e reaprende a falar.

CENAS MARCANTES

Uma das cenas mais comoventes da novela acontece nos capítulos finais: ao descobrirem que são mãe e filho, Sofia (Yara Amaral) e Abel (Tony Ramos) se abraçam, emocionados.

CURIOSIDADES

Manoel Carlos conta que o mote da trama, sobre uma mulher que decide abrir mão de um casamento aparentemente feliz, onde tem tudo, para buscar sua verdadeira felicidade, teve uma repercussão negativa na época. Muitos telespectadores mandavam cartas à Globo definindo a atitude de Rachel (Irene Ravache) como um péssimo exemplo.

A morte de Jardel Filho abalou toda a equipe de Sol de Verão. A direção da Globo encomendou uma pesquisa junto ao público para saber se deveria dar continuidade ou não à produção. A maioria dos entrevistados achou que a novela deveria permanecer no ar. O autor Manoel Carlos, no entanto, muito amigo de Jardel Filho, alegou que se sentia impossibilitado de concluir a tarefa, e a direção optou por apressar o fim da trama. Lauro César Muniz foi chamado para escrever os 17 capítulos finais e contou com a assessoria de Gianfrancesco Guarnieri, dramaturgo experiente e ator do elenco da novela.

Jardel Filho em Sol de Verão

Ao final da exibição do último capítulo do qual Jardel Filho participara, o elenco prestou uma homenagem ao ator, dando depoimentos emocionados. Manoel Carlos também prestou sua homenagem: escreveu um texto especial, lido por Gianfrancesco Guarnieri, que foi ao ar no início do capítulo 121. O texto dizia: “Peço a vocês que me vejam não como um dos atores, mas como todos os atores do elenco desta novela (…). Eu peço a todos um instante de reflexão sobre esse velho ofício de esconder a própria vida, sacrificá-la mesmo, em benefício de outras, fictícias, mas que acabam por igualar-se à verdadeira, tão bem são elas vividas. E é por isso que o homem-ator tem que ter muitas vidas dentro de si (…) É por isso que quando morre um ator, morrem tantas pessoas com ele. (…) Quando Cacilda Becker morreu, Carlos Drummond de Andrade escreveu: “Morreram Cacilda Becker”. Assim deve ser dito sempre. Agora… morreram Jardel Filho”. O texto era entremeado por imagens de Jardel Filho e cenas dele como Heitor. Em uma das sequências, o personagem dizia: “Às vezes eu fico pensando… Pra onde será que vai tudo que uma pessoa sabe quando ela morre? É. A cabeça de um homem. Tantos planos, conhecimentos (…) Pra onde vai tudo isso que ele sabia?”

Irene Ravache em Sol de Verão

A primeira cena escrita por Lauro César Muniz mostra o jardim do sobrado de Heitor (Jardel Filho) sendo destruído por um enorme trator. O jardim ficava sob os cuidado de Abel (Tony Rarmos), que colocou uma placa com o nome Heitor. Ali, vários personagens se encontravam. Com a destruição, todos ficam tristes, como se tivessem perdido algo muito importante em suas vidas. Logo em seguida, Rachel (Irene Ravache) anuncia que espera um filho de Heitor. Em conversa com a mãe, ela diz: “É como se ele continuasse vivo dentro de mim. Eu vou ter um filho do homem que eu sempre amei”, referindo-se a Heitor, deixando clara a morte do personagem. Depois, Rachel propõe a todos que reconstruam o jardim, juntos: “A gente não vai se entregar, não. Essa história a gente vai levar até o fim”, diz a personagem, olhando para a câmera.

O desfecho da novela foi bastante tumultuado. Os textos chegavam em cima da hora, e as cenas eram gravadas pouco tempo antes de serem exibidas. Apesar dos problemas, a audiência cresceu no último mês de exibição. Como a novela seguinte ainda não estava pronta, a TV Globo optou por mostrar, logo depois de Sol de Verão, uma versão compacta de O Casarão, novela de Lauro César Muniz, exibida originalmente em 1976.

Manoel Carlos havia planejado um final feliz para Heitor e Rachel. Os dois terminariam a novela juntos e iriam se casar na Holanda. Heitor era descendente de holandeses e tinha o sonho de conhecer a terra de seus antepassados.

Segundo o autor, Vera Fischer foi o primeiro nome pensado por ele para o papel da protagonista Rachel. Mas a atriz não podia estrelar a novela porque havia feito Brilhante, de Gilberto Braga, que terminara cerca de sete meses antes. A escolha de Irene Ravache, no entanto, foi muito acertada, porque a atriz defendeu muito bem sua personagem.

Segundo Manoel Carlos, a ideia para a trama de Sol de Verão nasceu durante uma noite de ano-novo em que ele passou com o amigo Jardel Filho. O autor conta que, na época, estava escrevendo um espetáculo de teatro especialmente para o ator e, durante uma conversa informal, teve a ideia para uma nova novela. O protagonista não poderia ser outro.

Para compor o personagem Abel, Tony Ramos foi ao Instituto Nacional de Educação dos Surdos e gravou imagens de um casal de deficientes auditivos que tinha um filho sem problemas de audição. Com a fita, pôde observar os gestos, os sinais, todas as expressões dos surdos-mudos. O ator contou que passou até a observar a vibração do piso provocada pela música. Como seu personagem trabalhava na oficina mecânica de Heitor, onde havia os mais diversos ruídos, ele teve de aprender a não piscar quando se batia o martelo ou quando um motor começava a funcionar de repente.

O personagem Abel teve grande repercussão entre o público. Nas escolas, as crianças passaram a reproduzir a linguagem dos surdos-mudos. O jornal O Globo chegou a publicar o alfabeto dos sinais, que também começou a ser distribuído em panfletos nas ruas das grandes cidades.

Assim como havia feito em Baila Comigo, novela exibida em 1981, Manoel Carlos escreveu um enredo no qual os personagens representavam as alegrias e tristezas da classe média. O autor firmava ali a marca de seu estilo: a composição de retratos da vida cotidiana das camadas médias nas grandes cidades.

Miguel Falabella em Sol de Verão

Sol de Verão foi um dos primeiros trabalhos da dupla de diretores Guel Arraes e Jorge Fernando na TV Globo. A novela foi, também, a primeira de Miguel Falabella e Irene Ravache na emissora.

TRILHA SONORA

Nacional: 
Você Não Soube Me Amar 
Compositores: Evandro Mesquita / Ricardo Barreto
Intérpretes: Blitz

Muito Estranho 
Compositores: Cláudio Rabello / Dalto
Intérpretes: Dalto

Bilhete 
Compositores: Ivan Lins / Vitor Martins
Intérpretes: Fafá de Belém

Tempo Quente 
Compositores: Lulu Santos / Nelson Motta
Intérpretes: Ricardo Graça Mello

Tempos Modernos 
Compositores: Lulu Santos
Intérpretes: Lulu Santos

Questão de Tempo 
Compositores: Kleiton Ramil
Intérpretes: Nara Leão

Tô que Tô 
Compositores: Kledir Ramil / Kleiton Ramil
Intérpretes: Simone

Esfinge 
Compositores: Djavan
Intérpretes: Djavan

O Melhor Vai Começar 
Compositores: Guilherme Arantes
Intérpretes: Guilherme Arantes

Tendência 
Compositores: Ivone Lara / Jorge Aragão
Intérpretes: Beth Carvalho

Tal Qual Eu Sou 
Compositores: Hermínio Bello de Carvalho / Vital Lima
Intérpretes: Lucinha Araújo (Partic. especial Vital Lima)

Coisas de Casal 
Compositores: Rita Lee / Roberto de Carvalho
Intérpretes: Rádio Táxi
 

Só o Tempo 
Compositores: Paulinho da Viola
Intérpretes: Paulinho da Viola

Sumida 
Compositores: Rose / Wando
Intérpretes: Wando
 
Internacional: 
Baby I Need Your Lovin’ 
Compositores: Holland / Dozier
Intérpretes: Carl Carlton

Don’t Look Back 
Compositores: James Warren
Intérpretes: The Korgis

Être 
Compositores: Georges Garvarentz
Intérpretes: Charles Aznavour

I Don’t Wanna Dance 
Compositores: Eddy Grant
Intérpretes: Eddy Grant

Hard to Say I’m Sorry 
Compositores: D. Foster / P. Cetera
Intérpretes: Chicago

Wot 
Compositores: Captain Sensible
Intérpretes: Captain Sensible

Hypnos 
Compositores: Gerto Heupink
Intérpretes: Future World Orchestra

Situation 
Compositores: Alison Moyet / Vince Clarke
Intérpretes: Yazoo

Save a Prayer 
Compositores: Duran Duran
Intérpretes: Duran Duran

Voyeur 
Compositores: D. Ellingson / D. Hitchings
Intérpretes: Kim Carnes

Love Leads To Madness 
Compositores: Nazareth
Intérpretes: Nazareth

Love And My Best Friend 
Compositores: Angela Winbush / Rene Moore
Intérpretes: Janet Jackson

Do That to Me One More Time 
Compositores: Toni Tennille
Intérpretes: Latimore

Fallin’ Love 
Compositores:
Intérpretes: Sunset

ELENCO EM ORDEM ALFABÉTICA

Adelaide Conceição
Alcione Mazzeo
Ana Maria Sagres – Irmã Alzira, professora do colégio
Beatriz Lyra – Irene
Beatriz Segall – Laura
Beth Wainberg
Camila Amado – Noêmia
Carla Camurati – Olívia
Carlos Kroeber – Hilário
Cécil Thiré – Virgílio
Débora Bloch – Clara
Duse Nacaratti – Madalena
Edson Silva – Gaspar
Gianfrancesco Guarnieri – Caetano
Gésio Amadeu – Pedrinho
Helber Rangel – Germano
Irene Ravache – Rachel
Isabel Ribeiro – Flora
Isabela Garcia
Isis de Oliveira – Beatriz
Ivan Mesquita – Gilberto
Jardel Filho – Heitor
José Prata
Manoel Eliziário – José, caseiro de Petrópolis
Márcia Rodrigues – Geni
Maria Alves – Matilde
Maria Helena Pader – Irmã Luzia
Mario Gomes – Miguel
Miguel Falabella – Romeu
Mônica Torres – Mônica
Monique Curi – Glorinha

Nelson Xavier – Zito
Normal Geraldy

Oberdan Junior – Rogério
Paulo Figueiredo – Horácio
Pratinha – Pelé, entregador da floricultura
Tânia Scher – Lola
Thereza Mascarenhas – Zezé
Tony Ramos – Abel
Yara Amaral – Sofia



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Personagem de Tony Ramos será misterioso em “A Regra do Jogo”

Tony Ramos vai interpretar um personagem diferente em "A Regra do Jogo"
Tony Ramos vai interpretar um personagem diferente em “A Regra do Jogo”

Prevista para estrear no final de agosto, “A Regra do Jogo” promete surpreender o público da Globo.

Segundo a colunista Lígia Mesquita, do jornal “Folha de S. Paulo”, Tony Ramoscontou que o seu personagem, Zé Maria, é um dos mais misteriosos de sua carreira. “O João Emanuel Carneiro [autor] fala: ‘Saberás na hora certa’”, disse.

Por causa do fracasso de “Babilônia”, a Globo antecipou a estreia de “A Regra do Jogo”. A equipe já começou a gravar as primeiras cenas.

Além de Tony, Alexandre Nero, Giovanna Antonelli, Vanessa Giácomo, Marcos Caruso e Cauã Reymond compõem o elenco.

Repaginados, Marco Pigossi e Tony Ramos gravam próxima novela das 9

Galã de ‘Boogie Oogie’ raspa a cabeça enquanto veterano que trabalhou em ‘O Rebu’ surge barbudo e quase irreconhecível

Marco Pigossi recebe instruções da diretora Amora Mautner (Foto: Inácio Moraes/Gshow)
Marco Pigossi recebe instruções da diretora Amora Mautner (Foto: Inácio Moraes/Gshow)

Esta quarta-feira, 10/6, amanheceu agitada em Copacabana, no Rio de Janeiro, principalmente para Marco Pigossi e Tony Ramos, que surgiram na pele de seus novos personagens para a próxima novela das 9, A Regra do Jogo. Com novo visual, o galã de Boogie Oogie deu adeus às ondas do cabelo de Rafael e raspou os fios para o papel. Por outro lado, o veterano cujo último trabalho foi em O Rebu surgiu quase que irreconhecível com barba e cabelos grandes.

Tony Ramos grava na praia de Copacabana (Foto: Inácio Moraes/Gshow)
Tony Ramos grava na praia de Copacabana (Foto: Inácio Moraes/Gshow)
Marco Pigossi grava nova novela das nove em Copacabana (Foto: Inácio Moraes/Gshow)
Marco Pigossi grava nova novela das nove em Copacabana (Foto: Inácio Moraes/Gshow)

A Regra do Jogo é escrita por João Emanuel Carneiro e tem direção de núcleo de Amora Mautner. O último trabalho da dupla foi Avenida Brasil, sucesso que mobilizou o país em 2012. A novela será a sucessora de Babilônia e tem o início previsto para o segundo semestre.

Tony Ramos grava nova novela das nove (Foto: Inácio Moraes/Gshow)
Tony Ramos grava nova novela das nove (Foto: Inácio Moraes/Gshow)
Tony Ramos se prepara para estrear em nova novela (Foto: Inácio Moraes/Gshow)
Tony Ramos se prepara para estrear em nova novela (Foto: Inácio Moraes/Gshow)
Ator grava cenas como seu novo personagem (Foto: Inácio Moraes/Gshow)
Ator grava cenas como seu novo personagem (Foto: Inácio Moraes/Gshow)

Reviva: Inicialmente rejeitada, relembre a história de Torre de Babel

Trama policial ambientada em São Paulo enfocava a violência e a estratificação social.

Autoria: Silvio de Abreu

Período de exibição:25/05/1998 – 15/01/1999

Horário: 20h
Nº de capítulos: 203

A história começa na grande São Paulo, no final da década de 1970. O ex-perito em fogos de artifícios José Clementino (Tony Ramos) arranja emprego como pedreiro na construção de um suntuoso shopping center, uma das muitas obras realizadas pela construtora do engenheiro César Toledo (Tarcísio Meira). Durante a festa da cumeeira, quando engenheiros e operários se reúnem para comemorar a colocação da última laje da obra, a mulher de Clementino flerta com vários homens. A certa altura, quando dá pela falta da mulher, o pedreiro sai à sua procura e a encontra em um canto afastado da construção tendo relações com dois homens. Tomado pela fúria, Clementino mata a mulher e um dos homens a golpes de pá. César Toledo ouve os gritos e contém Clementino, com a ajuda de um grupo de operários. Chocado com a violência do empregado, o empresário chama a polícia e, mais tarde, depõe contra ele no julgamento. O seu testemunho é decisivo para a condenação de Clementino.

  

Vinte anos se passam, e Clementino deixa a cadeia. O tempo em que esteve exposto à dura realidade do sistema penitenciário fez dele um homem ainda mais amargurado. Embora tente reconstruir sua vida, está obcecado pelo desejo de se vingar de César Toledo, que considera ter sido o grande responsável pela sua condenação.

Glória Menezes e Marcelo Antony em Torre de Babel

César Toledo tornou-se um empresário poderoso, mas leva uma vida cheia de angústias. Seu casamento com Marta (Glória Menezes) está em crise e praticamente só se sustenta graças aos esforços dela. A união naufraga de vez quando César reencontra um antigo amor, a advogada Lúcia Prado (Natália do Vale), e os dois começam um romance. A relação com os filhos também não é bem resolvida. O mais velho, Henrique (Edson Celulari), administra os negócios do shopping, mas tem um temperamento bem diferente do pai. Extravagante e vaidoso, transforma a festa de inauguração do Tropical Towers em um pomposo evento carnavalesco. Alexandre (Marcos Palmeira), o filho do meio dos Toledo, é um jovem estudante de Direito que se ressente de ainda depender da ajuda financeira do pai, que faz questão de que ele complete os estudos antes de sair de casa. O filho mais novo, Guilherme (Marcello Antony), é a principal fonte dos tormentos da família. Dependente químico, envolvido com marginais, ele vive fugindo de clínicas de recuperação e tentando extorquir dinheiro dos parentes e amigos para conseguir sustentar o vício. Durante a festa de inauguração do shopping, depois de tentar arranjar dinheiro, sem sucesso, ele invade de motocicleta o saguão principal do edifício e tem de ser contido pelos seguranças.

Jamanta vivido por Cacá Carvalho

A família de José Clementino, para junto da qual ele volta quando sai da cadeia, trabalha e vive no ferro-velho do seu pai, Agenor (Juca de Oliveira), um homem violento que criou duramente e sem carinho seus filhos e netos. Lá vivem os dois meio-irmãos de Clementino, Gustinho (Oscar Magrini) e Boneca (Ernani Moraes); e Shirley (Karina Barum), sua filha mais nova, uma jovem meiga e graciosa que sofre de um defeito físico na perna. Ela toma conta de Jamanta (Cacá Carvalho), um portador de deficiência mental que vive como agregado da família e trabalha no ferro-velho. Naquele ambiente frio e sem vida, ocorrem alguns dos melhores momentos cômicos da novela, graças às brigas de Gustinho e Boneca – que vivem debochando e implicando um com o outro – e às trapalhadas de Jamanta, um personagem que encantou o público.

Marcos Palmeira

A outra filha de Clementino é Sandrinha (Adriana Esteves). Ao contrário de Shirley, ela não perdoa o pai por ter assassinado sua mãe, e alimenta sentimentos negativos em relação a todos os outros membros da família. É uma jovem mau-caráter e ambiciosa, que trabalha como garçonete na lanchonete de Edmundo Falcão (Victor Fasano) mas faz qualquer coisa para se dar bem e subir na vida. É por isso que se envolve com Alexandre Toledo. Completamente apaixonado pela moça, ele não percebe que ela está interessada principalmente no seu dinheiro, e que o trai sempre que possível.

Dando início ao seu plano de vingança, José Clementino consegue um emprego como vigia do Tropical Towers. Ele pretende instalar explosivos no edifício. Seu plano é destruir o grande empreendimento de César Toledo, mas sem ferir inocentes. Os explosivos seriam detonados quando o shopping estivesse vazio. Entretanto, por razões misteriosas, os artefatos são acionados antes da hora, quando o edifício está lotado. A explosão deixa muitos feridos e mata várias pessoas.

Explosão do shopping fez com que Torre de Babel começasse a subir na audiência

Alguns personagens de destaque na novela morrem na explosão do Tropical Towers. Guilherme, o jovem problemático que inferniza a vida dos Toledo, é um deles. Outras duas vítimas são a estilista Rafaela (Christiane Torloni) e a ex-modelo Leila Sampaio (Silvia Pfeifer). As duas são sócias de uma butique de moda e têm um relacionamento amoroso.

Quando o romance entre Lúcia Prado e César Toledo chega ao fim, a advogada se envolve com Alexandre. No final da novela, já tendo acordado para o verdadeiro caráter de Sandrinha, o filho de César Toledo decide ficar em definitivo com o ex-amor do pai. César Toledo e Marta acabam se reconciliando.

 No capítulo final, quando os personagens centrais estão reunidos na casa dos Toledo para o casamento de Henrique (Edson Celulari) e Celeste (Letícia Sabatella), o mistério é esclarecido. José Clementino consegue levar a polícia até a cerimônia. Forçado pelos policiais, seu pai, Agenor, confessa que fora contratado por Ângela para instalar os explosivos que o filho havia fabricado, mas garante que não completou o serviço. Coube a Luzineide (Eliane Costa), também cozinheira da lanchonete de Edmundo Falcão e que atravessara a novela sem pronunciar uma palavra sequer, a tarefa de revelar que havia sido Sandrinha a responsável pela explosão do shopping. Sandrinha confessa que ficara sabendo dos explosivos porque havia flagrado uma conversa do avô com Ângela, e que destruíra o shopping por raiva de Clementino, que assassinara sua mãe, e dos Toledo, que nunca a aceitaram como namorada de Alexandre.

Clementino termina a novela ao lado de Clara (Maitê Proença), irmã de Marta que vive como uma agregada da família Toledo. Os dois se apaixonam ao longo da novela.

É o amor por Clara que o ajuda a transformar-se em um novo homem, liberto do rancor que carregou durante muitos anos.

CURIOSIDADES

Em Torre de Babel, Silvio de Abreu deu continuidade à linha que adotara em sua novela anterior, A Próxima Vítima (1995). O humor – sua principal marca registrada – saía do primeiro plano para servir como tempero de uma trama policial clássica, cheia de personagens ambíguos, gravitando em torno de um grande mistério a ser desvendado no final. A temática principal da novela era a violência em uma sociedade na qual ricos se fecham em condomínios e marginais são trancafiados em sistemas penitenciários inoperantes.

Através do personagem de Tony Ramos, Silvio de Abreuaproveitou para falar da dificuldade que os ex-presidiários encontram quando tentam retornar ao mercado de trabalho e de como a escassez de oportunidades e o preconceito social contribuem para que muitos voltem ao crime.

Torre de Babel estreou em 1998, cercada de expectativas. Tratava-se de uma superprodução, com um elenco estelar se arriscando em papéis pouco comuns em suas carreiras. Tony Ramos fugia do habitual papel de herói romântico para viver um ex-presidiário rancoroso e sombrio. O ator raspou os cabelos, emagreceu oito quilos e meio e apareceu com a barba por fazer em vários capítulos. Claudia Raia, um dos símbolos sexuais da televisão brasileira, interpretava uma empresária fria, sem sensualidade aparente, que se revelava uma assassina psicopata. Tarcísio Meira e Glória Menezes, o grande casal da televisão brasileira, viviam marido e mulher que não se amavam e acabavam se envolvendo com outras pessoas.

A novela causou polêmica por conta de alguns temas até então pouco explorados nas novelas deSilvio de Abreu. O autor tratou de drogas, infidelidade conjugal, homossexualidade e violência, provocando reações em parte da audiência e da Igreja.

A repercussão negativa levou a mudanças na estrutura da trama. Nesse sentido, a explosão do shopping teve, em termos de narrativa, uma função similar à do terremoto em Anastácia, a Mulher sem Destino (1967). O evento já estava previsto na sinopse, mas Silvio de Abreu decidiu utilizá-lo para eliminar personagens que não foram bem aceitos pelo público, como o dependente químico Guilherme (Marcello Antony) e a ex-modelo e empresária Leila (Silvia Pfeifer), namorada de Rafaela (Christiane Torloni). Segundo o autor da trama, a morte da personagem Rafaela estava prevista desde a sinopse. Com a morte de sua companheira, Leila se aproximaria de Marta (Glória Menezes), e as duas se tornariam grandes amigas. A partir dessa relação, Silvio de Abreu pretendia discutir o preconceito em relação à amizade de heterossexuais com homossexuais. No entanto, o autor revela que não conseguiu levar sua ideia adiante por conta do que foi divulgado pela imprensa logo nos capítulos iniciais da novela: que, com a morte de Rafaela, Leila teria um romance com Marta, fato que não estava previsto na história em nenhum momento. Segundo Silvio de Abreu, a repercussão dessa trama fictícia chocou o público, que não queria ver Glória Menezes e Silvia Pfeifer em cenas de intimidade. Por conta da repercussão da história, e temendo que isso prejudicasse sua novela como um todo, o autor decidiu que Leila também morreria na explosão do shopping.

Outro personagem que morreu com a explosão do shopping foi o violento Agenor (Juca de Oliveira). Na realidade, ele foi dado como morto, e afastou-se da trama durante um período, mas voltou à novela alguns capítulos depois.

Até o final da trama, Silvio de Abreu conseguiu manter o suspense sobre o culpado pela explosão do Tropical Towers. Como já havia acontecido antes em A Próxima Vítima (1995), a gravação da cena em que a identidade do criminoso é revelada foi realizada no dia da exibição do último capítulo. Os atores envolvidos só receberam suas falas horas antes da gravação.

Silvio de Abreu conta que quis abordar temas relacionados ao problema da violência e também discutir duas opiniões: a que diz que a violência existe porque a condição social do indivíduo é injusta e a que argumenta que não adianta os ricos se protegerem atrás de grades, porque, mais cedo ou mais tarde, serão atingidos pelo problema. O tom forte de algumas cenas era uma tentativa de escapar à banalização da violência que o autor julgava ter tomado conta de muitos dos programas de televisão.

Torre de Babel também teve um lado cômico, que funcionou bem desde o princípio. Os bordões de alguns personagens ganharam as ruas. Entre eles, o “percebe”, que Gustinho (Oscar Magrini) usava para pontuar suas falas, e o “cala a boca, Luzineide!”, que Bina (Claudia Jimenez) exclamava cada vez que a amiga fazia menção de falar. Preservando o espírito original do texto de Silvio de Abreu, Claudia Jimenez introduziu o bordão “Tô podendo!” aos textos da sua personagem.

Danton Mello, que interpretava o jovem Adriano de Torre de Babel, teve de se afastar da novela por dois meses devido a um acidente de helicóptero que sofreu quando participava das gravações do programa educativo Globo Ecologia, do qual era o apresentador. O ator teve descolamento de vários órgãos e passou por uma cirurgia no abdome. Para explicar a ausência de Adriano da trama, Silvio de Abreu decidiu que o personagem, após um grave desastre de carro, fora levado em coma para os Estados Unidos para recuperar-se das sequelas. Seis meses se passam na história e, quando Adriano retorna ao Brasil em uma cadeira de rodas, sua amada Shirley (Karina Barum) se recupera de uma operação na perna esquerda, que a fez deixar de ser manca.

Claudia Raia conta que chegou a ser hostilizada na rua por conta das maldades de sua personagem, Ângela. A atriz revela que procurou a ajuda de uma terapeuta para conhecer um pouco mais sobre o universo dos psicopatas.

Silvio de Abreu trouxe de volta o personagem Jamanta na novela Belíssima, em 2005. Luzineide (Eliane Costa) também reaparece no último capítulo da trama. Jamanta está no altar, prestes a se casar com Regina da Glória, personagem da atriz Lívia Falcão, quando Luzineide entra na Igreja com vários filhos a tiracolo e impede o casamento.

Torre de Babel foi exibida, entre outros países, na Argentina, na Bélgica, no Marrocos, no México, na Romênia e no Senegal.

ABERTURA

A abertura mostrava imagens da Torre de Babel bíblica se transformando no shopping Tropical Towers. O tema original era instrumental e dramático. Com as mudanças feitas na trama, a canção-tema foi substituída pela música Pra Você, antigo sucesso de Sílvio César, interpretado por Gal Costa.

Fonte: Memória Globo 

Globo descarta “Favela Chique” e escolhe outro nome para próxima novela das 21h

Tony Ramos está no elenco de “A Regra do Jogo”
Tony Ramos está no elenco de “A Regra do Jogo”

A Globo bateu o martelo e a novela substituta de “Babilônia” no segundo semestre deste ano não mais se chamará “Favela Chique”. A obra, escrita pelo criador do fenômeno mundial “Avenida Brasil”, João Emanuel Carneiro, terá como título “A Regra do Jogo“.

A informação é da jornalista Patrícia Kogut, que destaca que os workshops do folhetim começaram ontem (05) em meio a muito sigilo. Para evitar que a imprensa tenha acesso aos roteiros, a equipe da produção recebe apenas parte dos textos.

“A Regra do Jogo” será estrelada por Alexandre Nero, ator que protagonizou “Império”. Além dele, estão no elenco estrelas como Tony Ramos, Eduardo Moscovis, Susana Vieira e Cássia Kiss. As gravações serão iniciadas em maio.