Vamos Recordar? Brilhante

BRILHANTE

 

Homossexualismo foi tratado com sutileza em trama que teve Fernanda Montenegro como um dos destaques.


TRAMA PRINCIPAL

Brilhante tem como mote a exploração e o comércio de pedras preciosas. Luiza (Vera Fischer) é designer de uma grande empresa de jóias. Ela mora com os pais e a irmã Virgínia (Joana Fomm). Durante as férias, Luiza consegue realizar o seu grande sonho de viajar para a Europa. Em Londres, ela encontra Vera (Aracy Balabanian), uma antiga amiga do colégio, casada com Oswaldo (José Wilker). Os dois vivem na Suíça, mas estão em Londres para assistir ao casamento do príncipe Charles. O casal envolve Luiza numa série de confusões. Vera confidencia à amiga que está preocupada com o estado emocional de Oswaldo. Com a intenção de ajudá-la, Luiza tenta conversar com o amigo, mas ele tem uma crise nervosa e arranca com o carro em alta velocidade, deixando Luiza sozinha. No dia seguinte, Vera procura a amiga e conta que Oswaldo morreu num acidente de carro. De volta ao Brasil, Luiza reencontra o marido da amiga, mas ele se apresenta com o nome de Sidney. A partir daí, começa a busca de Luiza em revelar a verdadeira identidade de Sidney.

No Brasil, Luiza se aproxima da família Newman, dona da empresa de joias onde trabalha. A matriarca Chica (Fernanda Montenegro) se encanta com Luiza e decide aproximá-la do seu filho Inácio (Dennis Carvalho). Chica é casada com Vitor Newman (Mário Lago) e tem outra filha, Isabel (Renée de Vielmond). Em pouco tempo, Luiza percebe que Inácio é homossexual. Ela decide, então, contar para Chica, que fica com muita raiva dela e passa a tratá-la com hostilidade. O problema é que Luiza se apaixona por Paulo César (Tarcísio Meira), marido de Isabel.

Chica fica obstinada em encontrar uma mulher para o filho. Ela se une a Leonor (Renata Sorrah), funcionária oportunista da empresa, que tenta seduzir Inácio. Leonor é filha de Edith (Eloísa Mafalda), uma mulher que procurou educar seus filhos para eles ascenderem socialmente. A personagem protagoniza os momentos mais cômicos da história.
A novela entra em nova fase começou com a doença de Vitor Newman. Após a morte do pai, Inácio assume a direção da empresa e se casa com Leonor, apenas para se ver livre da pressão da mãe. Inácio disputa a direção da joalheria com Bruno (Jardel Filho).

Luíza descobre que Sidney era mesmo Oswado, mas acaba perdoando o amigo, que fora envolvido nas inúmeras confusões de Vera. Nos últimos capítulos, Luiza consegue montar uma pequena empresa de joias e passa a exportar as suas peças para uma loja nos Estados Unidos. A protagonista termina a novela ao lado de Paulo César. Na última cena, os dois caminham juntos, abraçados, pelo Jardim Botânico.

Sidney revela que é filho de um grande fazendeiro na Bahia, mas que saiu da sua cidade natal porque o seu pai não o reconhecia como filho. Ele descobre, então, que o pai lhe deixou uma parte da sua fortuna. Sidney termina a história ao lado de Isabel, filha de Chica Newman.

TRAMAS PARALELAS

Bruno e Leonor

Bruno (Jardel Filho) e Leonor (Renata Sorrah)

Bruno (Jardel Filho) e Leonor (Renata Sorrah) tiveram destaque na história. Bruno é casado com Regina (Célia Helena) e tem um caso com Leonor, mulher de Inácio. Os dois conseguiram conquistar a simpatia dos telespectadores e da crítica.

Na nova fase da novela, marcada pela doença e morte de Vitor Newman, alguns personagens foram incorporados à trama, como Letícia (Rosita Thomaz Lopes) e sua filha Vânia (Nádia Lippy). Vânia acaba se envolvendo com Afonso (Kadu Moliterno), que já tinha um romance com Sônia (Carla Camurati).

FIGURINO E CARACTERIZAÇÃO

A figurinista Marília Carneiro conta que o corte de cabelo de Luiza, personagem interpretada por Vera Fischer, foi inspirado em Ingrid Bergman no filme Por Quem os Sinos Dobram. A atriz apareceu de cabelos curtos e cacheados, mas o penteado não agradou ao telespectador. A solução encontrada pela figurinista Marília Carneiro para disfarçar o corte foi amarrar uma bandana ao pescoço da atriz, que virou moda entre o público feminino.

Vera Fischer não foi a única a causar frisson em Brilhante. O estilo sóbrio de Chica Newman (Fernanda Montenegro) despertou interesse até da ex-primeira dama Sarah Kubitschek: sua secretária ligou para a figurinista querendo saber onde a personagem se vestia.

CENOGRAFIA E ARTE

Os seis primeiros capítulos de Brilhante tiveram cenas gravadas em Londres.

CURIOSIDADES

A atriz Aracy Balabanian conta que, durante a gravação de uma cena com José Wilker e Vera Fischer no Hyde Park, em Londres, as pessoas que estavam no local pararam para assistir e aplaudiram os atores.

Em Brilhante, a personagem de Fernanda Montenegro, Chica Newman, tinha uma neta, Marília, interpretada pela filha da atriz,Fernanda Torres.

Brilhante foi vendida para mais de 20 países, entre eles França, Itália e Polônia. A novela também foi exibida, em 1988, no Marrocos com o título Coeur de Diamant, e alcançou grande sucesso pela TVM, então única emissora do país.

TRILHA SONORA

A canção Luiza, de Tom Jobim, tema de abertura da novela, foi composta especialmente para a personagem de Vera Fischer. A música mencionava os cabelos compridos da atriz, mas como ela teve que cortá-los para a trama, o compositor foi o primeiro a protestar.

Nacional:


Me Deixas Louca
Compositores: Armando Manzanero/ Paulo Coelho
Intérprete: Elis Regina

Dans Mon Île
Compositores: Henri Salvador/ Maurice Pon
Intérprete: Caetano Veloso

Meu Bem, Meu Mal
Compositores: Caetano Veloso
Intérprete: Gal Costa

Mistério
Compositores: Naila Skorpio/ Sônia Burnier
Intérprete: Ângela Rô Rô

Decisão
Compositores: Joanna/ Sarah P. Benchimol/ Tony Bahia
Intérprete: Joanna

Luiza
Compositores: Antonio Carlos Jobim
Intérprete: Tom Jobim

Naquela Noite Com Yoko
Compositores: Abel Silva/ Sueli Costa
Intérprete: Simone

Acontecências
Compositores: Cláudio Nucci/ Juca Filho
Intérprete: Cláudio Nucci

De Leve (Get Back)
Compositores: Lennon/ McCartney/ Gilberto Gil/ Rita Lee
Intérprete: Lulu Santos

Doce de Coco
Compositores: Hermínio Bello de Carvalho/ Jacob do Bandolim
Intérprete: Elizeth Cardoso

Luzes e Estrelas
Compositores: Edson/ Guilherme
Intérprete: Edson e Terezinha

Canção da Manhã Feliz
Compositores:Haroldo Barbosa/ Luiz Reis
Intérprete: Nana Caymmi

Internacional:


Comin’ In And Out of Your Life
Compositores: Bobby Whiteside/ Richard Parker
Intérprete: Barbra Streisand

Do You Miss Me?
Compositores: Chris Evans-Ironside/ Geff Harrison
Intérprete: Morris Albert

Hurt
Compositores: Al Jacobs/ Jimmie Crane
Intérprete: Carly Simon

Good Time Tonight
Compositores: J.T. Taylor/ Kool & The Gang/ Ronald Bell
Intérprete: Kool & The Gang
 
Queen Of Hearts
Compositores: Hank DeVito
Intérprete: Linda Kooly

If Leaving Me Is Easy – Tema de Fred
Compositores: Phil Collins
Intérprete: Phil Collins

Love Games
Compositores: Marc Chantereau/ Pierre-Alain Dahan/ Slim Pezin
Intérprete: Ian and Christopher

Sugar
Compositores: Harry Chalkitis/ Swirigd/ René Hatchi
Intérprete: Ronay

Murmures
Compositores: Paul de Senneville
Intérprete: Richard Clayderman

You Weren’t in Love with Me
Compositores: Billy Field
Intérprete: Mike Fleetwood

Old Photographs (Casinha Branca)
Compositores: Gilson Campos/ Jim Capaldi/ Joran Elane/ Marcello
Intérprete: Jim Capaldi

Little Darling
Compositores: Amanda Blue/ Holly Knight
Intérprete: Sheila

Take Me Now
Compositores: David Gates
Intérprete: David Gates

Angelica And Ramone
Compositores: Claes af Geijerstam
Intérprete: Secret Service

Song Of Laura
Compositores: A. Faye/ W. Blanc
Intérprete: Sound Orchestra

CENSURA

Brilhante teve problemas com a Censura. Gilberto Braga conta que não foi autorizado o uso da palavra “homossexual” nos diálogos da novela. Segundo ele, isso dificultava muito o desenvolvimento da trama, porque um dos eixos centrais envolvia o personagem Inácio, um homossexual. Certa vez, Fernanda Montenegro queria que Gilberto autorizasse o emprego da palavra, mas ele sabia que a Censura iria cortar a cena. No entanto, a pressão de Fernanda Montenegro funcionou. Vera Fischer, que interpretava Luiza, num diálogo com Chica Newman, mencionou “os problemas sexuais de seu filho”, e a frase não foi censurada.

ELENCO

Aguinaldo Rocha
Amelin Fiani
Andréa Beltrão – Neusa
Anselmo Vasconcelos – Tavares
Aracy Balabanian – Vera
Artur Muhlemberg – Guto
Beatriz Lyra – Carmem
Buza Ferraz – Claudio
Caíque Ferreira – Fred
Carla Camurati – Sônia
Carlos Nobre
Célia Helena – Regina
Cláudio Marzo – Carlos
Dennis Carvalho – Inácio
Eloísa Mafalda – Edith
Fabio Vilaverde – Sílvio
Fernanda Montenegro – Chica Newman
Fernanda Torres – Marília
Francisco Milani – Wanderley
Graziela di Laurentis
Hileana Menezes
Ilma da Costa Santos – Creuza – empregada de Renée
Ítalo Rossi – delegado
Kadu Moliterno – Afonso
Janser Barreto – Lino
Jardel Filho – Bruno
João Paulo Adour – Sérgio
Joana Fomm – Virgínia
José Márcio – Amaury
José Wilker – Oswaldo
Laura Cardoso – Dona Alda
Lídia Mattos – Nilza
Luciano Sabino – Ricky
Magda Regina de Carvalho – Wanda – copeira de Regina
Márcia Rodrigues – Yara
Maria de Fátima Camatta – Jussara – empregada de Alda e Hernani
Maria Gladys – Dinalva – empregada de Edith
Maria Sampaio – Matilde
Mário Lago – Dr. Vítor Newman
Maurício Barroso – Serpa
Mauro Mendonça
Nádia Lippy – Vânia
Neuza Caribé – Ciça
Oswaldo Louzada – seu Leonel
Pascoal Vilaboin
Paulo Porto
Renato Coutinho – Clóvis
Renata Sorrah – Leonor
Renato Pedrosa – Ulisses
Renée de Vielmond – Maria Isabel
Rodolfo Mayer – seu Hernani
Rômulo Arantes
Rosita Thomaz Lopes – Letícia
Sérgio Mamberti – Galeno
Suzana Faini – Renée
Tarcísio Meira – Paulo César
Telma Reston
Vera Fischer – Luiza


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Vamos Recordar? O Casarão

O CASARÃO

 

Cenário recorrente da trama, o casarão do título personificava a ação do tempo na vida dos personagens.


TRAMA PRINCIPAL

Sandra Barsotti e Gracindo Jr. em O Casarão

Marco na renovação da linguagem das telenovelas, a história mostra as questões vividas por cinco gerações de uma família no norte de São Paulo, tendo como trama central o romance entre Carolina (Sandra Barsotti) e João Maciel (Gracindo Jr.), um talentoso artista plástico que não se conforma com o provincianismo da cidade de Sapucaí, onde é ambientada a trama.

Com idas e vindas no tempo, a novela se desenvolve em três épocas distintas, apresentadas simultaneamente, e atores diferentes interpretam os mesmos personagens em cada fase. No período entre 1900 e 1910, Maria do Carmo (Analu Prestes), mãe de Carolina, é obrigada pela família a se casar com o engenheiro Eugênio (Edson França), mesmo sendo apaixonada pelo português Jacinto (Tony Correa). Na década que vai de 1926 a 1936, a jovem Carolina, pressionada, repete a história da mãe e desiste de fugir com João Maciel, casando-se com Atílio (Dennis Carvalho), comerciante com carreira política ascendente.

Gracindo Jr. e Sandra Barsotti em O Casarão
Yara Cortes como Carolina

No ano de 1976, Carolina (agora representada por Yara Cortes) mantém ainda grande vitalidade, apesar da idade avançada. De longe, ela acompanha o sucesso de João Maciel (interpretado agora por Paulo Gracindo), recortando os jornais que informam sobre as andanças do artista. Por outro lado, Atílio (vivido agora por Mário Lago) está acometido por doenças da velhice e bastante abalado pela perda de seu prestígio na cidade, vivendo das lembranças de um passado distante. O personagem é a imagem do casarão, condenado à destruição pela chegada dos novos tempos. Já João Maciel se mostra ainda em pleno vigor e mantém o mesmo idealismo dos 20 anos, embora não disfarce certo amargor diante da realidade.

Boêmio inveterado, casou-se cinco vezes, mas conserva uma fantasia em relação à Carolina. Sua volta a Sapucaí significa o reencontro com um passado mal resolvido. Depois de muitos desacertos ao longo da trama, e com a morte de Atílio, Carolina e João Maciel realizam o sonho de ficar juntos.

O casarão, personificação da ação do tempo na vida dos personagens, e ele próprio um personagem da história, é destruído. De arquitetura colonial, a casa é inicialmente sede de uma rica fazenda que, no decorrer de 76 anos, vai se depreciando, perdendo sua extensão, transformando-se, ao final, na sede de um empreendimento imobiliário. Suas terras são divididas em pequenos lotes, vendidos para a construção de casas de campo. Um fatalismo histórico marca sua vida: sua construção e apogeu coincidem com a implantação de uma estrada de ferro; em contraponto, na atualidade, uma nova ferrovia deverá passar justamente no local onde está o imóvel, forçando sua demolição.

TRAMAS PARALELAS

A mulher brasileira

Além de acompanhar a evolução da família de Deodato Leme (Oswaldo Loureiro), a novela apresentava um viés feminista, abordando o papel da mulher na sociedade em épocas diferentes. A personagem Lina (Renata Sorrah), por exemplo, desafia o conservadorismo. Casada com Estevão (Armando Bógus), ela se apaixona por Jarbas (Paulo José) e decide viver com o homem que ama, recebendo todo o apoio da avó, Carolina (Yara Cortes), numa identificação de propósitos entre as duas.

Paulo Gracindo e Renata Sorrah em cena de O Casarão

Também tem destaque na trama a influência da Igreja Católica na sociedade brasileira. Nas três épocas de O Casarão, existe a participação ativa de padres: na primeira e na segunda fases, a igreja é representada pelo vigário Felício (Hélio Ary); na terceira, pelo padre Milton (Nilson Condé).

CENAS MARCANTES

Paulo Gracindo e Yara Cortes

Uma cena do último capítulo, gravada na confeitaria Colombo, no centro do Rio de Janeiro, está entre as mais belas da teledramaturgia brasileira. Ao chegar um pouco atrasada ao encontro com João Maciel (Paulo Gracindo), Carolina (Yara Cortes) pergunta a ele: “Te fiz esperar muito?” Ele responde: “Só 40 anos”, em uma referência ao encontro marcado com a amada na juventude, ao qual ela não apareceu, sem coragem de romper com a família por causa de seu amor.

CENOGRAFIA E ARTE

O cenógrafo Mário Monteiro desenvolveu em Guaratiba, na zona oeste do Rio de Janeiro, um cenário com várias fachadas, para caracterizar a construção nas três épocas. Era possível gravar, em um único dia, cenas passadas em tempos diferentes, embora o casarão só pudesse ser enquadrado de frente, já que cada uma das faces representava um período.

CURIOSIDADES

Em O Casarão, a costumeira pergunta do telespectador de novelas, “o que acontecerá?”, foi substituída por “como aconteceu?”. O público teve dificuldades para compreender as inovações da história, que apresentava atores diferentes vivendo os mesmos personagens em tempos distintos, porém apresentados simultaneamente. No dia do lançamento da novela, a Rede Globo recebeu telefonemas de telespectadores que sentiram dificuldade de entender o enredo por causa da nova linguagem. Por isso a emissora reprisou o primeiro capítulo, no mesmo dia, às 23h.

Um incêndio no prédio da TV Globo, no Jardim Botânico, três dias antes da estreia da novela, fez com que as gravações de O Casarão fossem transferidas para os estúdios da Herbert Richers, na Usina, na zona norte da cidade.
O Casarão recebeu o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) de melhor novela do ano.

Segundo Lauro César Muniz, O Casarão fechou um ciclo de trabalho, iniciado com a novela Os Deuses Estão Mortos (1971), realizada pela TV Record, que focalizava os anos anteriores à República, e Escalada (1975), exibida na TV Globo, que tinha entre suas fases a década de 1940.

Em março de 1983, a novela foi reapresentada numa versão compacta de 30 capítulos, às 20h.

TRILHA SONORA

Nacional: 
Fascinação – Tema de João Maciel e Carolina jovens
Composição: Feraudy / Marchetti / A. Louzada
Intérprete: Elis Regina

Latin Lover
Composição:
 João Bosco / Aldir Blanc
Intérprete: João Bosco

Menina Do Mato – Tema de João Maciel e Carolina mais velhos
Composição: José Jorge / Ruy Maurity
Intérprete: Márcio Lott

Carolina
Composição:
 Chico Buarque
Intérprete: Aquarius

Quibe Cru 
Composição:
 Jamil Joanes
Intérprete: Chico Batera

Só Louco
Composição:
 Dorival Caymmi
Intérprete: Gal Costa

Nuvem Passageira
Composição:
 Hermes Aquino
Intérprete: Hermes Aquino

Coisas Da Vida
Composição:
 Rita Lee
Intérprete: Rita Lee

Tangará
Composição:
 Geraldo Azevedo
Intérprete: Coral Som Livre

A Dor A Mais
Composição:
 Francis Hime / Vinícius de Moraes
Intérprete: Francis Hime

O Casarão
Composição:
 Ribamar / R. Nunes / Romeo Nunes
Intérprete: Dori Caymmi

Retrato
Composição:
 Cecília Meireles / Suely Costa
Intérprete: Suely Costa

Internacional:


Hands Of Time
Composição:
 Michel Legrand
Intérprete: Perry Como

Theme From S.W.A.T.
Composição:
 Barry De Vorzon
Intérprete: Music Corporation

Forever Alone
Composição:
 Steve MacLean
Intérprete: Steve MacLean

I Need To Be In Love
Composição:
 Richard Carpenter / John Bettis / Albert Hammond
Intérprete: Carpenters

Call Me
Composição:
 Gregg Diamond
Intérprete: Andrea True Connection

Angel
Composição:
Intérprete:
 Jullian

When You’re Gone
Composição:
 F. Smit
Intérprete: Maggie McNeall

Living
Composição:
Intérprete:
 Alain Patrick

I’m Easy
Composição:
 Keith Carradine
Intérprete: Keith Carradine

My Life
Composição:
 Michael Sullivan
Intérprete: Michael Sullivan

Honey, Honey
Composição:
 Stig Anderson
Intérprete: Abba

Girl of the Past
Composição:
 Peter Mc Green
Intérprete: Peter Mc Green

California Dreamin’
Composição:
 J. Phillips
Intérprete: The Vast Majority

Miss You Nights
Composição:
 Townsend
Intérprete: Cliff Richard

Nostalgia
Composição:
 Francis Goya
Intérprete: Francis Goya

Sharing the Night Together
Composição:
 Ava Aldridge / Eddie Struzick
Intérprete: Arthur Alexander

CENSURA

A história envolvendo os personagens Lina (Renata Sorrah), Estevão (Armando Bógus) e Jarbas (Paulo José) foi prejudicada pela Censura Federal que, por não permitir o tema do adultério feminino em novelas, proibiu até que Renata Sorrah contracenasse com Paulo José. Lina era casada com Estevão e se apaixonava por Jarbas durante uma viagem. Os censores recomendaram que Lina pedisse o divórcio. Segundo Renata Sorrah, a personagem, além de não poder se apaixonar por alguém estando ainda casada, também não podia fazer uso de anticoncepcionais. Em depoimento ao site Memória Globo, a atriz ressaltou a importância das novelas na disseminação de informações e na quebra de preconceitos.

ELENCO:

Ana Maria Grova – Francisca (1ª fase)
Analu Prestes – Maria do Carmo (1ª e 2ª fases)
Aracy Balabanian – Violeta (3ª fase)
Arlete Salles – Maria Helena (participação especial)
Armando Bógus – Estevão (3ª fase)
Arthur Costa Filho – presidente da Câmara (3ª fase)
Aurimar Rocha – Médico – participação especial
Bete Mendes – Vânia (3ª fase)
Carlos Duval – Pai de Francisca (1ª fase)
Daisy Lúcidi – Alice (3ª fase)
Dennis Carvalho – Atílio (2ª fase)
Edson França – Eugênio (1ª e 2ª fases)
Elizangela – Mônica (participação especial)
Elza Gomes – enfermeira (participação especial)
Fabio Sabag – bispo
Fernando José – prefeito Rezende (3ª fase)
Fernando Vilar – Francisco (3ª fase)
Flávio Migliaccio – Coringa (2ª fase)
Francisco Milani – amigo de João Maciel (participação especial)
Gracindo Júnior – João Maciel (2ª fase)
Hélio Ary – Vigário Felício (1ª e 2ª fases)
Heloísa Helena – Mathilda (participação especial)
Ida Gomes – mãe de Vânia (3ª fase)
Ivan Cândido – Valentim (2ª fase)
Jacyra Silva
Juan Daniel – Ramon (2ª fase)
Laura Soveral – Francisca (2ª fase)
Lutero Luiz – Afonso (1ª e 2ª fases)
Marcelo Picchi – Aldo (3ª fase)
Marcos Paulo – Eduardo (3ª fase)
Maria Cristina Nunes – Teresa (3ª fase)
Mário Lago – Atílio (3ª fase)
Moacyr Deriquém – Sérgio (3ª fase)
Myrian Pires – Olinda (1ª e 2ª fases)
Neila Tavares – Célia
Nestor de Montemar – Gervásio (2ª fase)
Neuza Amaral – Marisa (participação especial)
Nilson Condé – padre Milton
Oswaldo Loureiro – Deodato Leme (1ª fase)
Paulo Gonçalves – Cardosão (1ª e 2ª fases)
Paulo Gracindo – João Maciel (3ª fase)
Paulo José – Jarbas (3ª fase)
Pietro Mário – amigo de João Maciel (participação especial)
Renata Sorrah – Lina (3ª fase)
Rui Rezende – Abelardo (2ª fase)
Sandra Barsotti – Carolina (2ª fase)
Tâmara Taxman – enfermeira (participação especial)
Thelma Elita – Conceição (3ª fase)
Thelma Reston  – Sofia
Tony Correa – Jacinto (1ªe 2ª fases)
Valdir Maya – agente funerário (3ª fase)
Yara Cortes – Carolina (3ª fase)
Zilka Sallaberry – Mercedes (participação especial)

FONTES

Depoimentos concedidos ao Memória Globo por: Aracy Balabanian (08/04/2002), Fabio Sabag (28/01/2002), Flávio Migliaccio (10/05/2002), Gracindo Jr. (23/05/2001), Lauro César Muniz (12/11/2001), Daniel Filho (31/07/2000), Dennis Carvalho(03/03/2008), Arlete Salles (30/01/2002), ElizAngela (24/10/2005),Marcos Paulo (27/03/2006), Mário Lago (30/06/2000), Neuza Amaral (21/05/2009) e Renata Sorrah (20/03/2002); Boletim de programação da Rede Globo, números: 177, 532; Centro de Documentação da TV Globo (Cedoc); “Cobrindo buraco” In: JB, 14/03/1983; “Dois pra lá, um pra cá” In: Movimento, 07/02/1977; MEMÓRIA GLOBO. Dicionário da TV Globo, v.1: programas de dramaturgia & entretenimento. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2003; NETO, Dib Carneiro. “Um fascinante casarão erguido com talento e emoção” In: O Estado de S. Paulo, 28/12/1991;“‘O casarão’ em 30 capítulos” In: O Globo, 20/03/1983; “‘O casarão’ estréia hoje” In: A Gazeta, 07/06/1976; “‘O casarão’ reflete a mudança de época e de mentalidade” In: Zero Hora, 23/07/1976; “Transformação” In: Visão, 11/10/1976. MEMÓRIA GLOBO. Guia Ilustrado TV Globo – Novelas e Minisséries. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2010; MEMÓRIA GLOBO. Entre Tramas, Rendas e Fuxicos – O Figurino na Teledramaturgia da TV Globo, Editora Globo, 2007; http://www.us.imdb.com, acessado em 05/2006; http://www.teledramaturgia.com.br, acessado em 05/2006


Vamos Recordar? Pátria Minha

Enredo abordava questões éticas e morais de forma contundente, dando continuidade às tramas de Gilberto Braga sobre corrupção.


TRAMA PRINCIPAL

Quatro histórias principais compõem a novela. Em primeiro plano está o confronto entre Alice (Cláudia Abreu) e Raul Pelegrini (Tarcísio Meira). Ela é uma estudante idealista, e ele, o dono de um conglomerado de empresas, comprometido com negócios inescrupulosos. A rixa entre os dois tem início quando Alice vê Raul demitir brutalmente seu motorista e, ao sair em disparada com o carro, causar um atropelamento cuja responsabilidade não assume.

Num segundo eixo da novela, acompanha-se a relação entre Alice e sua mãe, Natália (Renata Sorrah), mulher batalhadora que decidiu ter e criar a filha sozinha, como uma produção independente. Natália é muito próxima de Alice, que encontra na mãe uma amiga com quem pode falar abertamente sobre questões relacionadas a seus namoros. No início da trama, Alice namora Nando (Rodrigo Santoro), mas depois se apaixona por Rodrigo (Fábio Assunção).

A terceira vertente de Pátria Minha surge a partir dos questionamentos políticos de Pedro (José Mayer). Ele havia decidido tentar a vida nos Estados Unidos mas, preocupado com a situação de seu país, resolve voltar, enfrentando forte oposição de sua mulher, Ester (Patrícia Pillar). Já no Brasil, Pedro lidera uma revolta contra Raul Pelegrini, que ordena a desocupação de um terreno onde sua família e outros moradores, desabrigados, haviam decidido se instalar. Em sua luta contra Raul, Pedro conta com a ajuda de Alice, que se
junta aos moradores no confronto com os encarregados de desocupar a área. Ester e Gustavo (Kadu Moliterno), filho de Raul e Teresa (Eva Wilma), acabam morrendo no confronto.

Por último, Pátria Minha destaca a história de Lídia Laport (Vera Fischer), a mãe de Rodrigo, umasocialite falida e ambiciosa, que tem horror à pobreza por ter sido de origem humilde. Valendo-se de estratégias e mentiras, ela consegue separar Teresa de Raul e torna-se a nova sra. Pelegrini.

Ao longo da trama, descobre-se que Alice, a maior opositora de Raul, é, na verdade, sua neta, fruto de um relacionamento entre Natália e Gustavo. No final da novela, Raul Pelegrini vai à falência e, redimido, passa a administrar um pequeno hotel-fazenda em Goiás. Lá ele recebe a visita de Alice e Rodrigo, que levam o filho para que Raul conheça seu bisneto.

TRAMAS PARALELAS

Juventude moderna

Por meio da trama dos casais Alice (Cláudia Abreu) e Nando (Rodrigo Santoro) e, posteriormente, Alice e Rodrigo (Fábio Assunção), a novela tratou de assuntos pertinentes à juventude, como virgindade, primeira experiência sexual, uso de preservativos, maternidade na adolescência e diálogo entre pais e filhos.

Racismo

A trama que envolvia o empregado negro Kennedy (Alexandre Morenno), humilhado por Raul Pelegrini (Tarcísio Meira), pôs em debate o preconceito racial. Embora a intenção de Gilberto Bragafosse denunciar o racismo, integrantes de movimentos negros não gostaram da cena, criticando o comportamento submisso do rapaz. Em outra sequência, o jovem é duramente revistado em uma blitz enquanto seus amigos brancos, Alice (Cláudia Abreu) e Rodrigo (Fábio Assunção), são ignorados pelos policiais.

CENOGRAFIA E ARTE

A comunidade onde morava a família de Pedro (José Mayer) foi erguida em torno de uma pedreira, na Central Globo de Produção, o Projac. Pela primeira vez construiu-se uma favela como cenário de novela, apesar de ela aparecer na trama por apenas dez capítulos, já que era destruída após um desmoronamento causado por um forte temporal. O cenário ocupava uma área de 3.500m2, com 60 casas de alvenaria (com interior). A sequência das chuvas e do consequente desmoronamento foi realizada com água de dez caminhões-pipa. O departamento de cenografia da TV Globo construiu uma maquete e destruiu metade dela para a realização das cenas.

Além das casas de alvenaria, onde moravam os personagens Lurdes (Lu Mendonça), Zilá (Xica Xavier), Devair (Stepan Nercessian) e Deodato (Ivan Cândido), a favela contava com um salão de beleza, uma barbearia, uma birosca, um ferro-velho e um bar com sinuca. Antenas parabólicas, alto-falantes, canos com vazamento de água e esgoto e um lixão com quase uma tonelada de sujeira complementavam o cenário realista.

A 500m da favela, em uma área de 360m², também localizada no Projac, foi construído o Garnier Palace Hotel, o luxuoso hotel do personagem Evandro Aboim (Carlos Zara).  Graças ao processo de computação gráfica conhecido como newsmate, a construção podia ser vista inserida na orla carioca. A estrutura do hotel era de madeira, com granito real, e sua fachada ficava em uma autêntica calçada de pedras portuguesas situada numa rua de asfalto. Também por meio de computação gráfica, a favela e o hotel foram ampliados – o prédio, concebido com três pavimentos, chegou a dez andares.

Outro cenário de destaque na novela foi a mansão de Raul Pelegrini (Tarcísio Meira), um imóvel de 1850, tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional. Localizada em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, a casa tinha 14 quartos e um jardim francês, e, mediante autorização especial, teve suas estrutura e fachada reformadas para a novela. Os interiores da mansão de Raul formavam o maior cenário de Pátria Minha, ocupando todos os estúdios da Tycoon.

Quadros de diversos artistas plásticos brasileiros podiam ser vistos em diferentes cenários da novela. O decorador Edgar Moura Brasil foi o responsável por selecionar as obras de Rubens Gerchman, Antônio Dias, Aluísio Carvão, Anna Bella Geiger, Roberto Magalhães, Wanda Pimentel, Victor Arruda, Glauco Rodrigues e Cícero Dias, entre outros.

CURIOSIDADES

Vale TudoPátria Minha aborda questões éticas e morais de forma contundente, dando continuidade às tramas de Gilberto Bragasobre corrupção, tema de suas novelas anteriores, Vale Tudo (1988) e O Dono do Mundo (1991).

Na cena em que Lídia (Vera Fischer) se levanta no meio da noite para tomar um banho de mar, nua, quem emprestou o corpo para a vilã da história foi Marta Moesch. A modelo já havia sido sua dublê de corpo na minissérie Riacho Doce (1990).

Pátria Minha foi a estreia de Fábio Assunção em uma novela de Gilberto Braga. O ator conta que chegou a fazer testes para a minissérie Anos Rebeldes (1992), mas perdeu o papel do personagem Edgar para o amigo Marcelo Serrado.

Tarcísio Meira conta que Raul Pelegrini foi um de seus papéis mais difíceis na TV. Ele explica que o personagem o submeteu a duras experiências. O ator diz que sofria com as cenas em que Raul agia de forma preconceituosa contra negros, pobres e mulheres.

A estreia de Pátria Minha foi anunciada na novela Fera Ferida (1993), de Aguinaldo Silva, sua antecessora no horário. No cinema de Tubiacanga havia um cartaz divulgando a próxima atração das 20h: “Pátria Minha, de Gilberto Braga”.

Pátria Minha foi exibida na Bolívia, no Chile, na Guatemala, em Honduras, na Indonésia, na Nicarágua, no Panamá, no Paraguai, em Portugal, na Rússia, no Uruguai e na Venezuela, entre outros países.

ABERTURA

Embalada pelo samba instrumental de exaltação ao Brasil Onde o Céu é Mais Azul, dos anos 1940, de autoria de Alcyr Pires Vermelho, Gilberto Ribeiro e João de Barro, a abertura da novela trazia cem figurantes vestidos de azul, representando o povo brasileiro caminhando por um labirinto verde e amarelo até avistarem uma luz branca. Ao segui-la, eles encontravam a saída, que nada mais era do que o círculo da bandeira brasileira. Ali eles se juntavam a 27 crianças que, vestidas de branco, representavam as estrelas da bandeira. O principal efeito ficou por conta do labirinto, que se transformava na bandeira do Brasil. Formado por 230 peças de madeira, ele era posteriormente substituído por uma maquete, que dava a sensação de que havia diminuído. Isso para possibilitar que a câmera se afastasse do labirinto até enquadrá-lo do alto. A direção da abertura foi de Nilton Nunes, da Videographics. A diretora Cininha de Paula colaborou na realização, ensaiando e conduzindo os figurantes na caminhada pelo labirinto.

AÇÕES SOCIOEDUCATIVAS

A Ação da Cidadania Contra a Miséria Pela Vida – campanha iniciada no ano anterior pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho – era sempre lembrada na novela. Já no primeiro capítulo, a câmera focaliza um bazar na escola de Alice (Cláudia Abreu). Entre os estandes, aparece uma faixa onde se lê o nome da campanha.

ELENCO:

Alexandre Moreno – Kennedy dos Santos
Alexia Dechamps – Alexandra
Ana Paula Abranches
André Pimentel – Joel
Andréa Carvana
Antônio Grassi – Carlos
Aracy Balabanian – Rosário Pires
Bete Mendes – Zuleica
Carla Tausz
Carlos Kroeber
Carlos Vereza – Max Laport
Carlos Zara – Evandro Aboim
Carolina Ferraz – Beatriz
Cássia Linhares – Luciana
Chica Xavier – Zilá
Cláudia Abreu – Alice Proença
Cláudia Rangel – Sheila
Cláudio Corrêa e Castro – Valdomiro Bezerra de Quental
Clementino Kelé – Avelino Rangel
Constância Laviola – Neide
D’Artagnan Júnior – Aderbal
Daniel Augusto – Marcelo
Débora Duarte – Karmita
Deborah Evelyn
Eduardo Caldas – Gabriel
Eduardo Tornaghi – Delegado
Emílio de Mello – Hélio Pastor
Eva Wilma – Teresa Pelegrini
Fábio Assunção – Rodrigo Laport
Fátima freire – Iracema
Felipe Camargo – Inácio
Fernanda Azevedo
Fernando Eiras – Dirceu Bevilaqua
Flávia Alessandra
Flávia Bonato – Daniela
Fúlvio Stefanini – Rafael
Gianfrancesco Guarnieri – Valdomiro
Iassanã Martins – Gracinda
Isabel Filardis – Yone
Isadora Ribeiro – Cilene
Ivan Cândido – Deodato
Janaína Diniz – Rita
Jarbas Toledo – Breno
José Lewgoy – Ronaldo Pires
José Mayer – Pedro Fonseca
Kadu Moliterno – Gustavo Godoy
Karla Nogueira
Lilia Cabral – Simone Pelegrini
Lou Rheimer
Lu Mendonça – Lourdes
Luciano Vianna – Ronaldo
Lucy Mafra
Luiza Tomé
Maria Rita Freire – Wanda
Marieta Severo – Loreta Pelegrini Vilela
Nildo Parente – Fausto
Nuno Leal Maia – Osmar
Odete Lara – Valquíria Mayrink
Patrícia Pillar – Ester fonseca
Paula Lavigne – Flávia
Paula Leal – Juraci
Paulo Reis
Paulo Resende
Pedro Cardoso – Albano
Petrônio Gontijo – Murilo Vilela
Rafael Ponzi – Hélio
Raul Labanca
Renata Sorrah – Natália Proença
Renée de Vielmond – Marina Aboim
Rodolfo Bottino – Heitor
Rodrigo Santoro – Fernando
Rosita Tomaz Lopez – Úrsula Pelegrini
Stepan Nercessian – Devair
Tarcísio Meira – Raul Pelegrini
Teka Moraes
Tonico Pereira – Delegado
Tony Tornado
Vera Fischer – Lídia Laport
Yaçanã Martins
Zeni Pereira – Isaura


Vamos Recordar? Pé na Jaca


Reencontro de amigos de infância desencadeia uma caça à fortuna, temperada por divertidas confusões amorosas.


TRAMA PRINCIPAL

O advogado hipocondríaco Arthur (Murilo Benício), a modelo Maria (Fernanda Lima), a religiosa Elizabeth (Deborah Secco), a batalhadora Guinevere (Juliana Paes) e o mulherengo personal trainer Lancelotti (Marcos Pasquim) voltam a se encontrar, após 25 anos, na fictícia cidade de Deus me Livre, no interior de São Paulo. Dispostos a consertar erros cometidos no passado e recomeçar suas vidas, eles acabam resgatando antigos amores. Esta é a trama principal de Pé na Jaca que, a partir do reencontro dos cinco amigos de infância, mostra uma desenfreada caça à fortuna, temperada por divertidas confusões amorosas.

Arthur se deu bem na vida: tem um bom emprego, está prestes a assumir um cargo superior na corretora de valores em que trabalha, e é casado com a estonteante Vanessa (Flávia Alessandra), com quem tem dois filhos, Maurício (Igor Rudolf) e Percival (Rafael Miguel). Seu grande rival é o ambicioso e sedutor Juan (Bruno Garcia). Os dois trabalham juntos na empresa de Vilela (Paulo Goulart), e Juan vive tentando derrubar Arthur. Além disso, o mau-caráter é amante de Vanessa.

Arthur perde todos os seus bens depois que Juan o faz perder o emprego e a credibilidade no mercado, arruinando sua carreira e deixando-o sem dinheiro e com o nome sujo na praça. Ele vai morar com o tio José (Leonardo Villar), dono de um sítio perto de Deus me Livre. Cheio de manias e longe do conforto e da agitação da cidade grande, sua vida se transforma inteiramente. Além de reencontrar Guinevere e se apaixonar por ela, Arthur descobre que o tio está endividado e prestes a perder sua propriedade para Último Botelho Bulhões (Fulvio Stefanini), o homem mais rico da região, dono de uma enorme propriedade em Deus me Livre e da fábrica de cerveja de Piracicaba, principal força econômica da cidade. Para defender seu patrimônio, Arthur decide brigar pela fazenda do tio José.

Guinevere, a Gui, é uma mulher sensível e batalhadora que, para ganhar a vida, faz uma série de bicos: vende salgadinhos, lava roupa para fora, vende leite da vaca que mantém escondida no prédio onde mora, e ainda trabalha como sereia no parque de diversões da cidade. No início da história, ela é casada com Caco (Alexandre Schumacher), filho de Último, que tem uma péssima relação com o pai. Ele cresceu revoltado, e renunciou ao amor e ao dinheiro da família. Bebe muito, o que o deixa agressivo, fazendo-o descontar sua raiva na mulher que, apesar de sofrer muito, sempre acolhe o marido, tentando ser compreensiva. Durante uma discussão do casal, Caco cai da janela do apartamento dos dois e morre. Gui é acusada de assassinato e sua vida se transforma em um inferno. É nesse momento que ela reencontra Arthur, por quem também se apaixona. Para defender a amiga da acusação de assassinato, Arthur conta com a ajuda da advogada Maria Celina (Daniele Valente), jovem atrapalhada que morre de medo de enfrentar um júri.

A vida de Elizabeth também virou de cabeça para baixo nos últimos tempos. Envergonhada por ser filha de mãe solteira, decidiu se dedicar à religião e entrou para o convento. Amargurada, Elizabeth não aceita sua mãe, Laura (Betty Faria), a mulher mais ousada e sensual da cidade. Laura nasceu pobre, trabalha como costureira e foi mãe solteira três vezes. Teve um caso com Último, de quem Elizabeth pensa que é filha. Ainda no início da trama, a moça se surpreende quando Último se aproxima dela, demonstrando um carinho que nunca teve. Depois, ela descobre que o empresário está doente e precisa de alguém que possa lhe doar um dos rins. Como Caco não é um doador compatível, ele vê em Elizabeth sua única chance. Assim que consegue o que quer, Último volta a ignorá-la. A decepção faz com que a jovem se torne mais amargurada, a ponto de não socorrê-lo quando ele passa mal, deixando-o morrer.

A morte de Último movimenta a vida de todos os personagens centrais. Elizabeth se mostra a principal interessada na herança do suposto pai, para surpresa de outros familiares, como Maria Clara (Silvia Pfeifer), irmã de Último, seu marido, Átila (Alexandre Barros), e a prima, Morgana (Betty Lago). Morgana é mais um personagem importante na história. Aparentemente, é só a prima pobre e governanta da família Botelho Bulhões – uma empregada de luxo. Não se casou, não se formou e não construiu nada seu. É uma mulher amarga que, num dia de tempestade, foi atingida por um raio que a deixou com uma mecha branca em seu cabelo. Por conta disso, tem a fama de ser uma bruxa.

Com a morte de Último, Elizabeth  abandona o convento e se transforma numa mulher sensual e ambiciosa, disposta a tudo para ficar com a herança de seu suposto pai. Ela passa a concentrar sua ira em Maria, sobrinha de Último, a quarta personagem central da novela.

Maria perdeu o pai cedo e sempre foi muito mimada por todos da família, especialmente pela cozinheira Carmen (Lolita Rodrigues). Após as férias em que todos se conheceram crianças, ela voltou a se encontrar com Lance aos 13 anos, na fazenda do tio, em Deus me Livre. Os dois se apaixonaram e viveram uma história de amor. Após três anos juntos, terminaram o namoro e se separaram novamente. Linda e exuberante, Maria se tornou uma modelo reconhecida internacionalmente. Casou-se com o nobre francês Jean Luc (Peter Ketnath), com quem teve uma filha, Isabelle (Sofia Terra), e passou a morar em Paris. Maria sempre se manteve longe dos assuntos que envolviam sua família mas, com o fim do casamento e a morte do tio, volta ao Brasil disposta a lutar pelo que é seu.

Lance nunca se recuperou da paixão de adolescência. Desiludido com o fim do namoro, cometeu inúmeros excessos: envolveu-se com péssimas companhias, bebeu muito, meteu-se em várias encrencas e se deslumbrou com uma vida sem compromissos e responsabilidades. Por conta de seu comportamento, entrou em choque com o pai, Giácomo (Elias Gleizer), e com o irmão, o honesto e responsável Tadeu (Rodrigo Lombardi). Lance ainda se envolveu com a vizinha Dora (Carla Marins), que engravidou, e os dois acabaram se casando. Ele tentou organizar sua vida depois do casamento e do nascimento do filho, Marquinho (Miguel Rômulo), mas não conseguiu: abandonou mulher e filho e se mudou para São Paulo.

Lance não para em emprego algum e vive seduzindo todas as mulheres que cruzam seu caminho. Para trabalhar como professor, falsificou um diploma de uma faculdade de Educação Física, envolvendo-se numa confusão ao dar aulas para a mulher de um delegado, que armou um plano para colocá-lo atrás das grades. Sem alternativa, ele foge de São Paulo para escapar da cadeia e vai parar em Paris, onde reencontra Maria. A paixão dos dois explode novamente. Disposto a reconstruir sua vida, Lance volta para Deus me Livre com Maria.

A certa altura, Lance descobre que tem poderes de cura. Durante uma apresentação no circo da cidade, ele consegue curar a dor de cabeça de uma mulher da plateia e, depois, descobre que, a cada vez que cura a dor de uma pessoa, passa a sentir aquela dor. Na verdade, Lance tem um tumor cerebral, o que fez com que ele desenvolvesse tal sensibilidade. O médico comunica que ele tem apenas seis meses de vida.

Nesse meio tempo, Elizabeth é expulsa por Morgana da mansão dos Botelho Bulhões e demitida da diretoria da fábrica de cervejas, após a revelação de que não é filha de Último. Sem o apoio de ninguém, a moça é obrigada a dormir no banco da praça e começa a enlouquecer. A situação se agrava quando ela tenta matar a mãe e Tadeu, o que a leva a ser internada em um sanatório. Após muito sofrimento, Elizabeth se arrepende de tudo o que fez, deixa o sanatório e passa a dar aulas para crianças no convento onde foi noviça.

Também nos capítulos finais da novela, Morgana revela a Maria que é sua mãe, e que só a entregou aos cuidados de Irina porque era muito nova quando ela nasceu. As duas se abraçam, emocionadas.

No último capítulo de Pé na Jaca, é revelada a identidade do filho de Último. Trata-se de Cândido (Ricardo Tozzi), sobrinho do tio José, que se mudou para o sítio depois da morte de sua mãe. Simpático mas muito lento, Cândido não tem responsabilidades e não se preocupa com nada, nem mesmo em ajudar o velho tio com as tarefas do sítio. Depois de saber que é herdeiro de uma fortuna, Cândido termina a história ao lado de Vanessa, um mulherão que ele nunca pensou em ter ao lado.

Já o aventureiro Lance, depois de salvar a vida do filho, Marquinho – que morre vítima de um plano de Leila e é ressuscitado graças aos poderes do pai –, desmaia e morre. Tadeu o leva até Cigano, que usa sua força para fazê-lo voltar a viver. Como aconteceu com Lance e Marquinho, Cigano ressuscita Lance, mas morre.

Curado do tumor, e esperançoso em construir uma nova vida, Lance descobre que seu verdadeiro amor é Maria, a quem sempre amou desde criança. Paralelamente, Gui também descobre que não consegue viver sem Arthur. Gui e Lance se separam e correm para os braços de seus pares. Elizabeth, por sua vez, também descobre o amor ao se envolver com Deodato (Gero Pestalozzi), e reconquista a amizade de Arthur, Gui, Maria e Lance. No capítulo final, Vanessa dá à luz uma menina, e Maria, a um menino.

A grande reviravolta

A história dá uma reviravolta quando é revelado que Último teve um filho com Irina (Maria Estela), mãe de Maria. Irina era casada com o irmão de Último mas, após a morte do marido, casou-se com o cunhado, para desespero da filha, que nunca confiou no tio. Como Último havia prometido entregar o filho a Merlim (Bruno Mazzeo/ Humberto Martins), um homem misterioso e ambicioso, Irina deu a criança. Todos querem descobrir a identidade do herdeiro da fortuna de Último – que pode ser Juan, Lance ou Arthur –, e Morgana toma a frente das investigações. Enquanto isso, Elizabeth vê seu mundo desabar quando a mãe revela que Último não é seu pai. A vilã faz tudo para a verdade não vir à tona, mas não sabe que sua irmã, Leila, ouviu a conversa e guarda a informação para usá-la em momento oportuno.

Elizabeth envolve-se com Juan, mas percebe que ele não a ama. Ela, então, une-se à Vanessa para acabar com o relacionamento de Arthur e Gui. Apesar de se envolver com muitos homens, Vanessa é apaixonada pelo marido, e não se conforma em tê-lo perdido. Ela engravida e jura que o filho é de Arthur, levando Gui a se afastar de seu grande amor.

Paralelamente, Maria passa a ter crises de dupla personalidade. Em uma dessas crises, ela se insinua para Tadeu, e diz a Lance que não se casará com ele porque terá de sustentá-lo. Lance fica arrasado, e encontra consolo nos braços de Gui, que também está decepcionada com Arthur, por ele ter engravidado Vanessa. Apesar da culpa, os dois não conseguem evitar a atração que sentem um pelo outro e assumem o relacionamento, mudando os pares românticos da história.

PRODUÇÃO

Pé na Jaca teve cenas gravadas em Paris, como as sequências do reencontro de Lance (Marcos Pasquim) e Maria (Fernanda Lima). Foram gravadas mais de 50 cenas, todas de ação; em uma delas, Lance pula da Pont des Arts num barco de turismo que passa pelo rio Sena. Para essa gravação foram mobilizados 70 profissionais da TV Globo, entre elenco, equipe técnica, figurinistas, maquiadores e produtores. Uma equipe de uma produtora parisiense também acompanhou as gravações. Pontos turísticos da cidade, como o Museu do Louvre, a Torre Eiffel, a Place des Vosges e o Arco do Triunfo serviram de cenário para a história. Os profissionais da TV Globo embarcaram com uma tonelada de equipamentos e quase 800 kg de roupas e acessórios para realizar as gravações fora do Brasil.

A cidade de São Paulo também serviu de cenário para a novela. A mansão de Arthur (Murilo Benício) e Vanessa (Flávia Alessandra) ficava no Morumbi, bairro nobre da capital. Também foram gravadas cenas na raia de remo da Universidade de São Paulo, no Mercado Municipal e no Parque Villa-Lobos.

FIGURINO E CARACTERIZAÇÃO

Muitas atrizes modificaram o visual para dar vida a suas personagens. Juliana Paes, Deborah Secco e Flávia Alessandraescureceram os cabelos. Fernanda Lima clareou as pontas e deixou as raízes mais escuras para interpretar Maria, modelo internacional ligada às últimas tendências da moda. E Betty Lago, intérprete de Morgana, ganhou uma grande mexa branca em meio aos fios pretos, visual inspirado na madrasta da Branca de Neve.

Não foi só a ala feminina do elenco que mudou o visual. Alguns atores também mexeram em seus cabelos por conta de seus personagens: Marcos Pasquim usou um aplique para viver o personal trainer Lance, e Bruno Garcia, intérprete de Juan Arrabal, ganhou um corte de cabelo inspirado no estilista americano Tom Ford.

Um dos grandes sucessos de Pé na Jaca foi o figurino de Flávia Alessandra, que viveu da vaidosa e sensual Vanessa. As roupas e os acessórios glamourosos da personagem, inspirados nos anos 1980, viraram moda. Um dos pontos altos do guarda-roupa de Vanessa eram os maiôs decotados combinando com calças justas, saias ou microshorts. Outras peças que não faltavam em sua coleção eram cintos dourados, grandes óculos escuros e saltos altos.

CENOGRAFIA E ARTE

A cidade cenográfica de Deus me Livre, construída em uma área de 2500m² na Central Globo de Produção (Projac), contava com prédios, fazendas, corretora de imóveis, o sítio do tio José (Leonardo Villar) e o parque de diversões de Cigano (Chico Anysio).

CURIOSIDADES

Carlos Lombardi se inspirou na lenda do Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda para criar alguns personagens do núcleo central da trama: Arthur (Murilo Benício), Guinevere (Juliana Paes) e Lance (Marcos Pasquim). Já Elizabeth e Maria, vividas porDeborah Secco e Fernanda Lima, foram inspiradas, respectivamente, em Elizabete I, conhecida como “a rainha virgem”, e sua prima bastarda, Maria Stuart, a rainha da Escócia.

Carlos Lombardi fez várias referências a seriados norte-americanos em sua trama, entre eles LostBattlestar GalacticaHeroes e Monk.

Murilo Benício foi um dos destaques da novela como o hilário Arthur, um sujeito atrapalhado e cheio de trejeitos. O ator diz que se inspirou nas características de dois amigos para montar o perfil engraçado e desajeitado do personagem. A maneira de falar veio de Evandro Mesquita, cujo sotaque carioca é exageradamente carregado. Já a mania de mexer compulsivamente as mãos veio de Pedro Cardoso que, segundo Murilo Benício, gesticula muito enquanto fala. O autor Carlos Lombardi conta que se inspirou em si próprio para criar muitas das características do personagem.

Um dos destaques da novela foi a pequena Sofia Terra, que interpretou Maria criança no primeiro capítulo e, depois, a filha de Maria (Fernanda Lima), a pequena Josephine.

Nair Bello gravou cenas inicias de Pé na Jaca mas, quando a novela estreou, estava hospitalizada, em coma. Sua personagem, Gioconda, passou a ser interpretada por Arlete Salles, que regravou as cenas feitas anteriormente pela atriz. Nair Bello faleceu em 17 de abril de 2007.

TRILHA SONORA

Nacional:

Rocks
Compositores: Caetano Veloso
Intérprete: Caetano Veloso

Lenda
Compositores: Alec Haiat/ Céu/ Graziella Moretto
Intérprete: Céu

Você Vai Estar na Minha
Compositores: Marisa Monte
Intérprete: Negra Li

Ainda Bem
Compositores: Liminha/ Vanessa da Mata
Intérprete: Vanessa da Mata

Infinito Particular
Compositores: Arnaldo Antunes/ Marisa Monte/ Carlinhos Brown
Intérprete: Marisa Monte

A Gente Merece Ser Feliz
Compositores: Ivan Lins/ Paulo César Pinheiro
Intérprete: Ivan Lins

Hoje
Compositores: Urbano Veludo
Intérprete: Cidade Negra

Espirais
Compositores: Alexandre Castilho/ Alexandre Lemos
Intérprete: Marjorie Estiano

Tudo por Acaso
Compositores: Lenine/ Dudu Falcão
Intérprete: Lenine

Escuta
Compositores: Ana Carolina
Intérprete: Luiza Possi

Estranho Jeito de Amar
Compositores: Tatiana Parra/ Junior Lima/ Otávio de Moraes
Intérprete: Sandy & Júnior

Fazenda
Compositores: Nelson Ângelo
Intérprete: Milton Nascimento

Corsário
Compositores: João Bosco/ Aldir Blanc
Intérprete: Elis Regina

Chance de Amar
Compositores: Antonio Adolfo/ Ângela Rô Rô
Intérprete: Ângela Rô Rô

Paixão
Compositores: Gonzaguinha
Intérprete: Clara Becker

Cheiro de Amor
Compositores: Duda/ Jota/ Paulo Sérgio Valle/ Ribeiro
Intérprete: Maria Bethânia

Eu Ando OK – (Ridin’ High)
Compositores: Cole Porter/ Aldir Blanc
Intérprete: Zizi Possi

ABERTURA

Produzida em animação 3D pela equipe da Videographics, da TV Globo, em parceria com a produtora Seagulls Fly e o estúdio Consequência, a abertura de Pé na Jaca exibia vacas e outros animais de fazenda andando e dançando em duas patas, como humanos. Os animais dançavam ao som de Ridin’high, de Cole Porter, em versão de Aldir Blanc, especialmente gravada para a novela na voz de Zizi Possi.

ELENCO:

Adalberto Nunes – Coronel Durval
Adriana Quadros
Adriane Piovesani
Adriano Garib – Salomão
Alan Medina
Alberto Brigadeiro – PM
Alex Braga – mordomo francês
Alex Teix – repórter / apresentador
Alexandra Martins
Alexandre Barros – Átila
Alexandre Liuzzi – fiscal
Alexandre Machafer – Paulão
Alexandre Mofati – policial civil
Alexandre Schumacher – Caco, Carlos Eduardo Botelho Bulhões
Aline Pyrrho – Elaine
Almir Martins – polícia federal
Alvaro Diniz – Hare Krishna
Amilton Monteiro – Dr. Biajoli – Dr. Celso
Ana Barroso – terapeuta
Ana Karine – Marcia
Ana Luiza Folly – administradora
Ana Luiza Leite
Ana Paula Bouzas
Ana Teresa Welerson – Gatagel
Anderson Andreolli – Júnior
André Dale – Vicente
André Mendes – enfermeiro
André Reis
André Vieira – segurança
Andrea Dantas – Ivany
Andréia Ribeiro – Xênia
Anilza Leoni – Dalva
Anita Amizo – Vênus
Anselmo Stocco
Antonio Carlos Teixeira
Antonio Fragoso – recepcionista
Antonio Mendel – oficial de justiça
Arlete Salles – Dona Gioconda Tamburello
Arnaldo Klay – jogador
Arnaldo Marques – Antunes
Babu Santana – Óbvio
Bárbara Borges – Kátia
Basílio Sibov
Bernardo Passarelli – garçom
Beto Bruno
Beto Mattos – Fininho
Betty Faria – Laura Leiva Barra
Betty Lago – Morgana, Maria Carolina Botelho Almeida
Bia Junqueira
Breno Pinto Ramos Ferreira – Tadeu, criança
Bruno Garcia – Juan Arrabal
Bruno Mazzeo – Merlim, jovem
Cacá Dias – bandido
Caco Baresi – homem / cobrador
Carla Daniel – Tiana
Carla Marins – Dorinha, Dora Silva Hadad
Carlos Bonow – Ed Castanho Pereira
Carlos Meceni – médico
Carlos Simões – fotógrafo
Carlos Vieira
Carmela Paglioli
Carmen Frezel
Carolina Holanda – Magu
Cassio Pandolfi – leiloeiro
Cecília Lang – Michele – Marie
Chico Anibal – Traquínio
Chico Anysio – Cigano, Ezequiel Evangelista
Chico Ribeiro – Frei Rui
Christiane Alves – produtora
Christina Rodrigues
Cícero Cunha – voz no rádio
Cinara Leal – Gisele
Clarice Niskier – Cristina
Claudia Borioni – freira
Claudia Paiva – Sandra
Claudia Provedel – enfermeira
Claudio Andrade Junior – segurança da festa
Claudio Galvan – porteiro banco
Claudio Perotto – turista alemão
Claudio Tizo – garçom
Cleiton Rasga – segurança
Clóvis Gonçalves – Dr. Celso
Costabille Spinelli
Crispim Junior – Abdula
Cristina Bonna – Irina, jovem
Cristina Sano – Mitiko Tanaka
Cyria Coentro – atendente
Dan Nakagawa – Mário Tanaka
Daniel Erthal
Daniel Satixe – funcionário do banco
Daniela Ocampo
Daniela Schmitz
Daniele Suzuki – Rosa Tanaka
Daniele Valente – Celina
David Leroy – Civil Rio
Dayse Antunes – Madame Pompadour
Dayse Braga – Ellen
Deborah Secco – Elizabeth Aparecida Leiva Barra
Delano Avelar – Dr. Romeu
Dida Camero – Jade
Diego Torraca – garotão
Dig Dutra – brasileira
Djan Henrique – Lance, criança
Dorgival Junior – Caco, criança
Drica Moraes – Pietra
Dudu Azevedo – Pipoca
Ednaldo Eiras – garçom magrinho
Edson Zille – Wanderley
Eduardo Gil – Vitor
Eduardo Nascar – Giácomo, jovem
Elias Gleizer – Giácomo Lancelotti
Eliene Narducci
Eliza Pragana – assistente do Nirdo (Guilherme Piva)
Emanuelle Araújo – Clotilda Rodrigues Alves
Emílio Pitta – Presidente da CPI
Érica Menezes – repórter
Érika Evantini – Mimi
Fabíola Cabral
Fabrizio Teixeira – Teo
Fafy Siqueira – Inês
Felipe Aukai
Fernanda Caetano – enfermeira
Fernanda de Freitas – Leila Aparecida Leiva Barra
Fernanda Lima – Maria Bo
Fernanda Lobo – Macha
Fernando Kleis – policial rodoviário
Flávia Alessandra – Vanessa Fátima Silva Fortuna
Flavio Antonio
Flavio Pardal – enfermeiro
Francisco Silva – Jiló
Fulvio Stefanini – Último Botelho Bulhões
Gabriel Bernardo Duarte
Gabriela Gomes – Suzy
Georgia Goldfarb – Mimieux
Gero Pestalozzi – Deodato
Giovanna Fraga
Gisele Itié – Dalila / Primeira
Gladstone Arantes – Leocádio
Guilherme Guaral – ajudante
Guilherme Piva – Nirdo, Agronildo Ferreira Sales
Gustavo Ottoni – gerente
Hamilton Ricardo – motorista
Haylton Farias – homem laboratório
Hedla Lopes – moça 2
Hudson Senna – Digo
Hugo Resende – Agroboy
Humberto Martins – Merlim
Ida Gomes – Madre Superiora
Igor Rudolf – Maurício Fortuna
Ilva Niño – Dona Santa
Irene Serejo – senhora
Íris Bustamante – Tuca
Isabela Rocha – Guinevere, criança
Ivens Godinho
Ivo Gonçalves – repórter
J. de Camillis – senhor
Jackeline Cardoso – apresentadora
Jaderson Fialho – rapaz
Jair Assumpção – juiz Robalo
Javert Monteiro – Hermes, Senador da oposição
Jayme Berenguer – rapaz
João Nunes Vieira Neto- Zidane Ataliba Botelho Bulhões
João Tollo
João Vieira
Jorge Lucas
Juliana de Souza Sampaio – Elizabeth, criança
Juliana Martins – Regina
Juliana Paes – Gui, Guinevere Ataliba
Júlio Rocha – Léo
Julya Dykstra – Rê
Junyor Prata
Kátia Saules
Larissa Biondo – Débora Lancelotti
Larissa Bracher – Segunda
Leandro Develly – marinheiro
Leandro Lamas – Bin Laden
Leona Cavalli – Miranda
Leonardo Villar – Tio José, José Amélio de Prado Almeida
Letícia Birkheuer – Isabela
Letícia Cannavale – Rô
Letícia Tavares Gomes – Morgana, 13 anos
Lia Racy – estagiária
Lolita Rodrigues – Carmen Caballero Silva
Lorena da Silva – Aimée
Lucy Ramos – Nina, Maria Augusta Botelho Bulhões Noscheze
Luiz Eduardo Machado
Luiz Serra – Saraiva Durão
Magali Biff – Diná
Magu Galli – Teresa
Marcelo Adnet – Sebo
Marcelo Agenta – Alemão
Marcelo Assumpção
Marcelo Batista – porteiro hotel
Marcelo Capobiango – Amendoim
Marcelo Góes – Neo
Marcelo Souto Maior
Marcelo Torreão – Plácido Haddad
Marcio Fonseca – Sandoval
Marcio Machado – assistente
Marcos D’Avila
Marcos França – Plínio, amigo de faculdade de Arthur (Murilo Benício)
Marcos Pasquim – Lance, Antonio Carlos Lancelotti
Marcos Winter
Maria Angelica Marins
Maria Cristina Gatti
Maria Estela – Irina
Maria Lidia Costa – inspetora
Maria Luisa Rodrigues – Maria, 14 anos
Maria Zilda Bethlem – Alma
Mariana Lima – JJ
Marina Rigueira – Gata
Mário Mendes – Luizão, porteiro fazenda
Martha Moreira Lima
Mateus Solano – Guima, Valadão
Mauro Guedes – advogado Nunes
Michelle Birkheuer – Paula
Miguel Rômulo – Marquinho, Marco Antonio Lancelotti
Mônica Martelli – Elisa, aeromoça
Mônica Melissa – morena linda
Monique Lafond – Yvonne
Mouhamed Harfouch – Houssein
Murilo Benício – Arthur Fortuna
Myrian Martin – namorada de Robério (Ronan Rocha)
Natália Lage – Cecília
Neuza Amaral – Gema
Nica Bonfim
Oscar Magrini- Delegado Palhares
Paulo Carvalho – Dr. Castanho, contador
Paulo Goulart – Vilela
Paulo Hamilton
Paulo Maradona
Paulo Souza – Del Nero
Pedro Loques de Almeida Bravo
Pedro Oliveira Soares – menino
Pedro Serqueira – garotão
Peter Ketnath – Jean Luc
Plinio Soares – tipo
Rafa Maia – recepcionista Javier
Rafael Miguel – Percival Fortuna
Raquel Brazil – escrivã
Regina Martins
Renata Mor
Renata Tobelem
Renato Góes – Lance, 17 anos
Renato Roney – segurança
Ricardo Alegre
Ricardo Dupen – Bonitão
Ricardo Duque – Amado
Ricardo Pereira – Thierry
Ricardo Tozzi – Cândido
Ricardo Vandré – Chapa
Roberto Azzolinni – segurança hospital
Roberto Bataglin – Último, jovem
Roberto Dalici – médico
Rodrigo Hilbert – Barrão, Fábio Barra
Rodrigo Lombardi – Tadeu Lancelotti
Rogério Barros – Gabriel
Ronaldo Tortelly – Leo, engenheiro
Ronan Rocha – Robério, jogador de futebol
Rosaly Papadopol – dona da Academia
Selma Egrey – Antoinette
Sérgio Guelles
Sergio Hondiakoff – Nuno Botelho Bulhões Noscheze
Sérgio Monte
Silvia Pfeifer – Maria Clara Botelho Bulhões Noscheze
Silvio Pozzatto – Álvaro
Sofia Terra – Josephine e Maria, criança
Stella Maria Rodrigues – Mirella
Suzana Saldanha – Monica
Tadeu di Pietro – Barbirotto
Tania Khallil – Paula
Tatiana Welikson
Tatsu Carvalho – fotógrafo
Thaís Pacholek – Gata
Thaís Portinho – Edith
Thiago Valente – Ivan
Thierry Tremouroux – policial francês
Thogun – Enorme
Tracy Segal – Soninha
Ulisses Bonfim – garçom
Ursula Corona – Ju
Vanessa Bueno – Luna
Vania de Brito – Dulce
Vania Veiga – Dona Tita
Verônica Diaz – enfermeira
Victor Freeland – Dr. Clement
Vinícius Barcellos – Arthur, criança
Walmor Chagas – Canabrava
William Vita – Cajuzinho
Xande Garcia – garçom
Zeca Carvalho – policial de preto
Zeli de Oliveira – senhorinha
Zéu Britto – recepcionista hotel El Cabalero



Vamos Recordar? Sol de Verão

Com Sol de Verão, Manoel Carlos se firmou como cronista da classe média do Rio de Janeiro.


TRAMA PRINCIPAL

Cécil Thiré em cena de Sol de Verão

Infeliz no casamento, Rachel (Irene Ravache) decide se separar do marido, o empresário Virgílio (Cécil Thiré). Disposta a dar uma virada em sua vida, ela se muda de Petrópolis para a zona sul do Rio de Janeiro com a filha, Clara (Débora Bloch), passando a morar na casa da mãe, Laura (Beatriz Segall), em Ipanema. Ali ela se apaixona pelo charmoso, mas rude, Heitor (Jardel Filho), dono de uma oficina mecânica. Ele mora com a irmã, Irene (Beatriz Lyra), em um sobrado antigo, um dos principais cenários da novela.

Após tantos anos de casamento, Rachel tem dificuldades para se entregar ao novo relacionamento, mas Heitor a conquista. O casal vive um intenso romance, que não conta com o apoio da mãe e dos amigos de Rachel por conta da diferença de classe social entre os dois. Mas, apaixonada, ela se muda para o sobrado do mecânico. Clara sofre com a separação dos pais e fica muito dividida, especialmente por ter que se afastar do convívio com o pai, a quem é muito ligada. Virgílio não aceita a separação, cercando Rachel de todas as maneiras e dizendo a todos que ainda a ama.

O ator Jardel Filho morreu de ataque cardíaco em 19 de fevereiro de 1983, antes do desfecho da trama. Com a sua morte, o destino de Rachel sofre alterações. Ela passa a ser cortejada pelo professor Horácio (Paulo Figueiredo) e por Virgílio, mesmo depois de descobrir que está esperando um filho de Heitor. No último capítulo da novela, Rachel dá à luz um menino. Virgílio, feliz, vai à maternidade dar os parabéns ao grande amor de sua vida e fica comovido com o bebê. A cena final mostra os três juntos, dando a entender que o casal poderá se reconciliar.

TRAMA PARALELAS

O mecânico e o médico charlatão

No decorrer da trama, Heitor (Jardel Filho) enfrenta o médico charlatão Hilário (Carlos Kroeber), proprietário do terreno em que mora junto com seu ajudante, o surdo-mudo Abel (Tony Ramos). Ao descobrir que sua mulher, Sofia (Yara Amaral), teve um caso com o pai de Abel, Caetano (Gianfrancesco Guarnieri), Hilário exige que o rapaz seja expulso do casarão.

O triste Abel

Abel, de quem as pessoas sabem muito pouco, é um jovem divertido, sensível e inteligente, que esconde suas tristezas. Aos 8 anos de idade, teve meningite e ficou surdo. A deficiência, no entanto, não o impede de aproveitar ao máximo a vida: ele é amante do futebol, adora tomar chope e paquerar. Aos 18 anos, Abel foi abandonado pelo pai, tornando-se uma pessoa mais reclusa. O rapaz, que desconhece a identidade da mãe, emprega-se na oficina de Heitor e passa a morar com ele no sobrado. Por conta da proximidade com Abel, Rachel (Irene Ravache) encontra uma oportunidade de dar aulas para uma turma de deficientes auditivos no colégio onde ele estuda. Ao longo da trama, Abel desperta o amor de Clara (Débora Bloch) e Olívia (Carla Camurati), casando-se com a primeira no final da novela.

O mistério sobre a origem de Abel é revelado no fim da história. Seu pai o abandonou porque, há muitos anos, fora acusado de crime de curandeirismo, e fugiu para não ser preso. A mãe de Abel é Sofia (Yara Amaral) que, ao dar à luz, pensou que o filho tivesse morrido. Reencontrando a mãe, Abel ganha dois irmãos, Miguel (Mário Gomes) e Romeu (Miguel Falabella). Além disso, o rapaz se submete a exercícios de logopedia e fonoaudiologia e reaprende a falar.

CENAS MARCANTES

Uma das cenas mais comoventes da novela acontece nos capítulos finais: ao descobrirem que são mãe e filho, Sofia (Yara Amaral) e Abel (Tony Ramos) se abraçam, emocionados.

CURIOSIDADES

Manoel Carlos conta que o mote da trama, sobre uma mulher que decide abrir mão de um casamento aparentemente feliz, onde tem tudo, para buscar sua verdadeira felicidade, teve uma repercussão negativa na época. Muitos telespectadores mandavam cartas à Globo definindo a atitude de Rachel (Irene Ravache) como um péssimo exemplo.

A morte de Jardel Filho abalou toda a equipe de Sol de Verão. A direção da Globo encomendou uma pesquisa junto ao público para saber se deveria dar continuidade ou não à produção. A maioria dos entrevistados achou que a novela deveria permanecer no ar. O autor Manoel Carlos, no entanto, muito amigo de Jardel Filho, alegou que se sentia impossibilitado de concluir a tarefa, e a direção optou por apressar o fim da trama. Lauro César Muniz foi chamado para escrever os 17 capítulos finais e contou com a assessoria de Gianfrancesco Guarnieri, dramaturgo experiente e ator do elenco da novela.

Jardel Filho em Sol de Verão

Ao final da exibição do último capítulo do qual Jardel Filho participara, o elenco prestou uma homenagem ao ator, dando depoimentos emocionados. Manoel Carlos também prestou sua homenagem: escreveu um texto especial, lido por Gianfrancesco Guarnieri, que foi ao ar no início do capítulo 121. O texto dizia: “Peço a vocês que me vejam não como um dos atores, mas como todos os atores do elenco desta novela (…). Eu peço a todos um instante de reflexão sobre esse velho ofício de esconder a própria vida, sacrificá-la mesmo, em benefício de outras, fictícias, mas que acabam por igualar-se à verdadeira, tão bem são elas vividas. E é por isso que o homem-ator tem que ter muitas vidas dentro de si (…) É por isso que quando morre um ator, morrem tantas pessoas com ele. (…) Quando Cacilda Becker morreu, Carlos Drummond de Andrade escreveu: “Morreram Cacilda Becker”. Assim deve ser dito sempre. Agora… morreram Jardel Filho”. O texto era entremeado por imagens de Jardel Filho e cenas dele como Heitor. Em uma das sequências, o personagem dizia: “Às vezes eu fico pensando… Pra onde será que vai tudo que uma pessoa sabe quando ela morre? É. A cabeça de um homem. Tantos planos, conhecimentos (…) Pra onde vai tudo isso que ele sabia?”

Irene Ravache em Sol de Verão

A primeira cena escrita por Lauro César Muniz mostra o jardim do sobrado de Heitor (Jardel Filho) sendo destruído por um enorme trator. O jardim ficava sob os cuidado de Abel (Tony Rarmos), que colocou uma placa com o nome Heitor. Ali, vários personagens se encontravam. Com a destruição, todos ficam tristes, como se tivessem perdido algo muito importante em suas vidas. Logo em seguida, Rachel (Irene Ravache) anuncia que espera um filho de Heitor. Em conversa com a mãe, ela diz: “É como se ele continuasse vivo dentro de mim. Eu vou ter um filho do homem que eu sempre amei”, referindo-se a Heitor, deixando clara a morte do personagem. Depois, Rachel propõe a todos que reconstruam o jardim, juntos: “A gente não vai se entregar, não. Essa história a gente vai levar até o fim”, diz a personagem, olhando para a câmera.

O desfecho da novela foi bastante tumultuado. Os textos chegavam em cima da hora, e as cenas eram gravadas pouco tempo antes de serem exibidas. Apesar dos problemas, a audiência cresceu no último mês de exibição. Como a novela seguinte ainda não estava pronta, a TV Globo optou por mostrar, logo depois de Sol de Verão, uma versão compacta de O Casarão, novela de Lauro César Muniz, exibida originalmente em 1976.

Manoel Carlos havia planejado um final feliz para Heitor e Rachel. Os dois terminariam a novela juntos e iriam se casar na Holanda. Heitor era descendente de holandeses e tinha o sonho de conhecer a terra de seus antepassados.

Segundo o autor, Vera Fischer foi o primeiro nome pensado por ele para o papel da protagonista Rachel. Mas a atriz não podia estrelar a novela porque havia feito Brilhante, de Gilberto Braga, que terminara cerca de sete meses antes. A escolha de Irene Ravache, no entanto, foi muito acertada, porque a atriz defendeu muito bem sua personagem.

Segundo Manoel Carlos, a ideia para a trama de Sol de Verão nasceu durante uma noite de ano-novo em que ele passou com o amigo Jardel Filho. O autor conta que, na época, estava escrevendo um espetáculo de teatro especialmente para o ator e, durante uma conversa informal, teve a ideia para uma nova novela. O protagonista não poderia ser outro.

Para compor o personagem Abel, Tony Ramos foi ao Instituto Nacional de Educação dos Surdos e gravou imagens de um casal de deficientes auditivos que tinha um filho sem problemas de audição. Com a fita, pôde observar os gestos, os sinais, todas as expressões dos surdos-mudos. O ator contou que passou até a observar a vibração do piso provocada pela música. Como seu personagem trabalhava na oficina mecânica de Heitor, onde havia os mais diversos ruídos, ele teve de aprender a não piscar quando se batia o martelo ou quando um motor começava a funcionar de repente.

O personagem Abel teve grande repercussão entre o público. Nas escolas, as crianças passaram a reproduzir a linguagem dos surdos-mudos. O jornal O Globo chegou a publicar o alfabeto dos sinais, que também começou a ser distribuído em panfletos nas ruas das grandes cidades.

Assim como havia feito em Baila Comigo, novela exibida em 1981, Manoel Carlos escreveu um enredo no qual os personagens representavam as alegrias e tristezas da classe média. O autor firmava ali a marca de seu estilo: a composição de retratos da vida cotidiana das camadas médias nas grandes cidades.

Miguel Falabella em Sol de Verão

Sol de Verão foi um dos primeiros trabalhos da dupla de diretores Guel Arraes e Jorge Fernando na TV Globo. A novela foi, também, a primeira de Miguel Falabella e Irene Ravache na emissora.

TRILHA SONORA

Nacional: 
Você Não Soube Me Amar 
Compositores: Evandro Mesquita / Ricardo Barreto
Intérpretes: Blitz

Muito Estranho 
Compositores: Cláudio Rabello / Dalto
Intérpretes: Dalto

Bilhete 
Compositores: Ivan Lins / Vitor Martins
Intérpretes: Fafá de Belém

Tempo Quente 
Compositores: Lulu Santos / Nelson Motta
Intérpretes: Ricardo Graça Mello

Tempos Modernos 
Compositores: Lulu Santos
Intérpretes: Lulu Santos

Questão de Tempo 
Compositores: Kleiton Ramil
Intérpretes: Nara Leão

Tô que Tô 
Compositores: Kledir Ramil / Kleiton Ramil
Intérpretes: Simone

Esfinge 
Compositores: Djavan
Intérpretes: Djavan

O Melhor Vai Começar 
Compositores: Guilherme Arantes
Intérpretes: Guilherme Arantes

Tendência 
Compositores: Ivone Lara / Jorge Aragão
Intérpretes: Beth Carvalho

Tal Qual Eu Sou 
Compositores: Hermínio Bello de Carvalho / Vital Lima
Intérpretes: Lucinha Araújo (Partic. especial Vital Lima)

Coisas de Casal 
Compositores: Rita Lee / Roberto de Carvalho
Intérpretes: Rádio Táxi
 

Só o Tempo 
Compositores: Paulinho da Viola
Intérpretes: Paulinho da Viola

Sumida 
Compositores: Rose / Wando
Intérpretes: Wando
 
Internacional: 
Baby I Need Your Lovin’ 
Compositores: Holland / Dozier
Intérpretes: Carl Carlton

Don’t Look Back 
Compositores: James Warren
Intérpretes: The Korgis

Être 
Compositores: Georges Garvarentz
Intérpretes: Charles Aznavour

I Don’t Wanna Dance 
Compositores: Eddy Grant
Intérpretes: Eddy Grant

Hard to Say I’m Sorry 
Compositores: D. Foster / P. Cetera
Intérpretes: Chicago

Wot 
Compositores: Captain Sensible
Intérpretes: Captain Sensible

Hypnos 
Compositores: Gerto Heupink
Intérpretes: Future World Orchestra

Situation 
Compositores: Alison Moyet / Vince Clarke
Intérpretes: Yazoo

Save a Prayer 
Compositores: Duran Duran
Intérpretes: Duran Duran

Voyeur 
Compositores: D. Ellingson / D. Hitchings
Intérpretes: Kim Carnes

Love Leads To Madness 
Compositores: Nazareth
Intérpretes: Nazareth

Love And My Best Friend 
Compositores: Angela Winbush / Rene Moore
Intérpretes: Janet Jackson

Do That to Me One More Time 
Compositores: Toni Tennille
Intérpretes: Latimore

Fallin’ Love 
Compositores:
Intérpretes: Sunset

ELENCO EM ORDEM ALFABÉTICA

Adelaide Conceição
Alcione Mazzeo
Ana Maria Sagres – Irmã Alzira, professora do colégio
Beatriz Lyra – Irene
Beatriz Segall – Laura
Beth Wainberg
Camila Amado – Noêmia
Carla Camurati – Olívia
Carlos Kroeber – Hilário
Cécil Thiré – Virgílio
Débora Bloch – Clara
Duse Nacaratti – Madalena
Edson Silva – Gaspar
Gianfrancesco Guarnieri – Caetano
Gésio Amadeu – Pedrinho
Helber Rangel – Germano
Irene Ravache – Rachel
Isabel Ribeiro – Flora
Isabela Garcia
Isis de Oliveira – Beatriz
Ivan Mesquita – Gilberto
Jardel Filho – Heitor
José Prata
Manoel Eliziário – José, caseiro de Petrópolis
Márcia Rodrigues – Geni
Maria Alves – Matilde
Maria Helena Pader – Irmã Luzia
Mario Gomes – Miguel
Miguel Falabella – Romeu
Mônica Torres – Mônica
Monique Curi – Glorinha

Nelson Xavier – Zito
Normal Geraldy

Oberdan Junior – Rogério
Paulo Figueiredo – Horácio
Pratinha – Pelé, entregador da floricultura
Tânia Scher – Lola
Thereza Mascarenhas – Zezé
Tony Ramos – Abel
Yara Amaral – Sofia



Vamos Recordar? O Astro (2011)

Mais de três décadas depois do sucesso de Janete Clair, versão modernizada comemora 60 anos da teledramaturgia brasileira e homenageia a autora. Novela conquistou Emmy.


TRAMA PRINCIPAL

O poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu em sua coluna no Jornal do Brasil, no final dos anos 1970: “Agora que ‘O Astro’ acabou, vamos cuidar da vida.” O escritor se referia a uma das mais bem-sucedidas telenovelas da Rede Globo, escrita por uma mestra do gênero: Janete Clair.
Assim como na trama original, um ilusionista conquista fortuna e amores por meio de seus truques de mágica. Mas também é perseguido pelos inimigos que faz.
 
Herculano Quintanilha (Rodrigo Lombardi) deixa a fictícia Bom Jesus do Rio Claro humilhado, para cumprir oito anos de prisão, após ser vítima de um golpe armado por um falso amigo, Neco (Humberto Martins). Mas é no período de detenção que Herculano aprende o necessário para mudar o rumo de sua vida. Graças a Ferragus (Francisco Cuoco), torna-se expert em ilusionismo e desenvolve o dom da vidência. Ao ser solto, apresenta-se como a grande atração de uma casa de espetáculos no Centro do Rio de Janeiro. E é nessa cidade que conhece dois personagens que transformam sua vida – Amanda Mello Assunção (Carolina Ferraz), sua grande paixão, e Márcio Hayalla (Thiago Fragoso), um grande amigo – e reencontra Neco,  seu maior desafeto. Nessa trajetória, Herculano continua sendo assessorado por Ferragus, que conversa com o ilusionista ora em pensamento ora se materializando como um alter ego. E, assim, eles se mantêm próximos ao longo de toda a história.
A trama contemporânea se inicia em 2002, em plena Copa do Mundo, na pequena cidade de Bom Jesus do Rio Claro, quando Herculano era dono de uma loja de miudezas. Para tentar alcançar suas ambições financeiras, Herculano arma um plano. Valendo-se da confiança que frei Laurindo (Sérgio Mamberti) deposita nele, sugere-lhe a arrecadação de donativos para a reforma da Igreja Matriz. Mas, no fundo, tem a intenção de superfaturar a obra e fugir com todo o dinheiro. Os moradores colaboram, e ele consegue uma quantia substancial para os “reparos”.
O golpista só não imaginava ser traído por Neco, seu parceiro. No dia da fuga dos cúmplices, Neco se adianta e foge com todo o dinheiro. Herculano é perseguido pelos moradores da cidade, ávidos por vingança. Ele, sem saída, entrega-se à polícia, sendo preso e condenado. Na cidade, deixa sua mulher, Doralice (Marcella Muniz), e o filho, Alan (Bernardo Marinho).
Ao chegar à prisão, conhece Ferragus, detido há 15 anos. O prisioneiro é um ilusionista, exaltado pelos companheiros por seus poderes e, por isso, cheio de regalias. Herculano embarca em suas histórias e aprende seus truques. No dia em que está deixando a prisão, já em 2010, durante a Copa do Mundo, Herculano ganha de Ferragus uma ametista, a pedra da sorte de seu mestre.
Já em liberdade, Herculano começa a fazer fama no palco da casa de shows Kosmos, em um sobrado na Lapa, bairro boêmio do Rio de Janeiro. Ele se apresenta como o Professor Astro, a principal atração do estabelecimento. Na cabeça, um turbante e, no centro do adereço, a ametista. Como ajudante do show de ilusionismo e telepatia, ele conta com Valéria (Ellen Roche).

Durante um de seus espetáculos, o olhar do Astro se cruza com o da arquiteta Amanda, herdeira da Construtora Mello Assunção, a ponto de falir. Amanda, muito cética, assiste ao show com ar de indiferença até que Herculano se aproxima dela e lhe conta coisas muito pessoais. Ele lhe diz, por exemplo, que há alguma pessoa dilapidando o patrimônio de sua família. Ela até finge não entender a colocação, mas lembra-se do pai, Adolfo Mello Assunção (Reginaldo Faria), cujas dívidas no pôquer prejudicam a empresa. Como se não bastasse, Herculano pergunta a Amanda sobre o colar que ela pretendia usar naquela noite. A herança de sua mãe foi vendida pelo pai, sem o consentimento de Amanda, para pagar dívidas de jogo.
A empresária deixa a casa de shows, acompanhada de sua amiga Beatriz (Guilhermina Guinle), diretora financeira do Grupo Hayalla, mexida com as observações de Herculano, em um misto de curiosidade e encanto.
No decorrer da trama, Herculano e Amanda se aproximam e se descobrem apaixonados. Mas muitos são os percalços que precisam vencer para ficarem juntos: desde as investidas do empresário Samir Hayalla (Marco Ricca), que tenta conquistar Amanda com o objetivo escuso de dominar a Mello Assunção, até a revelação do passado de Herculano. Amanda se choca ao descobrir que o amado fugiu de Bom Jesus do Rio Claro abandonando mulher e filho.

A família Hayalla

Ainda em primeiro plano na trama, a novela apresenta a família Hayalla, dona de uma rede de supermercados. No começo da história, em comemoração aos 30 anos do Grupo Hayalla, Salomão (Daniel Filho), o patriarca da família, inaugura mais um supermercado no Rio de Janeiro, com direito à presença de autoridades, celebridades e imprensa. No palanque montado para a inauguração, Salomão aguarda que seu filho, Márcio Hayalla (Thiago Fragoso), aproxime-se dos familiares – da mãe Clô (Regina Duarte) e dos tios Samir, Youssef (José Rubens Chachá) e Amin (Tato Gabus) – e prestigie a celebração. Mas o rapaz faz o oposto: distribui dinheiro a mendigos e os deixa entrar no supermercado, bem no meio do evento. O público, então, invade o estabelecimento e leva todos os produtos que consegue pagar com o dinheiro recebido. É uma correria enorme, e Salomão deixa o local indignado com o comportamento do filho.

A reação de Márcio é resultado da relação conflituosa entre ele e o pai, um imigrante libanês que fez fortuna graças ao seu trabalho. Mesmo tendo se tornado muito rico, Salomão continuou trabalhando arduamente e valoriza excessivamente o dinheiro. Márcio, por sua vez, quer viver como um missionário, longe das seduções do mundo material. Ele abomina a hipocrisia e o culto ao dinheiro que reina em sua casa e em sua família. Esses embates frequentes acabam levando a uma ruptura entre os dois, apesar do esforço de Clô em contemporizar a situação.
Mas Márcio ultrapassa os limites. Em uma noite de festa na casa dos Hayallas, o jovem desce as escadarias da mansão tirando a roupa, uma demonstração de seu desapego das coisas materiais – uma referência a São Francisco de Assis. No dia seguinte, o rapaz é internado em uma clínica psiquiátrica, para desespero da mãe.

Crimes e traições

quem_matou_salom_o_hayalla_6_A trama ganha um viés policial com o assassinato de Salomão Hayalla durante uma festa em sua mansão. A investigação toma conta da história, liderada pelos detetives Elizabeth, Eustáquio (Daniel Dantas) e Madureira (Ricardo Duque). Há vários suspeitos, todos com motivos para matar o empresário. Neco é o primeiro a ser preso, mas novas pistas surgem, e ele é inocentado.

 Após a morte de Salomão, Márcio começa a ter visões do pai. O falecido tenta ajudá-lo a tomar
as melhores decisões na empresa e a se livrar dos inimigos. O herdeiro parece criar um vínculo forte com Salomão: assim como o empresário fazia, tem acessos de raiva e esbraveja com as pessoas quando é contrariado. Clô e Lili, sua namorada, sofrem com esse novo lado de Márcio.
De acordo com o testamento de Salomão, o jovem fica com 49% das ações do Grupo Hayalla; 2%, com Clô; e os outros 49%, com os irmãos Samir, Youssef e Amin. Samir dava como certo ser eleito presidente do Grupo Hayallla, mas se surpreende. Márcio fica com o cargo, e Herculano é nomeado seu assessor. O talento e o carisma de Herculano fazem com que ele ascenda a posições de grande poder dentro do grupo. Faz muitos inimigos, sedentos por provar que ele não passa de um vigarista. Tudo em vão, pois ele tem a confiança de Márcio.
Indignado por não ter sido eleito presidente da empresa, Samir arma contra Márcio – tentando
provar sua insanidade mental – e contra Herculano – levantando dúvidas sobre sua credibilidade. Para tal, seduz Clô – tentando transformá-la em aliada para conquistar dela os 2% de participação na empresa – e paga Neco para cometer crimes que afetem Márcio e Herculano. Lili, por exemplo, é sequestrada pelos capangas de Neco, a mando de Samir. O tio até consegue afastar o sobrinho da presidência, mas, em caso de ausência do herdeiro de Salomão, quem assume o cargo é Herculano.
O embate pelo poder continua. Uma das acusações que Samir levanta contra o ilusionista é que ele teria comprado um terreno na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, que serviria para a construção de um supermercado concorrente. Esse negócio, inclusive, afasta Herculano de Amanda, pois ela estava prestes a comprar o terreno. Mas Samir não sai vitorioso, pois Herculano apresenta documentos que comprovam que ele comprou o terreno no nome de Amanda, como um presente para ela. O vidente tanto sai ileso das acusações de Samir como reata o romance com a amada.
A contratação de uma nova secretária para o Grupo Hayalla dá novos ares à trama. Ela chega a ser assediada por Amin, mas nega qualquer aproximação. Acaba se encantando por Herculano Quintanilha e, por isso, torna-se alvo de Samir. Ele vê nela um caminho para destruir Herculano. A essa altura, porém, Samir está enfraquecido: Clô o flagra com Valéria, sua amante. Ele é expulso de casa e perde, mais uma vez, a chance de ser eleito presidente da empresa, pois Clô, como vingança, une-se a Márcio e entrega seu voto a Herculano.
Herculano Quintanilha volta a se apresentar na Kosmos, mas quase morre devido a uma armadilha arquitetada por Samir. Neco e seus capangas sabotam a fechadura mágica da caixa de encantos. O mágico vidente entra nela, cheia de água, durante a apresentação, e fica preso. Só consegue sair dela quebrando o vidro.
Pressionado pelas ameaças de Valéria – que sabe das armações e falcatruas dele – Samir mata a amante. A essa altura, já está em processo uma auditoria no grupo Hayalla, que leva à demissão de Amin e Youssef, acusados de desvios de dinheiro. A auditoria também revela deslizes cometidos por Samir, mas ele vira o jogo a seu favor graças ao depoimento de Nina. Pressionada, ela mente dizendo que Herculano a obrigou a recolher documentos falsos sobre Samir e que o vidente a assediou. Na verdade, a secretária foi chantageada por Samir. Ele disse que se ela não o ajudasse, ele denunciaria à polícia os desvios de dinheiro cometidos pela mãe dela. Além disso, aproveita a situação para estuprá-la.
Mais uma vez, a negociação do terreno na Barra da Tijuca pesa contra Herculano. Um dossiê montado por Samir acaba levando o vidente a ser perseguido pela Polícia Federal. Com as provas recolhidas contra Herculano, Márcio não tem outra saída e o demite do Grupo Hayalla.
Enquanto isso, a trama policial ganha novos personagens. Felipe (Henri Castelli), amante de Clô, é preso acusado de roubo, fraude e por ser suspeito da morte de Salomão. Felipe divide a cela com Neco, preso por Eustáquio (Daniel Dantas) na Kosmos, acusado, entre outros crimes, da morte de Natal. Graças a um alvará de soltura, Neco é solto, mas não antes de, a mando de Samir, armar a morte de Felipe.
Para enfraquecer Herculano, Henri (João Baldasserini), Artur (Rafael Primot), Neco e Ubiraci sequestram Alan, filho do vidente. O rapaz chega a levar um tiro, mas o pai o resgata. Samir, por sua vez, tenta matar Beatriz, amante de Neco e diretora financeira do Grupo Hayalla, afinal ela sabia demais de suas armações, mas Eustáquio chega antes de o crime ser cometido e prende o vilão sob a acusação de ter matado Valéria e de ser suspeito da morte de Salomão. Samir é solto graças a um habeas corpus, mas ainda não está livre de acusações de crimes empresariais. A auditoria no Grupo Hayalla consegue documentos que comprovam que Samir fez negócios ilícitos que prejudicaram a empresa. Por isso, ele é demitido por Márcio. O vilão até tenta provar que o sobrinho é louco, mas a Polícia Federal é acionada antes de qualquer movimento dele. Samir foge usando Nina como refém, mas é preso em um motel. Por não ter diploma universitário, termina em uma cela com detentos comuns.

O final

No último capítulo da novela, Neco é assassinado pela sogra, Consolação (Selma Egrei), após invadir a casa dela e ameaçar matar Laura (Simone Soares), sua ex-mulher, e Lili. Mas a grande surpresa ficou com a revelação do assassino de Salomão: Clô. Ela confessa o crime e diz não se arrepender, afinal livrou-se de um tirano, que tanto maltratou seu filho. Mas pouco antes de ser empurrado pela janela por Clô, Salomão foi traído por Inácio (Pascoal da Conceição), seu mordomo, e Youssef. Inácio trocou as pílulas de antiácido do patrão por veneno, o polônio. Youssef deu uma coronhada na cabeça de Salomão, com uma arma fornecida por sua esposa, Nádia (Vera Zimmermann). Ele estava furioso pelo fato de o
irmão ter dito que ele foi incapaz de ter filhos. Inácio, Youssef e Nádia são presos por tentativa de homicídio. Clô é a assassina.
Ainda no último capítulo, o Grupo Hayalla ganha um novo diretor executivo, José Maurício Fonseca (Márcio Garcia), que, já em sua chegada, atrai a atenção de Nina. Amanda, grávida, vai ao encontro de Herculano em Santa Fé, um país latino-americano, onde o amado tornou-se assessor do presidente. Rebeldes invadem o palácio presidencial e atiram em Herculano. Ele sobrevive, e o casal termina a trama em uma ilha deserta, com um filho.

PRODUÇÃO

A estação de Marumbi, no Paraná, serviu de cenário para as gravações das cenas da fictícia estação ferroviária de Bom Jesus do Rio Claro, cidade natal de Herculano Quintanilha (Rodrigo Lombardi). Logo depois, a equipe de produção da novela seguiu para o presídio do Ahú, em Curitiba, desativado há quatro anos. As cenas da prisão de Quintanilha foram gravadas no local. O diretor-geral Mauro Mendonça Filho esteve à frente das gravações externas no Paraná. As paradas seguintes foram Antonina e Morretes, cidades históricas do litoral paranaense, onde foram registradas mais cenas da fictícia Bom Jesus do Rio Claro.

A equipe, deslocada do Rio de Janeiro para o Paraná, foi composta por cerca de 50 profissionais, integrantes do elenco, da direção, da produção, da cenografia, da engenharia, da produção de arte, do figurino, dos efeitos especiais, assistentes e até mágicos. Nas cenas que se passaram na ferrovia, foram utilizados cerca de 80 figurantes locais. No presídio, em torno de 180 e, em Antonina e Morretes, mais de 200 moradores fizeram parte da figuração.

No total, foram 12 dias de gravação no Paraná. Em Curitiba, participaram das gravações os atores Rodrigo Lombardi, Francisco Cuoco (Ferragus), Marcella Muniz (Doralice, ex-mulher de Herculano) e Bernardo Marinho (Alan, filho de Herculano). No litoral, além do elenco citado, participaram, entre outros, Humberto Martins (Neco) e Sérgio Mamberti (Frei Laurindo).

CURIOSIDADES

A trama de Janete Clair mobilizou todo o país na década de 1970, quando os telespectadores queriam descobrir quem matou Salomão Hayalla (Dionísio Azevedo, agora Daniel Filho) e o desfecho de Herculano Quintanilha (Francisco Cuoco, agoraRodrigo Lombardi). A história de Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro preserva os pilares básicos da história original, mas se passa nos anos 2010. O trabalho aposta em um novo horário e um novo formato: é mais longo que uma minissérie e mais curto que uma novela, sendo exibido às 23h. O horário permitiu a exibição de cenas mais picantes.

Os atores diretamente ligados aos shows de ilusionismo tiveram aulas com mágicos, em São Paulo. Além do workshop, Rodrigo Lombardi e Ellen Roche (Valéria) ensaiaram os números de magia com a ajuda de consultores, horas antes de executá-los para as câmeras.

Na primeira versão da novela, Lili (Elizabeth Savalla, agora Alinne Moraes) e Neco (Flávio Migliaccio, agora Humberto Martins) moravam no Engenho Novo, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Na novela de Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro, optou-se pela Penha, também na Zona Norte.

Francisco Cuoco na primeira versão de O Astro

A participação de Francisco Cuoco na novela como Ferragus, conselheiro de Herculano Quintanilha, foi uma homenagem ao ator, protagonista da trama original de Janete Clair. O convite a Cuoco foi uma ideia conjunta do diretor Roberto Talma e dos autores Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro.

Regina Duarte define Clô como uma personagem bipolar. Sua personalidade era caracterizada por períodos de excitação, euforia ou hiperatividade, alternados com outros de depressão, tristeza ou inatividade. Para compor sua personagem, não usou como referência a criação de Tereza Raquel, intérprete de Clô na versão de Janete Clair. Mas usou como base a loucura da personagem, o seu desequilíbrio. Para a atriz, as caretas de Clô explicitavam sua necessidade de exacerbar tudo.

Dionísio Azevedo, o Salomão de 1977

Em O Astro, Janete Clair lançou a ideia do suspense policial novelesco. O mistério sobre a morte de Salomão Hayala durou cinco meses, mais da metade da novela, que esteve no ar de dezembro de 1977 a julho de 1978. Foi com o assassinato do libanês Salomão Hayalla que nasceu o bordão “quem matou…?”, retomado anos depois em Vale Tudo (1988), com a morte de Odete Roitman (Beatriz Segall). Na trama original, coube a Felipe Cerqueira (Edwin Luisi, agora Henri Castelli), jovem amante de Clô Hayala (Tereza Rachel, agora Regina Duarte), esposa de Salomão, ser o algoz. Na primeira versão, ele golpeia Hayalla na cabeça com um revólver e entra para a história da teledramaturgia.

A história de Herculano Quintanilha foi baseada na trajetória do ex-ministro do Bem-Estar Social da Argentina López Rega, conhecido como El Brujo, influente no último governo do ex-presidente argentino Juan Domingo Perón.

Em 2011, O Astro tornou-se tema de debate no Congresso Mundial da Indústria da Telenovela e Ficção, em Miami, nos Estados Unidos. Na ocasião, Mauro Alencar, especialista em telenovelas, apresentou um estudo sobre remakes.

O sambista e compositor Arlindo Cruz fez uma participação especial em O Astro, tocando em um show especial para Natal (Antonio Calloni).

Em 2012, a segunda versão de O Astro ganhou o Prêmio Emmy Internacional, na categoria Melhor Novela. Foi a segunda vez que uma trama da TV Globo conquistou aquele que é considerado o oscar da televisão; a primeira foi a novela Caminho das Índias, de Gloria Perez, exibida em 2009. O júri da 40ª edição do Prêmio Emmy escolheu, ainda, o seriado A Mulher Invisível (2011) como a Melhor Comédia.

Elenco
Alessandro Anes
Alexandre Damascena
Alinne Moraes – Lili
Anna Luiza Mendonça
Antônio Calloni – Natal
Bel Kutner – Sílvia
Bernardo Marinho – Alan
Carolina Chalitta – Tânia
Carolina Ferraz – Amanda Mello Assunção
Carolina Kasting – Jamile Afuss Hayalla
Celso Frateschi – Nelson Cerqueira
Claudio Albuquerque
Daniel Dantas – Inspetor Eustáquio
Daniel Filho – Salomão Hayalla
Eduardo Maraninchi
Ellen Rocche – Valéria
Fernanda Rodrigues – Jôse
Francisco Cuoco – Ferragus
Frank Menezes – Cleiton
Guilhermina Guinle – Beatriz
Hannah Romanazzi – Luísa Belucci
Henri Castelli – Felipe
Humberto Martins – Neco
Izak Dahora – Dimas
Jefferson Goulart – Aminzinho (Amin Hayalla Filho)
João Baldasserini – Henri Sorei
Jonas Mello – Dr. Alberico
José Rubens Chachá – Youssef Hayalla
Juliana Paes – Nina
Lara Rodrigues – Lurdes (Lurdinha)
Lincoln Tornado
Luca de Castro – Joaquim
Luiz Magnelli – Galego
Marcela Muniz – Doralice
Marco Ricca – Samir Hayalla
Marco Vilela
Maria Pompeu – Dalva
Mariana Bassoul – Carmem
Mila Moreira – Miriam
Naira Martins
Natália Souto – Das Dores
Natália Soutto
Orion Ximenes
Pablo Sanábio – Pablo
Pascoal da Conceição – Inácio
Paulo Ascenção
Rafael Losso – Olavo
Rafael Primot – Artur
Regina Duarte – Clô Hayalla
Reginaldo Faria – Adolfo Mello Assunção
Rodrigo Lombardi – Herculano Quintanilha (Professor Astro)
Rodrigo Mendonça – Ubiraci
Rosamaria Murtinho – Magda
Selma Egrei – Consolação
Sérgio Mamberti – padre Laurindo
Simone Soares – Laura
Tato Gabus Mendes – Amin Hayalla
Thiago Fragoso – Márcio Hayalla
Tuna Dwek – Nilza
Úrsula Corona – Elizabeth
Vera Zimmermann – Nádia Cury Hayalla



Vamos Recordar? O Sheik de Agadir (1966)

A novela de Glória Magadan foi uma das mais representativas da linha capa e espada seguida pela emissora nos anos 1960.

TRAMA PRINCIPAL

Baseada no romance Taras Bulba, de Nikolai Gogol, a trama tem como cenários um reino árabe e a França ocupada por nazistas.

O xeque Omar Ben Nazir (Henrique Martins) disputa o amor da francesa Janette Legrand (Yoná Magalhães) com o oficial do Exército francês Maurice Dummont (Amilton Fernandes).

Estranhos assassinatos garantiram o suspense da história, mas só se sabia que o criminoso usava a alcunha de Rato. No final da trama descobre-se que o responsável pelas mortes era a princesa árabe Éden de Bássora (Marieta Severo).

GALERIA DE PERSONAGENS

Yoná Magalhães e Amilton Fernandes em cena de O Sheik de Agadir

OMAR BEN NAZIR (Henrique Martins) Xeque. Disputa o amor da francesa Janette Legrand (Yoná Magalhães) com o oficial Maurice Dummont (Amilton Fernandes).
JANETTE LEGRAND (Yoná Magalhães) – Mulher francesa, disputada pelo xeque Omar (Henrique Martins) e pelo oficial Maurice Dummont (Amilton Fernandes).
MAURICE DUMMONT (Amilton Fernandes) Oficial do Exército francês. Ele disputa o amor de Janette (Yoná Magalhães) com o xeque Omar (Henrique Martins).
ÉDEN DE BÁSSORA (Marieta Severo) Princesa árabe, responsável pelos misteriosos assassinatos que ocorrem durante a trama. Usando a alcunha de Rato, deixava um par de luvas pretas ao lado do cadáver após estrangular suas vítimas.
LEGRAND (Luiz Orioni) Pai de Janette Legrand (Yoná Magalhães).
OTTO VON LUCKEN (Mário Lago) Coronel nazista.
HANS STAUBEN (Emiliano Queiroz) – Oficial nazista e espião.
FRIEDA (Márcia de Windsor) – Nazista

PRODUÇÃO

As cenas de deserto foram gravadas nas dunas da restinga da Marambaia, no litoral fluminense. Nas cenas de guerra com cavalos, dezenas de alunos da escola da Hípica atuaram como figurantes e foram usados equipamentos do Exército.

Segundo Carlos Villa Nova, então chefe do controle mestre da TV Globo, havia uma área do local de gravação que só podia ser acessada em determinados períodos do dia, quando a maré ainda estava baixa. Muitas vezes, quando as gravações atrasavam, a maré subia, e os envolvidos na cena ficavam isolados do resto da equipe durante horas. Quando a maré descia, o trecho tinha que ser atravessado rápido ou havia o perigo de os jipes usados pela produção ficarem atolados na areia. Certa vez, um câmera parou seu jipe para tirar fotos da paisagem marítima. Quando se deu conta, metade do veículo havia afundado na areia. No dia seguinte, o jipe foi resgatado por um guincho do Exército. Devido a incidentes como esse, a iniciativa da emissora de gravar a novela na Restinga de Marambaia foi considerada insana na época.

Para possibilitar a comunicação entre o estúdio e o local de gravação, numa época em que não havia as facilidades tecnológicas de hoje, a produção usou os transmissores do Touring Club, firma que socorre automóveis enguiçados.

CENOGRAFIA E ARTE

Uma das cenas escritas por Glória Magadan mencionava uma metralhadora nazista. Não havia nada parecido à disposição da produção. A solução foi improvisar e construir uma usando três pedaços de cabo de vassoura, três rolos de papel higiênico, fita banana, graxa de sapato preta e cápsula de bala.

CURIOSIDADES

O Sheik de Agadir marcou a estreia de Mário Lago na TV Globo. Comunista assumido, o ator teve que contornar a resistência de Glória Magadan para ser admitido na novela e viver o coronel nazista Otto von Lucken. A autora cubana era anticastrista. Mário Lago só foi mantido no elenco por insistência de Walter Clark.

O ator Sebastião Vasconcelos, por sua vez, foi eliminado da trama porque Magadan o achava parecido com Fidel Castro. Seu personagem foi uma das vítimas do assassino Rato.

A novela de Glória Magadan foi uma das mais representativas da linha capa e espada trilhada pela emissora nos anos 1960.

Os atores que viveram os personagens nazistas ganharam a antipatia do público. Emiliano Queirozchegou a ser agredido por uma espectadora indignada numa loja de departamentos em Copacabana, no Rio de Janeiro, um dia depois da exibição da cena em que seu vilão assassinou Marcel, o personagem de Cláudio Marzo.

Marieta Severo era O Rato

A TV Globo promoveu um concurso para incentivar os telespectadores a descobrir a identidade do personagem assassino, mas ninguém acertou. Inúmeras vezes por dia, a emissora veiculava a pergunta: “Quem é o assassino?” O Rato era a princesa árabe Éden de Bassora, interpretada por Marieta Severo, então com 19 anos, em seu primeiro papel em novelas. Após estrangular as vítimas, o Rato deixava um par de luvas pretas ao lado do cadáver.

ABERTURA

A abertura foi realizada com uma tomada da própria gravação, exibindo um cavalo empinado por Henrique Martins, intérprete de Omar Ben Nazir, tendo como cenário um grande areal.

Elenco: 
Amilton Fernandes – Maurice Dummont
Angelito Mello – Ibrahim
Cláudio Marzo – Marcel
Emiliano Queiroz – Hans Stauben
Henrique Martins – Sheik Omar Ben Nazir
Leila Diniz – Madelon
Luiz Orioni – Legrand
Márcia de Windsor – Frieda
Marieta Severo – Eden
Mário Lago – Otto Von Lucken
Paulo Gonçalves – Luciano
Sebastião Vasconcelos
Silvio Rocha – Ahmed
Vanda Marchetti – Julieta
Yara Lins – Valentina
Yoná Magalhães – Janette Legrand
Waldir Santana


Produção:
Tatiana Memória  
Cenografia: Peter Gasper



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